Projeto fotografa mulheres vítimas de abuso sexual; confira depoimento de brasileira que participou [Victor Sousa]

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Projeto fotografa mulheres vítimas de abuso sexual; confira depoimento de brasileira que participou

Victor Sousa

Série de fotos expõe frases do violentador, ridicularizando o discurso de que a vítima é culpada nos casos de violência sexual

Em outubro de 2011, a fotógrafa Grace Brown iniciou o Projeto Unbreakable, no qual sobreviventes de abusos sexuais são fotografadas segurando uma frase do violentador. Um verdadeiro esculacho aos argumentos que ainda persistem em culpar a mulher nos casos de estupro. A série ainda  ajuda as vítimas a superar o trauma psicológico e expor a complexidade da questão. Afinal, muitas vezes, a violência acontece com pessoas conhecidas e de confiança.

Grace Brown já fotografou mais de quatrocentas pessoas e recebeu centenas de envios – mulheres que decidiram, por conta própria, expor a violência que sofreram.  Mostrando casos espalhados ao redor do mundo – e expondo a argumentação do violentador – o projeto evidencia que a violência contra a mulher ainda é uma realidade no mundo moderno.
Brasileira participou do projeto

A fotógrafa brasileira Luiza Prado decidiu quebrar o silêncio e expor a violência sexual que sofreu durante a adolescência. Ela enviou uma foto para o Projeto Unbreakable, na qual expôs os abusos que sofreu da pediatra, aos 13 anos, e de um ex-namorado, quando tinha 18 anos.




“Esse é um remédio que passarei em você. É para o seu bem”. “Eu estou desempregado e você me fez gastar todo o meu dinheiro para não conseguir terminar o que eu queria ter feito com você”

“Eu decidi me voluntariar porque já passei da fase em que não tinha apoio e me mantive calada por medo, tanto do agressor, que em um dos casos era filho de militar, quanto das pessoas ao meu redor”, comentou Prado. A fotógrafa disse que chegou a ficar um ano sem contar para ninguém que havia sofrido abuso, inclusive para os pais. “Achava que eles iam me julgar, quando contei foi totalmente diferente do que pensava. Quem me julgava era eu mesma, eu achava que havia causado o estupro, a velha história de que somos ensinados a não sofrer violência e não a não violentar”, argumentou.

“Esse é um remédio que passarei em você. É para o seu bem”. “Eu estou desempregado e você me fez gastar todo o meu dinheiro para não conseguir terminar o que eu queria ter feito com você”

Outro fator decisivo para ela participar foi o fato de ainda sentir-se abalada psicologicamente. “Como fotógrafa acredito no poder da imagem e na personificação do sentimento que ela traz. O retrato faz com que você se enxergue”, comentou. “Escrever uma frase marcante que foi dita pelo violentador é interessante. Você olha para a placa e olha para você e pergunta se realmente merecia aquilo e se merece uma segunda chance”, concluiu.

Luiza Prado lembra que participou do projeto por impulso, mas chegou a pensar que a postagem poderia parecer uma oportunidade de aparecer às custas de um assunto sério. “Fiquei com receio que as pessoas levassem para esse lado, mas depois que algumas meninas entraram em contato comigo, eu fiquei muito feliz. Meu medo da exposição acabou já que meu objetivo foi alcançado”, comentou a fotógrafa.
Brasil
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), em 2012, recebeu em seus hospitais e clínicas médicas duas mulheres por hora com sinais de violência sexual.
 
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“Não se preocupe, garotos deveriam gostar disso”. Homens também sofrem com abuso sexual

Também de acordo com os dados do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), do Ministério da Saúde, no total, foram 18.007 mulheres que procuraram o sistema público de saúde com indícios de violência sexual. Cerca de 75% eram crianças, adolescentes e idosas.
As estatísticas foram fornecidas por 8.425 unidades do SUS, mas não contemplam mulheres que procuraram hospitais privados ou mulheres que não procuraram atendimento médico. Ou seja, o número é apenas um indicativo da situação da violência contra a mulher no Brasil.

A fotógrafa também se disponibiliza a registrar pessoas que queiram participar do projeto. Interessados podem entrar em contato com Luiza Prado no Facebook.

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