O FLANELINHA

O homem o qual me deparei hoje trazia uma flanela amarela, encardida pelos polimentos de tantos carros que as pessoas lhe ordenam que lave todos os dias, sem direito às férias, feriados ou algum descanso. Tinha por volta de quarenta e cinco anos de idade, mal contemplados pelas intempéries do destino; mostrava um rosto suado, sofrido, mas não pude reparar ali a miserabilidade que acode a alma dos desgraçados; vi que em sua postura, como homem, existia uma linha tênue de sobrevivência permitida que o enchia de orgulho no peito; que, em se tratando de suas angústias cotidianas algo cruel se inflamava e lhe agraciava com migalhas para completar o ciclo elementar da vida.

No canto, ancorada em um poste, rente à calçada, estava uma cumbuca amaçada de alumínio, com restos de comida misturados, sem atração nenhuma ao olhar mais faminto; àqueles restos estavam recostados como sobras de uma refeição que não contentara, porque as experiências extraordinárias da alta gastronomia não estavam ali; supostamente, existia o dever cumprido de ter alimentado seu organismo para mais um dia de labuta. Pude reparar que sua boca ainda remexia a comida, um ato disforme, que não havia prazer em mastigar a última porção.

Talvez tenham passado despercebidas as manchas que existem em suas mãos, pois o movimento desconcertante da flanela, os restos da comida e o lugar perpetuado pelas belezas de um dia de chuva, que embala o mar na sublime calmaria e desnuda as pedras engolfadas pelo silêncio, magnitude e mistério do senhor das águas, tomaram o cenário que tanto embasbacava os transeuntes.

Nesse caminho e com toda essa narrativa já incrustada em minha mente, a passos lagos, eu caminhara em direção às delícias de um restaurante à beira-mar, para saborear um prato diversificado e beber algo para acompanhar a refeição. Posso confessar que a história ficou gravada a cada movimento dos talheres, das pessoas ao redor, dos garçons que passavam com os pedidos, dos instrumentos dos músicos que mudavam as tonalidades, enfim, o horror da verdade já mostrara seus demônios insustentáveis dentro de mim.

Enquanto isso, o olhar atento do flanelinha transitava entre os cenários; os carros, que estacionavam junto à calçada à beira-mar, os clientes que estavam saindo do restaurante, do outro lado da rua; e seu mundo decadente, conformado pelas sobras de uma sociedade atônita, sobrevivente das delícias da superficialidade bestial que acode o mundo contemporâneo.

Já me acostumei com a terrível verdade de que tenho faro ácido para as misérias humanas, detecto os instintos mais febris e desgraçados que percorrem vielas, subúrbios, bairros de elite; estão entre nós, passeiam pelas calçadas dos bares, restaurantes, supermercados, lojas, avenidas movimentadas; andam, perambulam de forma demente, sem rumo, lugar ou algum compromisso marcado. Quando os vejo, chamo-os em meu inconsciente de tipos humanos, ecoam dentro de mim como uma música triste que quebra o mais fino vidro e rasga nossa pele à espera das surpresas fantasiosas.

E são esses tipos que me fazem respirar todos os dias e sentir a parte mais humana que existe dentro do homem; são eles, que negam o conformismo elaborado pelas mãos de ferro dos nossos governantes. Estes carrascos que incutem pragmatismos inúteis, criam campos de batalhas e mascaram a sociedade com campanhas fúteis, custeadas com o dinheiro de tipos humanos como o flanelinha, os miseráveis das ruas, você, que está lendo essa crônica perniciosa e eu, que de tão inflamada pelas situações que me fazem sobreviver, tenho a missão de transmitir as futilidades da miséria alheia através da literatura, para que algum dia, quando vier o paraíso prometido, eu possa ver que meu protesto não foi em vão.
Resenha: “Nada a Perder” – Edir Macedo 
 
Resumo do Livro “Nada a Perder”, de Edir Macedo.

“Momentos de convicção que mudaram a minha vida” – Edir Macedo

Segredos guardados por décadas. Momentos de decisão e descobertas espirituais contadas, com riqueza de detalhes, pelas próprias palavras de um dos principais líderes evangélicos do mundo. No primeiro volume de sua trilogia de memórias, o bispo Edir Macedo nos surpreende com revelações profundas. 
Como um brasileiro comum decide pregar sua fé nas ruas e praças públicas e, 35 anos depois, lidera uma Igreja atuante em mais de 200 países com milhões de fiéis nos lugares mais remotos do planeta? Como tudo isso começou? Como ele se tornou proprietário da segunda maior emissora de televisão do Brasil? Quais os dilemas e os desafios interiores enfrentados no início dessa jornada? Qual a origem dessa crença capaz de superar limites?

Uma comovente volta ao passado com lições para o presente e o futuro. Experiências tocantes com aprendizados para a vida.

Fonte: Editora Planeta

Resenha do Livro

Eu li o Livro “Nada a perder – Minha Biografia” do Edir Macedo.

Meu objetivo com essa obra era identificar o fenômeno, o pastor, o homem por trás da edificada e potente Igreja Universal. Sinceramente não me arrependi. Pretendia ler aos poucos, mas acabei devorando as passagens de cada capítulo. Agora estou aqui, pronto para resenhar este livro, espero que ao final me sobre fôlego para continuar minha caminhada.

O primeiro volume de uma série de três livros em que o Edir Macedo conta sua trajetória. Já sou franco em afirmar, que minha vida foi construída em um pessimismo cético perante a religião. Teve momentos que acreditei que a igreja era sem cor, e o homem o sucesso da liberdade, hoje não sei no que acreditar, principalmente porque o homem se tornou em uma criatura opaca.

