ESCRITORES – QUARENTA FRASES SOBRE O OFÍCIO [Raul J.M. Arruda Filho]

Karl Kraus

ESCRITORES – QUARENTA FRASES SOBRE O OFÍCIO

É preciso sempre escrever como se fosse a primeira e a última vez. Dizer tanto como se fosse uma despedida e tão bem como se fosse uma estreia. (Karl Kraus)

– A primeira condição de quem escreve é não aborrecer. (Machado de Assis) 

A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para fazer um só livro. (Samuel Johnson)

– Só se pode julgar um escritor deppois de terem morrido todos os críticos de sua época. (Sofocleto) 

– Há escritores que escrevem literatura. Outros só conseguem escrever escrita. (Raymond Chandler)
Alain Robbe-Grillet
– É a maior satisfação que um autor pode ter, um diálogo intimo com um leitor desconhecido. É o que sinto em passagens de Joyce, Dostoiévski e outros favoritos, a impressão de que eles escreveram aquilo exclusivamente para mim. (Paulo Francis) 

O verdadeiro escritor não tem nada a dizer. O que conta é o modo que ele diz. (Alain Robbe-Grillet)

– Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação. (Jorge Luis Borges) 

Ultimamente, as palavras estão tomando uma surra dos escritores. (John Fowles)

Mikhail Bulgakov
– Se um escritor quisesse demonstrar que a liberdade não lhe é necessária, pareceria um peixe querendo convencer-nos de que a água não lhe é útil. (Mikhail Bulgakov) 


– Quando comecei a escrever ficção, não levava o menor jeito para a coisa. Não sabia como fazer uma personagem entrar ou sair de uma sala. Se ela tirava o chapéu ao entrar, esquecia-se de pegá-lo ao sair. Se eu pusesse duas pessoas para conversar em um quarto, uma delas não podia sair viva. (Raymond Chandler)

– Se quiser ficar rico escrevendo, escreve o tipo de coisa que é lida por pessoas que movem os lábios ao ler. (Don Marquis) 

– Se um jovem escritor conseguir abster-se de escrever, não deveria hesitar em fazer isso. (André Gide)

– Conhecia as regras de escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres. (Machado de Assis)


Virginia Wolff
– Um escritor chega à velhice quando suspeita que o artigo que está a escrever já tinha sido escrito por ele no passado. (R. Gómez de la Serna)

– O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo. (Antonio Callado) 

– Um grande escritor sempre traz consigo seu mundo e sua prédica. (Albert Camus)

– Quase sempre os escritores descrevem ações brilhantes com versos lamentáveis. (Horácio)

– O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar. (Eugène Delacroix) 

– Quando se diz que um escritor está na moda, isso quer dizer que ele é admirado por menores de trinta anos. (George Orwell)

– Algumas pessoas escrevem tão bem que eu tenho vontade de devolver minha pena para o ganso. (Fred Allen) 

– Na literatura, convém acautelar-se contra os charlatões da construção da frase. Suas casas recebem primeiro janelas e depois paredes. (Karl Kraus)

– Alguns escritores costumam levar um não de inúmeros editores antes de decidir que vão escrever para a posteridade. (George Ade) 

– Quando um escritor se transforma num clássico, já não há necessidade de lê-lo: basta citá-lo. (R. Gervaso)

– Os grandes escritores nunca foram feitos para se submeter à lei dos gramáticos, mas para imporem a sua. (Paul Claudel)

Thomas Mann

– A felicidade do escritor é o pensamento que consegue transformar-se completamente em sentimento, é o sentimento que consegue transformar-se completamente em pensamento. (Thomas Mann) 

– O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso. (Simone de Beauvoir) 

– Não há ninguém que abomine mais um autor do que outro autor. Um autor só é solidário com outro no velório do concorrente. (Nelson Rodrigues)

– Os escritores superficiais, como as toupeiras, julgam frequentemente serem profundos, quando estão, no entanto, demasiadamente perto da superfície. (William Shenstone) 

– O escritor escreve porque não pode agir, e assim vive as experiências de forma indireta – vicária. (Mário Vargas Llosa)

– Utilizar palavras incomuns é uma descortesia literária. Só se deve colocar no caminho do público dificuldades intelectuais. (Karl Kraus)
 
Paulo Francis
 

– O ego dos escritores é muito maior do que o dos atores, porque atores são humilhados em ensaios e, no seu egoísmo, repassam um pouco do ego na camaradagem dos companheiros. Ao passo que o escritor trabalha sozinho. Apanha também, mas a sós, é uma experiência masturbatório-masoquista. E, no fim das contas, é o maior confronto que se pode ter com a realidade. (Paulo Francis)  
– O escritor original não é aquele que não imita ninguém, mas sim aquele que ninguém pode imitar. (François René) 

– Escrever não é propriamente um sofrimento, mas uma obrigação. A literatura me sustenta não apenas no sentido econômico, mas também existencial. Só atinjo a minha verdadeira dimensão, e presto contas a deus, através da literatura. (Fernando Sabino)

– Instruir e divertir os povos deve ser o empenho dos escritores; os mais hábeis são os que instruem divertindo. (Marquês de Maricá) 

– Um escritor não lê os seus colegas: vigia-os. (Maurice Chapelan)

– As passagens dos textos de Shakespeare em que a linguagem é áspera, vulgar, exagerada, fantástica e mesmo obscena – e há muitas – devem-se inteiramente ao fato de que a vida exige um eco para a sua própria voz e recusa a intervenção do estilo bem-construído a que ela precisa se submeter para encontrar expressão. (Oscar Wilde)
Raymond Chandler

– James Joyce escrevendo me lembra um colegial repugnante espremendo espinhas. (Virgínia Wolff)

– Solzhenitsyn escreve mal e é um idiota. Uma combinação irresistível para torná-lo popularíssimo nos Estados Unidos. (Gore Vidal) 

–  A melhor literatura é sempre produzida por quem não depende dela para viver: a mais elevada forma de literatura, a poesia, não enriquece quem a escreve. (Oscar Wilde)

 
Raul J.M. Arruda Filho, Doutor em Teoria da Literatura (UFSC, 2008), publicou três livros de poesia (“Um Abraço pra quem Fica”, “Cigarro Apagado no Fundo da Taça” e “Referências”). Leitor de tempo integral, escritor ocasional, segue a proposta por um dos personagens do John Steinbeck: “Devoro histórias como se fossem uvas”. 
Todos os direitos autorais reservados ao autor.

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