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Jobim, Mendes e Teló

Bruna Repetto

Fim de férias, últimos dias de verão, e o hit da estação tem um nome, o sertanejo Michel Teló. O mês de fevereiro também teve grandes premiações da música e do cinema, com uma contribuição rica da música brasileira marcando presença. Mas, nem de longe o tradicionalismo venceu a massa, e muita gente no Brasil nem soube dos gringos Grammy ou Oscar.

Michel Teló não é ficção, com o seu “ Ai se eu te pego” marcou não só território nacional como deu um grande passo na sua carreira internacional. São quase 100 milhões de visualizações no YouTube, o que leva ao título de música brasileira mais acessada da história do site, sétimo vídeo musical mais visto no mundo e primeiro lugar nas paradas do iTunes em países como Itália, Espanha, Bélgica e Holanda. A versão em inglês tem uma tradução literal “ Oh, If I catch you” que não tem o mesmo sentido da versão brasileira, mas o que importa é fazer render o hit e tornar a música ainda mais forte durante o verão.

Quem pode fazer música?

Acredito que todos podem fazer música, mas é claro que existem os que possuem maior facilidade que outros, essas facilidades remetem a um bom ouvido, a um certo contato com o meio musical e o mais importante: dedicação e prática. Sem suor nada se cria e nada se transforma.

Ensinar música para alunos não músicos é sensibilizar e estruturar a linguagem musical. O ouvinte passa de passivo para ativo, um ouvinte que começa escutar e identificar os códigos sonoros e partes que compõem a música e a partir disso constrói a sua interpretação. O “ouvir” música sempre estará presente, sejá nos apreciadores ou nos produtores. Mas o “fazer” encontra–se somente nas mãos daqueles que produzem música. Se o interesse é em produzir, então, como em qualquer outra área, exige-se conhecimento e especialização, um processo gradual e muito pessoal.

As expectativas de ingressar nesse universo devem ser, primeiramente, alinhadas com as limitações e desejos pessoais e, posteriormente, com os fatores reais. Isto é, frustrações e preconceitos podem ser facilmente evitados se as esferas do imaginário e da realidade trabalharem juntas à favor do objetivo que se quer atingir. Acredite no que você pode trazer de novo, no que é seu e que deseja dividir com os outros. O único fator que impede você de fazer música e de concretizar o que almeja é a falta de comprometimento naquilo que você acredita.

Quando os Beatles acabaram, Paul McCartney, começou tudo do zero com sua nova banda chamada Wings. Entrou dentro de um ônibus e foi tocar em universidades e bares até construir um novo público, apenas com o repertório do Wings. “Seria o caminho mais fácil eu continuar só tocando as músicas dos Beatles, não era isso que eu queria”. Só depois da banda se consolidar é que Paul começou acrescentar algumas canções dos Beatles no repertório. Até hoje é assim, Paul é um sobrevivente de uma era, sempre reinventando-se e não apenas descansando em cima dos louros do passado. Isso é um comprometimento com a sua música e o público sente isso.


Música brasileira, urbana, instrumental, contemporânea: entrevista com Guilherme Ribeiro


Um acordeon suave, elegante, expressivo, que ruma entre os caminhos do tango, do regionalismo, mas pára numa paisagem urbana contemporânea. De uma música guardada na gaveta cria-se um disco que o músico paulistano Guilhereme Ribeiro trilha com firmeza.

Ribeiro é um instrumentista de mão cheia. No circuito do jazz brasileiro instrumental, já tocou ao lado Nenê, Bocato, Paulo Moura, Raul de Souza, acompanhou artistas com Roberto Menescal, Vanessa da Mata, Dominguinhos, Moraes Moreira, Tom Zé, Luiz Melodia, Marcos Valle, João Bosco e atualmente, integra a banda da cantora Céu.

Ano passado lançou seu primeiro disco autoral com o apoio do Governo do Estado de São Paulo. Pianista de longa data, agora grava e divulga seu trabalho como acordeonista e mostra muita personalidade. O CD, intitulado Calmaria, mostra parte de sua influência musical, que passeia pela música brasileira, jazz, tango e a música européia.O álbum conta com os músicos Michi Ruzitschka (violão), Sidiel Vieira (contrabaixo acústico), Pedro Íto (bateria e percussão), Rubinho Antunes (trompete e flughelhorn) e Gabriel Grossi (harmônica).