Ao ler a autobiografia, percebi o quanto o Bispo quis e conseguiu ser tornar uma santidade em vida, ele condena e julga. Ensina as pessoas a pensarem da forma dele, que alimenta ser a maneira de Deus. O que eu vi nele, – foi apenas um jovem sonhador e cheio de furos espirituais, pronto para encontrar uma ideologia. Um livro que transporta as lembranças profundas de um homem. O texto é uma narrativa que tenta humanizar o “senhor dos dízimos”, cuja missão, digamos foi bem alcançada, ainda mais que, mostra relatos de intimidade deste fenômeno sociológico.

O engraçado que as maiorias das pessoas que conheço, que inclusive estão lendo o livro, digladiam comigo, expressando que eu deveria ter lido com o coração aberto, para me identificar com a luta deste homem e também para aprender a ser perseverante. Pois a Universal facilita a vida de seus fiéis, devido a todos serem tocados por Deus. E falando nele (Deus), o Bispo ressalta muito a importância desta figura paternalista, mostrando o seu caráter ali, nas suas escolhas e na forma que o mundo brinca para confundir os fortes. Uma coisa cômica nas passagens iniciais do livro é sobre a simplicidade maniqueísta que o escritor tenta passar, principalmente quando a essência do Edir Macedo transporta para a sua prisão na década de 1990. Ali, fica bem claro quem é o Herói e o vilão.

Eu não sei, ao ler esta obra, vejo uma identidade voraz e animalesca de querer crescer na vida, usando o óbvio, Deus. É só analisarmos que no livro mostra como essas igrejas evangélicas se usam de uma visão arbitrária e antiética de nepotismo. Sabemos que, as principais igrejas são controladas por pessoas ligadas a família do Edir Macedo. Outra denominação que foi citada na obra foi a do seu cunhado – Romildo Ribeiro Soares, o “vulgo” R.R.Soares – a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980). Mas o melhor, é que no livro deixa bem claro que, privatizar o espírito santo e a fé, é um mercado lucrativo.

A teologia da prosperidade faz o fiel encarar Deus como um sócio. Imaginemos que tudo que construímos em vida, deve ser dividida com Deus, então, o que a nós pertence, passa a pertencer a obra de Deus (Igrejas e seus líderes). Incrível, não é? E o pior, que todos que adentrar este espaço, viram um Supercrente.

“Nada a perder” é um livro que todos devem ler. Você vai ler uma obra que dita um coronelismo evangélico, personagens midiáticos na sua criação. Se Dizem que Deus criou o Homem, atualmente o homem cria a fé, da sua forma e maneira.

Quando fechei o livro, contive minhas emoções sombrias que emanavam em minha consciência. Entendi um pouco a historinha a Igreja Universal, criada em 1977 por Edir Macedo, sob a égide do Neopentecostalismo. O jovem contou boa parte da vida dele, para quem gosta, é uma obra de fé, para quem não gosta, é um livro comum, talvez bem escrito. Se preferir nem leia, vá para a sua varanda, tem que ser de madrugada, olhe para o céu, e imagine ser Deus.
RUÍDO

Fala-se pouco de poluição sonora. Será preciso falar alto— para que nos ouçam sobre tão esquecido assunto. Precisa alguém de saber do que se trata, ruído, barulho em excesso, contaminação acústica ou tão simplesmente agressão continuada aos nossos tímpanos? Basta conhecer e frequentar a cidade do Porto. O antigo burgo parece tomado por euforia acústica grave, se percorremos uma das suas ruas mais movimentadas. À semana é pior do que aos fins-de-semana. Os dias úteis são dias de barulho. O cidadão não tem direito ao silêncio, de onde vem toda a concentração, todo o pensamento, toda a música, para contrastar este universo dos sons.

Conhecido todos os perigos e malefícios do ruído em altas doses, para a saúde física e mental dos humanos, diremos que o barulho é um dos sintomas de uma cidade que se desumaniza, que não comunica, que agride e hostiliza os mais fracos e vulneráveis. A brutalidade do dia-a-dia pode também ser medida em decibéis, o ambiente urbano torna-se agreste e duro— quando a cidade deveria ser pátria dos que a habitam ou nela trabalham ou visitam, não um poço de perigos e de disfunções.

Claro que o tráfego automóvel, excessivo ele também e dominante, representa um dos factores mais importantes na geração de ruído. Mas ele há outros factores e bem pesados um pouco por toda a parte. Fenómenos localizados podem agravar o cenário sonoro: casas de diversão nocturna sem os meios necessários de isolamento, publicidade com recurso a meios sonoros, oficinas, enfim, toda uma constelação de pequenos emissores. Não é raro entrar-se num café ou restaurante e ser-se invadido pela sensação desconfortável de agressão aos ouvidos: a TV com volume excessivo, as máquinas debitando decibéis enquanto saem meias de leite ou cafés, até a manipulação de louça demasiado perto dos utentes.

Moídos pelo ruído, nervos em franja, acicatamos anda mais o massacre: é a buzina fora de hora e de lei por tudo e por nada, é a motorizada que atravessa uma avenida e atormenta milhares de pessoas no seu irritante percurso, enfim, o que não falta são exemplos do quotidiano infeliz.

Para tudo isto existe legislação suficiente— falta fazê-la cumprir. Os municípios não podem alhear-se deste drama, tanto mais que as «Cartas de Ruído» devem integrar os Planos Directores Municipais.
Um estudo recente revelou que «os níveis de ruído nas principais avenidas e eixos rodoviários das grandes cidades são «significativamente elevados» e «acima do que seria recomendável», com Lisboa e Porto a encabeçarem a lista negra das cidades mais ruidosas, com resultados «substancialmente perigosos».
Mais: «Os níveis estipulados como aceitáveis nas zonas urbanas em período diurno varia entre os 63 e 65 decibéis, mas Lisboa e Porto registaram valores superiores a 70 decibéis, com a zona dos Aliados, no Porto, a atingir os 76 decibéis».

