“Ó beleza! Onde está tua verdade?” – Os padrões de beleza e a beleza sem retoques [Ana Idris]

“Ó beleza! Onde está tua verdade?” – Os padrões de beleza e a beleza sem retoques

Por: Ana Idris 

E já dizia o sábio Willian Shakespeare: 

“Ó beleza! Onde está tua verdade?” 

O que podemos dizer a respeito dos padrões de beleza? Vocês conhecem a Vênus de Willendorf? Foi uma escultura datada da época da era do período Paleolítico. Olhando hoje para a escultura, diríamos que ela está com excesso de peso, mas, ela e suas curvas em abundância, representavam no conceito do homem paleolítico o ícone da fecundidade, a Grande Mãe. Este era o padrão dos homens nômades, baseado em conceitos de aptidão à reprodução, aquele que, em tese, vai gerar descendentes saudáveis. Hoje, o padrão de mulheres férteis são as panicats marombadas ou a magreza das passarelas. Sim, nós mulheres convivemos com esses dois padrões impostos pela mídia em geral. Segue quem quer, somos donas de nosso próprio corpo, devíamos ser como robozinhos produzidos em série, alienadas em capas de revistas da “Boa Forma”, “Playboy”, “Nova”? Tem um vídeo que eu gosto muito, uma obra de arte digital feita pelo artista Andrew Thomas Huang. No vídeo, uma boneca, deslumbrada pela beleza do rosto da mulher maquiada na TV, tenta conseguir a todo custo o ideal. E a que conclusão que chegamos?

Vejam o vídeo abaixo:





Hoje, no século XXI, vivemos a ditadura da beleza “magra”, chapadas em recursos gráficos. Basta pegar qualquer revista, veremos mulheres carregadas de pixels modificados. Mas vamos analisar a questão mais a fundo. Hoje vivemos no que chamamos de sociedade moderna, e nisso que chamamos de sociedade, vemos que conforme o passar dos anos, a preocupação com nossa imagem e estética aumenta de uma forma que nos atordoa. Não importa a faixa etária, estamos inseridos nesse discurso da beleza desde tenra idade. Existe um documentário chamado “Pequenas Misses”, que passou no canal pago Discovery Home Health sobre as meninas de cinco a sete anos de idade, que concorrem a concursos de beleza. Sabe o que eu vi? Meninas muito jovens, sem infância, preocupadas com maquiagem, serem magras e pasmem, tendo cabelos tingidos, passando por depilação, usando salto alto. E o que falar da boneca Barbie? Quer estereótipo de beleza maior que esse? É a linguagem corporal enraizada desde muito cedo em cabeças ainda não formadas e cheias de questionamentos.



O culto ao corpo não tem distinção social, não tem idade e muito menos, a meu ver, preocupação com saúde. Conheço pessoas doentes que se olham no espelho e se sentem gordas. O que temos então é uma autoafirmação com o uso do corpo. O nosso modo de vestir, gastos em cosméticos, cabelos (hoje quem não tem cabelo liso não é considerado vaidoso, a moda é cabelos lisos), plásticas, implantes de silicone, botox… Ufa! Toda isso num balaio para termos uma distinção um dos outros. Quem mantém cachos, tem de escutar que não é vaidosa, por não aderir à imposição da escova progressiva. Donas de cabelos com cachos são bombardeadas por sugestões “por que não faz uma progressiva nesse cabelo?” E eu questiono sempre se essa distinção, que nos tornaria de certa forma, únicos, não é algo escarrado pela mídia?

A partir dos anos 80, percebemos o estouro da massificação das mídias. Grandes revistas em circulação que escrevem e ditam regras sobre o que é bonito nasceram nessa época. E desde então, somos bombardeados, em filas de supermercado com revistas que falam de dietas mirabolantes (eu diria, desmioladas), outdoors com corpos estonteantes, propagandas na TV de produtos emagrecedores e escovas alisadoras. Em revistas de moda, estrelas de Hollywood veiculam seus corpos perfeitos, nos comerciais, filmes, novelas ditam nosso estilo de vida. Nas academias, a mulherada comenta: quero ter o corpo de fulana. E assim vamos caminhando, construindo nossa distinção em cima de imagens, construídas em fábricas midiáticas onde garantem sucesso e felicidade. A Dove fez uma campanha muito legal sobre a aceitação do que somos. Quem não se lembra da campanha pela real beleza? Desde então, tivemos uma campanha que abriu os olhos, tirou o véu que cobria muitos olhos. Desmistificou um pouco o conceito de que a real beleza está naquilo que é de verdade, palpável e não lisinho como folha de revista.

Lembro-me daquela foto da Scarlett Johansson na praia, que foi muito julgada, e infelizmente, julgada por mulheres, não os homens. Ou a mulher é um bicho invejoso ou simplesmente, estamos com conceitos altamente deturpados de padrões de beleza. 

Fica aí a pergunta!

“ Mulher bonita é aquela que a gente gosta!”. (Sérgio Picciarelli) 

A TV Folha publicou recentemente um vídeo falando sobre o nu orgânico. O que é nu orgânico? É a beleza sem retoques, uma aceitação do próprio corpo, aceitando-o como ele é.  Monica Bellucci, Eva Herzigova e Sophie Marceau, posaram em 2009 para a edição francesa da revista Elle, totalmente de cara limpa. Sim, o nu orgânico não é apenas peitos e derrière de fora. Em setembro de 2009, na revista americana “Glamour”, a modelo Lizzie Miller, 20 anos, aparece em uma foto com a tão indesejada barriguinha. O ato gerou vários elogios das leitoras e correu por todos os meios de comunicação. Estava começando uma luta pela real beleza, a beleza crua e não necessariamente nua. Mas eu ainda digo, a beleza, a olhos nus, na crueza, sem retoques, é necessária, dentro das esferas da sensualidade e não a vulgarização. Toda nudez será castigada? Deixo aqui a pergunta no ar, e o vídeo sobre a beleza orgânica. E sim, você que lê… Você é linda! Mas sabe viver com tua beleza natural?










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