Prosa poética [Marcos de Andrade]

Prosa poética

Marcos de Andrade

Certo que você já leu livros que te deixaram apaixonado. Alguns livros têm este condão, o de dar ao leitor um prazer indescritível, quase sexual. O livro O velho e o mar é um desses modelos apaixonantes. Hemingway nunca deixou a desejar. Pelo menos essa é minha visão do autor.

Outro livro que abocanhei com guloso desejo foi O carteiro e o poeta. Ah, que delícia. Beatrice, a musa. O carteiro, um caminheiro na senda da luta diária e do sonho de ser amado e tão poeta quanto Neruda. O poeta, um poço de paciência e amor à arte. Em uma entrevista para a ZH, Segundo Caderno, do dia 28/08/2012, ele disse: “Prefiro a literatura a qualquer outra coisa. Escrever é um ato que só depende de você mesmo para triunfar ou fracassar. E a leitura é um milagre no qual se encontram a intimidade e a fantasia de um escritor com as de um leitor ou leitora: sem intermediação de nenhum tipo, sem refletores, sem maquiagem, sem edição, sem música incidental, sem pipoca. Ambos revelando-se um ao outro. Não há nada mais moderno do que o livro [...]”. Aqui vemos que o chileno Antonio Skármeta, patrono da 25 ͣ Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, nunca ficou devendo nada a ninguém (no sentido literário).

Talvez me chamem de retrógado, atrasado, démodé, para usar um termo também em desuso. Mas a verdade é que existem, para nossa alegria, livros que não podemos desconsiderar pelo simples fato de já não figurarem entre os que fazem a vez no mundo literário atual.

Da mesma forma, também os títulos novos (e seus autores, pois são muitos os chamados, mas poucos os eleitos) merecem nossa apreciação, porque demandaram tempo, estudo, muito amor às letras e à literatura e necessitam de leitores e espaço para serem lidos. Estes últimos, um dia, virarão lembrança, se competentes forem seus autores e se suas obras se sobressaírem.

Dos autores da nova geração, dos muitos que se apresentam todos os dias nos meios literários, os parcos e os bastos de poder econômico, os filhos de autores renomados e outros nem tanto, os que teimam em buscar um espaço, sabendo que o espaço é apertado e que ali só cabe o que tem de melhor (mas há controvérsias), dou um nome: Markus Zusak.

Dele terminei de ler Eu sou o mensageiro. Um livro de leitura fácil, linguajar quase corriqueiro, poucas palavras que nos obrigam a buscar o Aurélio, mas com efeitos poéticos e apaixonados que me encantaram.

Sim, eu sei, tem horas que todo livro se torna pesado, mas é aí que devemos persistir, porque no meio de um emaranhado de frases sempre salta um verso com sabor de mel – ou de uma fruta ou de um salgadinho – conforme o gosto do leitor.

Zusak não é sintético. Ele permeia prosa poética com a descrição de locais, momentos íntimos, usando metáforas que nos fazem descansar o olho e a mente. Vamos caminhando lentamente pela estrada que ele vai construindo e, quando ela chega ao fim, pedimos que ande mais um pouco; não chegamos ainda.

Uma opinião pessoal: quase todo livro, quando chega ao final, tem um gosto de quero mais, de se eu fosse o autor eu terminaria assim ou assado, de bah, pensei que fosse outro o bandido!
Ah, você deve pensar: ele leu Harry Poter! Claro que li. Não todos, ainda. Como li, também, O pequeno príncipe, O processo, Maktub, A pequena sereia, Caixa de desejos e De volta à caixa de desejos, da Ana Cristina Melo, e uma infinidade de livros da série Vaga-Lume (lembra?). Isso para mostrar que sou muito, mas muito eclético mesmo. Além de colecionador de livros.

Mas meus preferidos não são os clássicos, os famosos, nem os históricos, nem os Best Sellers; são os infanto-juvenis. De autores conhecidos, desconhecidos ou famosos. Tanto faz, desde que a história seja boa. Nada melhor para relaxar, descansar a cabeça, dar um tempo nessa vidinha cheia de realidades do que um livro que nos faça voltar a ser criança, a ser jovem e a ter aqueles sonhos de que éramos super-heróis com superpoderes.
 
Espero que as crianças do futuro não fiquem adultas muito rapidamente, pois os livros que nos levam a sonhar poderão deixar de ser importantes, se é que o são...

Você já leu Tidão, o justiceiro dos pampas?

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