«Nas principais avenidas e junto aos principais eixos das grandes cidades os valores são significativamente elevados, acima do que seria recomendável do ponto de vista de saúde e acima dos valores regulamentados» diz a Sociedade Portuguesa de Acústica.

Um problema ambiental que urge enfrentar com determinação.
Enquanto isso não acontece, vamos ficando surdos e nevróticos, incapazes de pensar e de viver em plenitude.

Os pássaros das cidades já se tentam adaptar: apurou-se em várias pesquisas que «os pássaros da área urbana dedicam mais tempo a cantar para compensar o ruído ambiente, prestando menos atenção a outras tarefas como a defesa ante possíveis predadores. E cantam muito mais alto do que os seus parentes rurais».
Nem as aves escapam!

Bernardino Guimarães
(Crónica publicada no Jornal de Notícias, 10/5/2011)

Dylan Shields- escultor Britânico, tem um trabalho interessante de esculturas feitas com papelão e fita adesiva.

Predominantemente focado nas esculturas e investigando a relação entre a arte tradicional e o uso de materiais contemporâneos, o artista explora a relação entre a história da arte e seu contexto na sociedade moderna, destacando as narrativas esquecidas, de velhos mestres.

Mais do que isso, Shields re-examina o contexto moral por meio de papelão e fita adesiva, como você pode conferir abaixo... 
Girafas, guardanapos e um pouco de prosa poética

Por Elsa Villon

Ele se chama Pedro. Ele se chama Gabriel. Mas foi como Antônio e por meio de sua arte em guardanapos que ficou conhecido. Ou melhor, que seu trabalho foi conhecido (e reconhecido). Autor do tumblr Eu me chamo Antônio, em quase 4 meses já conseguiu muitos admiradores. E claro, admiradoras. A sinceridade e a simplicidade dão o toque para transformar “rabiscos que qualquer imbecil faria” em algo genuíno. A retórica, simples sem ser simplória, só reafirma o conteúdo ilustrado. E a maneira inusitada de aliar tecnologia a tudo a isso já lhe renderam alguns frutos.

Sem odes a seu nome ou imagem, todos os mais de 16 mil likes conquistados com sua página no Facebook – em suposto anonimato, ou antonimato. “Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora). Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço”, pontuou o artista, atitude essa que demonstra seu real intuito: disseminar seu trabalho, não sua pessoa.

Nascido em N´Djamena, capital do país africano Chade, viveu lá até os 5 anos de idade, quando conheceu o solo tupiniquim. Regressou ao continente ainda jovem, dessa vez para Cabo Verde até voltar ao nosso país tropical. Sem fusca ou violão, é o único irmão de 3 irmãs, duas delas respectivamente na França e Bélgica e com o pai na Suíça. Antônio pode não ser brasileiro de nascença, mas domina perfeitamente um idioma universal – o dos corações partidos.

Confiram abaixo um pouco da vida desse redator publicitário que nos faz crer que essa profissão parece comercial, mas no fundo, também sofre por amor.

- Li em uma outra entrevista, para a Revista Mambembe, dizendo que você é bem tímido. Isso é verdade?

Sim. Mas é uma timidez adaptável. Depois que eu conheço a pessoa, ou a situação, começo a me sentir mais à vontade. Falar em público, apresentar trabalhos, aparecer no famoso “primeiro encontro”, tudo isso, me assusta um pouco. Um susto superável, claro. Mas não é algo que me deixa à vontade. Gosto de observar, ficar quietinho na minha, ouvindo, ouvindo, ouvindo. Minha timidez não é anti- social. É a timidez de quem gosta de observar o mundo, apenas. A timidez de quem precisa criar para se comunicar...

- No caso, essa timidez é uma das causas do anonimato, ou antonimato – como conversamos?

Não. Na verdade o anonimato não é bem um anonimato. É mais uma forma de valorizar o que realmente interessa: o conteúdo. Eu não escondo meu nome. Muitos já sabem quem eu sou, muitos já viram meu rosto. Eu só não mostro minha foto na fanpage porque não há necessidade. Ali é o espaço da minha arte, não o meu espaço. Ali, as pessoas devem gostar do Eu Me Chamo Antônio pelas palavras, pelos guardanapos, nada além disso.

O mais importante para o artista deve ser a sua arte. O artista é simplesmente um meio, uma forma humana que nasceu para dar vida à criação. Se eu sou moreno, alto, bonito, feio, homem, mulher, baixo, gordo, magro, se uso barba, se tenho 3 graus de miopia em cada olho, isso importa? Espero que não. Agora, se o que eu escrevo tem a capacidade de emocionar, de arrancar um sorriso, de fazer uma lágrima escorrer, ou causar qualquer outra reação no receptor da mensagem, isso sim deve importar. A arte precisa criar diálogos, retóricas, interações, intervenções... Senão deixa de ser arte e passa a ser monotonia.

- Você comentou também que pretende “se revelar” em breve? Pode contar algum plano ou qualquer detalhe estraga a surpresa (ou o fim dela)?

Acho que está bom como está, por enquanto.Tudo tem seu tempo para ser revelado ou escondido, para ser lembrado ou esquecido. Sou ansioso, mas não tenho pressa. As coisas estão seguindo um caminho tão bonito do jeito que estão. Não faz sentido colocar atalhos, né? Diariamente tenho recebido mensagens pedindo para que eu poste uma foto minha na página (do Facebook). Outras dizendo que já sabem quem eu sou, que me acharam (oi???). Acho graça. Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora).

Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço. Tampouco sou um foragido da justiça, pago meus impostos bonitinho. Devo um dinheiro aqui e outro ali ao banco, como todo sujeito que respira nos tempos modernos. O problema é que muita gente não entende que, ali, eu só valorizo o que deve ser valorizado: o conteúdo, não a embalagem. Mas, respondendo à sua pergunta mais objetivamente, estou em contato com 2 amigas para fazer uma gravação bem bonita sobre o projeto Eu Me Chamo Antônio.

Agora, se eu vou ou não aparecer neste vídeo, isso será decidido durante a construção do roteiro. (O que posso dizer é que estou correndo diariamente para tentar ficar elegante caso apareça no vídeo. Tá difícil, viu?).

- Acompanhando seu tumblr, vi que suas publicações começaram em outubro. Os guardanapos começaram nessa época ou foi antes e só então decidiu publicá-los?

Eu sempre rabisquei em tudo o que via, em tudo o que eu tinha em mãos, em tudo o que cabia no bolso: cadernos velhos, contas vencidas, envelopes abertos... Mas foi em outubro que eu tive o “estalo”. As frases sempre existiram. Todo mundo tem um mundo de frases mudas que esperam uma oportunidade de serem ouvidas, escritas. Eu tenho um monte delas em incontáveis cadernos espalhados pelo meu quarto, na memória do meu celular... Nós somos os deuses dos nossos ideais, das nossas ideias. A diferença é que algumas pessoas as exteriorizam (essas, chamadas de artistas) e outras as silenciam. Mas foi só no finalzinho do ano passado que eu comecei a exteriorizar essas palavras especificamente em guardanapos.

O guardanapo é o palco da minha poesia, é a plataforma que encontrei para me esvaziar. Uma plataforma carismática, democrática. Todo mundo pode pegar uma caneta preta e escrever em um guardanapo branco. Todo mundo pode se chamar Antônio. Eu não inventei a caneta preta. Eu não inventei o guardanapo branco. Eu não inventei os filtros da fotografia digital. O que eu inventei foi a forma delicada de juntar tudo isso em um mundo único, meu.

- Houve um grande “estalo” para começar a produzi-los ou era algo involuntário que acabou ganhando maior dimensão?

Estalo é uma palavra que eu gosto. Quem cria não tem início, meio e fim. Tem justamente estalo, continuação e infinitos recomeços. O processo criativo é um eterno recomeçar, com muita tentativa, muito erro e, claro, alguns poucos acertos que fazem tudo valer à pena. Eu comecei a postar conforme ia criando e outras pessoas foram gostando, curtindo, compartilhando. Sinceramente, eu nunca pensei que fosse ganhar essa dimensão.

- Você nasceu escritor e só desenvolveu ou era aquela criança que não gostava muito de poesia, de ler, se alinhava mais no desenho e acabou casando as duas artes depois de grande?

Eu não me considero escritor. Sou um cara que se esvazia colocando frases curtas em pequenos guardanapos cheios de sentimentos. A grandeza de toda obra está na interpretação de quem admira, contempla. A arte por si só não é nada, não vale nada. Mas a vida do leitor, a vida do ouvinte, a vida do
receptor deste diálogo poético é que dá vida à obra.

Poesia? Hmmm... Acho que nunca gostei de poesia, poesia. Sabe? Versos metrificados, rimas estudadas,
sílabas matematicamente contabilizadas, palavras rebuscadas que quase ninguém entende. Quando começam a encher de técnica e teoria, a poesia deixa de ser poesia e passa a ser texto acadêmico. Isso sempre me incomodou. A palavra precisa ser simples, acessível (Sim, dá pra ser simples e denso!). Ler com o dicionário do lado, não é leitura, é trabalho. A poesia precisa ser igual à novela: entrar na vida das pessoas depois de um dia cansativo; ela não pode te cansar mais do que a rotina. Por isso tem tanta gente fugindo da poesia...

Sobre meus rabiscos: quem vê pode pensar “qualquer imbecil poderia fazer esses traços”. É verdade! Mas eu gosto de rabiscar essa minha imbecilidade. Ela é minha. Uma das poucas coisas realmente nossas são a inteligência e a imbecilidade. Eu nunca me esqueço o conselho de um amigo, que quando me encontra sempre diz: “Preserve sempre um pouquinho de ignorância”. Acho que a ignorância do meu desenho e a simplicidade da minha palavra dialogam muito bem juntos.

- Por que o nome “Antônio”?

Antônio é meu nome. Aliás, uma parte do meu nome. Não tem nenhum mistério, trocadilho, duplo sentido, segundas intenções... Muito menos consultei os astros ou um numerologista. Eu me chamo Antônio. Poderia me chamar Pedro. Poderia me chamar Gabriel. Mas escolhi me chamar Antônio. Eu me chamo Antônio.

- Circulam trechos desprovidos de guardanapos e ilustrações e reza a lenda, são um romance em andamento. Confere?

Sim. Não está mais adiantado porque não tenho tido muito tempo. A escrita é uma terapia, uma fuga letrada. Eu tenho meu trabalho normal, das 9h às 18h. Mas tenho muita coisa pronta na minha cabeça. Uma história bonita (não necessariamente feliz). Que eu gosto de pensar enquanto caminho aos sábados pelo meu bairro ouvindo o solo de Stairway to Heaven, Cartola, Chuck Berry e rap. Gosto muito de rap. Todo poeta deveria ouvir rap, sem preconceito. Facilita na rima, no ritmo, no encaixe das palavras.

