OS MISERÁVEIS, DE VÍTOR HUGO (adaptação de Walcyr Carrasco) [Isabela Lapa e Kellen Pavão]

OS MISERÁVEIS, DE VÍTOR HUGO (adaptação de Walcyr Carrasco)


“Ele dorme. Embora a sorte lhe tenha sido adversa
Ele viveu. Morreu quando perdeu seu anjo;
Partiu com a mesma simplicidade                       
Como a chegada da noite após o dia”.
(pág. 124)



Singelo. Delicado. Intenso. Humano. Transformador. Encantador. Apaixonante. Único. Indescritível. Inesquecível. 

Trata-se de um romance situado entre o final do século XVIII e meados do século XIX, portanto, inserido no contexto da Revolução Francesa e da Batalha de Waterloo. 

O personagem principal, Jean Valjean, um ex presidiário, ao ser liberado da cadeia após ter sido condenado por roubar alimentos para a sua família que estava vivendo na miséria, encontra um bispo que, com um gesto de bondade e amor, muda a sua vida. 

De um homem duro, ríspido, sofrido e frio, ele se transformou em uma pessoa humana, bondosa e capaz de qualquer coisa pra ajudar os pobres e fazer o bem. 

Certo dia, Jean Valjean conhece Fantine, uma vítima da pobreza e das injustiças sociais que se viu obrigada a abandonar a filha, deixando-a aos cuidados de uma família estranha. 

Ao conhecer a história da mulher, Jean se dispôs a ajudar, mas antes que conseguisse trazer a filha dela de volta (imprevistos acontecem na história), ela faleceu. Ele, no entanto, manteve sua palavra e foi ao encontro da menina, Cosete, que com apenas 8 anos de idade, era tratada como escrava pela família que lhe abrigava. 

Após resgatá-la, ele descobriu um sentimento inimaginável e incomparável: o amor! Não o amor por uma mulher, mas o amor por uma criança, um amor de pai. 

Ocorre que Jean Valjean desde que foi liberado da cadeia vivia com o nome falso, fato que foi descoberto pela polícia, que passa a persegui-lo de forma incansável. Ele, por medo de ser preso e não poder cuidar de Cosete, sempre viveu às escondidas e sempre se privou do contato com a sociedade. 

Entretanto, mesmo com tanta dificuldade de conviver com outras pessoas Cosete encontra o amor. Este rapaz, Marius, se apaixona por ela e logo depois, descobre que a sua família teve um vínculo com a família que a maltratava quando ela foi deixada pela mãe. 


A história entre eles é entrelaçada e mesmo em meio a tantas dificuldades o amor prevalece! 

Posso dizer que o livro, ao mesmo tempo em que narra as injustiças sociais e o sofrimento das pessoas, demonstra com maestria a importância, beleza e grandeza de gestos de bondade, solidariedade e perdão. Vítor Hugo conseguiu descrever claramente a capacidade que o ser humano tem de se transformar por meio da atitude de outrem. 



Sem dúvida, será um livro inesquecível pra mim. Tem o que eu mais valorizo e procuro nos livros: sensibilidade! 

Entretanto, lendo sobre ele, percebi que inúmeras pessoas que leram a versão original comentam que a história é um pouco cansativa, uma vez que o autor se prende em muitos detalhes sobre as revoluções da época e acaba fugindo um pouco da história central. Como mencionei no título, este comentário é sobre a adaptação do livro que foi feita pelo Walcyr Carrasco. 

Eu não li a versão original, mas apesar desses comentários, penso que o enfoque que foi dado à questão das revoluções existiu em razão de um segundo objetivo do Vítor Hugo: criticar de forma incisiva a realidade social e o contexto político. Portanto, nada mais justo que aprofundar no tema. Também penso (e reitero que não li a versão original), que antes de elaborar uma crítica à forma de narrativa, deve ser analisada a época em que o livro foi escrito e o estilo de linguagem que era comum. 

Mas independente dessas questões, o sucesso do livro é indiscutível. 

