“Prólogo a la antología ‘Eros & Tánatos: Poesía y arte contemporáneos"

Compilando poéticas y plásticas como para las obras La Imagen de las Palabras (2009) y Lima: Visiones desde el dibujo y la poesía (2010), se concibe Eros & Tánatos. En un contexto de constitución nuestra línea editorial posibilita un determinado internacionalismo cultural, por el cual unificamos a poetas y artistas visuales que han comprendido una temática erótica o tanática en sus concepciones, reflejo de diálogos poiéticos. Así entonces los criterios de selección adquieren un valor sistémico, vinculando procesos creativos literarios a nivel Hispanoamérica y nacionales en lo que respecta a arte contemporáneo; por consiguiente, debemos resaltar “vanguardia” como variable editorial de trabajo independiente. De esta manera neo-renovamos, discrepamos en relación a ciertas reglas establecidas y estamentos. Contraculturalmente convergen diversas pulsaciones artísticas caracterizadas en las producciones evaluadas, quintaescencia para nuestra experiencia vital como editores.

Es entonces que debemos comprender los propósitos de labor editorial a modo de desafío de carácter cosmopolita y disímil al considerar poesía, prosa poética, dibujo y pintura. Ética y estética se configuraron como valores para la toma de decisiones.

Con respecto a Eros y Tánatos debemos destacar que fue el filósofo griego Empédocles de Agrigento quien hablara primero de estos como principios básicos, los cuales se tomaran en cuenta como “amor” y “discordia” para interpretaciones freudianas. Se entiende a Eros como símbolo de “unión” y a Tánatos, “separación”. Pulsiones de vida y muerte respectivamente. La primera, debido a las implicancias sexuales, se inclina al erotismo rescatando los caracteres mitológicos del amor; para la segunda, pulsión cobra en sí un valor fundamentalísimo, significando la disolución de conjuntos y destrucción de las cosas. Estas interpretaciones formarían parte del engendramiento de las creaturas literarias en cuestión, definiéndose en los trabajos erotismo y tanatismo.

 "Lilith"41x29 cm - Lápiz sobre cartulina  -  Artista: Karina Huertas - 

La obra que presentamos posee la convicción de un maduro proceso de antologización, envueltos en una temática apasionante que promete condiciones fructíferas para los lectores-receptores que pretendan sumergirse en asertivas visuografías, letras e imágenes auspiciosas en contenido, ostentosas de revolución lectovisual, siendo el primer libro de carácter híbrido donde confluyen autores nacionales e internacionales editado en el Perú.


Livro, filmes e teatro revitalizam Hilda Hilst 

RAQUEL COZER 
COLUNISTA DA FOLHA 

Hilda Hilst na juventude; escritora chamava a atenção por fugir aos padrões da época
 
Hilda Hilst tinha uma tese. Massao Ohno, seu editor, devia colecionar tiragens inteiras dos livros dela embaixo da cama. Só isso, dizia a poeta, dramaturga e prosadora, com seu usual tom de deboche, explicaria as vendas irrisórias de obras tão amadas pela crítica.
Quem melhor descreveu a real razão da discrepância entre a recepção crítica e a do público para obras como "A Obscena Senhora D" (1982) e "Poemas Malditos, Gozosos e Devotos" (1984) talvez tenha sido o crítico de teatro Anatol Rosenfeld (1912-1973). 

Escritor defende literatura indígena para embasar estudo de culturas tradicionais 


Na semana em que lança o seu 12º livro de literatura, o índio guarani defende a difusão das obras escritas por indígenas como forma de embasar o estudo da história e da cultura desses povos nas escolas.

Escritor defende literatura indígena para embasar estudo de culturas tradicionais.

São Paulo – Quando era professor, Olivio Jekupe precisava provar para os alunos que tinha conhecimento da disciplina para que os estudantes passassem a respeitá-lo. “Quando eles duvidavam, eu começava a falar difícil e eles não entendiam nada”, relembra sobre a época em que precisou lecionar para se sustentar como estudante de filosofia. Hoje, é Olivio que se preocupa com a preparação dos professores. Na semana em que lança o seu 12º livro de literatura, o índio guarani defende a difusão das obras escritas por indígenas como forma de embasar o estudo da história e da cultura desses povos nas escolas.

“Os professores vão ter que falar sobre nós. O que eles vão falar? Se não têm assunto, eles vão falar um monte de besteiras sobre a gente. Então, por isso, que é importante o surgimento dos escritores indígenas”, diz Olivio a respeito do cumprimento da Lei 11.645 de 2008, que determina a inclusão das culturas negra e indígena no ensino médio e fundamental.

Nascido em 1965, em Nova Itacolomy, interior do Paraná, Olivio começou a estudar filosofia em 1988, na Pontifícia Universidade Católica de Curitiba. Morava de favor com uma família da etnia Kaingang e vendia artesanato para se sustentar. Encorajado pelos amigos, começou a dar aulas para o ensino fundamental. Com dificuldades financeiras, veio para a capital paulista, para estudar gratuitamente na Universidade de São Paulo (USP). Apesar de ter investido mais quatro anos na filosofia, não conseguiu concluir o curso. “Vim para a USP porque era de graça, mas piorou, ficou mais caro, porque na USP o curso de filosofia é muito pesado. Na USP você tem que ler muito e gasta em tudo”, lamenta.