- E se fosse um roteiro, definiria a obra em qual momento: introdução, climax ou desfecho?

O romance se chama “O romance inacabado”. O “momento” dele será sempre o ápice antes da conclusão. O fim assusta. Eu não gosto de acabar as coisas. Tudo em mim tem um pouco de inacabado, de inconcluso. Preserve sempre um pouco de inacabado em tudo o que você faz. O inacabado é a forma mais poética e sincera de eternizar um amor, uma obra, um momento, qualquer coisa que faça sentido pra você.

- Com o sucesso dos guardanapos, acha que há uma atenção especial por conta de editoras para quem sabe, publicar e socializar sua obra?

Meu sonho sempre foi ter um livro impresso com uma capa bem bonita e páginas cor marfim. Mas também tenho consciência de que isso é um sonho e que existem tantas realidades a serem vividas antes de viver o sonho. Por agora, vou vivendo um guardanapo de cada vez. E temos que entender a nova necessidade do leitor. Os leitores estão trocando as folhas pelas telas. Me dá uma dorzinha no coração pensar nisso, confesso. Até que ponto essa necessidade é criada pelas empresas ou pelo desejo real do leitor não é um debate que cabe nesta entrevista, mas o fato é que quem quiser sobreviver ou se destacar nesse meio tem que entender que tudo está mudando. Estamos vivenciando a mudança, nós somos a mudança. É bem possível que ainda nesse primeiro semestre, tenha uma linda surpresa, uma surpresa tecnologicamente bonita. Mas eu não crio mais expectativas, não me iludo mais.

Escrevi outro dia no guardanapo que meu mantra para 2013 é “Não me iludo, não me iluda”. É bem isso: vou vivendo sem ilusão as consequências dos meus dias, as incompreensões dos meus amores... Tem me feito mais feliz. Tenho dormido melhor, acordado mais leve. Amadureci muito depois de ver o quanto a gente se prende em algumas infantilidades, caprichos, carências totalmente inúteis. Não há necessidade. Temos articulações para andar sem depender de ninguém. Somos articulados para nos comunicar com o mundo sem precisar da voz de outra pessoa, né?

- Você atualmente trabalha com redação publicitária. Essa é sua formação ou faz parte dessas pessoas sagazes que conseguem ter sacadas boas sem o chamado “ensino formal direcionado”?

Na verdade sou formado em Propaganda, mas não trabalho especificamente em agência. Assim que sai da faculdade, me formei pela ESPM/RJ, meu sonho era criar títulos para as Havaianas e trabalhar nas maiores agências do país. Acabei pegando outro rumo. A faculdade me deu grandes amigos, uma ótima base e muita, muita, muita referência. Mas a "sagacidade", a "sacada", em outras palavras, o raciocínio criativo é o resultado de muita leitura, tentativa e erro; enfim: muita prática! É preciso praticar incansavelmente até o cérebro se conscientizar naturalmente que o inconsciente precisa entrar em ação.

- Você se sente um frasista, como aqueles do início da publicidade?

Olavo Bilac e tantos outros poetas tiveram sua veia criativa voltada para a publicidade na época. Acho que, de certa forma, sim. Meus guardanapos podem ser títulos, manchetes de ideias que podem ser desenvolvidas em textos maiores um dia. O que eu faço não deixa de ser publicidade. Cada guardanapo é um layout de uma ideia, que "vende" a delicadeza, a simplicidade do cotidiano. A minha sorte é que eu sou o meu cliente: não preciso pedir pra aumentar o logo, diminuir o título, trocar a imagem. O meu azar é que eu sou o meu cliente: faço tudo de graça (risos).

- Você não nasceu nesse continente, certo? Pode contar um pouco disso? Se tem irmãos, um pouco da infância.

Tenho 3 irmãs. Nasci em N´Djamena, capital do Chade, na África. Morei até meus 5 anos. Depois, fiquei 1 ano aqui no Brasil. E voltei para a África, em Cabo Verde, onde morei até meus 12 anos – quando regressei ao Brasil. Hoje, tenho uma irmã em Paris, uma outra na Bélgica e meu pai, que mora na Suíça. Estou acostumado com distância, saudade. Isso talvez se reflete de alguma forma nos meus textos. Não tem como fugir do que fomos e somos feitos, né? Somos sempre a soma de tudo o que já vivenciamos.

Isso enriquece inconscientemente as nossas ideias, o nosso banco de referências. Quando sento para começar a escrever, um mundo se abre; e esse mundo nada mais é do que uma mistura de todos os mundos que eu já presenciei. Tenho certeza que nas minhas palavras tem um pouco da solidão do deserto do Chade, um tiquinho da saudade sonora das ilhas de Cabo Verde, um bocado da criatividade do Brasil e uma dose da neutralidade Suíça.

- Depois de um tempo, por que sentiu necessidade de inserir fotos e imagens, além dos guardanapos?

Aconteceu naturalmente. Sempre tento procurar um pano, uma fotografia, um livro antigo para servir de fundo para a frase no guardanapo. É uma tentativa de surpreender, oferecer algo inédito. Acho que você precisa sempre testar coisas novas. Sem perder a essência, claro. Mesmo quando tudo parece estar diferente do que você se propôs a fazer no começo, quando há sinceridade, você consegue sempre enxergar alguma semelhança em toda sua obra. Voltando ao assunto da propaganda: uma das primeiras
coisas que se aprende na faculdade é ter conceito. Pra mim, conceito é seguir sinceramente uma ideia que parece ser a certa. E é o que estou fazendo: estou seguindo o que eu acredito ser algo que faça sentido e que tenha sentimento verdadeiro.