1. Você é muito conhecido como pianista, mas no entanto seu album de estréia foi com o acordeon, Por quê?
 
Me interessei pelo acordeon há alguns anos quando ainda estava na faculdade, apesar de meu pai tocar o instrumento e eu ter escutado o som do acordeon em casa durante toda a minha infância. Como eu já tinha uma formação musical por causa do piano, comecei a tocar as músicas do meu repertório, a procurar os acordes e harmonias que eu gostava de ouvir. Percebí então que eu teria uma longa trajetória entre aprender a tocar o instrumento, desenvolver a técnica, a sonoridade e tocar aquilo que eu queria e da maneira como eu queria. Fui incorporando o acordeon no meu som e as pessoas passaram a me chamar pra tocar, gravar o acordeon também além de piano e teclados. Aos poucos eu fui estudando cada vez mais, descobrindo as possibilidades sonoras do instrumento e passei então a compor algumas músicas no acordeon,  fui percebendo que aquele repertório poderia se transformar num projeto interessante. E hoje aqui está o "Calmaria", que por acaso é o meu primeiro disco solo.

2. Fale um pouco sobre os diferentes ritmos e linguagem que você quis explorar nesse trabalho.
 
Neste disco eu gravei somente minhas composições, que por sua vez dizem muito sobre minhas influências, e de uma maneira geral procurei não evidenciar por demais o aspecto rítmico nas interpretações. Mas acho que, inevitavelmente, algumas músicas são referências claras a alguns gêneros como por exemplo: "Magrí" é um tango, "Malvadeza" é um samba-jazz, "O quarto dos fundos" é um Jazz Waltz, "Monsieur" e "Prenda" que tem compasso ternário remetem aos rítmos do sul do país.

3. Quando se pensa em acordeon, se pensa em tango, música folclórica, alguns ritmos brasileiros, como forró e baião. No caso de Calmaria, alguns destes elementos estao presentes e você passeia por eles, mas há uma conexão entre eles e talvez um "elemento surpresa". Pode-se dizer que seja a linguagem jazzistica?
 
Sim, Calmaria é um disco de Jazz, no sentido mais amplo desta palavra. Apesar do acordeon ser um instrumento envolto de um certo regionalismo aqui no Brasil, eu quis levá-lo a outros lugares, outras paisagens sonoras.  Isso não quer dizer que eu não goste ou não seja influenciado pela música brasileira, pelo contrário, mas as minhas influências vão muito além. Como eu também sou compositor, tentei através das composições trilhar um outro ambiente, talvez mais próximo do jazz, da música erudita, da música francesa ou do tango. Mas ainda assim eu consigo ver uma "brasilidade" no disco, nas melodias e nos solos.

4. Acordeon e jazz, o que você buscou trazer nesse CD com esta aproximação?
 
Talvez um lugar incomum para o acordeon brasileiro, uma sonoridade não exatamente nova mas diferente. Sem pretenções.

5. Alguns projetos misturam estilos, colocando instrumentos típicos de um certo estilo num outro formato, Calmaria tem essa mistura de estilos, essa intenção?
 
Acho que não exatamente pois a instrumentação usada não é típica de nenhum estilo específico. Pensei muito sobre a instrumentação deste disco, principalmente quando se combina a Harmônica (gaita de boca) com o acordeon. Queria que a instrumentação gerasse uma unidade ao disco e acho que consegui um resultado interessante. Tenho recebido muitos bons comentários sobre essa questão.

6. Por quê Calmaria foi escolhida para o titulo do CD?
 
Calmaria é o nome que dei a uma balada que fiz há algum tempo e que estava guardada lá na minha "gaveta de idéias". Quando estava pensando no repertório, fui procurar minhas composições antigas e encontrei esta música. Acho que Calmaria reflete o meu estado de espírito, a maneira como eu encaro a música nesse momento da minha vida e a sonoridade do disco.

7. Nos títulos das músicas há muitos nomes próprios, é um disco sobre pessoas?
 
Sim e não. É um disco sobre pessoas que estão ou que passaram pela minha vida, mas é também um disco sobre lugares, momentos e lembranças. Tudo isso me inspira a compor e pra mim é como se eu conseguisse imortalizar todas estas coisas.

8. Qual o conceito deste trabalho, como você o definiria?
 
Hum, pergunta difícil. Talvez música brasileira urbana instrumental contemporânea

9. Há pretençoes de lançá-lo fora do País? 
 
Sim, pretenções não me faltam. Os meios, talvez!

10. O cenario instrumental independente de São Paulo é muito forte, e uma leva de músicos anda lançando discos, você acha que há também espaço em outros Estados brasileiros ou o exterior ainda oferece mais possibilidades para o instrumental?
 
