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Olhos d’água [Luciene Freitas]



Olhos d’água

A Serra do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, tem seus segredos, oásis escondidos na mata cerrada. Um dos milagres da Natureza revela-se num fino fio transparente, sem compunção, saído do centro da terra. Pulsa de uma fresta na rocha e escorre, sereno, em majestoso véu, com ligeiras ondulações. 

Ladeado de pedregulhos desce, em correnteza, de uma altura considerável, como lágrima de alegria, diante da necessidade saciada do homem.

No poço formado no terminal da laje águas e lavadeiras se misturam em comunhão. As crianças molham-se desfrutando o frescor dos pingos. Risos se ouvem como música de duendes meio ao verde do mato.

Cristalina a importância perante a sede do mundo. O líquido vital, mensageiro da fertilidade da terra, serpenteia a vegetação rasteira, umidifica a terra para o plantio do alimento e não vai longe.


Apenas um olho d’água, lacrimejante da intimidade da terra, com o poder de trazer a felicidade da vida farta, sem exageros. A terra parecia ser de todos que dela necessitavam, muitos homens iam lá fazer o seu roçado, sem paga. 

O segundo milagre vem da cacimba, de Seu Oscar. Lajeiros imensos formam o calçamento natural de um terreno cercado por avelozes, juazeiros, quixabeiras, capins de flecha, e numa das extremidades um veio d’água que não para. Duas pequenas muralhas de pedras servem de concha. Dali se retira água potável. O milagre da água em aberto, dividido irmanamente pelos que entendiam as necessidades.

O terceiro manancial, a Lagoa, que deu nome ao sítio. Vertente compunsiva, cercada pelo homem, com a finalidade de aproveitar cada gota do líquido precioso.

Cercada por árvores frutíferas, onde o frescor das sombras são convites ao descanso. O camponês, rico pela abundância da água, distribui para os que não receberam da natureza o presente. Seu Afonso, homem simples de bom coração, merece reverência por ter divido as águas de sua Lagoa.

A esses homens que generosamente matavam a sede dos outros a minha eterna gratidão. Meus avós, tios e primos somos, eternamente, agradecidos. Foi entre essas três vertentes que nossas necessidades foram supridas. Portanto bendizemos a Natureza de Deus e do homem de boa vontade. 


Luciene Freitas - Prêmio Vânia Souto Carvalho de Ficção, pela Academia Pernambucana de Letras, em 2009. É pernambucana e tem publicados os seguintes livros: Explosão (poesias); A Dança da Vida (parábolas e contos); Mil Flores (poesias). Encenado no Teatro do SESC em 2004; O Sorriso e o Olhar (parábolas, contos e crônicas); Meu Caminho, textos para reflexão; Uma Guerreira no Tempo, (pesquisa). O resgate de uma época – 1903-1950; a vida e a obra da escritora Martha de Hollanda, primeira eleitora pernambucana. Premiado pela Academia Pernambucana de Letras, em janeiro de 2005; Viagem dos Saltimbancos Escritores pelos Recantos do Nordeste, (cordel); Mergulho Profundo, 264 pensamentos filosóficos; Brincando Só e Brincando de Faz de Conta, Vol. I e II da série No Ritmo da Rima; O Espelho do Tempo, romance de pura emoção; Sob a Ótica das Meninas, 42 contos de um tempo determinado. 
Tem trabalhos publicados em jornais e revistas do Brasil, Portugal e Argentina. Participações em várias antologias. Conta com alguns prêmios literários. Pertence ao quadro de sócios da União Brasileira de Escritores (UBE– PE); União Brasileira de Trovadores (UBT– PE); Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, Vitória – PE; Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciências da Vitória de Santo Antão; Grupo Literário Celina de Holanda. Membro correspondente da Academia Irajaense de Letras e Artes (AILA) Irajá / RJ e Academia de Letras de Itapoá / SC.






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