Alice no País das Maravilhas
e o limiar entre loucura sã e sanidade patológica
A loucura só existe em uma
sociedade, já afirmava Foucault (1961). A questão dos limites saudáveis entre
loucura e sanidade, não é algo fácil de se encontrar, precisamos entender que
essa é uma compreensão relativa, que leva em conta a cultura e a época. Considerando
cada ser humano único, entendemos que não é possível identificar um único
padrão, sendo muito tênue a separação entre normal e anormal, entre saudável e
patológico.
Para ilustrar essa questão
utilizaremos a trajetória da personagem Alice no filme Alice no país das
maravilhas, de 2010, dirigido por Tim Burton. O filme mostra a Alice depois de
13 anos, como uma jovem tendo que tomar a decisão de viver conforme a sociedade
afirma ser adequado para uma garota, aceitando um casamento arranjado, ou ouvir
seu “eu interior” e seguir os passos do pai, saindo totalmente dos padrões
pré-estabelecidos da época. Antes da resposta ao pedido de casamento, Alice
retorna ao “país das maravilhas” e trilha uma jornada pelo seu mundo interior
descobrindo-se, e assim fortalecendo o seu self tendo, portanto, condições de
tomar a decisão mais adequada para si, mesmo correndo o risco de ser tachada de
“louca”.