Acho que o público para a música instrumental sempre existiu e sempre existirá. Apesar de São Paulo despejar a cada ano uma quantidade enorme de músicos, grupos, discos, etc, não falta em lugar nenhum do país material musical de altíssima qualidade.
Agora do ponto de vista da produção de um trabalho (seja ele um disco, uma turnê, etc) ou da viabilização de um trabalho que envolva muitas fases no processo de realização, desde gravação até a divulgação, captação, agenda de shows e festivais, o Brasil ainda, a meu ver, pode dever um pouco a outros países.  Mas não sou pessimista, acredito que as coisas estão mudando haja visto que o Calmaria foi realizado com o apoio do ProAc (Programa de Ação Cultural).

11. Malvadeza encerra o disco, é um presságio de que o próximo CD seja distante da "Calmaria"?
 
Não sei ainda, pode ser.... afinal, a vida não é um mar de rosas e ninguém vive numa Calmaria eternal, não é mesmo?

Confira mais sobre o trabalho, acessando www.guilhermeribeiro.com



Música: Hobby, profissão ou negócio?
Você pensa música como um hobby, profissão ou negócio?
Partindo de um aspecto objetivo e prático, a auto-gratificação vem de um hobby, os salários são provenientes de uma profissão e o lucro vem de um negócio. A escolha é pessoal, mas é preciso entender e esclarecer os diferentes papéis da música não só como um fator cultural, como também socioeconômico.
O amante da música, que a trata como hobby, ainda desconhece elementos e funções básicas que compõem este “objeto”. Muitas pessoas não sabem identificar o que é melodia, harmonia e arranjo, como também não sabem diferenciar o papel de um compositor, intérprete e produtor musical. Muitos acham, por exemplo, que o cantor norte-americano Frank Sinatra era o autor de todas as músicas que ficaram famosas em sua voz, na verdade, ele era um interpréte, um dos mais importantes, é claro. Assim como Elis Regina, que também nunca compôs nenhuma música, destacou-se como grande intérprete de canções feitas por Milton Nascimento entre outros compositores.
Inúmeras vezes me foi questionado: Mas se estuda música? O que se estuda? É possível viver disso? É o seu trabalho? O que é uma boa música e uma música ruim? Questões como estas precisam ser respondidas tanto a nível educacional quanto social.
O profissional da música (compositor, instrumentista, cantor, DJ’s, regente, arranjador, musicoterapeuta, musicólogo, etc.) que passou anos numa disciplina de estudo e dedicação, seja ela formal ou autodidata, também se vê em meio a questionamentos de como fazer sua música ser ouvida e sua profissão ser rentável em meio às transformações socioeconômicas dos últimos anos. O artista encontra–se um tanto abandonado no processo e inseguro em relação às possibilidades de espaço para apresentação da música, seu produto de trabalho.


Bruna Repetto

Cartas de amor e o universo comum
 
Na hora de compor posso pensar numa bela melodia, começo cantarolando sons organizados que me levam a uma sequência de acordes, a uma harmonia que será a “cama” dessa canção. Há quem também comece por outro caminho. Há compositores de música e letra e há aqueles que são apenas letristas e procuram parceiros para materializar suas ideias em conjunto. Vinicius de Moraes, grande poeta e letrista, foi o grande “parceirinho” de Tom Jobim.
Boas letras são difíceis, devem fazer parte de um universo comum ou pelo menos poder dialogar com este universo. Sim, elas sairão de dentro de nós, de nossas experiências. São embriões do nosso mundo interno e irão desabrochar no externo, mas antes disso tivemos de ser tocados por algo ou alguém fora de nós. Então, contaremos algo e alguém irá pensar: - Poxa, também já senti isso!
Esse é o difícil, ser simples, sem necessidade de palavras complexas, expressões que digam ao que vieram.
Se analisarmos as principais temáticas abordadas em letras de músicas encontraremos a sátira ou comicidade de fatos, o sexo, a crítica à vida moderna e principalmente o AMOR: o correspondido, o fracassado, o traiçoeiro, o platônico e o eterno.
Pensamos em rimas, estrofes, em musicar uma poesia. Cuidamos os clichês e a quantidade de açúcar que queremos colocar sobre o tema. Então começamos a alinhavar a história e sua trilha sonora, com início, meio, clímax e fim. Improvisamos nos sons e na fala. Intérpretes, músicos e cantores, protagonizam o poder das palavras e da linguagem musical e criam canções que embalam memórias por muitos anos. Escrever letras de amor e memórias musica.