Andrea Bocelli [Maria J Fortuna]

Andrea pintado por Maria J Fortuna
Andrea Bocelli

    
Gosto de frequentar sebos e num deles, perto daqui de casa, encontrei um show  gravado em DVD  de Andrea Bocelli, quando visitava sua cidade natal na Toscana, Itália, em 1998. Por coincidência, mas preferindo acreditar em “sincronicidade”, eu havia pintado o retrato desse cantor dias antes, usando-o como modelo. A foto foi encontrada numa pilha de revistas antigas. Foi assim que me interessei pelo cantor italiano. Às vezes a beleza está tão ao nosso alcance e, no entanto, entretidos em tantas rotineiras atividades, não a percebemos.  Ela, então, passa rápido como páginas de um livro folheado às pressas, onde a gente nem consegue ver direito a ilustração, quanto mais digerir o texto.   Há quanto tempo ouço aqui e ali, sua bela voz com jeito de outono, derramando notas fortes e melodiosas pelo beco das almas sonhadoras... Vivi às voltas com Pavarotti por muito tempo, e a redescoberta de Andrea se deu na semana passada, quando me assentei num sofá confortável, para iniciar o tal DVD, enquanto respirava fundo para expulsar a tensão que teimava em engaiolar meus nervos e músculos. Então dei com a  luz de outono se derramando pela   sala adentro e tudo se tornou tão mágico e doce!

Fechei os olhos, pensando em ouvir, sem imagem no vídeo,   Melodramma, Romanza imaginando Andrea cantando sem ver a plateia. Depois A te, em dueto com Heather Headley,  que fiquei conhecendo durante a sua  apresentação no DVD. Que coisa maravilhosa! Depois ouvi esta mesma música cantada por Andrea em dueto com Helena Segara, que introduzia alguns trechos em francês. Ele traz para o seu show figuras incríveis como Laura Pausini e a doce e mística Sarah Brightmann.  Quando foi a vez de Besame Mucho reportei-me a minha juventude. Onde no Diretório Acadêmico da Faculdade,  eu flertava com um “companheiro” boliviano, Renan,  que cantarolava esta música  aos meus ouvidos,  enquanto dançávamos de rosto colado nas festas de formatura.  Até o inesquecível Por ti volare, conhecido de muita gente que nem sabe o nome da canção.  Eu era uma delas.  Daí fui longe... viajando  anos luz no tempo em que eu adorava música italiana porque era romântica e os italianos eram lindos!

Por fim, pensei especificamente na obra que eu havia produzido. É um rosto alegre de superação. Admiro muito quem consegue essa façanha! A arte, entre outras coisas, é um canal excelente de expressão! E graças as minhas tentativas nas artes plásticas e do impulso para escrever, não estranhei minha aposentadoria e convivo bem com minha loucura. A arte é um desnudar da alma em busca de beleza! Onde não cabem mentiras, porque nela está contida toda a capacidade que o ser humano tem para se recriar. Para colocar bálsamo nas feridas e tolerar as dores. De extravasar sua paixão e cantar sua alegria e sofrimento.

Andrea lembra-me a história do Assum Preto, ave que sem a luz dos olhos cantava melhor. Mas ambos sabem que não lhes cortaram as asas!


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