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Além da Curva
O que me espera atrás
daquela curva? Quisera eu saber!
Por enquanto basta-me saber
que tenho pernas e pés para construir o caminho.
Por ora tenho olhos atentos
para a paisagem e ouvidos abertos para toda canção que o vento me sussurra.
E, depois de ter caminhado
tantos desertos – os que me atravessam, os que invento e os que me foram
destinados – tenho desejos de que ali, em algum lugar, haja um poço de água
fresca. Ou um poço de sonhos: os que já realizei, meus alentos, e os que ainda
acalento, minhas esperanças.
Colunas /
Marcel Camargo
Coisas a gente compra de novo, pessoas a gente perde para sempre [Marcel Camargo]
Coisas a gente compra de
novo, pessoas a gente perde para sempre
Marcel Camargo
Artigo publicado no site Contioutra
Muita gente se preocupa com
os riscos da calota do carro sem nunca perguntar como a esposa se sente. Muitos
pais verificam o boletim escolar, mas se esquecem de olhar nos olhos dos
filhos. Muitos de nós notamos quando o amigo engordou, porém, nem percebemos o
quanto ele pode estar precisando de nossa ajuda.
Como é difícil balancearmos
com equilíbrio nossas prioridades, dando a devida atenção tanto ao que precisamos
obter quanto ao que precisamos manter junto de nós. Embora a vida nos obrigue a
despendermos a maior parte de nosso tempo trabalhando para conquistar qualidade
e conforto, essa rotina pesada ao mesmo tempo nos distancia mais e mais dos
contatos e interações com as pessoas.
Eu cuido de todos. E quem
cuida de mim?
Bárbara Farias
Artigo publicado no site contioutra
Muitas vezes encontramos
pessoas dispostas a cuidar de tudo e de todos, a qualquer hora, em qualquer
lugar e sob qualquer circunstância. Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor
do outro. Qual ferida esse curador esconde?
Dias e dias passados com aquele
parente no hospital, vive cozinhando para várias pessoas, é sempre o primeiro a
se oferecer para ajudar em um mudança de casa, na organização de uma festa, no
cuidado com as crianças, é “pau pra toda obra”! É aquela mãe que vive só em
função dos filhos; nada de fazer as unhas, arrumar o cabelo, comprar uma roupa
nova. É mãe com dedicação exclusiva aos filhos. Tem também aquele que faz todo
mundo rir, pois se preocupa em manter todos sempre com um alto astral. São
pessoas que dedicam-se ao cuidado do outro. Você conhece alguém assim? Então
esse texto é para você!
Mar Me Quer, por Mia Couto
Por Nara Rúbia Ribeiro
Sou feliz só por preguiça. A
infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela,
afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que
nem chegou a falecer. – Levanta, ó dono das preguiças. É o mando de minha
vizinha, a mulata Dona Luarmina. Eu respondo: -Preguiçoso? Eu ando é a
embranquecer as palmas das mãos. -Conversa de malandro… – Sabe uma coisa, Dona
Luarmina? O trabalho é que escureceu o pobre do preto. E, afora isso, eu só
presto é para viver… Ela ri com aquele modo apagado dela. A gorda Luarmina
sorri só para dar rosto à tristeza. – Você, Zeca Perpétuo, até parece mulher… –
Mulher, eu? – Sim, mulher é que senta em esteira. Você é o único homem que eu
vi sentar na esteira. – Que quer vizinha? Cadeira não dá jeito para dormir. Ela
se afasta, pesada como pelicano, abanando a cabeça. Minha vizinha reclama não
haver homem com miolo tão miúdo como eu. Diz que nunca viu pescador deixar
escapar tanta maré:
Bloco de Notas
Tomo a vida como um grande bloco de papel. Tenho folhas em branco, um lápis e uma borracha.
Algumas vezes posso apagar os erros. Outras, prefiro só dar um traço por cima e seguir adiante. Não raras são as vezes em que percebo que a falha está lá atrás, de modo que não a posso apagar e sigo.
O fato é que, todas as manhãs tenho novas oportunidades para me reescrever, me reinventar e, disso tudo, sobra-me o direito do uso e do abuso do que tenho em mãos: meus lápis e borracha.
É muito mais simples que eu me permita a fixidez das rotinas e do cotidiano acinzentado do grafite: seguir o fluxo é sempre menos cansativo, menos exigente, menos arriscado e até mais confortável. Lamentável essa comodidade, mas é uma possibilidade.
