Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum [Rob Gordon]

Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum


Você conhece bem o tipo. A pessoa quer encontrar alguém, mas não se coloca disponível, aberta

Rob Gordon 
Artigo publicado no site papodehomem

Dia desses encontrei um amigo que não via há anos. Foi um daqueles encontros que precisam ser combinados, discutidos, cancelados e remarcados porque, hoje em dia, ninguém tem tempo para nada. Mas, enfim, semanas depois do primeiro “cara, precisamos beber algo”, o encontro rolou.

No primeiro copo matamos a saudade. O segundo e o terceiro foram os das gargalhadas. E, a partir daí, com as lembranças em dia, começamos a falar sobre a vida atual. Trabalho, dinheiro, situação política do país e outros assuntos de amigos que viraram adultos. 

E falamos sobre casamento.

Na verdade, quando o assunto apareceu na mesa, a conversa virou um monólogo, porque ele não se casou. Claro, isso pode acontecer com qualquer pessoa e não é algo que a torna melhor ou pior que as outras. Às vezes a pessoa nunca quis se casar. Ou ainda não achou uma pessoa certa – porque sim, acredito que existe mais de uma pessoa certa andando por aí para cada um de nós. Existem diversos motivos para as pessoas não se casarem; às vezes é escolha dela; em outras, da vida. 

No caso deste meu amigo... Bem, não é simplesmente “não se casou” ou não se amarrou com ninguém. A coisa vai um pouco além: ele deixou de se relacionar com as pessoas. Jogou a toalha. E, claro, isso também poderia ser opção dele. O problema é que ele sofre visivelmente com essa decisão. Nunca assumiu isso abertamente, claro, mas essa tristeza surge em seus olhos sempre que o assunto aparece. Ele não é uma pessoa que não tem ninguém, e sim uma pessoa que desistiu de ter alguém.

Parece complexo? Talvez. O problema é que nenhum dos relacionamentos dele deu certo porque cada hora surgia um obstáculo novo. Desde que eu o conheci, todos os seus relacionamentos bateram na trave. 

Estamos falando do sujeito mais azarado do mundo?

Não. Estamos falando do maior caso de autossabotagem da história moderna. 


Eu conheci algumas das garotas com quem ele saiu. Com umas duas até mesmo chegou a namorar, mas nunca passou disso. E jamais durou muito tempo. Na verdade, seus relacionamentos morriam antes mesmo de nascerem, por causa da expectativa que meu amigo criava. Era uma expectativa que se resumia em quatro palavras: “não vai dar certo”.

Seu discurso era praticamente o Manual do Amor escrito pelo Hardy Har-Har. Nunca ia dar certo. Veja bem, não é “não deu certo, que pena” ou “não está dando certo, não sei o que faço”. É “não vai dar certo”. Tempo verbal: futuro. Era como se tivesse uma bola de cristal que entregasse apenas previsões ruins sobre todo e qualquer relacionamento que entrasse. 

E os motivos para não dar certo era ele mesmo quem criava. E, na verdade, se dedicava bastante para isso, apresentando sempre um empecilho único e especial para cada mulher que passava por sua vida.

– Ela trabalha demais, não tem tempo para mim. 

– Ela não faz nada, não estuda, não trabalha, então fica me ligando o dia inteiro.

– Ela já foi casada, como eu vou contar isso para os meus pais? 

– Não sei... Acho que ela não faz meu tipo.

E eu sempre tentava derrubar o argumento da vez. 

– Sábado? Domingo? Isso não existe na vida dela? Ela não faz refeições?

– Já pensou em dizer para ela que você trabalha e não pode conversar o dia inteiro? 

– Que tal dizer a verdade, colocando um foda-se no final? Assim, olha: “Ela já foi casada e foda-se”.

– Você também não faz meu tipo e eu janto com você duas vezes por semana. 

Nunca adiantava. Quando ele falava “não vai dar certo”, era porque o negócio estava condenado. Pensei bastante sobre isso. Ainda penso, na verdade.

Você conhece alguém assim? Porque desde então eu vejo que existe muita gente que se comporta desse jeito. Pelo menos, mais do que eu imaginava. São aquelas que nunca acharam a pessoa certa apenas porque passaram a maior parte do tempo procurando a pessoa supostamente perfeita. 


Eu conheci algumas das garotas com quem ele saiu. Com umas duas até mesmo chegou a namorar, mas nunca passou disso. E jamais durou muito tempo. Na verdade, seus relacionamentos morriam antes mesmo de nascerem, por causa da expectativa que meu amigo criava. Era uma expectativa que se resumia em quatro palavras: “não vai dar certo”.

Seu discurso era praticamente o Manual do Amor escrito pelo Hardy Har-Har. Nunca ia dar certo. Veja bem, não é “não deu certo, que pena” ou “não está dando certo, não sei o que faço”. É “não vai dar certo”. Tempo verbal: futuro.

Era como se tivesse uma bola de cristal que entregasse apenas previsões ruins sobre todo e qualquer relacionamento que entrasse.

E os motivos para não dar certo era ele mesmo quem criava. E, na verdade, se dedicava bastante para isso, apresentando sempre um empecilho único e especial para cada mulher que passava por sua vida. 

– Ela trabalha demais, não tem tempo para mim.

– Ela não faz nada, não estuda, não trabalha, então fica me ligando o dia inteiro. 

– Ela já foi casada, como eu vou contar isso para os meus pais?

– Não sei... Acho que ela não faz meu tipo. 

E eu sempre tentava derrubar o argumento da vez.

– Sábado? Domingo? Isso não existe na vida dela? Ela não faz refeições? 

– Já pensou em dizer para ela que você trabalha e não pode conversar o dia inteiro?

– Que tal dizer a verdade, colocando um foda-se no final? Assim, olha: “Ela já foi casada e foda-se”. 

– Você também não faz meu tipo e eu janto com você duas vezes por semana.

Nunca adiantava. Quando ele falava “não vai dar certo”, era porque o negócio estava condenado. Pensei bastante sobre isso. Ainda penso, na verdade. 

Você conhece alguém assim? Porque desde então eu vejo que existe muita gente que se comporta desse jeito. Pelo menos, mais do que eu imaginava. São aquelas que nunca acharam a pessoa certa apenas porque passaram a maior parte do tempo procurando a pessoa supostamente perfeita. 

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Rob Gordon é publicitário por formação, jornalista por vocação e escritor por teimosia. Criador dos blogs Championship Vinyl e Championship Chronicles.
 

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