QUE ACONTECE COM ESSE PAÍS!? [daufen bach.]

QUE ACONTECE COM ESSE PAÍS!?

Por daufen bach.

Não há nada mais tenebroso do que acordar pela manhã e olhar em volta e não ver nenhuma perspectiva, não conseguir visualizar ou perceber uma chance real de melhoria, em curto ou médio prazo, diante do contexto que está instalado. Ter consciência que tua geração está podre e que a geração de teus filhos segue pela mesma trilha, é desanimador. Que horrível isso! Que trágico! A frustração maior é quando tu percebe que faz parte da massa de culpados, pois a culpa disso tudo é do próprio brasileiro... A Constituição Brasileira, no artigo primeiro, parágrafo único afirma: “Todo o poder emana do povo (...)” e é esse povo que constitui a nação, que a dignifica, que a constrói e a caracteriza, mas não se dão conta disso...Que falta de empoderamento tem esse povo fraco, que servilidade estúpida, que ausência de consciência autocrítica!

Nós, brasileiros, não assumimos a nossa responsabilidade social, somos propensos ao jeitinho e vivemos uma crise ética e moral que nos envergonha diante do mundo. Nos tornamos um povo submisso, imbecilizado, arrogante e irresponsável. Nós culpamos todos! As instituições culpam a sociedade, a sociedade culpam as instituições, o cidadão comum culpa os políticos, os políticos culpam o sistema e construímos um ciclo de culpados e, em momento nenhum nos inserimos nele, como se tudo fosse responsabilidade e culpa de um alguém, de algo, mas não nossa!

A nossa Presidência nos envergonha, o nosso Congresso Nacional é uma piada, nosso Senado é um bando de boquirrotos que, numa análise mínima, parece nem fazer falta! O nosso STF é político, é o pior exemplo de judiciário do mundo...De quem é a culpa disso? Deles? O mesmo parágrafo único, do artigo primeiro da nossa Constituição, conclui: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Então a gênese da culpa está onde? Esta no cidadão que sem critério nenhum, sem conhecimento nenhum, sem se preocupar com as consequências, os elegeram! Algum mais exaltado irá me dizer: É que nossa democracia e jovem, é que o povo não tem educação, existe uma crise educacional...” e, sim, eu concordo, mas além da educação acadêmica, nosso povo tem crise de valores, de conceitos, de ética, de moralidade... Todos, indistintamente, sabem o que é certo ou errado, mas a maioria opta em fazer o errado, sem culpas ou remorsos como se isso não o conceituasse. Nos tornamos tão rasos que, quando um ministro, um juiz ou um político qualquer, vestidos de corrupção, tomam uma decisão a qual agrada o meu interesse pessoal eu o conjecturo como herói, que esse é o cara bom e tem moral! Nos tornamos uma sociedade individualista, hipócrita e soberba!

Estamos em pleno pleito eleitoral e nossa crise moral e ética, nunca esteve tão visível! Nunca o nosso comportamento individualista e emburrecido esteve tão à mostra! Nesses debates e propagandas eleitorais, vemos de tudo... Vemos candidato que votou pelo congelamento de recursos da educação e saúde dizendo que irá investir em educação e saúde! Como? E o povo aplaude a acredita! Vemos candidatos promovendo verdadeiro atentado contra a dignidade humana e fazendo apologias a crimes contra a humanidade, e o povo aplaudindo! Vemos candidatos, comprovadamente corruptos, dizendo que serão os baluartes da honestidade e o povo aplaudindo! Vemos candidato que se diz cristão, afirmando que a melhor coisa e matar... Vemos candidatos ensinando crianças a empunhar armas, e o povo aplaudindo! Somos pobres, intelectualmente pobres e com sentimento de humanidade falho ou inexistente.
O brasileiro, pela condição humana, aliado a condição cultural de um país construído explorando trabalho de minorias para gerar riquezas para alguns privilegiados, não tem consciência de grupos, de classes, não sabe o seu papel... É educado para se sobrepor ao outro, numa corrida onde “quem pode mais, chora menos”. Não importa as consequências, não importa quem fica pelo caminho. O que sabe ler e escrever se acha superior ao analfabeto, o que tem ensino médio se acha melhor do que aquele que tem ensino fundamental e o que fez uma graduação, acha que é rico e todo o “resto” são meros mortais despidos de condições, mal sabem que todos fazem parte de uma mesma massa, que padecem dos mesmo problemas e, todos, tem que levantar de manhã para poder garantir o sustento... Noventa e cinco por cento do brasileiros lutam por uma mesma causa, mas não querem ser considerados como iguais, pois fere o ego e precisa se sentir maior e melhor do que outro...

Ontem queimou o museu nacional, arderam em cinzas 200 anos de história! Um dos maiores museus de historia natural e antropologia das Américas desapareceu e a impressão que fica é a de que, o que queimou, foi apenas um prédio velho... Não há o respeito pela própria história... Minha avó tinha frase para aqueles que não respeitavam a sua genealogia e, na sua simplicidade, quando percebia desrespeito dizia: “Tu pensa que veio do oco de um pau, tu tem família, tu tem história!”... Quando se queima a história é uma tragédia, pois se perde as referências e, quando se queima a história e não há um sentimento de tragicididade, de perca ou pelo menos um espanto, é porque, de fato, a população perdeu sua identidade, perdeu seus valores, seus exemplos e tudo que construiu... Como li recentemente num jornal europeu, o Brasil grandioso e rico, passou a ser considerado uma criança que precisa de cuidados...

O que aconteceu com esse país?!

[daufen bach.]


daufen bach. Escritor, poeta  e editor da revista literária Biografia. Nasceu no inverno de 1973, numa casinha humilde no pé de uma serra, num lugarejo denominado Romeópolis no município de Ivaiporã, interior do Estado do Paraná-Brasil. É o primeiro filho de uma família agricultora de 6 irmãos. Exerceu durante muito tempo atividades “rudes”. Foi agricultor, peão, carregador de caminhão e servente de pedreiro...  Sempre estudou em escola pública e escreve desde os 12 anos.  Sua obra é amplamente conhecida através meio virtual, alcançando mais de 50 países, tendo, inclusive, textos traduzidos para o espanhol, italiano, búlgaro e francês.

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