Wanda Monteiro [Poeta e Escritora Brasileira]

Wanda Monteiro, escritora e poeta é uma amazônida, nascida às margens do Rio Amazonas no coração da Amazônia, no Estado do Pará, no Brasil. 

A escritora herdou sua devoção pelas artes e pela literatura de seu pai, o romancista Benedicto Monteiro e como foi criada circundada pelos livros, desde menina, cultivou o hábito pela leitura e pelo exercício da escrita. 

Wanda Monteiro embora tenha militado por vários anos na advocacia como Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, nunca se afastou de sua vocação, além de escrever. exerceu a atividade de revisora e de produtora editorial durante muitos anos. Aprofundou seus estudos cursando Linguagem e Pensamento – área de Filosofia – na Universidade Veiga de Almeida e fez especialização em Análise de Políticas Públicas na UFRJ. 

A poeta, publicou seu primeiro livro Memória de Afeto com selo independente, participou de vários projetos editoriais de pesquisa histórica realizados no Estado do Pará e publicou seus textos literários em revistas, blogs e sites. 

Nos últimos anos tem se dedicado exclusivamente à arte literária, tendo publicado, pela Editora Amazônia, os livros O Beijo da Chuva e ANVERSO, lançados em no Estado do Pará – na região amazônica do Brasil na cidade de Belém. Wanda Monteiro, que realiza performances poéticas em vários grupos de poetas e espaços culturais em Niterói e Belém do Pará, é participante do Proyecto Sur Brasil com a publicação de vários poemas nos volumes IX, XI e XIII, lançados no Congresso Brasileiro de Poesia no Rio Grande do Sul.

Atualmente dedica-se ao projeto literário de seu próximo livro de contos A Filha do Rio e ao espetáculo lítero-cênico o monólogo Na Pele do Sonho.



Wanda Monteiro se apresenta assim:
“Sou Amazônida, vim da seiva quente de Benedicto Monteiro, um Poeta e Pescador de Sonhos, semente plantada no templo sagrado e fértil de Wanda, Mulher Guerreira, Mãe na mais pura definição. Cheguei no Outono, nascendo às margens do rio Amazonas. Nasci na hora do crepúsculo, contemplada pelo Sol.

Fui banhada e batizada em águas amazônicas. Aprendi a respirar água, a ouvir a voz do vento, a sentir o cheiro da chuva, a nadar na malha de mururés. Me encantei com a voz da mata. Fui seduzida pelo olhar da restinga. Me vesti de terra, bebi o rio, cresci e verdejei.

Sob o signo da Mãe Natureza, visto ambivalência!.Sigo, transitando na fronteira entre a impassividade da razão que me atordoa, que me distancia, que me confina, que me objeta, e a emoção que me testemunha, me aproxima, que me explica, que me intui e me confere o ideal de existir.

Quando Terra, sou viajante de caminhar frêmito e errante. Quando Água, sou navegante. Um navegar de espanto, decifrando labirintos liquefeitos de paisagens, de memórias, de fantasmas e alegorias. Quando Mãe, sou senhora de uma existência plural onde vivo a vida de Marcelo, André e Aline, meus filhos, meus pedaços de verdadeiro amor.

Hoje, com mais de meio século de vida, sigo, ora emersa, ora submersa, no olho d’água do Rio que contemplo e que levo, correndo sob meus pés.

Escrever! Esta é minha sina. Costurar películas de vida vivida, sofrida e sonhada. Deixando um rastro de poesia como testemunho de Mim.”



NAUFRÁGIO

Meu desejo de Ti
submerge tenso
denso

Tudo é Sede e Fome
trincados dentes
de fruto proibido

Tudo é Palavra
mal começada
calada nos lábios
fuga insensata de voz rasgada no ventre

Tudo é Grito
Voz deformada de gestos
de olhares ausentes
de pesado silêncio

Tudo é Dor
que sangra no fio da lâmina
mal da carne fria e ávida
do beijo estancado na boca

Tudo é Som
batidas desmedidas de pulsar
sonora matéria que infere e fere
um coração que chove água e sal

Tudo é Abismo
Dor escavada no peito
adocicada por migalhas de afeto
por mel de respeito
Tudo é Secreto
Mal segredado
Resvalado em pranto

Tudo é Segredo
desvelado de assalto
ferida exposta no espanto

Tudo é Fúria de Marés
mergulho cego
embriaguez turva de quase amor
Meu desejo de Ti é Naufrágio.



