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Além da Curva


O que me espera atrás daquela curva? Quisera eu saber!

Por enquanto basta-me saber que tenho pernas e pés para construir o caminho. 

Por ora tenho olhos atentos para a paisagem e ouvidos abertos para toda canção que o vento me sussurra.

E, depois de ter caminhado tantos desertos – os que me atravessam, os que invento e os que me foram destinados – tenho desejos de que ali, em algum lugar, haja um poço de água fresca. Ou um poço de sonhos: os que já realizei, meus alentos, e os que ainda acalento, minhas esperanças. 
Coisas a gente compra de novo, pessoas a gente perde para sempre


Marcel Camargo
Artigo publicado no site Contioutra

Muita gente se preocupa com os riscos da calota do carro sem nunca perguntar como a esposa se sente. Muitos pais verificam o boletim escolar, mas se esquecem de olhar nos olhos dos filhos. Muitos de nós notamos quando o amigo engordou, porém, nem percebemos o quanto ele pode estar precisando de nossa ajuda.

Como é difícil balancearmos com equilíbrio nossas prioridades, dando a devida atenção tanto ao que precisamos obter quanto ao que precisamos manter junto de nós. Embora a vida nos obrigue a despendermos a maior parte de nosso tempo trabalhando para conquistar qualidade e conforto, essa rotina pesada ao mesmo tempo nos distancia mais e mais dos contatos e interações com as pessoas.
Eu cuido de todos. E quem cuida de mim?
 

Bárbara Farias
Artigo publicado no site contioutra

Muitas vezes encontramos pessoas dispostas a cuidar de tudo e de todos, a qualquer hora, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor do outro. Qual ferida esse curador esconde?

Dias e dias passados com aquele parente no hospital, vive cozinhando para várias pessoas, é sempre o primeiro a se oferecer para ajudar em um mudança de casa, na organização de uma festa, no cuidado com as crianças, é “pau pra toda obra”! É aquela mãe que vive só em função dos filhos; nada de fazer as unhas, arrumar o cabelo, comprar uma roupa nova. É mãe com dedicação exclusiva aos filhos. Tem também aquele que faz todo mundo rir, pois se preocupa em manter todos sempre com um alto astral. São pessoas que dedicam-se ao cuidado do outro. Você conhece alguém assim? Então esse texto é para você!
Mar Me Quer, por Mia Couto


Por Nara Rúbia Ribeiro

Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer. – Levanta, ó dono das preguiças. É o mando de minha vizinha, a mulata Dona Luarmina. Eu respondo: -Preguiçoso? Eu ando é a embranquecer as palmas das mãos. -Conversa de malandro… – Sabe uma coisa, Dona Luarmina? O trabalho é que escureceu o pobre do preto. E, afora isso, eu só presto é para viver… Ela ri com aquele modo apagado dela. A gorda Luarmina sorri só para dar rosto à tristeza. – Você, Zeca Perpétuo, até parece mulher… – Mulher, eu? – Sim, mulher é que senta em esteira. Você é o único homem que eu vi sentar na esteira. – Que quer vizinha? Cadeira não dá jeito para dormir. Ela se afasta, pesada como pelicano, abanando a cabeça. Minha vizinha reclama não haver homem com miolo tão miúdo como eu. Diz que nunca viu pescador deixar escapar tanta maré:
Bloco de Notas 

Tomo a vida como um grande bloco de papel. Tenho folhas em branco, um lápis e uma borracha. 

Algumas vezes posso apagar os erros. Outras, prefiro só dar um traço por cima e seguir adiante. Não raras são as vezes em que percebo que a falha está lá atrás, de modo que não a posso apagar e sigo. 

O fato é que, todas as manhãs tenho novas oportunidades para me reescrever, me reinventar e, disso tudo, sobra-me o direito do uso e do abuso do que tenho em mãos: meus lápis e borracha. 

É muito mais simples que eu me permita a fixidez das rotinas e do cotidiano acinzentado do grafite: seguir o fluxo é sempre menos cansativo, menos exigente, menos arriscado e até mais confortável. Lamentável essa comodidade, mas é uma possibilidade. 

