NENHUM DESSES ME REPRESENTA [Geraldo Trombin]

NENHUM DESSES ME REPRESENTA

Onde será que está Wally, o salvador da pátria amada, salve, salve? Com certeza não está na câmara de vereadores ou deputados, nem no gabinete ou no palácio do governo, muito menos na Esplanada dos Ministérios ou no senado, mesmo porque nenhum desses (que estão aí atravancando o meu, o seu, o nosso caminho) me representa. Aliás, nunca receberam o meu voto de confiança, já que gato escaldado tem medo das turvas águas que habitam desde sempre o leito do mar de lamas do corruptivo oceano político brasileiro.

Wally está lá no meio da multidão, levantando a bandeira e entoando o hino do nosso país. Os vinte centavos foram apenas o estopim, estourando o "saco mais do que cheio" de tanta roubalheira, impunidade e falta de consideração com o cidadão. Os vinte centavos têm o pavio curto daquele que, de tanto levar no isqueiro, acendeu a chama dos protestos, levando a população às ruas com as suas mais poderosas armas: nas mãos faixas e cartazes reivindicando todos os seus direitos – saúde, transporte, educação, segurança, o fim da corrupção etc. –; e no peito a verdade já há muito manifestada por Geraldo Vandré – Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer! E fez que fez que tudo aconteceu. Você saiu de casa, do trabalho, para exigir o que lhe cabe. Reforçou a sua indignação com contundência: Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil; Queremos hospitais padrão Fifa; Enfia os R$ 0,20 no SUS; Quando seu filho ficar doente, leve-o ao estádio; Tem tanta coisa errada que não cabe no cartaz; O gigante acordou! Mas um canto-manifesto importante chegou em uníssono aos ouvidos da minha consciência, regurgitando das gargantas calejadas: - "Eu já falei, vou repeti, é o povo que manda aqui". Concordo plenamente: a voz do povo é a voz de Deus! É o povo mandando bem, mostrando a que veio. Isso, sim, é que é representatividade. Tem o meu voto!



14.07.13 - Jornal O Liberal - Americana - SP

Geraldo Trombin, publicitário, é colunista do blog ContemporArtes e colaborador do jornal “O Liberal”, de Americana/SP.Lançou em 1981 “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas, e em 2010 “Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados”.
Tem classificações em inúmeros concursos literários realizados em várias partes do país e também em Portugal, além de trabalhos publicados em jornal e diversas antologias.

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