Livros
de Jose Saramago para
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José de Sousa Saramago (Azinhaga, 16 de Novembro de
1922 — Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi escritor, argumentista,
teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta
português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998.
Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da
língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo
reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Em 24 de Agosto de
1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da
Espada e, em 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem.
José Saramago foi conhecido por utilizar um estilo oral, coeso
dos contos de tradição oral populares em que a vivacidade da
comunicação é mais importante do que a correcção ortográfica de uma
linguagem escrita. Todas as características de uma linguagem oral,
predominantemente usada na oratória, na dialéctica, na retórica e que
servem sobremaneira o seu estilo interventivo e persuasivo estão
presentes. Assim, utiliza frases e períodos compridos, usando a
pontuação de uma maneira não convencional; os diálogos das personagens
são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não
existem travessões nos seus livros. Este tipo de marcação das falas
propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor
chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um
pensamento. Muitas das suas frases (i.e. orações) ocupam mais de uma
página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos
finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos
inteiros de outros autores.


O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO
É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que,
indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de
Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de
estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição
católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com
um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos
assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do
livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas
generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não
era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do
catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o
escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma
como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se
escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e
prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)
«Já que muitos empreenderam compor uma narração dos
factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o
princípio foram testemunhas oculares e se tornaram servidores da palavra,
resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a
origem, expor-tos por escrito e pela sua ordem, ilustre Teófilo, afim de que
reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído.» (Lucas, 1, 1-4)
Caim
– José Saramago
Neste novo romance, o vencedor do prêmio Nobel José
Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de
Caim, que, depois de assassinar seu irmão, trava um incomum acordo com deus e
parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins
da criação.
Se, em O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago
nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros
livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música
e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago
percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de
batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo
involuntária, entre criador e criatura. No trajeto, o leitor revisitará
episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente.
Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras
com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e
primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo
entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a
marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem,
resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o
melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de O Evangelho, o deus que o leitor
encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento,
Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem
ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por
acentuar.

Ensaio Sobre a Cegueira
O "Ensaio Sobre a Cegueira" é a fantasia de
um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os
outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e
comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à
companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.
ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ
Numa manhã de votação que parecia como todas as outras,
na capital de um país imaginário, os funcionários de uma das seções eleitorais
se deparam com uma situação insólita, que mais tarde, durante as apurações, se
confirmaria de maneira espantosa.
Aquele não seria um pleito como tantos outros, com a
tradicional divisão dos votos entre os partidos "da direita",
"do centro" e "da esquerda"; o que se verifica é uma opção
radical pelo voto em branco. Usando o símbolo máximo da democracia - o voto -,
os eleitores parecem questionar profundamente o sistema de sucessão
governamental em seu país.
É desse "corte de energia cívica" que fala
Ensaio sobre a lucidez (2004). Não apenas no título José Saramago remete ao seu
Ensaio sobre a cegueira (1995): também na trama ele retoma personagens e
situações, revisitando algumas das questões éticas e políticas abordadas
naquele romance.
Ao narrar as providências de governo, polícia e
imprensa para entender as razões da "epidemia branca" - ações estas
que levam rapidamente a um devaneio autoritário -, o autor faz uma alegoria da
fragilidade dos rituais democráticos, do sistema político e das instituições
que nos governam.
O que se propõe não é a substituição da democracia por
um sistema alternativo, mas o seu permanente questionamento. É pela via da
ficção que José Saramago entrevê uma saída para esse impasse - pois é a potência
simbólica da literatura (território em que reflexão, humor, arte e política se
entrosam) que se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo.
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