Ao contrário, posso ser mais. Posso ousar. Posso escrever as minhas linhas e ilustra-las. Posso valer-me de outros tantos lápis, outras tantas cores e formas e deixar tudo muito diferente. Há riscos. Há erros. Há contornos que não são fáceis de se fazer. Há nuances muito sutis que nem sempre percebo, mas são essas possibilidades que mais me encantam diante da vida: o inesperado.
Uso o dia como meu laboratório de criação: escrevo, pinto, bordo, rimo e canto. Falho e apago. Falho e me afago, lambendo feridas, mas orgulhosamente, assumindo os erros em vez de apagá-los. Tudo isso depende muito: da fase da lua, da enchente das marés, das batidas de meu coração.
E faço do coração meu tinteiro preferido: dessa tinta não há voltas. Não há como apagar. Tudo o que se traça marca a pele e a alma. Tudo finda, nada se esquece. É do coração que sai a tinta-inspiração mais forte. É dele que saem meus croquis mais apaixonados, os versos mais encarnados.
Mas ainda reservo-me à tinta-razão, à tinta-planejamento, aquela que queima horas a fio em hipóteses e ensaios vãos. Vãos... justamente aqueles espaços entre o tempo e a ação que não ouso atravessar e perco tudo o que foi pensado. Aqueles traços que esboço e volto apagando por um motivo ou outro. E uso minha ferramenta mais desprezada: a borracha.
Valho-me da borracha só para reparos essenciais. Cabe a ela o alívio dos perdões, o novo suspiro de quem se sufocava com a mágoa. A devolução da tranquilidade, da noite de sono, da paz de espírito. Borracha-alívio, borracha-salvação.
Permito-me erros porque sou humana. Permito-me os erros porque tenho limites que não são intransponíveis e, sendo responsável pela criação do meu roteiro de vida, não posso enganar-me que tocarei a perfeição.
Munida de meus lápis e borracha e tendo a vida como bloco de notas, como bloco de papel à minha disposição, assumo a responsabilidade pela história que escrevo (dessa vida), mas reconheço que se a borracha ameaça a acabar antes do lápis é um sinal de que estou passando dos limites. Que me venham as reflexões!
Dy Eiterer - Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando
Tomo a vida como um grande bloco de papel. Tenho folhas em branco, um lápis e uma borracha.
Algumas vezes posso apagar os erros. Outras, prefiro só dar um traço por cima e seguir adiante. Não raras são as vezes em que percebo que a falha está lá atrás, de modo que não a posso apagar e sigo.
O fato é que, todas as manhãs tenho novas oportunidades para me reescrever, me reinventar e, disso tudo, sobra-me o direito do uso e do abuso do que tenho em mãos: meus lápis e borracha.
É muito mais simples que eu me permita a fixidez das rotinas e do cotidiano acinzentado do grafite: seguir o fluxo é sempre menos cansativo, menos exigente, menos arriscado e até mais confortável. Lamentável essa comodidade, mas é uma possibilidade.
Ao contrário, posso ser mais. Posso ousar. Posso escrever as minhas linhas e ilustra-las. Posso valer-me de outros tantos lápis, outras tantas cores e formas e deixar tudo muito diferente. Há riscos. Há erros. Há contornos que não são fáceis de se fazer. Há nuances muito sutis que nem sempre percebo, mas são essas possibilidades que mais me encantam diante da vida: o inesperado.
Uso o dia como meu laboratório de criação: escrevo, pinto, bordo, rimo e canto. Falho e apago. Falho e me afago, lambendo feridas, mas orgulhosamente, assumindo os erros em vez de apagá-los. Tudo isso depende muito: da fase da lua, da enchente das marés, das batidas de meu coração.
E faço do coração meu tinteiro preferido: dessa tinta não há voltas. Não há como apagar. Tudo o que se traça marca a pele e a alma. Tudo finda, nada se esquece. É do coração que sai a tinta-inspiração mais forte. É dele que saem meus croquis mais apaixonados, os versos mais encarnados.
Mas ainda reservo-me à tinta-razão, à tinta-planejamento, aquela que queima horas a fio em hipóteses e ensaios vãos. Vãos... justamente aqueles espaços entre o tempo e a ação que não ouso atravessar e perco tudo o que foi pensado. Aqueles traços que esboço e volto apagando por um motivo ou outro. E uso minha ferramenta mais desprezada: a borracha.
