Marcos Assumpção – Transformando a Poesia em Música [Cleo Oshiro]


Marcos Assumpção – Transformando a Poesia em Música 

Cleo Oshiro –  Colunista Social 

Marcos André Caridade de Assumpção, 47, casado, 2 filhas, nasceu e mora em Niterói, no Rio de Janeiro. Usando o nome Marcos Assumpção, esse extraordinário músico, cantor e instrumentista, transmite através das suas melodias harmoniosas num violão de 12 cordas uma mensagem musical impressionante. Tenho o prazer de compartilhar com vocês um pouco desse talento incrível. 

Marcos, você nasceu numa família de artistas, isso contribuiu para despertar seu interesse pela arte? 

Sim, sem dúvida. Meu pai era seresteiro, tocava violão de 7 cordas, minha mãe piano. Na casa de meus pais e avós sempre tinha rodas de serestas promovidas pelo meu pai.  Frequentavam minha casa nomes importantes da musica, todos amigos de meu pai. Além dessas figuras importantes, também tinham músicos e cantores fantásticos, não famosos mas não menos talentosos.

Sua adolescência, foi convivendo com grandes estrelas da musica, como Zé Keti, Adelaide Chiozzo e muitos outros. Qual a importância dessa fase na sua vida? 

Foi a descoberta da musica pra mim, uma verdadeira avalanche cultural. Foi quando conheci musica e comecei a cantar influenciado pelo meu pai e depois passei a me interessar em aprender a tocar violão. 

Quais foram suas principais influências musicais? 

A seresta sem dúvida foi minha grande influencia. Lupicínio Rodrigues, Orlando Silva, Carlos Galhardo. Além desses, Roberto Carlos, a musica Nordestina e mineira também e sem falar nos Beatles. 

Você é músico instrumentista. Que instrumentos toca? 

Violão, piano, guitarra.

Estudou musica ou é autodidata? 

Estudei violão popular até um certo ponto da minha vida, depois passei a ser autodidata. 

Marcos, você foi lançado no mundo musical pelo cantor Raimundo Fagner, onde participou de um projeto de grande sucesso ao lado dele. O que essa experiência acrescentou na sua carreira? 

Acrescentou muito pra mim, foi o inicio da fase profissional, estava lançando meu primeiro CD e teve importância enorme na minha carreira. Foi a primeira vez que cantei para um grande público e fui lançado oficialmente na música. 

Mas quem te incentivou a entrar para o mundo musical foi o pesquisador musical Ricardo Cravo? 

Sim, Ricardo é um grande amigo que conheci numa dessas reuniões que meu pai fazia. Ele me viu cantar e me convidou a participar de seu programa na rádio, cantando Lupicínio e Chico Buarque. Dali, ele começou a me incentivar a gravar, me tornar cantor profissional. 

E a importância do compositor Sergio Castro e do poeta Sergio Natureza na sua carreira? 

Sergio Castro foi outro que conheci numa das reuniões feitas pelo meu pai. Ele também me viu cantar e quis me apresentar ao Sergio Natureza, que estava organizando um show em homenagem ao falecido Sergio Sampaio (o terceiro Sergio..rsrsrs) onde cantariam nomes consagrados da MPB e outros anônimos. Aí, Castro me levou na casa do Natureza, que pediu para eu fazer um teste na hora, cantar e tocar violão e assim me convidou a participar do projeto. Depois desse show, Natureza começou a produzir meu primeiro CD, aquele mesmo que lancei num show com Fagner.

O Mestre Chico Buarque de Holanda também faz parte da sua trajetória musical? 

Sem dúvida. Cantava muito as canções do Chico nas reuniões em casa e depois nos meus primeiros shows em bares de Niterói também. 

Além de cantor é compositor, quando lançou seu primeiro CD? 

Meu primeiro CD é de 1999. 

Quantos CDs lançados até agora? 

8 CDs (incluindo 2 trilhas para teatro infantil) e 1 DVD. Estamos editando o segundo DVD, que gravei num show em Recife em Abril deste ano. 

É você quem produz todos os seus trabalhos? 

Desde 2009 sim, passei a produzir meus próprios trabalhos. 

Gostaria que falasse sobre o DVD Sala de Estar onde além de suas músicas tem composições de grandes feras do cenário musical. 

Neste DVD gravei canções que fizeram parte da minha formação musical, muitas delas que cantava na sala de estar da casa de meus pais e avós (daí o nome do DVD). É uma homenagem à aquela época, onde descobri a musica na minha vida. Chico Buarque, Belchior, Almir Sater, Fagner, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Paulinho Pedra Azul, todos estão lá. Além dessas canções regravei musicas minhas de discos anteriores, as mais importantes que tocaram nas rádios, que toco em shows até hoje e são pedidas pelo meu público e por fim, tem 2 canções inéditas até aquele momento. 

Você foi apresentador? 

Apresentava um programa de TV chamado Circuito Musical eu entrevistava grandes nomes da musica, compositores e instrumentistas. Era um programa totalmente voltado para musica e arte e o grande lance é que não tinha roteiro preestabelecido, fazia o  programa de acordo com o que desse na cabeça na hora, as perguntas surgiam no momento e o entrevistado e eu ficávamos muito à vontade. O papo era super informal e na maior parte do tempo, tocávamos e cantávamos juntos (eu e o entrevistado). Até bem pouco tempo, o programa ainda era reprisado – originalmente foi lançado em 2007 – e muitas pessoas me reconhecem na rua por este programa, passava em todo Brasil.