INTERDITO

De mãos em punho
O Passado
Chega a cada instante
E investe contra meu peito

O Passado é o murro que me açoita

A cada açoite
A face do Presente evanesce

O Futuro a recolhe
Sorvendo-a
Roubando-me o Meio

O Tempo erra-me

Decreta-me
Interdito!

Sou apenas um patético corpo
Orgânico
E hipotético de uma história inacabada

Existência fadada à eternidade etérea da memória
Povoada por fantasmas

Eu perdi meu itinerário
No interlúdio melancólico da Passado



INSONIA

A calma se esvai pelas horas
As horas crescem no escuro
A sofreguidão das pálpebras
Que se fecham e se abrem
O cansaço dos músculos que não conseguem repousar
Os demônios acordam assombrando o silêncio
O instinto aflorado de erguer e soerguer a fé
A oração dita e redita como mantra
O abrir a janela e a cuíra de olhar para o céu
E a busca de respostas nas estrelas
A Lua me espreita
Assim como Eu
Insone!
O desejo do sonho se contorce na insônia
Como posso dormir se a noite sempre me encharca de dúvidas.


O BEIJO DA CHUVA

Quando ainda voava sobre os rios de sua Amazônia, ela surpreendeu o coração, desenhando a imagem daquela avenida em pensamento. A jovem senhora, depois de um longo e doloroso traço de tempo, voltava pra sua cidade. No caminho pra da casa de seu pai, pediu ao motorista da família que fizesse o trajeto pela Praça da República. Amanhecia, e ao passar pela avenida ela pode contemplar as mangueiras que se abraçavam em copas fazendo um arco sobre as calçadas. As frondosas mangueiras formavam uma verde catedral e suas folhas coavam a luz do sol que chegava turva sobre ela. Ela sentia-se acolhida e festejada pelo verde vivo de suas folhas e pelo cheiro doce de seus frutos. Ao passar pela Praça da República, num impulso, ela pediu ao motorista que parasse o carro pra que pudesse caminhar, pediu ainda, que acompanhasse o seu trajeto. Ela tirou os sapatos, desceu do carro e, nesse exato instante, o vento fez a festa e a chuva já caindo dançando ao seu sabor.
Texto do livro O BEIJO DA CHUVA de WANDA MONTEIRO - Editora Amazônia
— com Editora Amazônia em Santa Maria de Belém do Grão Pará, Para.
 


Por vezes Sinto-me como um olho d'água.. Explodindo ávido por correr
E noutras Sinto-me como um velho rio Que corre sossegado...
Contemplando suas margens.
wanda monteiro

Fragmento da Trilogia do Rio - livro ANVERSO - Editora Amazônia













Fonte:
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com.br/2012/07/wanda-monteiro-entrevista-n-418.html


Wanda Monteiro
Todos os direitos autorais reservados a autora.

2 comentários:

WANDA MONTEIRO disse...

Na pessoa do escritor, promotor cultural e editor, Daufen Bach, agradeço à Revista Biografia por essa matéria, sinto-me gratificada e lisonjeada sempre que meu trabalho é tratado com essa atenção e minha poesia de alguma forma afeta o leitor em sua compreensão pela vida. Gratíssima! Wanda Monteiro

Édila Rodrigues disse...

Querida Wanda! Custei a te encontrar! FAz muito tempo e fiquei feliz em ver, que a minha prestimosa vizinha se tornou uma mulher de sucesso, elegante e famosa. Saudades daqueles tempos de coisas tão simples e sinceras... As crianças cresceram, envelhecemos e enviuvei em 2007. Hoje só o filho não está casado. E vocês, e o Marcelinho?.
Como não te achei no face escrevi por aqui. Quem sabe podemos voltar a nos falar. Gostaria muito.Parabéns mais uma vez e muitos abraços saudosos.]Édila Rodrigues