Confira abaixo um pingue-pongue com guardanapos exclusivos feitos para o Pastilhas Coloridas:

O silêncio...


 A distância...


 Os amores impossíveis...


 A escrita...


 A tristeza...


 A infância...


 O cotidiano...


 A arte...


 Um nó no peito...


 2013...


Fonte:
http://www.pastilhascoloridas.com/2013/01/girafas-guardanapos-e-um-pouco-de-prosa.html#more
Las psicopatías de los limeños y la TV peruana


Esta psicopatía de los "limeños" la descubrí en mi juventud.  Esta  población  trabajadora e informal o desempleada actúa por instinto y no por racionalidad. Es decir la supervivencia los lleva a vivir a “salto de mata", enfrentándose unos a otros, a maltratarse verbalmente o físicamente. Es lo que lo que yo  denomino "las psicopatologías de los limeños”.

Es la sociedad  de los limeños de antes  de 1968 la que está enferma  con todas estas características anormales  o son los nuevos habitantes  de otros lugares que han venido con sus frustraciones y resentimientos  los que  están forjando una sociedad inconsciente, agresiva, vanidosa  e insensible de lo que realizan y el daño que provocan. Son proposiciones, son aproximaciones. Propongamos un debate esclarecedor por que la magnitud de la  inseguridad ciudadana se ha convertido en un tema prioritario para todos los ciudadanos.

Cómo no encontrar psicópatas  cuando nos percatamos  de la intención de  los noticieros de la televisión como "9O segundos" en donde en una hora la mayoría de las informaciones que proporcionan son de muerte, violación, secuestro. Después pasan acontecimientos de accidentes con muertes en diferentes partes del mundo. Todo este conjunto de noticias están creando en la población un endurecimiento en los valores positivos. Los niños y los jóvenes  están tomando estos  contenidos informativos como una actitud normal. Robar y matar los toman deportivamente. Verbigracias futuros sicarios. Primero una sociedad "chicha" y después una sociedad "combi”. Es decir en cada  de estos grupos las personas quieren hacer los que les da la gana sin respetar al otro. Psicopatía de los medios y psicópatas potenciales en las personas. Aquí no funciona lo de la era del conocimiento que nos propone  Popper sino un abuso de ella.

Este tipo de programas  atentan contra la moral de la población nos diría el periodista  César Hildebrandt. Me pregunto qué están haciendo los psicólogos sociales que no asesoran debidamente  al gobierno contra este peligro que pueden ocasionar a  los niños. También los encontramos en los otros canales. Son tan insensibles los productores del mal que están ocasionando a los infantes. Con  el puro vedetismo de la peor estrofa. Programas vulgares en donde la homosexualidad es parte de la risa y no de la reivindicación. Programas como la  de Laura Bozzo y otros programas de este corte que nos proporcionan la TV nacional. Lo último fue el levantamiento de la noticia, escandaloso, morboso e irresponsable de la información de dos mediocres mujeres que pelearon contra un Embajador y que este individuo también los agredió, a los medios no les interesó que se pudieran romper las relaciones diplomáticas. Total  a esta actitud la llaman libertad de expresión.


Que nos están enseñando los dueños de la TV que la imbecilidad se justifica. ¿Dónde están los valores, el respeto? Eso no interesa, lo que se busca el rating. ¿Se acuerdan cuando el primer ministro Jiménez  les pedía que no repitieran cada rato el video del asalto a una Notaría? Morbosamente  lo repetían no acatando  el pedido. Y después se quejan cuando algún gobierno toma los medios de comunicación. ¿Acaso no forman personalidades psicopáticas y más  en  los niños, cuando en su subconsciente se están creando estereotipos de amoralidad, estafa, robo  como se está dando  como  antiejemplos en la actual clase política, congresistas y expresidentes de la República. Paradigmas como Javier Diez Canseco y Armando Villanueva del Campo ya no aparecen. Esta situación  de desprestigio sí es preocupante, porque de ser  un pueblo precario  culturalmente vamos a terminar siendo una sociedad  en donde la ley  del más fuerte triunfa. El achoramiento, la prepotencia del blanco del mestizo y del indio de acuerdo a su posición económica es lo que vale. Lo vemos en los lugares donde vivimos con propietarios o inquilinos (militares, policías, profesionales) que actúan en forma antisocial con sus vecinos.

Los niños y los jóvenes ya no respetan a sus mayores. Los hijos no estudian debidamente en los colegios del estado a una excepción del 20%. No es autismo social ni malos profesores, pero sí es un cuadro de psicopatía social porque son las características de las diferentes formas en que se comportan los limeños en la capital. El bullying en los colegios y la falta de respeto a los profesores y la desesperación por conseguir bienes de inmediato sin saber cómo lo consiguen  es la preocupación de cerca 7 millones de jóvenes que están desocupados.  A veces me pregunto, qué tipo de país queremos. Un país tecnológico, industrial, capitalista, socialista,  humanista, próspero con identidad o simplemente manejar el presente coyuntural y después no interesa lo que le  pase al otro gobierno. No hay un proyecto nacional.

Han aumentado en forma exagerada los centros de rehabilitación de drogadictos  de jóvenes  en las capitales de provincias. ¿Qué tipo de sociedad estamos formando? Dentro de 30  años, ¿qué tipo de clase política vamos a tener? Un país sin valores, sin respeto a sus semejantes sin conciencia patriótica. Para la clase política el espectáculo y el consumismo es lo que importa. Pero lo más peligroso ahora es cuando los diarios y la TV magnifican la actitud de los niños sicarios, cómo trabajan, dónde viven, quiénes son los que lo forman, cuánto le pagan. Un niño de 8 a 10 años pobre que ve este documento fílmico lo va a tomar como una actitud normal y estimulante. ¿Acaso esto no es formar psicópatas que van a matar por dinero y no van a tener ningún remordimiento de conciencia?

