Beatles por eles mesmos [Laila Perdigão]

Beatles por eles mesmos

Na década de 60 a cidade de Liverpool presenciava a formação do grupo musical mais bem-sucedido e aclamado da história da música popular, os The Beatles. Com uma música enraizada no estilo skiffle e o rock and roll da década de 1950, a banda veio a assumir diversos gêneros que vão do folk rock ao rock psicodélico. Sua crescente popularidade, intitulada pela imprensa britânica chamava como "Beatlemania", fez com que eles crescessem em sofisticação.

A beatlemania invadiu as Ilhas Britânicas em 4 de novembro de 1963, quando os Beatles apresentaram no Royal Variety Performance e ali ficou pelos três anos seguintes. Uma gritaria ecoava na garganta de histéricos adolescentes que se atiravam em direção de seus ídolos, os quatro jovens de Liverpool.  Cada país que o quarteto ia, eles testemunhavam toda a histeria dos fãs que às vezes só desmaiavam. 


Eu diria que os integrantes do Beatles foram destinados a se encontrar, umas das coisas que me impressionou na leitura desse livro foram às coincidências em suas vidas. George sempre foi muito independente, esperto e inteligente, além de ser o único beatle a nascer em família sem dramas. Paul perdeu a mãe cedo, por doença, e criou-se com seu pai e irmão. John rebelde com(sem) causa criado por sua tia, ele passou sua vida longe de um amor de mãe. Ringo sempre foi um garoto frágil, várias doenças durante a infância o afastaram de ser uma criança normal, tal como sua mãe Elsie, Ringo era alegre e fácil de deixar levar.

Aos seis anos Ringo, o Beatle mais velho, teve uma crise de apendicite que agravou e tornou peritonite. Depois da cirurgia ele entrou em coma e só acordou dez semanas depois. Ao todo Ringo passou mais de doze meses internado em recuperação, o que atrasou na escola. Já aos 13 anos Ringo se resfriou e essa gripe acabou se tornando pleurisia, sua segunda doença grave que o deixou internado por dois anos (dos 13 aos 15). Apesar de passar tanto tempo no hospital, Ringo diz não ter sido infeliz, acha que teve uma boa infância.



Os pais de Paul e George e a Tia Mimi (de John) viam a educação como o único caminho, não só para o progresso individual, mas também para o sucesso e a responsabilidade no mundo. Porém a música falou mais alto com o desejo de criar uma arte que alcançaria jovens como eles.


Cada Beatle tinha sua peculiaridade, mas o mestre de todas era Lennon. “A rebelião de John tomou a forma de brigas e provocações de problemas. George fez a sua pelo vestuário que chateava os professores do mesmo jeito que as brigas de John”. Segundo George Martin, produtor dos Beatles e também conhecido como o 5º beatle, John era um homem frustrado por não ser pratico, “ele nunca realmente conseguiu fazer o que queria”.


Em junho de 1965 surge o anuncio de que os Beatles foram “agraciados” com o titulo de “Membros da Ordem do Império Britânico”. John imediatamente não tinha o interesse em aceitar a medalha, o fez para vender a imagem dos Beatles. Porém alguns membros que receberam as medalhas da Ordem por suas atitudes em prol da sociedade devolveram suas condecorações por não aceitar estar no “nível” dos Beatles. Em Outubro o grupo recebe medalhas correspondentes ao título das mãos da Rainha Elizabeth.


Foi em 1966 que John Lennon deu sua famosa e polêmica entrevista, para uma jornalista londrina, dizendo “Somos mais populares que Jesus no momento. Não sei qual vai sumir primeiro, o rock and roll ou o cristianismo. Jesus era legal, mas os discípulos eram comuns e incultos. É a distorção deles, que estraga tudo para mim”. Essa declaração caiu como uma bomba nos Estados Unidos, principalmente no cinturão religioso do meio oeste, os jovens foram convidados a fazer uma fogueira pública com tudo que tinham dos Beatles. Até hoje muito se comenta sobre os Beatles serem ou não maiores que Jesus.

Infelizmente a chegada de Yoko Ono e o cansaço por tanto assedio dos fãs pesam na convivência. E em abril de 1970, Paul é o primeiro beatle a anunciar que não pretende mais gravar com os companheiros. Esse foi o fim dos Beatles, que foram à primeira banda de rock a fazer carreira no cinema e a primeira a produzir um disco conceitual de rock: Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band. Curiosamente, os Beatles foram o primeiro grupo a se separar. “O ultimo concerto dos Beatles ao vivo foi no Candlestick Park, de São Francisco, no dia 29 de agosto de 1966”.


No livro, organizado por Luiz Antonio da Silva, você encontra algumas entrevistas que a banda deu em tempos da existência. A grande maioria das respostas dos Beatles tem humor irônico e debochado, muito por característica da fase jovem em que os quatro viviam. Durante a leitura tive vontade de escrever sobre cada linha, cada curiosidade que lia, me segurei para que vocês tenham o mesmo prazer que tive a cada capítulo.


Em uma de suas entrevistas na era Beatles, George foi perguntado “Que história é essa sobre uma doença anual, George?”, ele irônico respondeu: “Todo ano pego câncer”. Destino ou não, na década de 1990 apareceu o primeiro sinal de câncer de George, este no pulmão. Ele enfrentou várias cirurgias para eliminá-lo. Em 2001, o câncer reapareceu em metástase. Apesar dos tratamentos agressivos, logo se descobriu que era terminal. George decidiu de imediato passar seus últimos dias em família e trabalhar em alguns projetos para posteriormente serem terminados por sua viúva e filho. Extremamente espiritualista, o ex-Beatle preparou detalhadamente sua morte, longe da ribalta, discretamente, como era sua filosofia de vida, não permitindo a invasão da sua privacidade e da sua família


Hoje, só temos dois Beatles vivos e, graças a Deus, ambos estão na ativa. Ringo e Paul tiveram uma relação de amor e ódio desde seus dias dos Beatles até a última apresentação em conjunto em 2009. Em uma entrevista recente, Ringo disse sobre seu relacionamento com Paul: "Estamos tão perto como nós queremos ser. Nós somos os únicos dois Beatles remanescentes, embora ele goste de pensar que ele é o único".


Como admiradora, leitora e roqueira só tenho a agradecer a esses quatro rapazes que nos anos 60 lutaram conta toda ditadura e repressão de uma sociedade careta e fizeram músicas para se ouvir até a morte. Que meus futuros filhos possam ouvir Beatles tanto quanto eu. Que a boa música nunca morra e sempre possa nos arrepiar, despertando os mais doces sentimentos de nossas almas.





Laila Perdigão. Jornalista (registro 0015582MG), apaixonada por música e colaboradora do blog Universo dos Leitores  e colunista da Revista Biografia

1 comentários:

Anônimo disse...

Emocionante