Primeira exibição de Faroeste Caboclo, o filme, será em Brasília [Renato Alves]

Primeira exibição de Faroeste Caboclo, o filme, será em Brasília


Por Renato Alves

Filme inspirado na obra de Renato Russo vai chegar à capital 15 dias antes da estréia nacional

A primeira sessão de pré-estréia de Faroeste caboclo, o filme, será em Brasília, em 14 de maio, uma terça-feira. O longa-metragem vai ser exibido somente para convidados, em salas dos cinemas do Park Shopping, no Guará. A estreia nacional no circuito comercial está marcada para 30 de maio.

A informação foi dada ao Correio Braziliense, em primeira mão, pelo diretor da obra, o brasiliense René Sampaio. "Fizemos questão de começar o filme pela capital. Não faria sentido iniciar em outro lugar, um filme brasiliense, de um diretor da cidade, rodado em Brasília e adaptado para o cinema, essa história tão cara a cara de todos nós", afirmou ele. Já a ssessoria de comunicação do Park Shopping informou apenas que haverá "uma grande festa" e que a pelicúla será exibida simultaneamente em "várias salas".

Por meio de Faroeste Caboclo, Brasília vai ganhar as telas de todo o país. Em 30 de maio, entrará em circuito nacional uma das mais aguardadas obras do cinema brasileiro. O longa-metragem ambientado no Distrito Federal do fim da década de 1970, onde e quando Renato Russo escreveu a música homônima, está pronto. Os primeiros a assistirem a versão final da produção foram a mãe, a irmã e o filho do compositor e cantor. A sessão exclusiva ocorreu mês passado.

Violência e desigualdade

O filme segue roteiro fiel aos versos da letra da canção-hino, sucesso da Legião Urbana que retrata a violência e desigualdade brasilienses de 30 anos atrás. O longa terá cerca de 100 minutos, de acordo com René Sampaio. "Mais de 80% do tempo de tela é ocupado por cenas rodadas no Distrito Federal e no Entorno. O resto foi rodado em Pau Ferro, sertão de Pernambuco, e no Polo de Cinema de Paulínia (SP)", conta. Respeitado no universo da sétima arte por curtas como Sinistro (2000), Sampaio estreia em longas com Faroeste caboclo.

Outro candango envolvido na obra é o músico Philippe Seabra, fundador, vocalista, guitarrista e letrista da Plebe Rude, banda formada nos anos 1980 em Brasília, como Os Paralamas do Sucesso, o Capital Inicial e a Legião Urbana. Seabra é o responsável pela trilha sonora de Faroeste caboclo. Trilha que deve incluir a canção-título. Mas como ela aparecerá é o maior segredo do longa.

Filho de Renato Russo

O único filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini acompanhou de perto as filmagens de Faroeste caboclo. Tanto que ganhou um papel na trama. Fruto do relacionamento do vocalista da Legião Urbana com uma fã, Raphaela Bueno, morta em um acidente de carro em 1989, Giuliano mora com a avó no Lago Sul. Aos 22 anos, se divide entre o curso de administração em uma faculdade particular e a administração prática de uma produtora cultural. Giuliano, que nunca havia participado de um filme como ator, já foi guitarrista da banda Síndrome, hoje vive agitando o cenário musical da capital com os shows e eventos organizados por sua empresa, a Mundano Produções.

O envolvimento da família Manfredini na produção de Faroeste caboclo vem desde 2006, quando os produtores do filme começaram a desenvolver o projeto de adaptação da canção para o cinema. "Foram muitos encontros, telefonemas, e trocas de e-mails com a direção e a produção, em que eram compartilhadas impressões pessoais sobre roteiro, locações e escolha do elenco", lembra René Sampaio, sem, no entanto, revelar o papel do filho de Renato Russo no longa.

