UM ENGANO DOS SENTIDOS [Gil Façanha]

UM ENGANO DOS SENTIDOS

Falácia!
Puro embuste!
No caos do desamor, atada aos teus emaranhados de emoções amorfas, encontrei-me na hora da perdição, no exato momento em que abri os portões da razão e fui água rio a baixo, no descontrole do pertencer, da necessidade de apenas ser.
Fui tudo e fui nada, sem pensar em estar certa ou errada, fui pura.... Puramente humana.
Ao despertar em meio ao desencanto, vi todas as promessas feitas na pressa da conquista, no verniz do olhar que mente, e teu pérfido amor sorria no ínfimo vão do em vão... Nada trouxe, portanto, nada deixou... Senão o vazio em meu peito, agora alargado pelo desassossego da constante dúvida, rasgado por tuas unhas afiadas, felino dissimulado a agatanhar as portas que com tanto querer te abri.
E assim, tão destituído de verdade, teu olhar que agora tinha cara de lamento, se foi na bruma, na escuridão da noite que te cai tão bem. E eu, que me perdia nos caminhos onde não estavas, que sem rumo pela vida vagava, despertei do engano em crer que seguias ao meu lado... De verdade sempre estive só. Finalmente concebi que pra você não fui ninguém. 


Gil Façanha-Sou mais do que se pode ver e escrevo pra que as emoções não transbordem de minha alma e se percam nos canteiros da memória. Falo de dores e amores, pra que nada tenha a chance de tornar-se algum tormento. Exponho meus lamentos, grito minha saudade e tantos outros sentir. Falo bem dos sentimentos, mas nunca aprendi a falar muito bem sobre mim mesma. Mas eu não sou uma pessoa difícil de definir... Apenas não consto em nenhum dicionário.

Todos os direitos autorais reservados a autora.

0 comentários: