QUE SE DEVUELVA EL CRISTIANO [Paulo Pitaluga]

QUE SE DEVUELVA EL CRISTIANO

Una guerra es tal vez el acontecimiento más terrible que puede suceder a un país y, en particular, a su población. Son indescriptibles los sufrimientos de su pueblo. Y nunca nadie gana una guerra, porque el simple hecho de ser insertado en un conflicto militar causa ya horrores.Será que los aliados ganaron la II Guerra Mundial a un costo de millones de muertes entre los suyos? ¿Y me pregunto si Brasil era uno de los ganadores de la guerra del Paraguay, cuando perdimos a 33 mil vidas? Por supuesto que no. Si un país llega a perder a solo 1 soldado no ganó una guerra.

No veo la guerra del Paraguay con buenos ojos, o con un patriotismo a favor de una guerra hecha hace un siglo y medio. Bueno, hemos luchado y hemos ganado. Pero no ganamos. Sin embargo, existen eventos que merecen ser recordadas a todos los brasileños, argentinos y uruguayos, aliados en esta guerra, así que aún podemos rescatar un poco de la historia y del actual patriotismo de nuestro entonces opositor del momento, el Paraguay y que en el siglo XXI se convirtió en el país más amigo y más cercano al Brasil en toda América Latina. Y no cuesta nada para ayudar al vecino país, nuestro mejor amigo actual, en su recuperación patriótica y moral, después de 150 años de paz absoluta y concreta con Brasil. 

En aquel momento, Brasil había traído de Paraguay una serie de triunfos, botín, recuerdos de la guerra, que hoy podemos considerar un verdadero saqueo al país perdedor. Tal cual vikingos, visigodos y ostrogodos, invadieron otras naciones asesinando, quemando, saqueando y luego regresaban a sus tierras. En el siglo XXI debemos avergonzarnos de ese saqueo bélico y cultural al país hermano, durante y después de la guerra. Y esta es la hora dedevolver piezas fundamentales de Paraguay para la comprensión de la historia de su tierra y su gente. Y entre los archivos civiles y militares, objetos personales de los gobernantes, piezas de carácter cultural, tenemos un verdadero símbolo de lucha, de valentía, audacia y el valor de la gente guaraní, el cañón llamado "El Cristiano".

Esta pieza de artillería fue construida en medio de la guerra, un esfuerzo brutal para su defensa, desde el material fundido de decenas de campanas de bronce de las iglesias católicas paraguayas. Construyeron un gran cañón, uno de los más grandes del siglo XIX, que fue utilizado por el ejército paraguayo en la batalla de Curupaity, proporcionando una victoria a ese ejército.

Fue utilizado también en febrero de 1868, en la fortaleza de Humaitá, batalla clave para la victoria de la Triple Alianza contra Paraguay. Allí fue incautado por el ejército brasileño y llevado a Río de Janeiro. Los paraguayos – gobierno y pueblo – nunca aceptaron esta pieza de artillería como un triunfo, un botín de guerra brasileiro y por más de un siglo vienen reclamando su regreso a Paraguay. En el gobierno Geisel, algunas pocas cosas fueron devueltos, solemnemente por ese presidente, pero no es suficiente. El cañón tiene que ser devuelto.

Entonces, hago un llamamiento a nuestros amigos, historiadores,políticos, Institutos Históricos Municipales, estatales y al casi Bicentenario Instituto Histórico y Geográfico Brasileiro, a las Universidades, Las Fuerzas Armadas, a Itamaraty, que hagan un esfuerzo para conseguir junto al Gobierno Federal, la devolución del cañón "El Cristiano" a la República del Paraguay, como una medida de justicia para este pueblo valiente, vecino y amigo. 

Paulo Pitaluga Costa e Silva-historiador-Cuiabá-Mato Grosso.

O canhão “El Cristiano” 

Um guerra é talvez o mais terrível evento que possa acontecer a um país e, em especial, à sua população. São indescritíveis os sofrimentos de sua gente. E nunca ninguém ganha uma guerra, pois o simples fato de se estar inserido em um conflito bélico já causa horrores, Será que os Aliados ganharam a 2a. Guerra mundial, com um custo de milhões de mortos entre os seus? E será que o Brasil foi um dos ganhadores da Guerra do Paraguai, quando perdemos 33 mil vidas? É claro que não. Se um país chega a perder 1 só soldado ele já não ganhou uma guerra.

Não vejo a Guerra do Paraguai com bons olhos, nem com um patriotismo exacerbado a favor de um feito bélico de um século e meio atrás. Bem, fomos, lutamos e vencemos... Mas não ganhamos.

Existem, porém, fatos ocorridos que merecem ser lembrados a todos os brasileiros, argentinos e uruguaios, aliados na nessa guerra, para que possamos ainda resgatar um pouco da história e do atual patriotismo de nosso então adversário à época, o Paraguai, e que no século XXI se tornou o país mais amigo e mais próximo do Brasil em toda a América Latina.
E não custa nada ajudar o país vizinho, nosso atual maior amigo, em sua recuperação patriótica e moral, depois de 150 anos de paz absoluta e concreta com o Brasil.

À época, o Brasil trouxe do Paraguai uma série de triunfos, despojos, memórias de guerra, que hoje podemos considerar um verdadeiro saque do país perdedor. Tais quais hunos, vikings, visigodos e ostrogodos, que invadiam outras nações, matavam, incendiavam, saqueavam e retornavam para suas terras.

No século XXI temos mais é que nos envergonhar desse saque – bélico e cultural – do país irmão durante e após a guerra.

E está na hora de devolvermos ao Paraguai peças fundamentais para o entendimento da história de sua terra e de sua gente. E entre arquivos civis e militares, objetos pessoais de governantes, peças de caráter cultural, temos um verdadeiro símbolo da luta, da valentia, da audácia e do valor da gente guarani, o canhão denominado “El Cristiano”.

Essa peça de artilharia foi construída em meados da guerra, num esforço brutal para sua defesa, a partir do material derretido de dezenas de sinos de bronze das igrejas católicas paraguaias. Construiu-se o enorme canhão, um dos maiores do século XIX, que foi utilizado pelo exército paraguaio na Batalha de Curupaiti, proporcionando uma vitória a esse exército.

Foi utilizado também em fevereiro de 1868, na fortaleza de Humaitá, batalha chave para a vitória da Tríplice Aliança contra o Paraguai.
Ali ele foi apreendido pelo exército brasileiro e levado ao Rio de Janeiro.
Os paraguaios – governo e povo – jamais aceitaram essa peça de artilharia como um triunfo, um despojo de guerra brasileiro e por mais de um século vêm reivindicando o seu retorno para o Paraguai.

No governo Geisel, algumas poucas coisas foram devolvidas solenemente por esse presidente, mas não basta. O canhão tem que ser devolvido.
Assim, apelo aos nossos amigos, historiadores, politicos, Institutos Históricos municipais, estaduais e o quase bi-centenário Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, as Universidades, as Forças Armadas, ao Itamaraty, que façam um esforço para conseguir junto ao Governo Federal, a devolução do canhão “El Cristiano” à República do Paraguai, como medida de Justiça à esse bravo, vizinho e amigo povo.


Paulo Pitaluga é historiador, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e seu ex-presidente.Autor de 24 livros já editados acerca da história regional matogrossense e mais de 60 artigos publicados em revistas especializadas.

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