É escritor? 

Escrevi um livro sobre a poetisa portuguesa Florbela Espanca, chamado DOIS OLHARES SOBRE FLORBELA ESPANCA e participei de uma antologia poética com 5 letras minhas, II ANTOLOGIA POETAS FAZENDO ARTE EM BÚZIOS
O CD O Tempo em Nós, foi lançado simultaneamente com o livro Dois Olhares Sobre Florbela Espanca. 

Qual o propósito de lança-los ao mesmo tempo? 

Na verdade, não foi proposital. Eu estava gravando o CD quando recebi o convite de uma cidade do interior de Minas para escrever o livro dentro da Lei de Incentivo e tinha prazo para entregar, acabou que ficaram prontos ao mesmo tempo e foram lançados os dois, livro e CD, simultaneamente. 

O CD fala sobre a importância do reflexo do tempo sobre nós. Tem algo que você mudaria no passado se pudesse? 

Algumas coisas acho que sim, ou então faria um pouco diferente, talvez melhoradas..rsrsrs… mas as coisas que passamos e fazemos tem uma razão para terem sido da forma que foram, na verdade o tema do disco é uma reflexão para isso, para analisarmos os efeitos do tempo em cada um de nós. O que o tempo te acrescentou? Quais os efeitos que ele te trouxe? Bons ou ruins. 

O que você acha que marca mais na vida…as boas recordações ou as grandes decepções vividas? 

As duas, se analisarmos do ponto de vista que sempre aprendemos com as decepções. 

O livro não contém somente os sonetos da poetisa Florbela Espanca, mas também aborda relatos e fatos ocorridos na vida dela. Ela era uma mulher de sentimentos conturbados? 

Florbela teve uma vida muito conturbada, cheia de decepções e desenganos. Nunca conseguiu ser feliz aqui, embora tivesse tentado. Foi uma alma triste e genial. Esperava demais da vida e das pessoas que a cercavam e se decepcionou muito com isso. 

No CD A Flor de Florbela, você transformou os poemas da poetisa em músicas. O que te inspirou a fazer esse trabalho sobre Florbela Espanca? 

Comecei a musicar sonetos e poemas como exercício de composição, pois no inicio da minha carreira, não tinha o hábito de compor então, musicava poesias. No meu quarto CD, QUINTAIS, gravei um soneto dela que havia musicado e durante a turnê daquele disco, comecei a desenvolver a ideia de gravar um CD inteiro com os seus sonetos. Então, passei a estudar sua vida durante 3 anos e aí me encantei mais ainda pela pessoa que ela foi, de muita personalidade, coragem e decidida e então musiquei ao todo 24 sonetos, gravando 17 no disco.




Seu talento recebeu elogios da crítica especializada, onde seus shows sempre tem casa lotada. Aliás até com direito a Zélia Duncan na plateia. Como você vê todo esse reconhecimento ao seu trabalho? 

Tenho um carinho muito grande com meu público, sou muito grato a ele e as criticas que recebo. Ainda estou buscando meu espaço. A consolidação do artista sem apoio da grande mídia leva tempo, mas acho que já conquistei muita coisa sendo artista independente, tenho uma agenda de shows bastante favorável e continuo fazendo e promovendo ações para levar meu trabalho a um numero cada vez maior de pessoas e críticos. É o objetivo de todo artista. 

Quais seus projetos no momento? 

Terminei recentemente a trilha infantil do MÁGICO DE OZ, que lançamos em CD. Estou terminando as edições do meu segundo DVD ao vivo, que sai em setembro. Estou fazendo também uma nova trilha infantil pro mercado europeu que vou lançar em Berna, na Suíça, em dezembro, e fui convidado recentemente a entrar em uma nova antologia de poemas como autor. 

E projetos futuros? Algo sendo planejado? 

Ano que vem, fazem 10 anos que tive uma musica (ABRE CORAÇÃO) executada pela primeira vez com algum resultado efetivo nas rádios, o que me possibilitou começar a viajar pelo Brasil e começar a construir minha trajetória. Este novo DVD que sai em setembro é parte dessas comemorações (a musica em questão está lá), mas como sou ansioso demais (risos) vou antecipar o lançamento para este ano. A outra parte dessas comemorações é um CD de inéditas que lanço no inicio do ano, então, na verdade, tanto o DVD quanto o novo CD, são um presente para esse público que conquistei ao longo desse tempo e que me acompanha desde então. 

Gostaria de deixar contatos? 

Meu site oficial com todas as informações é www.marcosassumpcao.com.br , lá vocês encontram agenda completa, fotos, vídeos, links de redes sociais, jukebox para ouvir todos os meus CDs, loja virtual, etc.

Vídeos com Marcos Assumpção






Cleo Oshiro,mineira mas viveu a maior parte da sua vida em São Paulo até se mudar para o Japão em 2002. Colunista Social do Portal Mie tem a coluna dedicada a divulgar o trabalho de artistas brasileiros que vivem em várias partes do mundo. Seu trabalho é divulgado em vários países no exterior onde existem comunidades brasileira.

1 comentários:

Jania Souza disse...

Parabéns ao Marcos Assunpção pelo belíssimo trabalho. Tive oportunidade de conviver e apreciar sua obra no 27o. Salão do Livro e da Imprensa de Genebra, Suiça, no stand da Editora Varal do Brasil. Gostei de vê-lo na Revista. Muito sucesso! Abraço.