Artigos /
Juliana Monteiro do Nascimento Araújo
Alice no País das Maravilhas e o limiar entre loucura sã e sanidade patológica [Juliana Monteiro do Nascimento Araújo]
Alice no País das Maravilhas
e o limiar entre loucura sã e sanidade patológica
A loucura só existe em uma
sociedade, já afirmava Foucault (1961). A questão dos limites saudáveis entre
loucura e sanidade, não é algo fácil de se encontrar, precisamos entender que
essa é uma compreensão relativa, que leva em conta a cultura e a época. Considerando
cada ser humano único, entendemos que não é possível identificar um único
padrão, sendo muito tênue a separação entre normal e anormal, entre saudável e
patológico.
Para ilustrar essa questão
utilizaremos a trajetória da personagem Alice no filme Alice no país das
maravilhas, de 2010, dirigido por Tim Burton. O filme mostra a Alice depois de
13 anos, como uma jovem tendo que tomar a decisão de viver conforme a sociedade
afirma ser adequado para uma garota, aceitando um casamento arranjado, ou ouvir
seu “eu interior” e seguir os passos do pai, saindo totalmente dos padrões
pré-estabelecidos da época. Antes da resposta ao pedido de casamento, Alice
retorna ao “país das maravilhas” e trilha uma jornada pelo seu mundo interior
descobrindo-se, e assim fortalecendo o seu self tendo, portanto, condições de
tomar a decisão mais adequada para si, mesmo correndo o risco de ser tachada de
“louca”.
Artigos /
Vanelli Doratioto
14 filmes especiais com grandes mulheres da literatura [Vanelli Doratioto]
Artigo publicado no site NotaTerapia
Histórias reais quase sempre
emocionam e quando elas dizem de escritoras e poetisas, as quais admiramos,
parece que o fascínio se torna ainda maior. Em comum nessa lista de 14 filmes
biográficos estão grandes mulheres que com poesia e prosa mudaram o mundo. Cada
filme, com sua peculiaridade, é capaz de despertar em nós interesse, fascinação
e até mesmo desapontamento, pois como leitores não cansamos de idealizar
aquelas que um dia nos sussurraram aos ouvidos as mais belas palavras. Espero
que gostem da seleção!
Artigos /
Paulo Ribeiro
O livro que surgiu de um encontro entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros [Paulo Ribeiro]
O livro que surgiu de um
encontro entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros
* Por Paulo Ribeiro
Em 1952, João Guimarães
Rosa, em pleno trabalho de “elaboração” de Grande Sertão: Veredas, visitou o
Pantanal do Mato Grosso em busca de subsídios e para observar o comportamento
dos bois. Na ocasião, Manoel de Barros foi uma espécie de guia pantaneiro de Rosa.
Embora o fluxo da linguagem do sertão fosse diferente do refluxo da linguagem
do pantanal, embora ambos, sertão e pantanal, pertençam à mesma categoria de
terra-de-sem-fim, Manoel, então com dois livros publicados — Poemas concebidos
sem pecados (1937) e Faca Imóvel (1942) — acabou subvertendo Rosa. Note-se que
Rosa já era autor consagrado pela excelente repercussão de Sagarana. Mas essa
subversão se deu a tal ponto, que Manoel acabaria se transformando no
personagem de um livro raríssimo, tão raro que nem consta mesmo na Bibliografia
oficial de Guimarães Rosa: Um certo vaqueiro Mariano. A edição foi de apenas
116 exemplares, numerados, e todos eles assinalados pelo próprio punho do
autor.1
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