Ao contrário, posso ser mais. Posso ousar. Posso escrever as minhas linhas e ilustra-las. Posso valer-me de outros tantos lápis, outras tantas cores e formas e deixar tudo muito diferente. Há riscos. Há erros. Há contornos que não são fáceis de se fazer. Há nuances muito sutis que nem sempre percebo, mas são essas possibilidades que mais me encantam diante da vida: o inesperado. 

Uso o dia como meu laboratório de criação: escrevo, pinto, bordo, rimo e canto. Falho e apago. Falho e me afago, lambendo feridas, mas orgulhosamente, assumindo os erros em vez de apagá-los. Tudo isso depende muito: da fase da lua, da enchente das marés, das batidas de meu coração. 

E faço do coração meu tinteiro preferido: dessa tinta não há voltas. Não há como apagar. Tudo o que se traça marca a pele e a alma. Tudo finda, nada se esquece. É do coração que sai a tinta-inspiração mais forte. É dele que saem meus croquis mais apaixonados, os versos mais encarnados. 

Mas ainda reservo-me à tinta-razão, à tinta-planejamento, aquela que queima horas a fio em hipóteses e ensaios vãos. Vãos... justamente aqueles espaços entre o tempo e a ação que não ouso atravessar e perco tudo o que foi pensado. Aqueles traços que esboço e volto apagando por um motivo ou outro. E uso minha ferramenta mais desprezada: a borracha. 

Valho-me da borracha só para reparos essenciais. Cabe a ela o alívio dos perdões, o novo suspiro de quem se sufocava com a mágoa. A devolução da tranquilidade, da noite de sono, da paz de espírito. Borracha-alívio, borracha-salvação. 

Permito-me erros porque sou humana. Permito-me os erros porque tenho limites que não são intransponíveis e, sendo responsável pela criação do meu roteiro de vida, não posso enganar-me que tocarei a perfeição. 

Munida de meus lápis e borracha e tendo a vida como bloco de notas, como bloco de papel à minha disposição, assumo a responsabilidade pela história que escrevo (dessa vida), mas reconheço que se a borracha ameaça a acabar antes do lápis é um sinal de que estou passando dos limites. Que me venham as reflexões!


Dy Eiterer - Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando
Por trás das palavras

por Cláudia de Villar
artigo pubublicado no site artistasgauchos 

Quanto do nosso EU colocamos no papel? O que revelamos de nós mesmos quando decidimos escrever? Ou um bilhete, um conto, um poema ouuma narrativa. Muitas vezes, somente o poema é visto como um desabafo do autor, uma “dor de cotovelo” mal resolvida, um amor não correspondido e por aí vai. E os leitores pensam... O que o amor não faz. Entretanto, nem só a poesia se torna reveladora, uma narrativa longa sempre tem uma marca pessoal do autor. Qual é a sua marca? O que queremos dizer nas entrelinhas?Quando o autor pega um papel ou se senta em frente a uma tela ele deixa ali as suas marcas pessoais. Ou na forma de dizer algo, por entre os diálogos, nos extensos parágrafos, numa opinião não muito revelada e é aí que se dá o link com o leitor, objeto final da escrita de todo escritor.

O que acontece entre o que o autor escreve e o que o leitor lê é que se constrói um leitor ”fiel” ou um leitor eventual. Dor, saudade, rancor, ódio ou até lição de moral, todas essas manifestações são “culpadas” por dar a liga entre o leitor e o escritor.

Por isso que uma obra agrada um e desagrada outro. Depende do estado de espírito do leitor ao ler um determinado livro. Mas enquanto falamos apenas da conquista do leitor, tudo OK, mas quando um júri entra em ação? O que faz uma obra ser lida, avaliada e escolhida para ser premiada? E se a criatura fala de uma paixão mal resolvida e os jurados não gostam de paixões mal resolvidas? Como deixar de lado o gosto pessoal e avaliar um texto?

A partir daí é que muitos escritores se perdem. Ao desejar um prêmio ou serem lidos por muitas pessoas, há escritores que vão escrevendo na tentativa de adivinhar o que agrada o leitor ou o jurado e termina por não agradar ninguém. Nem a si próprio. Pois não há nada tão frustrante do que olhar a própria obras e chegar à conclusão que aquele livro não te representa.

