Brincadeira de criança, como
é bom!
AUERBACH, Patricia. O lenço.
Ilustrações da autora. São Paulo, Brinque-Book, 2013. 32p.
Qualquer objeto pode ser
brinquedo! O importante é viver o faz-de-conta com toda intensidade. E ainda
aproveitar para transformar a coisa assim, num estalar de dedos! Sem muita
explicação.
A menina pega,
sorrateiramente, um lenço vermelho na gaveta do toucador (ou penteadeira, como
preferirem!) da mãe, enquanto esta provavelmente se arruma para sair. Depois
que fica sozinha, a menina começa a testar o lenço, leva-o ao rosto, deita ao
seu lado, se cobre com ele. Aí, ela tem uma ideia e começa a transformá-lo:
primeiro em uma corda (ou uma longa trança?), depois em um véu, depois em
barriga, bebê, cachorro, tipoia, vela de barco, cabana, monstro, manto de rei,
vestido de festa, quando a mãe volta e surpreende a mocinha...
As mulheres poetas na literatura brasileira /
CERES MARYLISE REBOUÇAS DE SOUZA /
HILMA RANAURO /
LILA RIPOLL /
MARIA DA PAZ RIBEIRO DANTAS /
Rubens Jardim
AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA (43ª POSTAGEM) [Rubens Jardim]
AS MULHERES POETAS NA
LITERATURA BRASILEIRA (43ª POSTAGEM)
LILA RIPOLL (1905-1967) poeta
gaúcha, foi pianista, professora e presença de destaque na literatura
sul-riograndense. Miltante política, participou da frente intectual do Partido
Comunista, em 1935. Conquistou prêmios importantes : Olavo Bilac, da Academia
Brasileira de Letras, pelo livro de poemas Céu vazio(1941), e o Pablo Neruda,
por Novos Poemas(1951). Publicou quase dez livros de poemas--e depois do golpe
de 64, foi presa.
VIM AO MUNDO EM AGOSTO
Sou triste de nascença e sem
remédio.
Vim ao mundo no triste mês de agosto
o mês fatal das chuvas e do tédio,
e nasci quando o sol estava posto.
Vim ao mundo chorando... (o meu presságio!)
Um vento mau marcava na vidraça
o plangente compasso de um adágio,
anunciando agoirento uma desgraça.
o mês fatal das chuvas e do tédio,
e nasci quando o sol estava posto.
Vim ao mundo chorando... (o meu presságio!)
Um vento mau marcava na vidraça
o plangente compasso de um adágio,
anunciando agoirento uma desgraça.
Sou triste. É irremediável
este mal.
E eu não quero curar minha tristeza.
Só ela para mim tem sido leal,
Na minha via-sacra de incerteza.
E eu não quero curar minha tristeza.
Só ela para mim tem sido leal,
Na minha via-sacra de incerteza.
Sou triste de nascença. É
mal sem cura.
A vida não desfez meu nascimento.
Sou a menina triste e sem ventura,
que em agosto nasceu, com chuva e vento.
A vida não desfez meu nascimento.
Sou a menina triste e sem ventura,
que em agosto nasceu, com chuva e vento.
Por que ainda produzimos
literatura?
Dia desses, um jornalista
amigo meu me perguntou sobre o sentido da literatura. Na verdade, me perguntou
além: por que ainda precisamos produzir literatura? As perguntas são bem
importantes, quando se considera que a literatura já não possui o mesmo apelo
que tinha antes do surgimento das redes sociais.
A pergunta pelo sentido da
literatura não pode prescindir de considerar o “sentido” desde sua etimologia
mais essencial, ou seja, sentido enquanto aquilo que se dá como impressão de
ser desta e não daquela maneira. Assim, o sentido da literatura acontece
sempre, dessa maneira e não daquela, em duas entidades: o escritor e o leitor.
O que remete a duas perguntas distintas: qual é o sentido da literatura para o
escritor e qual é o sentido da literatura para o leitor.
Lindeza
Crônica em que quatro amigos conversam e tentam chegar no que realmente faz
um homem se encantar com uma mulher. "Lindeza" é baseado na música
homônima de Caetano Veloso e Pedro Aznar
por Marcelo Vitorino
Já era
tarde, muito mais do que dez latas de cerveja para quatro tropeços quando o
papo enveredou para o assunto preferido dos homens. Engana-se quem pensa em
futebol ou política, o gosto por falar das aventuras e desventuras passadas com
as mulheres é muito superior a qualquer outro assunto.
