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A última entrevista de Manuel Bandeira (Texto originalmente publicado na Revista Bula)

Numa tarde de março de 1964, três décadas depois de ter publicado o poema que lhe consagraria: “Vou-me embora pra Pasárgada”, o poeta Manuel Bandeira fala ao jornalista Pedro Bloch, em sua última longa entrevista


Ninguém sabe explicar como aquele homem, castigado, tantos anos, pela doença, não amargou. Disse Mário de Andrade: “Eu fico espantado de como há certos homens no mundo! Tu, por exemplo. Essa sublime bondade inconsciente, bem no íntimo, de quem nem sabe que é bom”. Vou além. Acho que Manuel Bandeira nem tem plena consciência de sua imensa envergadura de gente e poeta. 
Acho que, talvez, os quatro anos que viveu em sua terra, Recife, é que explicam, mais que os males, o homem de hoje. Diante de mim está o gigante de nossa poesia: Manuel Bandeira, em seu modesto apartamento, atulhado de livros e calor humano, na Avenida Beira-Mar, no Rio. Do bem que lhe querem todos, da ternura que desperta em quem dele se aproxima, basta dizer que Mário de Andrade só o tratava de Manu ou Manuelucho; Rodrigo Melo Franco de Andrade lhe deu o nome de Manula; Madame Blank, sua amiga de almoço de todo o dia, o trata de Mané. 
Creio que nunca ninguém teve tanto apelido, tanta gente querendo chegá-lo à sua amizade. (Edição e seleção de poemas Carlos Willian Leite).


 Texto publicado na Revista Bula
 
Os 15 melhores poemas de Paulo Leminski



Pedimos a 15 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Paulo Leminski. Cada participante poderia indicar entre um e 15 poemas.

Escritor, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Influenciado pelos dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos deixou uma obra vasta que, passados 25 anos de sua morte, continua exercendo forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Seu livro “Metamorfose” foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Entre suas traduções estão obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na música teve poemas gravados por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes; e parcerias com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik e Wally Salomão.

Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos.

 Texto publicado na Revista Bula
 
Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos

Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. 
São eles: “A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e  “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d'África”, de Castro Alves;  “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de  Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes.
Abaixo, a lista baseada no número de citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.
Os melhores livros ficcionais de 2012

Perguntamos a 20 convidados — escritores, jornalistas, professores — quais foram os melhores livros ficcionais publicados no Brasil em 2012. Os convidados poderiam escolher livros de autores brasileiros ou estrangeiros, publicados entre o meses de janeiro e outubro. “Os Ena­moramentos”, do escritor madrilenho Javier Marías foi o livro que obteve mais indicações, seguido por “Ar de Dylan”, do também espanhol Enrique Vila-Matas; e “A Borra do Café”, do uruguaio Mario Benedetti. Com­pletam a lista, “Serena”, do britânico Ian McEwan; “Chamadas Te­lefônicas”, do chileno Roberto Bolaño; “O Torreão”, da norte-americana Jennifer Egan. Abaixo, em ordem classificatória, as sinopses dos melhores livros ficcionais do ano segundo os convidados consultados. As sinopses são das editoras.
40 discos PARA MORRER antes de ouvir

Depois da polêmica sobre os Livros e Filmes Para Morrer Antes de Ler, convidei leitores, seguidores do Twitter e Facebook — músicos, jornalistas culturais, produtores — a responder quais eram os piores álbuns musicais — de artistas consagrados — da história. Cada participante poderia indicar entre um e dez discos, de artistas brasileiros ou estrangeiros, tendo como critério principal o gosto pessoal. A música sertaneja, o funk e o pagode não entraram na lista por ser considerados hors concours. A lista não pretende ser ampla ou definitiva e reflete apenas a opinião dos participantes consultados. Se podemos ter a lista de nossas preferências, por que não podemos ter a lista daquilo que não gostamos? Na lista, aparecem nomes consagrados da música mundial como Bob Dylan, Neil Young, Rolling Stones, David Bowie, Elton John, The Who, Eric Clapton, Mick Jagger, e brasileiros como Renato Russo, Caetano Veloso, Djavan e Rita Lee, que conseguiu a proeza de emplacar quatro álbuns. A “Rainha do Rock Brasileiro” é o nome, entre todos, que aparece mais vezes. Eis o resultado baseado no número de citações:
A última entrevista de Vinícius de Moraes

O poeta e compositor morreu alguns meses depois de ter concedido a entrevista ao jornalista Narceu de Almeida Filho, em 1979.

Quando o jornalista Narceu de Almeida Filho bateu este longo papo com Vinícius de Moraes, em sua casa, bem situada numa tranquila rua da Gávea, no Rio de Janeiro, não poderia imaginar que, no momento da edição da entrevista, o Poetinha já não existisse mais. Vinícius estava todo animado, layout novo, de cabelos cortados, barba raspada, vestido elegantemente e sem o seu famoso boné que o acompanhou durante muitos anos. Havia emagrecido vários quilos e abandonado temporariamente as excursões musicais para dedicar-se, novamente, à poesia. Poeta do amor, Vinícius estava ainda em lua-de-mel com sua mulher, Gilda, a quem conheceu na Europa, onde ela estudava. Entre pilhas de livros, discos, um violão, dois conjuntos de som e objetos de arte, ele falava de seu objetivo maior no momento — “fazer feliz essa moça” — e olhava, apaixonadamente, para a mulher sentada ao seu lado. A entrevista foi publicada no livro “As Entrevistas de Ele Ela”, editora Bloch.
A última entrevista de Jorge Luis Borges 

O escritor morreu alguns meses depois de ter concedido a entrevista ao jornalista e apresentador Roberto D’Ávila, em 1985

“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção.”


40 insultos literários e musicais

A literatura e a música são um terreno fértil para intrigas. Não foram poucas as vezes que nomes consagrados da literatura e da música mundial deixaram a elegância de lado e alfinetaram colegas de ofício. Pequenas declarações se transformaram em polêmicas gigantes e inimizades eternas. Nesta edição, publico uma seleção de insultos literários e musicais. A lista compila “grosserias” de escritores e músicos de díspares perfis, nacionalidades e épocas. Na seleção aparecem escritores canonizados como William Faulkner, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Gore Vidal, Oscar Wilde, Truman Capote, Nietzsche e Henry James. E músicos ilustres como Mick Jagger, Elvis Costello, George Harrison, John Lennon, Jerry Lee Lewis, Elton John e Caetano Veloso. Em comum entre eles, o fato de um dia, por mera provocação, impulso, raiva, terem externado suas opiniões pouco elegantes sobre seus companheiros de ofício.
40 frases mal-humoradas e venenosas

 
Publico nesta edição uma seleção de 40 frases célebres de personalidades de díspares perfis, nacionalidades e épocas — venenosas, mal humoradas, engraçadas ou cruéis —, as frases revelam o olhar preciso e ferino de seus autores sobre os temas abordados. A autenticidade de cada frase foi checada para não incorrer nos risco das falsas atribuições em meio a profusão de textos apócrifos e equívocos relativos à autoria. A seleção traz nomes como H. L. Mencken, Ambrose Pierce, Ernest He­mingway, Nelson Ro­drigues, Voltaire, Paulo Francis, Otto Von Bismarck, Woody Allen, Robert Benchley, J. Pierpont Mor­gan, Simone de Beauvoir, além provérbios e frases autorais, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores.