O leitor, a leitura e a literatura: o pássaro, as asas e o vôo [George Oliveira]

O leitor, a leitura e a literatura: o pássaro, as asas e o vôo


Diário da Manhã
George Oliveira

A leitura permite não apenas a memorização de informações, mas também a ampliação de nossa visão de mundo. Pela leitura, novas realidades surgem à nossa frente. Outras possibilidades, outros contextos, outras identidades. Em nosso cotidiano, nos deparamos com vários tipos de textos, ou seja, várias são nossas experiências de leitura. E a leitura literária é um meio de alçar voos, enxergar uma outra perspectiva de mundo.


Desde a Antiguidade, com a invenção da escrita, por volta de 3.200 a.C, o homem descobriu ser possível guardar sua história e não ficar apenas preso à memória oral. A escrita, de certa forma, imortalizava os feitos desse homem, para quem o mundo era explicado por mitos religiosos. Com isso, eis que surge a leitura. A volta ao que já foi registrado na escrita. Tanto que neste período da história, a leitura era feita em voz alta. Ler era trazer os que já se foram à vida, os seus feitos, os seu atos heróicos. E essa atividade seria de grande importância para o desenvolvimento da civilização.

Hoje, mesmo que alguns preguem uma crise da leitura, é possível dizer que lemos muito mais do que nossos ancestrais sumerianos, egípcios, gregos, persas. Se naquela época, a leitura era permitida apenas à elite e aos escribas, hoje a leitura se faz presente em vários ambientes. Mais indivíduos têm acesso à leitura. Jornais, revistas, livros, internet são suportes para que a ela ocorra. Talvez, o mais adequado a dizer seria: Muitos têm acesso à leitura, mas há aqueles que não realizam uma leitura crítica e abrangente do que lêem. Talvez, por não estarem de posse de estratégias que permitam uma compreensão abrangente do que é lido. Nesse contexto, a literatura é vista, em certos casos, como um leitura sem sentido, distante da realidade por muitos alunos de ensino básico e adultos.

Se o mundo pós-moderno é da troca rápida e de acesso a uma gama de informações, ler uma obra literária torna-se motivo de impaciência, desânimo. "O que teria Camões a me ensinar? Poesia: que chatice! Ler aquel romance de 200 páginas é um sacrifício. Sou pragmático, realista. Literatura é sonho. Não ajuda a passar em concurso público", um indivíduo poderia dizer. Porém, neste momento, torna-se imprescindível a presença efetiva dos pais e da escola. Conscientizar o aluno para a importância da leitura e, principalmente, da obra literária para a história humana. Um livro literário é a língua em seu momento mais amplo, mais singular possível. Desse modo, é importante que o leitor veja o texto literário como acesso a um recorte de distintas épocas da história da humanidade. A possibilidade de conhecer costumes, tradições, regras de comportamento pessoal e social distintos dos nossos.

Então, a literatura não é uma leitura distante da realidade. Antes é uma visão acurada desse realidade. Uma preparação do leitor. Capaz de prepará-lo para o mundo no qual está situado. Literatura não é matéria de concurso, mas prepara o concurseiro para lidar com a língua e seus meandros, a ler acuradamente os enunciados da prova, interpretando-os, posto que estes são também enunciados da língua. Literatura é a possibilidade de alçar voos maiores, despertar no leitor o sentimento de que ele pode ser, buscar algo a mais, a lutar por uma vida mais digna, por um país mais igualitário, justo e menos corrupto. Porque a leitura e a literatura abrem as portas e as janelas da casa para que o leitor se lance a um grandioso voo pelo mundo.

Portanto, o leitor atual precisa ter em mente que a leitura e a literatura são meios importantes no seu processo de formação, seja este processo individual, profissional ou social. Assim, façamos da frase de Descartes, filósofo francês, nosso lema: "A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados".


(George Oliveira, jornalista)

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