Portanto, melhor optar por escrevera verdade que existe dentro de nós e “rezar” para que existam muitos leitores à procura dessa mesma verdade registrada em papel.

Esse texto foi originalmente publicado no site: http://www.artistasgauchos.com.br/

Cláudia de Villar é professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS, especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS, também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de seu DNA. 
MENINO DE LUGAR NENHUM


A infância e a adolescência são parte do território sagrado em que a literatura inglesa está encastelada. Basta lembrar as fantasias que envolvem Peter Pan (James Barrie) e Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol). Ou a assustadora crueldade facilmente encontrável em romances como Oliver Twist (Charles Dickens), O Senhor das Moscas (William Golding) e Reparação (Ian McEwan). São incontáveis os livros que relatam questões relacionadas com a iniciação amorosa e sexual. Normalmente, esses Bildungromans (Romances de Formação) englobam desde algumas das narrativas escritas por Jane Austen até textos contemporâneos como O Mar e Luz Antiga (John Banville), Por Acaso (Ali Smith), A Biblioteca da Piscina (Allan Hollinghurst). A descoberta do mundo, com suas mentiras e decepções, está descrita em romances de primeira qualidade como Uma Escola para a Vida (Muriel Sparks), Império do Sol (J. G. Ballard), Dentes Brancos (Zadie Smith), Bem−vindo ao Clube (Jonathan Coe), Não me Abandone Jamais (Kazuo Ishiguro) e O Dom de Gabriel (Hanif Kureish).
Gosto dos amigos que respeitam o tempo, o silêncio e o espaço

Texto original em espanhol de Valeria Sabater.
Artigo publicado: A Mente é Maravilhosa 

Meus melhores amigos podem ser contados nos dedos de uma mão. São poucos, mas são grandes, com sentimentos sinceros e sem duplos sentidos. É uma amizade cúmplice, altruísta, que não sabe de chantagens, que se oferece com liberdade para incentivar, para fazer minha vida mais completa…

E você, quantos amigos tem? 

Há quem se orgulhe de ter uma enorme quantidade de amigos, nomes que coleciona nas redes sociais, pessoas que mal conhece e que, no entanto, são aquelas que sempre lhe oferecem uma “curtida” em cada uma de suas publicações. 

Os bons amigos não são só nomes e fotografias nas agendas de nossos celulares. São pessoas que atendem nossas palavras e sabem interpretar nossos gestos.


Brincadeira de criança, como é bom! 


AUERBACH, Patricia. O lenço. Ilustrações da autora. São Paulo, Brinque-Book, 2013. 32p.


Qualquer objeto pode ser brinquedo! O importante é viver o faz-de-conta com toda intensidade. E ainda aproveitar para transformar a coisa assim, num estalar de dedos! Sem muita explicação. 

A menina pega, sorrateiramente, um lenço vermelho na gaveta do toucador (ou penteadeira, como preferirem!) da mãe, enquanto esta provavelmente se arruma para sair. Depois que fica sozinha, a menina começa a testar o lenço, leva-o ao rosto, deita ao seu lado, se cobre com ele. Aí, ela tem uma ideia e começa a transformá-lo: primeiro em uma corda (ou uma longa trança?), depois em um véu, depois em barriga, bebê, cachorro, tipoia, vela de barco, cabana, monstro, manto de rei, vestido de festa, quando a mãe volta e surpreende a mocinha...


Por que ainda produzimos literatura? 


Dia desses, um jornalista amigo meu me perguntou sobre o sentido da literatura. Na verdade, me perguntou além: por que ainda precisamos produzir literatura? As perguntas são bem importantes, quando se considera que a literatura já não possui o mesmo apelo que tinha antes do surgimento das redes sociais. 