Protagonistas famosos

Faroeste Caboclo, a canção, foi composta por Renato Russo em 1979, quando ele tinha apenas 19 anos, mas lançada somente em 1987, no álbum Que país é este?, da Legião Urbana. Escrito por Marcos Bernstein e Victor Atherino, com consultoria do escritor Paulo Lins, autor do clássico livro Cidade de Deus, o roteiro de Faroeste caboclo ambienta a rotina violenta de quadras do Plano Piloto e, principalmente, da periferia de Brasília entre 1979 e 1981.

Para dar vida à canção nas telonas, os roteiristas criaram novos personagens. Além de João, Maria Lúcia e Pablo, há um senador e um policial corrupto. Vivido pelo experiente Marcos Paulo, o senador é o pai de Maria Lúcia. O não menos experiente Antonio Calloni interpreta o policial bandido. "Aceitei o convite desse projeto por se tratar de uma homenagem ao Renato Russo, um poeta, um gênio da nossa música", comentou ele em uma madrugada, em meio à gravação de uma troca de tiros, contracenada com atores profissionais e policiais civis de verdade, de Brasília.


Gravação do filme Faroeste Cabolclo (Hugo Santarem/Pixel Imagem)      

Entre os protagonistas do longa, há atores que ganharam fama recentemente com participações em tramas globais. Protagonista da minissérie Subúrbia, Fabrício Boliveira interpreta João de Santo Cristo, o rapaz pobre do interior da Bahia que se muda para Brasília em busca de uma vida melhor. Já Maria Lúcia, a quem Santo Cristo o coração prometeu, é vivida por Ísis Valverde, a piriguete-maria-chuteira Suellen da novela Avenida Brasil. Jeremias —maconheiro sem-vergonha, que desvirginava mocinhas inocentes e se dizia que era crente mas não sabia rezar — é vivido pelo jovem ator de teatro Felipe Abib.

Na trama de René Sampaio, o gosto pela maconha leva Maria Lúcia a conhecer os inimigos Jeremias e Santo Cristo. Os traficantes se encontraram pela primeira vez em um casarão do Lago Sul. Jeremias é marcado pelas roupas de couro e um bigodão ao estilo mexicano, típico dos antigos faroestes americanos. Para manter esse clima de bangue-bangue, o diretor escolheu as ruas empoeiradas do Jardim ABC, para rodar as cenas de Ceilândia do fim dos anos 1970. A comunidade localizada no Entorno recebeu uma cidade cinematográfica e a equipe de Faroeste caboclo por quatro semanas.

Adiamentos

Orçado em R$ 6 milhões, Faroeste caboclo tinha estreia prevista para outubro de 2011, depois adiada para o início de 2012. No entanto, os produtores esbarraram na falta de dinheiro para concluir o longa. Uma equipe de mais de 100 pessoas, entre atores, produtores e técnicos, participou das locações na capital, em abril e maio do ano passado. O restante, rodaram em junho e julho, no Polo Cinematográfico de Paulínia e no sertão pernambucano, que serviram de cenário para as cenas da infância e juventude de João do Santo Cristo na Bahia.


Para as filmagens do longametragem, os produtores montaram uma base na 609 Norte, numa das unidades do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Eles ocuparam quatro amplas salas do subsolo da faculdade. Cada cômodo foi destinado a uma etapa da produção. Havia espaço para ensaios dos atores, testes de figurinos, pesquisas para cenários, entre outros. Tudo muito organizado para rodar e finalizar o filme.

Com o intuito de não deixar técnicos, atores e todos os outros profissionais perdidos, cada fase da filmagem ficava escrita em quadros fixados nas paredes. Eles também serviam para as fotografias e desenhos dos cenários, roupas, mobílias e todos os objetos que serão usados nas cenas. Entre eles estava a clássica Winchester 22, escolhida por João para enfrentar o Jeremias. "Como se trata de um personagem, a do filme será especial, banhada a ouro", revelou a produtora Bianca De Felippes.

Quem é quem

João do Santo Cristo

No cinema, o soteropolitano Fabrício Boliveira participou de 400 Contra 1 e Tropa de Elite 2. Na TV, protagoniza a minissérie Subúrbia, da Globo.

