Shakespeare 3.0 [Daniel Benevides]

Shakespeare 3.0


Alguns dos melhores escritores da atualidade estão preparando versões contemporâneas das peças do dramaturgo

Além dos projetos que devem surgir ainda esse ano – já que em abril se comemoram os 450 anos do seu nascimento -, mil outras novidades estão em andamento para os 400 anos da morte de William Shakespeare, em 2016.

Uma delas vem da editora inglesa Hogarth, que convidou alguns dos melhores escritores do momento e lhes deu carta branca para reescreverem as peças do bardo com um olhar contemporâneo.

Entre os que aceitaram o convite estão a canadense Margaret Atwood, que escolheu A Tempestade, e a americana Anne Tyler, que preferiu recontar A Megera Domada. O norueguês Jo Nesbo, sucesso absoluto com seus policiais, terá como desafio MacBeth. Numa entrevista para o Guardian, ele declarou : 

Uma história cujo protagonista tem a mente corrompida, força pessoal, mas fraqueza emocional, muita ambição, mas dúvidas sobre como agir…são temas que fazem parte já do meu universo.

A polêmica O Mercador de Veneza, ficou com Howard Jacobson, conhecido como o “Philip Roth britânico”. Ele comentou, no site da editora: 

“Shakespeare provavelmente nunca encontrou um judeu, o holocausto não tinha acontecido e o antissemitismo ainda não tinha nome. Será que é possível recontar essa história hoje, em que cada referência tem um peso diferente?  Eu tremo só de pensar nesse desafio.” 

O casal Lamb 

Quem não quiser esperar esses livros até 2016 pode conhecer ou relembrar as histórias do filho famoso de Stratford-upon-Avon com o livro Contos de Shakespeare, que a Globo vem reeditando desde 1920, com tradução do poeta Mário Quintana. A nova edição, que acaba de ser lançada, traz ainda ilustrações de Weberson Santiago.

São leituras simplificadas, publicadas pelo casal Charles e Mary Lamb em 1807. O público alvo eram as crianças e jovens, por um lado, e as senhoras pudicas, por outro, que não tinham acesso ás apresentações teatrais. Mas o livro fez tanto sucesso que atravessou o mundo e acabou sendo uma propaganda maior da obra de Shakespeare do que as próprias peças. 

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