DESTINO OU ILUSÃO, DE BÁRBARA CONTE [Isabela Lapa e Kellen Pavão]


DESTINO OU ILUSÃO, DE BÁRBARA CONTE

Um pouco da história: 

Tudo começa quando Cecília (ou Ceci) precisa ir ao médico em razão de um gripe forte e, enquanto aguarda pelo atendimento, vê Pedro, um garoto da sua escola que nunca havia chamado a sua atenção. Porém, sem razão aparente, naquele momento eles trocam um olhar intenso, firme e impactante, que deixa a garota confusa e sem graça, afinal, ela namora Juca. 

A partir daquele encontro Ceci e Pedro começam a conversar com frequência e o vínculo entre eles se torna cada vez mais intenso.  Em meio a esse contexto, o relacionamento dela e de Juca se torna insuportável e chega ao fim, mas nesse período, Pedro estava nos Estados Unidos. Quando ele retorna da viagem e os dois conseguem um encontro, todas as expectativas de Ceci vão por água baixo e ela resolve se afastar daquele garoto que por tanto tempo idealizou. 

A vida deles toma rumos diferentes: ela vai para São Paulo e ele para Minas Gerais, ela se envolve com outros garotos e vive novas experiências, mas está sempre confusa em relação aos sentimentos e desejos pelo garoto.
Acontece, que com todas as mudanças, um único motivo os une: o fato de serem da mesma cidade do interior e se encontrarem por lá nas férias e feriados. Os encontros por muito tempo permanecem estranhos, um sem jeito com o outro, o que faz com que eles mal se cumprimentam. No entanto, um dia, Pedro retorna o contato e eles começam um jogo de atração e ódio que os cerca por um longo tempo, até que uma decisão precisa ser tomada de forma definitiva.


Nossas impressões: 

Como sempre menciono aqui no blog, gostar ou não de um livro envolve vários fatores: alguns diretamente ligados à narrativa e outros que se relacionam com as diversas fases que passamos na vida. Já repararam que algumas vezes lemos uma história e amamos e, um tempo depois, relemos e percebemos que não é aquilo tudo? Pois é!

Acerca da "fase", confesso que atualmente estou buscando histórias que me permitem refletir, questionar e duvidar do que eu sei e que acredito. Quero narrativas inquietantes e que me prendem não só pela leveza ou pelo encanto dos personagens, mas sim pelos pontos complexos, controversos e possivelmente sem resposta que apresentam. Acredito que esse fator (não isolado, mas somado a outros) contribuiu muito para a minha opinião sobre esse livro. 

No que se refere especificamente à história, admito que não me senti envolvida. Apesar de apresentar apresentar um ideia central interessante, a escritora narrou todos os fatos com muita rapidez e optou por capítulos curtos (em média de 2 a 4 páginas), o que não permitiu uma real aproximação com os personagens. Eles ficaram distantes e eu não consegui captar as suas razões ou a intensidade dos seus sentimentos.  



Além disso, grande parte da narrativa se dá por meio de conversas em redes sociais, entre elas Orkut, MSN, Twitter e Facebook, o que particularmente não me atrai. Primeiro porque como em regra esse tipo de diálogo é superficial, o que impede a solidez da história, segundo porque se torna cansativo e até mesmo repetitivo. Vou colocar uma página do livro para exemplificar:

Ainda sobre a narrativa, além do excesso de informalidade em razão da forma de diálogo travada entre os personagens, a edição deixou passar alguns erros de pontuação. 

Outra questão que merece ser pontuada está relacionada ao amadurecimento da personagem central: Cecília tem 15 anos quando a história começa. Ela conclui o segundo grau, muda de cidade para fazer faculdade e faz um intercâmbio, o que pressupõe inúmeros amadurecimentos. Porém, os seus pensamentos em relação a Pedro e até mesmo as conversas que tem com o garoto continuam no mesmo nível de quando ela o conheceu, o que de certa forma é incoerente. Não quero dizer que temos que amadurecer de uma vez em todos os pontos, mas pelo menos alguma coisa na nossa forma de enxergar a vida muda e, no caso do livro, nem a forma dela se comunicar (ou se expressar) mudou. 

Bom, em meio a tudo isso, preciso mencionar alguns diferenciais válidos: 

- Cecília é alegre, vê a vida de forma positiva e mesmo diante dos problemas nos inúmeros relacionamentos que tem, não se sente complexada, inferior ou deprimida;

- ela não larga todos os seus planos e projetos de vida para correr atrás do relacionamento dos sonhos; 

- o garoto que "idealiza" não é perfeito, lindo, rico, cavalheiro e super romântico;

- o final não é previsível e permite duas conclusões interessantes: 1) na vida nem sempre os nossos desejos correspondem às nossas melhores escolhas; 2) amor e atração são figuras diferentes e que não devem ser confundidas.

Por fim, a leitura é leve e rápida (li em poucas horas), a capa é linda e a contracapa mais linda ainda.


Isabela Lapa e Kellen Pavão – Administradoras do blog Universo dos Leitores, que fala de livros e de tudo que estiver relacionado a estes pequenos pedaços de papel que nos transferem do mundo real para o universo dos sonhos, das palavras e da felicidade!



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