Jeremias

Felipe Abib, jovem ator de teatro, interpreta o "traficante de renome" inimigo de Santo Cristo. Ele atuou em 180º, longa-metragem de Eduardo Vaisma.

Maria Lúcia

Ísis Valverde, a piriguete-maria-chuteira Suellen da novela Avenida Brasil, interpreta a "menina linda" por quem Santo Cristo se apaixona.

Pablo

Na fita, "o peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá" é interpretado pelo uruguaio César Troncoso, o protagonista Beto, de O banheiro do Papa).

Senador Ney

O personagem, pai de Maria Lúcia, que não está na canção-título, é interpretado pelo global Marcos Paulo, que após uma longa temporada voltou a trabalhar como ator.

Marco Aurélio

Outro personagem criado para o filme. Vivivo por Antonio Calloni, trata-se do líder de um grupo de policiais corruptos que dão proteção ao traficante Jeremias.

Ficha técnica

Direção: René Sampaio
Roteiro: Marcos Bernstein, Victor Atherino e Paulo Lins
Elenco: Ísis Valverde (Maria Lúcia), Fabrício Boliveira (João do Santo Cristo) e Felipe Adib (Jeremias), Antonio Calloni (policial Marco Aurélio), César Troncoso (Pablo), Cinara Leal (Teresa)
Produção: Gávea Filmes, Fogo Cerrado, República Pureza
Co-produção: Globo Filmes e Lereby
Distribuição: Europa Filmes
Finalização: O2 Filmes

Para saber mais

Tragédia brasileira

Escrita por Renato Russo em 1978, Faroeste caboclo conta, em 159 versos, as desventuras de João de Santo Cristo, o "bandido destemido e temido no Distrito Federal", desde o nascimento numa fazenda no interior da Bahia, à sua morte, num duelo com o traficantes Jeremias, em Ceilândia. A letra virou febre nacional após ser gravada e lançada pela Legião Urbana em 1987, por meio do disco Que país é este?, o terceiro da banda. A música tem 1.239 palavras, 168 versos e 9 minutos e 3 segundos de duração.


Rockonha


As cenas da Rockonha, a festa organizada por Jeremias — "maconheiro, sem-vergonha" — onde muita gente acabou presa — de verdade — em flagrante pela temida polícia nos anos de chumbo da ditadura militar foram filmadas em Sobradinho, no mesmo sítio onde ocorreu a original, descrita por Renato Russo. A produção do longa cedeu à Encontro imagens inéditas da gravação da balada movida a rock e a maconha.



Produção conjunta

Faroeste caboclo

é o primeiro longa de René Sampaio e o trabalho de estréia da Gávea Filmes, de Bianca De Felippes. Ela é ex-sócia de Carla Camurati na Copacabana Filmes, que abrigou o projeto inicialmente. A Gávea Filmes (RJ) divide a produção do longa baseado na canção de Renato Russo com a República Pureza (RJ) e a Fogo Cerrado Filmes (DF).

Herdeiro da Legião

Além de único filho de Renato, Giuliano Manfredini é herdeiro de grande parte do espólio das músicas da Legião Urbana. Mas diz que, quando se trata da banda, todas as decisões são tomadas em conjunto com os outros ex-integrantes da Legião, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, que hoje desenvolvem trabalhos solo.

Morte precoce

Registrado como Renato Manfredini Júnior e nascido em 27 de março de 1960, o cantor e compositor adotou o nome artístico Renato Russo quando morava em Brasília e iniciava sua carreira. Primeiro, ele integrou o Aborto Elétrico, que, após seu fim, deu origem à Legião Urbana e ao Capital Inicial. Bissexual assumido, Renato morreu devido Às complicações causadas pela Aids, aos 36 anos, em 11 de outubro de 1996.

Fonte:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2013/04/08/interna_diversao_arte,359210/primeira-exibicao-de-faroeste-caboclo-o-filme-sera-em-brasilia.shtml

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