Valho-me da borracha só para reparos essenciais. Cabe a ela o alívio dos perdões, o novo suspiro de quem se sufocava com a mágoa. A devolução da tranquilidade, da noite de sono, da paz de espírito. Borracha-alívio, borracha-salvação.
Permito-me erros porque sou humana. Permito-me os erros porque tenho limites que não são intransponíveis e, sendo responsável pela criação do meu roteiro de vida, não posso enganar-me que tocarei a perfeição.
Munida de meus lápis e borracha e tendo a vida como bloco de notas, como bloco de papel à minha disposição, assumo a responsabilidade pela história que escrevo (dessa vida), mas reconheço que se a borracha ameaça a acabar antes do lápis é um sinal de que estou passando dos limites. Que me venham as reflexões!
Dy Eiterer - Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando
Por trás das palavras
por Cláudia de Villar
artigo pubublicado no site artistasgauchos
Quanto do nosso EU colocamos
no papel? O que revelamos de nós mesmos quando decidimos escrever? Ou um
bilhete, um conto, um poema ouuma narrativa. Muitas vezes, somente o poema é
visto como um desabafo do autor, uma “dor de cotovelo” mal resolvida, um amor
não correspondido e por aí vai. E os leitores pensam... O que o amor não faz.
Entretanto, nem só a poesia se torna reveladora, uma narrativa longa sempre tem
uma marca pessoal do autor. Qual é a sua marca? O que queremos dizer nas
entrelinhas?Quando o autor pega um papel
ou se senta em frente a uma tela ele deixa ali as suas marcas pessoais. Ou na
forma de dizer algo, por entre os diálogos, nos extensos parágrafos, numa
opinião não muito revelada e é aí que se dá o link com o leitor, objeto final
da escrita de todo escritor.
O que acontece entre o que o autor escreve e o que o leitor lê é que se constrói um leitor ”fiel” ou um leitor eventual. Dor, saudade, rancor, ódio ou até lição de moral, todas essas manifestações são “culpadas” por dar a liga entre o leitor e o escritor.
Por isso que uma obra agrada
um e desagrada outro. Depende do estado de espírito do leitor ao ler um
determinado livro. Mas enquanto falamos apenas da conquista do leitor, tudo OK,
mas quando um júri entra em ação? O que faz uma obra ser lida, avaliada e
escolhida para ser premiada? E se a criatura fala de uma paixão mal resolvida e
os jurados não gostam de paixões mal resolvidas? Como deixar de lado o gosto
pessoal e avaliar um texto?
A partir daí é que muitos
escritores se perdem. Ao desejar um prêmio ou serem lidos por muitas pessoas,
há escritores que vão escrevendo na tentativa de adivinhar o que agrada o
leitor ou o jurado e termina por não agradar ninguém. Nem a si próprio. Pois
não há nada tão frustrante do que olhar a própria obras e chegar à conclusão
que aquele livro não te representa.
Portanto, melhor optar por
escrevera verdade que existe dentro de nós e “rezar” para que existam muitos
leitores à procura dessa mesma verdade registrada em papel.
Cláudia de Villar é
professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS,
especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS,
também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de
Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior
(IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público
adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de
seu DNA.
A infância e a adolescência
são parte do território sagrado em que a literatura inglesa está encastelada.
Basta lembrar as fantasias que envolvem Peter Pan (James Barrie) e Alice no
País das Maravilhas (Lewis Carrol). Ou a assustadora crueldade facilmente
encontrável em romances como Oliver Twist (Charles Dickens), O Senhor das
Moscas (William Golding) e Reparação (Ian McEwan). São incontáveis os livros
que relatam questões relacionadas com a iniciação amorosa e sexual.
Normalmente, esses Bildungromans (Romances de Formação) englobam desde algumas
das narrativas escritas por Jane Austen até textos contemporâneos como O Mar e
Luz Antiga (John Banville), Por Acaso (Ali Smith), A Biblioteca da Piscina
(Allan Hollinghurst). A descoberta do mundo, com suas mentiras e decepções,
está descrita em romances de primeira qualidade como Uma Escola para a Vida
(Muriel Sparks), Império do Sol (J. G. Ballard), Dentes Brancos (Zadie Smith),
Bem−vindo ao Clube (Jonathan Coe), Não me Abandone Jamais (Kazuo Ishiguro) e O
Dom de Gabriel (Hanif Kureish).
Colunas /
Valeria Sabater
Gosto dos amigos que respeitam o tempo, o silêncio e o espaço [Valeria Sabater]
Gosto dos amigos que
respeitam o tempo, o silêncio e o espaço
Texto original em espanhol
de Valeria Sabater.
Artigo publicado: A Mente é Maravilhosa
Meus melhores amigos podem
ser contados nos dedos de uma mão. São poucos, mas são grandes, com sentimentos
sinceros e sem duplos sentidos. É uma amizade cúmplice, altruísta, que não sabe
de chantagens, que se oferece com liberdade para incentivar, para fazer minha
vida mais completa…
E você, quantos amigos tem?
Há quem se orgulhe de ter
uma enorme quantidade de amigos, nomes que coleciona nas redes sociais, pessoas
que mal conhece e que, no entanto, são aquelas que sempre lhe oferecem uma
“curtida” em cada uma de suas publicações.
Os bons amigos não são só
nomes e fotografias nas agendas de nossos celulares. São pessoas que atendem
nossas palavras e sabem interpretar nossos gestos.
Brincadeira de criança, como
é bom!
AUERBACH, Patricia. O lenço.
Ilustrações da autora. São Paulo, Brinque-Book, 2013. 32p.
Qualquer objeto pode ser
brinquedo! O importante é viver o faz-de-conta com toda intensidade. E ainda
aproveitar para transformar a coisa assim, num estalar de dedos! Sem muita
explicação.
A menina pega,
sorrateiramente, um lenço vermelho na gaveta do toucador (ou penteadeira, como
preferirem!) da mãe, enquanto esta provavelmente se arruma para sair. Depois
que fica sozinha, a menina começa a testar o lenço, leva-o ao rosto, deita ao
seu lado, se cobre com ele. Aí, ela tem uma ideia e começa a transformá-lo:
primeiro em uma corda (ou uma longa trança?), depois em um véu, depois em
barriga, bebê, cachorro, tipoia, vela de barco, cabana, monstro, manto de rei,
vestido de festa, quando a mãe volta e surpreende a mocinha...
Por que ainda produzimos
literatura?
Dia desses, um jornalista
amigo meu me perguntou sobre o sentido da literatura. Na verdade, me perguntou
além: por que ainda precisamos produzir literatura? As perguntas são bem
importantes, quando se considera que a literatura já não possui o mesmo apelo
que tinha antes do surgimento das redes sociais.
A pergunta pelo sentido da
literatura não pode prescindir de considerar o “sentido” desde sua etimologia
mais essencial, ou seja, sentido enquanto aquilo que se dá como impressão de
ser desta e não daquela maneira. Assim, o sentido da literatura acontece
sempre, dessa maneira e não daquela, em duas entidades: o escritor e o leitor.
O que remete a duas perguntas distintas: qual é o sentido da literatura para o
escritor e qual é o sentido da literatura para o leitor.
Lindeza
Crônica em que quatro amigos conversam e tentam chegar no que realmente faz
um homem se encantar com uma mulher. "Lindeza" é baseado na música
homônima de Caetano Veloso e Pedro Aznar
por Marcelo Vitorino
Já era
tarde, muito mais do que dez latas de cerveja para quatro tropeços quando o
papo enveredou para o assunto preferido dos homens. Engana-se quem pensa em
futebol ou política, o gosto por falar das aventuras e desventuras passadas com
as mulheres é muito superior a qualquer outro assunto.
Quando o Tempo Parou
Tenho a sensação de estar imersa no nada. Como se o tempo tivesse parado. Es-tan-que. Como se eu não pudesse me mexer. Só os olhos reviram nas órbitas. E fazem o traçado mágico do infinito. Ou do que escolhemos para representar o infinito.
O tempo sentou-se no ponteiro do relógio. Descansou. Todos os infinitos, nesse momento, foram tangíveis e destrutíveis. Extremamente sensíveis ao toque ou ao sopro.
Assombro!
Faria, se pudesse, cacos de muitas histórias. Conseguiria me poupar? (Ou lhe poupar? Se tivesse menos cicatrizes, menos dores, eu teria outras cores aos seus olhos?)
