Jô Soares faz 25 anos de "talk show" e lança DVD com melhores entrevistas [ALBERTO PEREIRA JR.]

Adriano Vizoni/Folhapress  
Jô Soares faz 25 anos de "talk show" e lança DVD com melhores entrevistas


ALBERTO PEREIRA JR.
DE SÃO PAULO

Há 25 anos, Jô Soares, 75, trocou o humor rasgado e uma galeria de 200 personagens de sucesso na Globo pelo sonho de ser entrevistador.


No SBT, inspirado pelos americanos Jack Paar e Johnny Carson, estreou em 16 de agosto de 1988 o "talk show" "Jô Soares Onze e Meia", que levou prestígio e anunciantes à emissora.

De volta à Globo desde 2000, Jô Soares retoma hoje a temporada do seu "Programa do Jô" e anuncia o lançamento, em DVD, das suas principais entrevistas, em ambos os canais.

"Esse é um tipo de parceria benéfica. Não que houvesse essa intenção, mas o programa se tornou uma espécie de registro da história do Brasil desse período", diz ele, que chegou a pedir no SBT que as fitas de sua atração não fossem apagadas.

O material dos DVDs ainda está em seleção e deve trazer um apanhado de encontros raros, como o com Luís Carlos Prestes (1898-1990).
"Entrevistas marcantes, você pode botar o Roberto Carlos, o Chico Buarque, mas também o gago que se candidatou a vereador e outros tantos desconhecidos. A conversa mais marcante, espero que seja sempre a próxima."

Muitas personalidades declinaram o convite para se sentar na poltrona do artista, como Silvio Santos.
"É a pessoa a quem eu devo a oportunidade de ter feito o programa. O Silvio é um convidado que não consegui e sei que nunca irei entrevistar", lamenta.

Dos 13 mil bate-papos, três convidados são recorrentes: o cartunista Ziraldo, com 20 participações, e o cantor Caetano Veloso e o ex-presidente Lula, com 13 cada um.
"Certa vez, num dia em que seria entrevistado, um dente meu quebrou e eu fui ao programa de máscara", lembra Ziraldo. "Há dias em que o Jô está desinteressado pelo entrevistado, mas quando ele se interessa, é imbatível."

A última entrevista de Lula, recorda o apresentador, foi antes de sua eleição presidencial, em 2002. Depois de eleito, escândalos de corrupção envolvendo petistas, como o mensalão, o desencantaram. "Não direi que o Lula sabia ou não. Mas podia ter tomado uma posição mais forte, mais exigente..."

Outra quem lhe deve uma visita é a presidente Dilma Rousseff. "Ela foi ao programa como ministra. Logo depois da eleição, falei com uma assessora, que me disse que ela estava priorizando as jornalistas mulheres."

EXIBIDO, CLARO

Admirado por uns e rechaçado por outros, Jô Soares admite já ter falado mais do que seus entrevistados.
"Eu corrigi isso. Mas não era exibicionismo. Como todo artista, sou exibido, claro! Eu entrava em discussão com o convidado. Ficava entusiasmado e não me segurava."

"No Brasil, há pouco 'talk show'. É a melhor forma de voyeurismo: ficar olhando duas pessoas conversando sobre coisas que tem que ser interessante", afirma ele, que, embora avesso a redes sociais, considera seu programa um imenso Twitter.

        Editoria de Arte/Folhapress  

Segundo ele, a liberdade editorial é cláusula indispensável para sua atração. "No meu programa nunca existiu [jabá, prática de fazer entrevista em troca de dinheiro]. Isso polui a credibilidade!"

Ele também evita subir em palanques políticos. "Acho que a posição correta para o artista é o de anarquista, no sentido de não se engajar politicamente por esse ou outro candidato. Para estar sempre pronto para a crítica."

E o que Jô Soares espera dos próximos anos? "Muitas entrevistas! Não vou cansar tão cedo. O artista só se aposenta quando quer ou quando está gagá", dispara.

 

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