Peculiaridades [Dy Eiterer]

Peculiaridades


Temo em usar a máxima do “cada macaco no seu galho”. Pode ser que se levantem bandeiras contra a simples frase, alegando dizer muito mais do que eu pensei. Em tempos de bananas em estádios, de somos-todos-macacos, eu só quero mesmo dizer que devemos cada um ocupar o seu espaço. Longe dos macacos reais ou dos tantos que nos inventam.

Poderia usar um “cada um no seu quadrado”, afinal, quero mesmo é falar das nossas esquisitices particulares que cultivamos com tanta estima e que haja paciência alheia para aguentar! Mas não teria o mesmo efeito. Talvez caiba bem um “cada louco com sua mania”, já que todos flertamos com a loucura em dias mais ferventes. 

Cada um de nós tem a sua própria coleção de manias e a minha é o gosto pelos fones de ouvido – mesmo que não haja música tocando –, os livros espalhados, mesmo que não leia todos ao mesmo tempo e o café, quente ou gelado, menos morno. Nada morno.

Há quem goste de multidões. Há quem goste de solidões. Há quem goste de mares ou de desertos. Há cidades povoadas ou abandonadas. Tem gente que é do dia, enquanto eu prefiro a noite... 

Por sermos assim tão deliciosamente diferentes que vejo graça em cada uma das esquisitices pessoais e as coleciono, observando de longe cada uma delas e seus donos, que ora se mostram demais, ora se escondem. Seja lá por preservarem suas sombras, seja por acharem que a luz os faça mal.

Seja lá quais forem as nossas peculiaridades, lá no fundo o que somos é um teatro vazio, onde nós, atores solitários, encenamos para uma plateia inexistente. Onde podemos esquecer as falas e reinventá-las sem que ninguém nos aponte. 

No fundo, por mais estranhas que possam parecer cada uma de nossas atitudes, são todas barcos a vela sem rumo em noites de lua crescente, onde pouco se vê diante dos olhos. E como toda viagem precisa de uma trilha sonora, a viagem rumo ao nosso eu deve ser embalada por um blues, daquele que toca sem ser percebido nas madrugadas, mas que faria falta se calasse.


Dy Eiterer. Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando

 

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