A pergunta pelo sentido da literatura não pode prescindir de considerar o “sentido” desde sua etimologia mais essencial, ou seja, sentido enquanto aquilo que se dá como impressão de ser desta e não daquela maneira. Assim, o sentido da literatura acontece sempre, dessa maneira e não daquela, em duas entidades: o escritor e o leitor. O que remete a duas perguntas distintas: qual é o sentido da literatura para o escritor e qual é o sentido da literatura para o leitor.
Lindeza


Crônica em que quatro amigos conversam e tentam chegar no que realmente faz um homem se encantar com uma mulher. "Lindeza" é baseado na música homônima de Caetano Veloso e Pedro Aznar


Já era tarde, muito mais do que dez latas de cerveja para quatro tropeços quando o papo enveredou para o assunto preferido dos homens. Engana-se quem pensa em futebol ou política, o gosto por falar das aventuras e desventuras passadas com as mulheres é muito superior a qualquer outro assunto. 
Quando o Tempo Parou 

Tenho a sensação de estar imersa no nada. Como se o tempo tivesse parado. Es-tan-que. Como se eu não pudesse me mexer. Só os olhos reviram nas órbitas. E fazem o traçado mágico do infinito. Ou do que escolhemos para representar o infinito. 

O tempo sentou-se no ponteiro do relógio. Descansou. Todos os infinitos, nesse momento, foram tangíveis e destrutíveis. Extremamente sensíveis ao toque ou ao sopro. 

Assombro! 

Faria, se pudesse, cacos de muitas histórias. Conseguiria me poupar? (Ou lhe poupar? Se tivesse menos cicatrizes, menos dores, eu teria outras cores aos seus olhos?) 
Gente que tá atrás do relacionamento perfeito, mas não se entrega a relacionamento algum


Você conhece bem o tipo. A pessoa quer encontrar alguém, mas não se coloca disponível, aberta

Rob Gordon 
Artigo publicado no site papodehomem

Dia desses encontrei um amigo que não via há anos. Foi um daqueles encontros que precisam ser combinados, discutidos, cancelados e remarcados porque, hoje em dia, ninguém tem tempo para nada. Mas, enfim, semanas depois do primeiro “cara, precisamos beber algo”, o encontro rolou.

No primeiro copo matamos a saudade. O segundo e o terceiro foram os das gargalhadas. E, a partir daí, com as lembranças em dia, começamos a falar sobre a vida atual. Trabalho, dinheiro, situação política do país e outros assuntos de amigos que viraram adultos. 


Poetas para quê? 

Quando uma poesia me balança, tenho a impressão de que não há mais nada a ser dito 


Às vezes odeio todos os poetas. Os que parecem já ter feito acordos com todas as palavras e expressões mais sublimes do mundo. Os que descreveram a natureza e falaram da paixão. Os que pensam em Deus de inúmeras maneiras e discorrem sobre sentimentos, como se morassem dentro da nossa alma, como se tivessem uma lente mágica, que enxerga nossas veias, desejos e através de nossas retinas. Esses que nos tiram do armário com um par de rimas, que deixam claro o quanto somos todos iguais justo quando, nos momentos mais íntimos, juramos ser os mais originais e únicos.

Fotos: Divulgação

MANOEL DE BARROS em 1942; o autor e 
a esposa Stella,
 no Rio de Janeiro nos anos de 1940
Cartas e manuscritos inéditos estão em reedições de Manoel de Barros


Em dezembro deste ano, o poeta Manoel de Barros completaria cem anos. Por conta da data, a Alfaguara começou a reeditar a obra do escritor, com volumes que contam também com material iconográfico inédito, como cartas, manuscritos e fotos do autor.

Nesse processo de republicação da obra de Manoel, a Alfaguara traz com dois títulos nas livrarias: o primeiro reúne as duas primeiras obras do autor, Poemas Concebidos Sem Pecado e Face Imóvel, de 1937 e 1942, e a outra é um dos clássicos, Arranjos para Assobio, de 1982. “É uma cronologia não cronológica, afinal, a vantagem da poesia é permitir vários caminhos de entrada”, aponta Italo Moriconi, organizador da coleção. 
EU NÃO AMAREI VOCÊ PARA SEMPRE!


por  Carlos Mion
Artigo publicado no site Osegredo

Ele(a) prometeu amar você pra sempre, ser fiel, carinhoso(a), romântico(a)…

Que cilada!

Mesmo não tendo capacidade de sentir de fato o que é a eternidade, nós, seres humanos, insistimos em deseja-la. Na prática, sabemos que não duramos muito, e esse é um dos grandes motivos para apreciarmos tanto aquilo que nos transcende. Um grande exemplo disso é o amor. Não sabemos de certo qual a sua dimensão, quanto dele se possui. Dizemos apenas que é muito, pouco ou nada. Amor é emoção, é incontrolável, é imensurável. Se é eterno ou não, ninguém pode afirmar, mas é assim que o queremos, não é verdade? Para sempre.

