O PRAZER DA LETRA [Clóvis Matos]

O PRAZER DA LETRA

Por Clóvis Matos

Ensinar a ler, não pela obrigatoriedade de se cumprir uma carga horária de sala de aula, mas pelo prazer que se pode tirar das letras impressas em revistas, livros, gibis, jornais, bulas de remédios, internet. Ensinar a ler, pelo prazer de viajar nas fantásticas histórias contadas pelos Irmãos Grimm em Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela Adormecida, João e Maria; pelo prazer de brincar com Narizinho, Pedrinho e a Boneca Emília no Sítio do Pica- Pau Amarelo imaginado pelo incrível Monteiro Lobato, ou, ainda pelo prazer de alçar vôos com Ivens Scaff, Lucinda Persona, Manoel de Barros, ensinar a ler, pelo prazer de sentir 100 Anos de Solidão com Gabriel Garcia Marques, de mergulhar Vinte Mil Léguas Submarinas com Julio Verne. Ensinar a Ler pelo simples prazer de saber ler.

Assim eu sonho e vou construindo a minha parte nesta história. Por acreditar que nenhum processo de educação chegará a bom termo se junto não se desenvolver um bom programa de incentivo à leitura levo por aí o Inclusão Literária, instalando pequenas bibliotecas, fazendo itinerância com biblioteca ambulante e como disse Monteiro Lobato: “Um País se Faz com Homens e Livros”, eu levo os livros e seu conteúdo ajudará a formar caráteres.

Sonho ainda mais, quando imagino que os livros que esparramo formarão grandes leitores, poetas, escritores e professores que juntos comigo, nesta luta guerrilheira, se multiplicarão e formarão cidadãos que, além de ler, saberão interpretar as letras e as mensagens que elas transmitem. Aí sim terá valido o Inclusão Literária.

Acredito, assim como Rubem Alves que a “Leitura é droga perigosa e vicia...”, ela dá prazer, o “Prazer da Letra”. Este é o grande barato da Leitura. E não me digam que jovem não gosta de ler, eles não têm é incentivo, oportunidade e, se alguns não gostam, a culpa não é deles. As escolas só os ensinam a ler pelo sentido gramatical ou por obrigação  de aprender aqui o que um dia verão em uma prova de vestibular, assim não sobra tempo de lhes mostrar a parte bonita do texto literário, a parte viva, o “PRAZER DA LETRA”.    Ler é muito mais que entender a gramática, os encontros consonantais, a análise sintática, os verbos. Ler é ter um caso de amor com o texto, é se apaixonar pelo autor, pelos personagens, é transar e tirar desta paixão todo “PRAZER DA LETRA”. Nossos jovens não aprendem assim...que pena!

Mas a culpa não é deles.





Clóvis Rezende Matos - De São Gonçalo Do Abaeté, Minas Gerais,  historiador, produtor cultural e criador do Projeto Inclusão Literária e, como ele mesmo diz:  "sempre de bem com a vida, qualquer que seja a situação."

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