Quando o Tempo Parou
Tenho a sensação de estar imersa no nada. Como se o tempo tivesse parado. Es-tan-que. Como se eu não pudesse me mexer. Só os olhos reviram nas órbitas. E fazem o traçado mágico do infinito. Ou do que escolhemos para representar o infinito.
O tempo sentou-se no ponteiro do relógio. Descansou. Todos os infinitos, nesse momento, foram tangíveis e destrutíveis. Extremamente sensíveis ao toque ou ao sopro.
Assombro!
Faria, se pudesse, cacos de muitas histórias. Conseguiria me poupar? (Ou lhe poupar? Se tivesse menos cicatrizes, menos dores, eu teria outras cores aos seus olhos?)
Tenho a sensação de estar imersa no nada. Como se o tempo tivesse parado. Es-tan-que. Como se eu não pudesse me mexer. Só os olhos reviram nas órbitas. E fazem o traçado mágico do infinito. Ou do que escolhemos para representar o infinito.
O tempo sentou-se no ponteiro do relógio. Descansou. Todos os infinitos, nesse momento, foram tangíveis e destrutíveis. Extremamente sensíveis ao toque ou ao sopro.
Assombro!
Faria, se pudesse, cacos de muitas histórias. Conseguiria me poupar? (Ou lhe poupar? Se tivesse menos cicatrizes, menos dores, eu teria outras cores aos seus olhos?)
“olha nos meus olhos e diz
pra mim...”
olha nos meus olhos e diz pra mim,
que não percebes mais, neles, olhar sem fim.
que não vês além da retina intumescida
o brilho incontido de uma paz atrevida
que te confunde e te envolve em lençóis de cetim.
olha nos meus olhos e diz pra mim,
que minha boca de palavras soltas
Colunas /
Rob Gordon
Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum [Rob Gordon]
Gente que tá atrás do
relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum
Você conhece bem o tipo. A
pessoa quer encontrar alguém, mas não se coloca disponível, aberta
Rob Gordon
Artigo publicado no site papodehomem
Rob Gordon
Artigo publicado no site papodehomem
Dia desses encontrei um
amigo que não via há anos. Foi um daqueles encontros que precisam ser
combinados, discutidos, cancelados e remarcados porque, hoje em dia, ninguém
tem tempo para nada. Mas, enfim, semanas depois do primeiro “cara, precisamos
beber algo”, o encontro rolou.
No primeiro copo matamos a
saudade. O segundo e o terceiro foram os das gargalhadas. E, a partir daí, com
as lembranças em dia, começamos a falar sobre a vida atual. Trabalho, dinheiro,
situação política do país e outros assuntos de amigos que viraram adultos.
Poetas para quê?
Quando uma poesia me balança, tenho a impressão de que não há mais nada
a ser dito
por Zélia Duncan
Às vezes
odeio todos os poetas. Os que parecem já ter feito acordos com todas as
palavras e expressões mais sublimes do mundo. Os que descreveram a natureza e
falaram da paixão. Os que pensam em Deus de inúmeras maneiras e discorrem sobre
sentimentos, como se morassem dentro da nossa alma, como se tivessem uma lente
mágica, que enxerga nossas veias, desejos e através de nossas retinas. Esses
que nos tiram do armário com um par de rimas, que deixam claro o quanto somos
todos iguais justo quando, nos momentos mais íntimos, juramos ser os mais
originais e únicos.
Colunas /
diarioms /
Manoel de Barros
Cartas e manuscritos inéditos estão em reedições de Manoel de Barros [diarioms]
![]() |
|
Fotos: Divulgação
MANOEL DE BARROS em 1942; o autor e
a esposa
Stella,
no Rio de Janeiro nos anos de 1940
|
Cartas e manuscritos inéditos estão em reedições de Manoel de Barros
Em dezembro
deste ano, o poeta Manoel de Barros completaria cem anos. Por conta da data, a
Alfaguara começou a reeditar a obra do escritor, com volumes que contam também
com material iconográfico inédito, como cartas, manuscritos e fotos do autor.
Nesse
processo de republicação da obra de Manoel, a Alfaguara traz com dois títulos
nas livrarias: o primeiro reúne as duas primeiras obras do autor, Poemas
Concebidos Sem Pecado e Face Imóvel, de 1937 e 1942, e a outra é um dos
clássicos, Arranjos para Assobio, de 1982. “É uma cronologia não cronológica,
afinal, a vantagem da poesia é permitir vários caminhos de entrada”, aponta
Italo Moriconi, organizador da coleção.
Assinar:
Postagens (Atom)