Tela RAQUEL GALENA

Uma cidade Encantada


Minha cidade não é uma cidade, é um clã ou melhor uma tribo. Não temos língua pátria, temos um dialeto exclusivo e puro. Somos apreciados pelo mundo a fora como seres "DiouUU" ou seja, de outro planeta, porque entre nós pouca palavra basta e se for apenas um pedaço, aí sim, é que se fala tudo.

Falamos de várias maneiras, inclusive com as mãos e falamos muito alto, acho que o motivo, são os morros que abafam nosso som. Em nosso linguajar podemos encontrar muitas ramificações dialéticas, como por exemplo falar de trás para frente, falar a língua do P ou falar por sinais e neste campo entram, pequenos toques, piscar de olhos, trejeitos com a face, levantar a sobrancelha, cocar, lamber os lábios, tocar suavemente ou mesmo beliscar o outro, isso depende da circunstância. 


Sobre la peruanidad: “Constitución de la ortodoxia esencial fundamentada en el nacionalismo hegemónico”

Por Raúl Allain (*)

La totalidad de ciudadanos singulares, desfilan provistos de la civilización actual inmovilizada, condenada, por las condiciones típicas de un condicionante electromagnético científicamente avanzado, comprendiendo a la población inmersa en su ámbito mediante una conducción científica deshumanizante, en un proceso que aliena por intermedio de una estrategia eléctrica que se procrea de por sí obscura, consecuencia oculta tras de los “grandiosos idearios”, reconocidos generadores del declive de una verdadera categoría de ‘popularidad’. Se desarrolla de éste modo por la estrategia científico-electrónica, que condiciona una oscura secta predispuesta. Diagnosticaría científico socialmente: transgresión delictiva que parte casi siempre de las configuraciones y emisiones magnéticas específicas de la Radio y TV, además de la cierta relación con degradaciones deshumanizantes como la pederastia y su manifestación pornográfica, ejemplo cotidiano de los últimos tiempos en el Perú.

Estos fenómenos se ensamblan a la radioactividad transmisiva que se programa desde los estudios de nuestra televisión que, por resultante general, doblega nuestro cuerpo y espíritu, resultando ofensivamente inmoral. De este modo, circulamos en condición práctica de individuos por calles concéntricas, comunales, barriales. Alienados por la actividad electromagnética deshumanizante y en estado de un realismo kafkiano además, debido a la circunspección del Estado que permite aún en estos días la chismografía homosexualoide que aqueja al ciudadano peruano de a pie, cotidianamente.


Por um mundo com mais pessoas boas e menos gente “boazinha”.

André J. Gomes
Artigo publicado no site Conti outra

Por um mundo com mais pessoas boas e menos gente “boazinha”.

Um dia acontece. Você acorda, abre a janela e encontra um tempo feio como bronca de filho em mãe, triste, dia de ser só. O céu cor de chumbo é um longo e imenso desamparo, a rua está úmida, mais vazia que a primeira tarde depois do fim do mundo, e você tem um desejo dolorido de voltar à cama, ao convívio das cobertas, ao escuro silencioso da madrugada, ao útero materno.


Olhos d’água

A Serra do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, tem seus segredos, oásis escondidos na mata cerrada. Um dos milagres da Natureza revela-se num fino fio transparente, sem compunção, saído do centro da terra. Pulsa de uma fresta na rocha e escorre, sereno, em majestoso véu, com ligeiras ondulações. 

Ladeado de pedregulhos desce, em correnteza, de uma altura considerável, como lágrima de alegria, diante da necessidade saciada do homem.

No poço formado no terminal da laje águas e lavadeiras se misturam em comunhão. As crianças molham-se desfrutando o frescor dos pingos. Risos se ouvem como música de duendes meio ao verde do mato.

Cristalina a importância perante a sede do mundo. O líquido vital, mensageiro da fertilidade da terra, serpenteia a vegetação rasteira, umidifica a terra para o plantio do alimento e não vai longe.