Tenho a sensação de estar imersa no nada. Como se o tempo tivesse parado. Es-tan-que. Como se eu não pudesse me mexer. Só os olhos reviram nas órbitas. E fazem o traçado mágico do infinito. Ou do que escolhemos para representar o infinito.
O tempo sentou-se no ponteiro do relógio. Descansou. Todos os infinitos, nesse momento, foram tangíveis e destrutíveis. Extremamente sensíveis ao toque ou ao sopro.
Assombro!
Faria, se pudesse, cacos de muitas histórias. Conseguiria me poupar? (Ou lhe poupar? Se tivesse menos cicatrizes, menos dores, eu teria outras cores aos seus olhos?)
Colunas /
Rob Gordon
Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum [Rob Gordon]
Gente que tá atrás do
relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum
Você conhece bem o tipo. A
pessoa quer encontrar alguém, mas não se coloca disponível, aberta
Rob Gordon
Artigo publicado no site papodehomem
Rob Gordon
Artigo publicado no site papodehomem
Dia desses encontrei um
amigo que não via há anos. Foi um daqueles encontros que precisam ser
combinados, discutidos, cancelados e remarcados porque, hoje em dia, ninguém
tem tempo para nada. Mas, enfim, semanas depois do primeiro “cara, precisamos
beber algo”, o encontro rolou.
No primeiro copo matamos a
saudade. O segundo e o terceiro foram os das gargalhadas. E, a partir daí, com
as lembranças em dia, começamos a falar sobre a vida atual. Trabalho, dinheiro,
situação política do país e outros assuntos de amigos que viraram adultos.
Poetas para quê?
Quando uma poesia me balança, tenho a impressão de que não há mais nada
a ser dito
por Zélia Duncan
Às vezes
odeio todos os poetas. Os que parecem já ter feito acordos com todas as
palavras e expressões mais sublimes do mundo. Os que descreveram a natureza e
falaram da paixão. Os que pensam em Deus de inúmeras maneiras e discorrem sobre
sentimentos, como se morassem dentro da nossa alma, como se tivessem uma lente
mágica, que enxerga nossas veias, desejos e através de nossas retinas. Esses
que nos tiram do armário com um par de rimas, que deixam claro o quanto somos
todos iguais justo quando, nos momentos mais íntimos, juramos ser os mais
originais e únicos.
Colunas /
diarioms /
Manoel de Barros
Cartas e manuscritos inéditos estão em reedições de Manoel de Barros [diarioms]
![]() |
|
Fotos: Divulgação
MANOEL DE BARROS em 1942; o autor e
a esposa
Stella,
no Rio de Janeiro nos anos de 1940
|
Cartas e manuscritos inéditos estão em reedições de Manoel de Barros
Em dezembro
deste ano, o poeta Manoel de Barros completaria cem anos. Por conta da data, a
Alfaguara começou a reeditar a obra do escritor, com volumes que contam também
com material iconográfico inédito, como cartas, manuscritos e fotos do autor.
Nesse
processo de republicação da obra de Manoel, a Alfaguara traz com dois títulos
nas livrarias: o primeiro reúne as duas primeiras obras do autor, Poemas
Concebidos Sem Pecado e Face Imóvel, de 1937 e 1942, e a outra é um dos
clássicos, Arranjos para Assobio, de 1982. “É uma cronologia não cronológica,
afinal, a vantagem da poesia é permitir vários caminhos de entrada”, aponta
Italo Moriconi, organizador da coleção.
EU NÃO AMAREI VOCÊ PARA
SEMPRE!
por Carlos Mion
Artigo publicado no site Osegredo
Ele(a) prometeu amar você
pra sempre, ser fiel, carinhoso(a), romântico(a)…
Que cilada!
Mesmo não tendo capacidade
de sentir de fato o que é a eternidade, nós, seres humanos, insistimos em
deseja-la. Na prática, sabemos que não duramos muito, e esse é um dos grandes
motivos para apreciarmos tanto aquilo que nos transcende. Um grande exemplo
disso é o amor. Não sabemos de certo qual a sua dimensão, quanto dele se
possui. Dizemos apenas que é muito, pouco ou nada. Amor é emoção, é
incontrolável, é imensurável. Se é eterno ou não, ninguém pode afirmar, mas é
assim que o queremos, não é verdade? Para sempre.
