6 Segredos Que Escritores Experientes Não Admitem [Juliano Martinz]

6 Segredos Que Escritores Experientes Não Admitem

por Juliano Martinz 

Conheça algumas das temíveis verdades enfrentadas até pelos escritores mais experientes, mas que eles dificilmente costumam admitir

Segredos de escritores experientes 

Escritores publicados não parecem ser deste mundo. Eles possuem uma aura diferente. Uma intensidade anormal. Parecem estar além dos problemas com que jovens escritores como eu e você nos deparamos no dia a dia. Seus livros fluem em perfeita emoção. Uma perfeição absoluta que chegamos ao ponto de imaginar ser humanamente impossível criar tamanha sublimidade.

De fato, são escritores reais. No entanto, esta percepção de que eles vivem em outra dimensão não corresponde à realidade. Todos escritores – em todos os níveis – possuem os mesmos desafios que eu e você.

Eles também possuem os seus segredos. Na verdade, seis temíveis segredos que todos os escritores conhecem, mas que nenhum de nós um dia irá ouvi-los admitir. 

Escrever é Difícil 

Existe um mito que permeia diversos segmentos da humanidade: o mito de que, se você é bom em alguma coisa, então, vai ser fácil produzir. A verdade, porém, é que escrever é algo muito difícil. Especialmente quando nos referimos a começar a escrever. Escritores experientes também se deparam com este pesadelo. Sentar-se diante de um computador, preparar-se para escrever e… nada.

Acredite: não há nada de errado com você. A paciência será sua grande aliada. Na verdade, na maioria dos casos, o início de qualquer obra é a parte mais complexa. Quando as ideias começarem a fluir, porém, a tendência é que o processo seguinte se torne mais automático e intuitivo. 

Todos Lutamos Contra a Procrastinação 

Todos nós procrastinamos. Este não é apenas o caso dos iniciantes. Já vi declarações de escritores experientes sobre sua luta para sentar e começar a escrever.

Muitos de nós estamos acostumados a escrever algumas crônicas ou poemas, anotados desleixadamente em pedaços de papel ou postagens em um blog – no entanto, quando chega o momento de começar um projeto de grande significado, como um livro de memórias ou um romance, entra em cena a procrastinação.

Existe ainda um tipo de procrastinação mais insidiosa: quando nos convencemos de que ainda não estamos prontos para iniciar determinado projeto. Com isso, acabamos tolhendo nossa genialidade, conspirando contra nós mesmos.

Há algo que você pensa em escrever e vem procrastinando há muito tempo? Então tome vergonhe na cara, pare de ler este blog e comece a escrever agora. 

Rascunhos Sempre São Uma Porcaria 

A única forma de escrever algo bom, é escrever primeiramente algo muito, muito ruim. Os primeiros projetos costumam ser infantis e tolos – mesmo para os escritores mais experientes. Como leitores, nós só temos acesso ao projeto final, devidamente lapidado. Não temos acesso aos esboços iniciais, falhos, vacilantes, execráveis. Mas acredite: estes rascunhos existem ou já existiram. Talvez estejam enfiados em uma gaveta, guardados em uma pasta do computador, ou mesmo queimados. De qualquer forma, suas sentenças desajeitadas e trechos dignos de causar vergonha ao escritor, foram devidamente escondidas do mundo. 

O Livro Nunca Está Bom 

A cada vez que você realiza a revisão de seu livro, encontra diversas partes que prefere reescrever. Exclui trechos, adiciona frases, reformula ideias. Leonardo da Vinci disse que a arte nunca está devidamente finalizada, somente abandonada.

É preciso aceitar que um romance é formado por pequenos fragmentos de ideias que juntamos para formar um enredo. Frases, parágrafos, capítulos – combinados e recombinados. Movimentados e expandidos. Por esta razão, temos esta sensação de que nosso trabalho está sempre inacabado, a sensação de que sempre há a possibilidade de ajustar um pouco mais. Em algum ponto, no entanto, precisamos abandonar o trabalho, ou ficaremos indefinidamente revisando as revisões revisadas.

Portanto, aceite este conselho: você nunca atingirá a perfeição. Sua obra só estará realmente completa e satisfatória quando ela tiver leitores. 

Escritores São Pessoas Estranhas 

Não tente fugir desta realidade: se você é um escritor (seja de romances em ebook, impressos ou um blog) você é um estranho. Pessoas normais não são escritoras. A vasta maioria das pessoas não gostam de escrever. Talvez leiam um ou dois livros por ano. Mas não dão vazão às suas ideias e traumas, não dão vida aos seus pensamentos por registrá-los por escrito.

Escrever é algo como uma obsessão. Pergunte a qualquer escritor e eles dirão que não conseguem imaginar a vida deles sem escrever. Eu certamente acho difícil imaginar minha vida sem colocar muitas de minhas experiências, anseios e pensamentos no papel.

Assim, aceite que você é um estranho, bizarro, ou como queira nominar isso. Aceite e se divirta com a ideia. O resto do mundo não poderá entendê-lo. Mas isso não poderia ser diferente, afinal, eles não são escritores. 

Os Livros Parecem Cada Vez Piores 

Eu sei, você já passou por isso: ao ler seu mais recente trabalho, chegou a conclusão de que ele não é tão bom quanto os anteriores. A maioria dos escritores passa por isso. A cada nova história, há aquela tensa sensação de que perdemos a faísca da criatividade, que o elixir da sensibilidade secou na fonte.

Estas dúvidas podem corroer a autoestima de qualquer um. São bastante destrutivas. Podem fazer com que um trabalho seja interrompido, privando futuros leitores de uma experiência maravilhosa.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que não há nada de errado com você, ao se deparar com estas dúvidas, com esta sensação de retrocesso. Provavelmente, seu escritor favorito passa ou já passou pelas mesmas experiências.

Em segundo lugar, quando for invadido por esta sensação de que já foi melhor, continue produzindo assim mesmo. Em outras palavras, aprenda a se ignorar. Esta voz em sua cabeça lhe perguntando: “Quem vai querer ler isso?” é uma voz idiota que não deve receber nenhum tipo de consideração de sua parte.

Talvez, e eu espero que sim, após ler este post você chegue à conclusão: eu não estou sozinho. E realmente não está.



Juliano Martinz- O osso acima dos meus olhos chama-se frontal. A camada enrugada e cansada que o reveste, pele. O objeto de sua proteção chama-se cérebro. Este, resguardado, produz aquilo que me cansa e extenua, dia após dia: minhas ideias.


3 comentários:

Adroaldo Bauer disse...

Brilhante! Corajoso! viva!

Rita Gomes disse...

Inspirador!

Régis Varão Filho disse...

Achei muito bom o texto e coloco aqui uma declaração pessoal sobre a (minha no caso) escrita: "Uma das razões que me levam a ter um blogue é para passar um pouco das minhas ideias, mas principalmente amadurecê-las. Além de que, e não menos importante, eu realmente gostaria de escrever com grande fluidez e clareza. E se quero escrever bem, então só há uma solução: escrever. E não posso me amedrontar com a minha capacidade de escrita. Sempre que olho textos antigos acho colocações estranhas, ideias confusas e uma gramática pra lá de duvidosa. Mas é isso aí, não posso deixar de escrever, pois se escrevo é para aprender."

Texto retirado daqui: http://regisvarao.wordpress.com/2012/03/03/se-escrevemos-queremos-contar/