Hay actores peruanos, como Tulio Loza, que critican a la televisión peruana por la falta de programas serios de calidad ya sean cómicos como dramáticos. Es una vergüenza que no se tenga en la televisión programas de teatro, ni de música  o de debates sociales a excepción del cable o del canal 7. La población consciente y sensible se asfixia con el bodrio de la televisión peruana. De la misma forma el aporte de la Internet  que es  tan básico para el conocimiento universal de  los niños y adolescentes las escolares  lo están usando para el video juego violento y la pornografía. Hay muchas personas que sin ser de izquierda justifican la actitud del presidente ecuatoriano Correa cuando critica a los canales de su país por imponer una  televisión inmoral  e intrascendente.

Después los dueños de la televisión dicen que ellos son los mensajeros de la información. Eso es falso porque ellos son los que levantan la información, la priorizan, realizan campañas, series, aumentan el morbo de los temas. En la TV peruana sólo existe morbo y espectáculo. ¿Acaso todas actitudes no  están creando hombres agresivos, sin valores? Los profesores se sienten incapaces de cambiar la mentalidad de los niños positivamente cuando la información y lo chabacano tienen éxito. La influencia de la TV en los niños es determinante.

Sostenía el psiquiatra Alberto Según, el mejor ejemplo que a la gente les gusta los buenos programas es la alta sintonía que tiene el programa el Dr. TV en el canal 4. Pero una golondrina no hace verano.

Si el presidente Ollanta Humala y sus ministros no actúan a tiempo y piden a los medios  que se autorregulen todos los avances económicos no van a tener un sustento viable o sostenible en el tiempo porque el pueblo no ha sido educado debidamente. Por eso vemos  en nuestra patria  lo que funciona es el chisme, la bajeza... Políticos mediocres  que llegan al poder para robar. Mucha gente considera que este Congreso debería  ser clausurado porque hasta ahora  han demostrado ser poco  servibles. Las grandes temas sociales, las reformas  que se iban a realizar han quedado archivadas. Pero en cambio el escándalo de sus representantes, esos son los temas que tienen más importancia en los medios. ¡Qué vergüenza!

Mostra ´O Artista e sua Obra´

de 24/05 a 14/06/13 em Piracicaba/SP - Entrada gratuita.

Resumo do Projeto

Tem como objetivo trazer para o espaço expositivo localizado no Engenho Central em Piracicaba, São Paulo, mostra coletiva de artes com esculturas, cerâmica, pinturas e gravuras sobre papel.

Ao colocar lado a lado significativos representantes das artes visuais do Brasil que desenvolvem temas de interesse imediato, como a preocupação com o meio ambiente, traz conhecimento para uma camada da população através da visualização das obras temáticas, além de democratizar o acesso à cultura num espaço cultural que está entre os mais importantes do interior do estado.

A intenção destas mostras é proporcionar ao público novas plataformas de criação e informação, despertando e ampliando ainda mais nossa compreensão sobre temas relevantes.

Artista artista de destaque Internacional homenageado: Caciporé Torres

Caciporé Torres - Escultor e professor universitário. Iniciou sua carreira artística aos 19 anos ao ser premiado na 1ª Bienal de São Paulo, com o prêmio “Viagem à Europa”. Em 1954 estudou História da Arte na Sorbonne (em Paris, na França). Foi premiado em outras três edições da Bienal de São Paulo. Participou da XXVI Bienal de Veneza, da Quadrienal de Roma e da Bienal Jovens de Paris. Foi professor de escultura da FAAP (1961/ 1971). Expôs individualmente no MASP, no MAM, no MUBE e em diversas galerias do Brasil e do exterior. Foi eleito duas vezes “Melhor Escultor” pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Possui obras nos acervos dos principais museus do Brasil. Com o intuito de levar sua obra a um público mais amplo e de integrar a arte à arquitetura e ao espaço urbano, estabeleceu parcerias com arquitetos, urbanistas e construtoras. Possui aproximadamente 70 obras em espaços públicos de diversas cidades do Brasil e do exterior.

Mostra de Arte com trabalhos de 19 artistas previamente selecionados, participando com obras dentro da proposta da mostra.

Artistas participantes.

Adalgiza Vaz Rimoli / Arair Ferrari / Cecília Pupo / Cícero Carr  / Dircéa Mountfort / Lica Cruz / Betti Simão / Elza Oda / Fernando Araujo / Jorge Méndez / Ilza Ravanelli / Maria A. Dias / Marilu Trevisan / Margarete Zenero / Matheus Hass / Natal Gonçalves / Neide Caldas / Pedro Zagatto / Rogério Pedro.


LIVE PAINTING

O artista Rogério Pedro de Campinas irá pintar ao vivo na abertura da exposição uma cena da Festa do Divino as margens do Rio Piracicaba, tendo ao fundo uma imagem do Engenho Central. (A obra será doada)

A festa do divino é uma manifestação cultural e religiosa de origem portuguesa, que traz antigas tradições católicas coloniais e é praticada em várias regiões por onde passaram os bandeirantes. Em Piracicaba é a mais tradicional das festas populares.

Título - "Devoção as margens do rio Piracicaba"
Técnica - graffiti (spray)



CEDHU

Apoio: Secretaria da Ação Cultural de Piracicaba

O espaço cultural fica nas instalações do parque do engenho central (*)


(*) Engenho Central de Piracicaba: localizado às margens do Rio Piracicaba, foi construído em 1881 por Estêvão Ribeiro de Sousa Resende, o Barão de Rezende, com o objetivo de substituir o trabalho escravo pelo assalariado e pela mecanização, transformando-se no mais importante do país. No local, ainda encontram-se os trilhos e barracões de carga dos trens que carregavam o açúcar e o álcool. A moagem de cana foi interrompida e desativada a fábrica em 1974.

