Cartas inéditas da criadora de 'Frankenstein' são descobertas [Revista Biografia]

Cartas inéditas da criadora de 'Frankenstein' são descobertas
Artigo publicado na Folha de S.Paulo 

Uma professora da Universidade de Anglia Ruskin, no Reino Unido, encontrou cartas não divulgadas de Mary Shelley, a criadora de "Frankenstein", durante uma pesquisa na internet. As informações são do jornal "The Guardian".

Nora Crook procurava informações sobre um romancista do século 19 quando se deparou com 13 documentos do Essex Record Office, um repositório central do Reino Unido para pesquisas sobre o país. Os arquivos apareciam sob o nome "Carta de Mary Wollstonecraft Shelley".

"Eu pensei 'o que é isso?' e cliquei no link", disse a professora. "Na hora eu soube que nunca havia sido publicado".

Há cartas de 1831 —nove anos após a morte do marido de Shelley, o poeta Percy Bysshe Shelley— e 1849, quando a escritora já sofria de um tumor cerebral que a levaria a morte, dois anos depois.

Nas correspondências, que juntas formam a maior coleção de cartas da escritora, Shelley troca favores com amigos, mostra-se orgulhosa e preocupada com seu filho adolescente.

Em uma delas, ela pede a um amigo para editar o manuscrito de um ator, Edward Trelawny, que havia sido considerado muito "picante" por seus editores. Em outra, ela pede para publicar cartas nas quais seu marido havia expressado opiniões hostis em relação a religião.

"Percy está se tornando um bom moço e desenvolvendo gostos e talentos que me lembram seu pai, embora ele não tenha aquele toque que fazia de Shelley angelical e infeliz", escreve em uma das correspondências, sobre seu filho Percy.

As últimas mensagens apresentam uma letra mais rabiscada, são curtas e trazem pedidos de desculpas pela falta de memória e de força. Algumas delas são estampadas com uma gota de cera, o selo próprio da autora, que ainda não era conhecido de acordo com Crook.

Segundo a professora disse ao "The Guardian", a descoberta é uma surpresa ainda maior quando se sabe que a escritora tinha a mania de destruir sua correspondência.

As cartas estarão em breve no Keats-Shelley Journal, uma publicação americana.

A escritora Mary Shelley em retrato pintado por Richard Rothwell por volta de 1840

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