![]() |
Tela RAQUEL GALENA |
Minha cidade não é uma
cidade, é um clã ou melhor uma tribo. Não temos língua pátria, temos um dialeto
exclusivo e puro. Somos apreciados pelo mundo a fora como seres
"DiouUU" ou seja, de outro planeta, porque entre nós pouca palavra
basta e se for apenas um pedaço, aí sim, é que se fala tudo.
Falamos de várias maneiras,
inclusive com as mãos e falamos muito alto, acho que o motivo, são os morros
que abafam nosso som. Em nosso linguajar podemos encontrar muitas ramificações
dialéticas, como por exemplo falar de trás para frente, falar a língua do P ou
falar por sinais e neste campo entram, pequenos toques, piscar de olhos,
trejeitos com a face, levantar a sobrancelha, cocar, lamber os lábios, tocar
suavemente ou mesmo beliscar o outro, isso depende da circunstância.
Colunas /
Raúl Allain
Sobre la peruanidad: “Constitución de la ortodoxia esencial fundamentada en el nacionalismo hegemónico” [Raúl Allain]
Sobre
la peruanidad: “Constitución de la ortodoxia esencial fundamentada en el nacionalismo
hegemónico”Por Raúl Allain (*)
La totalidad de ciudadanos singulares, desfilan
provistos de la civilización actual inmovilizada, condenada, por las
condiciones típicas de un condicionante electromagnético científicamente
avanzado, comprendiendo a la población inmersa en su ámbito mediante una conducción
científica deshumanizante, en un proceso que aliena por intermedio de una
estrategia eléctrica que se procrea de por sí obscura, consecuencia oculta tras
de los “grandiosos idearios”, reconocidos generadores del declive de una
verdadera categoría de ‘popularidad’. Se desarrolla de éste modo por la
estrategia científico-electrónica, que condiciona una oscura secta predispuesta.
Diagnosticaría científico socialmente: transgresión delictiva que parte casi
siempre de las configuraciones y emisiones magnéticas específicas de la Radio y
TV, además de la cierta relación con degradaciones deshumanizantes como la
pederastia y su manifestación pornográfica, ejemplo cotidiano de los últimos
tiempos en el Perú.
Estos fenómenos se ensamblan a la radioactividad transmisiva
que se programa desde los estudios de nuestra televisión que, por resultante
general, doblega nuestro cuerpo y espíritu, resultando ofensivamente inmoral.
De este modo, circulamos —en
condición práctica de individuos—
por calles concéntricas, comunales, barriales. Alienados por la actividad electromagnética
deshumanizante y en estado de un realismo kafkiano
además, debido a la circunspección del Estado que permite aún en estos días la
chismografía homosexualoide que aqueja al ciudadano peruano de a pie,
cotidianamente.
André J. Gomes /
Colunas
Por um mundo com mais pessoas boas e menos gente “boazinha”. [André J. Gomes]
Por um mundo com mais
pessoas boas e menos gente “boazinha”.
André J. Gomes
Artigo publicado no site Conti outra
Por um mundo com mais pessoas
boas e menos gente “boazinha”.
Um dia acontece. Você
acorda, abre a janela e encontra um tempo feio como bronca de filho em mãe,
triste, dia de ser só. O céu cor de chumbo é um longo e imenso desamparo, a rua
está úmida, mais vazia que a primeira tarde depois do fim do mundo, e você tem
um desejo dolorido de voltar à cama, ao convívio das cobertas, ao escuro
silencioso da madrugada, ao útero materno.
Olhos d’água
A Serra do Estrago, no Brejo
da Madre de Deus, tem seus segredos, oásis escondidos na mata cerrada. Um dos
milagres da Natureza revela-se num fino fio transparente, sem compunção, saído
do centro da terra. Pulsa de uma fresta na rocha e escorre, sereno, em majestoso
véu, com ligeiras ondulações.
Ladeado de pedregulhos
desce, em correnteza, de uma altura considerável, como lágrima de alegria,
diante da necessidade saciada do homem.
No poço formado no terminal
da laje águas e lavadeiras se misturam em comunhão. As crianças molham-se
desfrutando o frescor dos pingos. Risos se ouvem como música de duendes meio ao
verde do mato.
Cristalina a importância
perante a sede do mundo. O líquido vital, mensageiro da fertilidade da terra,
serpenteia a vegetação rasteira, umidifica a terra para o plantio do alimento e
não vai longe.
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