Poemas de um desconhecido [Ivana Schäfer]

Poemas de um desconhecido


Em uma madrugada de insônia, dessas que leite quente e filme ruim não dão jeito, ao percorrer blogs e sites de literatura e poesia, descobri um belo poema intitulado "Valquíria Silenciosa". Encontrei-o por acaso. Ou será o destino? Mais tarde, vi que já haviam o compartilhado no Facebook. Ao procurar o nome do poeta vi que se tratava de um poeta peruano desconhecido.

Agora procuro outros poemas dele (dele quem?). Uma missão! Um poeta alagoano, que prefere ficar anônimo, diz possuir poemas desse autor, que ele mesmo traduziu, e que liberará aos poucos (já o nome do poeta peruano, o poeta lá de Alagoas não sabe).

Aqui os poemas do desconhecido escritor peruano:


Valquíria silenciosa
De um poeta peruano desconhecido

Não me cobre atitudes perfeitas.
Eu ainda sou o mesmo do dia em que nos conhecemos.
Se algo mudou
Foram os seus olhos,
Que não refletem mais o cinza de outrora.
O abismo os engoliu, fizeram deles sua morada.

Do alto do monte Tocllaraju
Descubro que Lima ainda é a minha casa
E o teu coração o meu deserto.

Não há respostas para as insídias mal resolvidas.
As armadilhas foram antídoto para o aprendizado.
Aprender pela obsessão é como perder-se
Em labirintos vítreos que mostram os erros,
Pensamentos e neles lacunas em que reina o vazio.

Se um dia fomos clandestinos na nossa própria aventura,
Deveu-se a guerra particular a dois que inventamos.
Você, Valquíria silenciosa, abraçou-me em um tempo que findava,
Em um tempo em que exigimos um milagre
E recebemos a triste memória de eventos que não vivemos,
Apenas os narramos como vitórias do prazer e do fel.

Sejamos sincero, o sonho se desfez na alvorada,
O amor não foi suficiente.
Do alto do monte Tocllaraju
Ouvi seu grito de misericórdia
E vi todo o horror que uma palavra pode provocar.

Acabou Valquíria silenciosa!
E do alto do monte Tocllaraju,
Não me peça atitudes perfeitas jamais.


Virgínia
De um poeta peruano desconhecido

Na casa vivem várias mulheres,
Cada qual com seus costumes e ritmo.
Uma é a dona da casa,
Forte e serena como uma mulher de Cuzco,
Outra, em silêncio, faz as suas tarefas,
E vê nas nuvens, ao se sentar na Praça de Armas,
Um futuro longe daqui.
A morena que sonha com Machu Pichu,
É a mais ardente, e faz do dia
Noites de feitiços e prazeres.
Uma delas, melancólica, distante,
Bela e indomável, lê Neruda
Para que os dias sejam menos cinzas.
A de cabelos pretos, como todas as outras,
Estende-se num lago tal e qual Ofélia.
Aquela que lidera e dita normas,
Se diz descendente de Mama Quilla,
E ordena o rumo da vida das outras.

Eu caminho pelas ruelas cuzquenhas
E as vejo seguindo meus passos
Ou longe como inalcançáveis.
De volta para casa, penso na vida que passa
E nas noites de tempestade
Ou de madrugadas frias,
Quando elas se debatem e se unem
À procura de um corpo que abrace o mundo.
Neste momento, e apenas neste momento,
Pareço soberano, no encaixe dos corpos,
E elas se fundem e se tornam Virgínia,
Todas as mulheres são Virgínia.
E eu sussurro o diminutivo do seu nome
Em seus ouvidos e sinto a sua pele se arrepiar.
Assim, a existência se move no silêncio,
Pronta e revitalizada para as agitações seguintes,
E eu sussurro, novamente, o diminutivo do seu nome.
Desta vez, apenas para os deuses se encantarem.

Espero que tenham gostado desta descoberta, e minha missão agora em meus passeios pelos  blogs, será descobrir quem é este poeta peruano.



Ivana Schäfer - Pedagoga com Habilitação em Orientação Educacional, Especialização em Psicopedagogia e Cerimonialista. Sou Cuiabana de "tchapa e  cruz", amo minha terra, meu povo e a nossa cultura. Sou do Mato ....de Mato Grosso. Página na internet:
 http://espiacuyaba.blogspot.com.br/

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