Em abril deste ano, ele completou 150 anos e em matéria comemorativa, o portal do Estadão mencionou um dos comentário do próprio Vítor Hugo sobre o livro: “Tenho a convicção de que este livro será um dos pontos mais altos de minha obra, se não o mais alto de todos." 


Hoje, mais de um século depois deste comentário, podemos dizer, com toda certeza, que Vítor Hugo estava certo. O livro já foi traduzido adaptado por inúmeros autores. Já possui diversas versões no cinema e tem até um musical exibido na Brodway e considerado um dos mais belos.




SOBRE O FILME – LES MISERABLES, 1998

O filme, como toda adaptação, resume parte da história e altera a idéia original. Neste, em especial, inúmeras situações foram diferentes, inclusive o final.


Contudo, as cenas são lindas e intensas, a magia do livro permaneceu e o objetivo principal do Vítor Hugo, qual seja, criticar a estrutura social e política, foi perfeitamente captado.


Quem gosta do livro não deve deixar de assistir. Em algumas cenas é possível lembrar as palavras do livro, o que causa uma emoção muito intensa.



LANÇAMENTO DA UNIVERSAL STUDIO


Um dos cartazes do novo filme



Quem quiser pode esperar pra conhecer o filme que será lançado ainda neste ano pela Universal Studio. 

Com estréia prevista para o dia 14 de dezembro nos Estados Unidos e 29 de dezembro no Brasil, esta super produção do cinema será uma adaptação fiel à exibida pela Brodway) pelo musical da Brodway. 

O elenco será composto de Hugh Jackman, Russel Crowe, Anne Hathaway, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter.






Já estou super ansiosa pela estréia! Indico a todos o filme e principalmente o livro.


Isabela Lapa e Kellen Pavão – Administradoras do blog Universo dos Leitores, que fala de livros e de tudo que estiver relacionado a estes pequenos pedaços de papel que nos transferem do mundo real para o universo dos sonhos, das palavras e da felicidade!


2 comentários:

Elisabeth Lorena Alves disse...

Nunca consegui ler o original etenho curiosidade.
Li a adaptação de Wlacir Carrasco e gostei muito também.
É um livro delicioso e tive a oportunidade de lê-lo quando me acidentei e meus visitantes frequentes eram os clássicos literários.
Li muito nos 12 eses em que fiquei na cama.
Este livro, esta história, marcou-me muito e vai seguir comigo sempre.
Vou ver se adquiro o livro, pois a cópia que li não me pertence, mas como a autora deste texto, indico esta Leitura.
Principalmente por seu aspecto humano epela sensibilidade dos personagens centrais.
Quanto a respeitar o momento em que o livro foi escrito, acho justíssimo.
Com esta mania idiota de querer coibir os clássicos por achar que tem esta ou aquela conotação política ou discriminatória, acho uma imbecialidade, uma falta de respeito e nunca vou concordar com isto.
Um livro deve ser respeitado pelo que ele representa, não só o texto, mas também a história por trás dele, o conhecimento impresso nos valores da época em que foi escrito. Mesmo que não concordemos com o que era certo na época em questão.

Elisabeth Lorena Alves disse...

Nunca consegui ler o original etenho curiosidade.
Li a adaptação de Wlacir Carrasco e gostei muito também.
É um livro delicioso e tive a oportunidade de lê-lo quando me acidentei e meus visitantes frequentes eram os clássicos literários.
Li muito nos 12 eses em que fiquei na cama.
Este livro, esta história, marcou-me muito e vai seguir comigo sempre.
Vou ver se adquiro o livro, pois a cópia que li não me pertence, mas como a autora deste texto, indico esta Leitura.
Principalmente por seu aspecto humano epela sensibilidade dos personagens centrais.
Quanto a respeitar o momento em que o livro foi escrito, acho justíssimo.
Com esta mania idiota de querer coibir os clássicos por achar que tem esta ou aquela conotação política ou discriminatória, acho uma imbecialidade, uma falta de respeito e nunca vou concordar com isto.
Um livro deve ser respeitado pelo que ele representa, não só o texto, mas também a história por trás dele, o conhecimento impresso nos valores da época em que foi escrito. Mesmo que não concordemos com o que era certo na época em questão.