O Engenho Central foi tombado como patrimônio histórico e cultural em 11 de agosto de 1989, pelo CODEPAC, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba. Desapropriado pela Prefeitura de Piracicaba, se tornou importante espaço cultural, artístico e recreativo. O parque do engenho tem uma área verde de 80 mil metros quadrados e  área construída de 12 mil metros quadrados, totalmente dedicados a cultura e lazer.

Carlos Augusto de Almeida
Produção Cultural
carlosaugusto.arte@gmail.com
(11) 9.8363-5013 / (19) 8709-6729

Fonte:
Pé de Manga não dá Abacaxi…
 
Por isso começo este artigo de hoje, falando de uma pessoa especialíssima, que distante de meu olhar físico me faz muita falta, como também às suas filhas… mas que dentro do meu coração vive cada vez mais forte, nos seus ensinamentos, exemplos, bom humor, vitalidade e jovialidade sempre… Mulher pequena na estatura, mas grande na generosidade, no coração, no acolhimento… Sua casa sempre cheia refletia o perfume de nossa família, o aconchego e a segurança da fé, de que tudo tem jeito, de não desistir nunca, da cultura e da sabedoria do dia-a-dia… Aos domingos todos estávamos lá para o jantar que era sagrado, no real sentido da palavra, momento único de aconchego, de abraços e carinhos, mas acima de tudo de escuta, de olhar para cada um e acompanhar suas belezas e necessidades… Sentávamos sempre à enorme mesa, das suas três grandes salas…
Biblioteca online de Mario Benedetti

Extraído da Revista Ñ [via Joselia Aguiar]:

La biblioteca personal madrileña de unos 6.000 volúmenes que Mario Benedetti donó a la Universidad de Alicante (este de España) pude ser consultada ya por internet a través del centro de estudios que lleva el nombre del poeta uruguayo (CEMAB).
Según la directora del CEMAB, Eva Valero, la nueva página web del centro incorpora, además de este material, un canal multimedia sobre el autor con documentales y material fotográfico.
(Foto por Renato Parada)
Saudade não tem remédio
 
Luiz Schwarcz

Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na internet, liguei pelo skype para Pilar, que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação, o destino de José já estava traçado, os médicos não acreditavam mais na possibilidade de um novo milagre, como o do ano passado, quando venceu, contra todas as expectativas, os problemas pulmonares que o acometiam.
Luiz Carlos “Barata” Cichetto
Poeta, Escritor, Webdesigner, Artesão, Editor Artesanal.

Desde o inicio dos anos 1970, quando ainda adolescente, Luiz Carlos “Barata” Cichetto começou a escrever poemas, crônicas, contos, resenhas etc. E de lá para cá tem milhares de poemas, contos e crônicas escritos. Em 1997, na ainda emergente Internet no Brasil, criou um site voltado à divulgação de Cultura Rock denominado “A Barata”, com o slogan: “Liberdade de Expressão e Expressão e Expressão de Liberdade”, que foi referência obrigatória, no meio.. Criou e organizou eventos ligados a Rock e Poesia, foi manager da banda Patrulha do Espaço, para quem também criou artes para as capas de dois discos.
ONDE TERMINAM OS ARCO-ÍRIS, DE CECELIA AHERN

Onde terminam os arco-íris foi o segundo romance escrito por Cecelia Ahern, uma escritora irlandesa. O primeiro, P.S. Eu te amo, escrito no ano anterior, quando ela tinha apenas 21 anos, se tornou um best seller dos mais vendidos em vários países e fez grande sucesso também em sua adaptação para o cinema.
  
O formato do livro pode causar certo estranhamento em alguns leitores no início: ele não tem uma narrativa linear, com diálogos marcados por parágrafos e travessões. Toda história é contada através de bilhetes, cartas, e-mails e mensagens trocadas entre os personagens, incluindo até seus erros de ortografia e gramática. É realmente incrível a capacidade da autora de construir a narrativa dessa forma e transportar o leitor pra dentro da intimidade de Rosie, Alex e seus parentes e amigos.

Os protagonistas são amigos desde a infância, estudaram juntos no colégio e eram inseparáveis. Até que a família de Alex tem que mudar para outro país. Eles mantêm a amizade mesmo à distância e não deixam nunca de compartilhar com o outro tudo que acontece em suas vidas. Os amigos têm realmente muita intimidade e conhecem um ao outro melhor que ninguém. Porém, o destino se encarrega de pregar muitas e muitas peças nesses dois, que vêm cada dia mais distante a oportunidade de estarem juntos novamente. Aliás, ambos começam a perceber que o desejo de estar com o outro vai muito além de serem amigos, mas isso nunca consegue ser demonstrado, algumas vezes pelo fato de Alex ser muito contido e outras porque Rosie sempre prioriza a felicidade dos outros ao invés da sua própria.

A narrativa possui passagens totalmente engraçadas e outras tão frustrantes que chega a dar vontade de arremessar o livro longe... A sensação de “tempo perdido” é inevitável, pois o que todos imaginam que vai acontecer demora muito, mas muito tempo mesmo!

Os personagens secundários também são muito bons e totalmente importantes na trajetória de Alex e Rosie.

O mais impressionante do livro é o quão crível a história é e, imagino eu, cada leitor consegue se identificar com situações que fazem refletir acerca das escolhas feitas no decorrer da vida.