Eduardo Lacerda: “Vender Literatura é muito difícil”
 
Por Linaldo Guedes

Não é nada fácil vender Literatura no Brasil. A constatação é do jovem poeta e editor Eduardo Lacerda. Um dos editores da Patuá, editora paulista, Lacerda recebe cerca de 100 originais por mês. Em dois anos de atividades, a editora já publicou cerca de 90 autores, sendo que 70% do catálogo é de poesia. Para Lacerda, os próprios autores também são responsáveis pelas dificuldades em se vender literatura.  “O desejo de publicação – publicação em qualquer lugar, com qualquer qualidade – é muito maior do que o desejo de se estabelecer um diálogo com outros escritores e com a própria editora. É muito maior o desejo de publicar do que o desejo de ler. E eu acho estranho”, avalia. A lógica de Eduardo Lacerda é perfeita: “Se os autores de poesia também fossem leitores de poesia, então poesia não daria prejuízo”. A Patuá já lançou os paraibanos Linaldo Guedes e André Ricardo Aguiar e lança, ainda este mês, Antônio Mariano.
Fotógrafo realiza sonho de criança que vive em cadeira de rodas em série de fotos

por Jaque Barbosa





Le Petit Prince é uma série tocante criada pelo fotógrafo esloveno Matej Peljhan, que retrata um menino de 12 anos, chamado Luka, fazendo coisas que ele adoraria fazer na vida real, mas que não pode por causa de uma distrofia muscular que vai progressivamente enfraquecendo os seus músculos e ossos com o tempo.

Apesar de, na vida real, Luka só poder fazer movimentos com os dedos para operar sua cadeira de rodas elétrica e desenhar, nesse projeto fotográfico, ele pode se ver mergulhando, dançando, andando de skate, entre outras. Confira as fotos:

A Marionete Que Vivia Encostada

No porão da casa velha, arrabalde da cidade, sentindo que a umidade lhe corroia, a pequena marionete molhava em lágrimas o seu rostinho de pano. O mofo tinha deixado sua cor desmerecer. Seus olhos arregalados, outrora vivos, desbotavam.

A bonequinha fora feita com a sobra de retalhos de outras bonecas de encomenda. Mãos habilidosas criaram o seu modelo, os tecidos coloridos lhe  deram vida. Fiapos pretos formavam os seus cabelos, algumas pinceladas de tinta na face e lá estava ela com expressão.
Amarrada em cordões foi prisioneira de um teatro, dançava todas as noites, obedecia ao ritmo e a voz  dos senhores. Naquele tempo sentia-se útil, via crianças felizes. Acostumou-se com a vidinha rotineira das praças e  becos. Durante o dia, o  desprezo  no  velho  baú.

Passaram-se muitos anos até aquela noite de chuva. Dançou até os  cordões arrebentarem-se e foi tirada de cena encharcada. Jogada com os trastes e esquecida na  casa  velha. Se a tivessem colocado ao  sol poderia ter se restabelecido, mas foi ignorada pelos seus senhores.

Encostada no ombro sua cabeça pensava em suaves melodias, grandes salões, lindas bonecas de porcelana fina, refletindo nos olhos o brilho dos cristais dos lustres. Brinquedos de luxo, vestidos de seda. O palco era delas. Suas róseas faces  encantavam com lindos sorrisos, não conheciam a tristeza dos velhos baús.

Suas lágrimas foram acompanhadas por soluços desesperados. Inesperadamente a tampa do baú se abre e uma linda  menina, marionete da vida, em trapos desbotados, cabelos em desalinho, com olhos brilhantes e sorriso encantador, toma a bonequinha nos braços e a aperta no peito. Foi trocado um carinho nunca experimentado antes.

Luciene Freitas, no livro “O Sorriso e o Olhar”

Picasso em preto e branco


Há pessoas que transformam o sol
numa simples mancha amarela, mas
também há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol...

    Pablo Picasso (1881-1973)

O poder dos poemas na sala de espera

Muito interessante o artigo "The Power of Poems in the Waiting Room", sobre Michael Lee, que teve a idéia de começar a distribuir folhetos com poemas nas salas de espera do serviço nacional de saúde britânico (referente ao SUS - Sistema Único de Saúde no Brasil), em 1996, usando seu próprio dinheiro, com o objetivo de melhorar o bem-estar dos pacientes que aguardam por consultas médicas em salas de espera. A idéia é transformar os apreensivos minutos que antecedem uma consulta médica em momentos relaxantes, de meditação, onde os pacientes possam despertar sentimentos positivos de segurança, aceitação, amizade, amor e cura através da leitura de poemas.
Escritor curitibano cria livro-baralho com micronarrativas e fala sobre seus primeiros contatos com a literatura


“Faz-se convertido, cada ponto final em reticências”, esta é uma das descrições que o autor de micronarrativas Jeferson Bandeira usa para descrever seu livro-baralho ‘Agonias Ilustradas’, lançado de forma independente no ano passado.

Natural de Curitiba, no Paraná, Bandeira, de 32 anos, teve seu primeiro contato com a literatura quando criança, na 1ª série, ao ser presenteado, em consequência de seu bom desempenho escolar, por sua professora na época, Loreni Marta, com o livro que ainda nos dias atuais descansa em sua estante: ‘Surpresas’, de Marly França.

“O segundo foi ‘O Invisível Cavalo Voador’, de Lourenço Diaféria. Estava na 4ª série. Lembro-me que minha mãe fez um esforço e um aperto no orçamento para poder comprar o livro. Foi numa Kombi em forma de livraria que ia às escolas. O exemplar ainda ocupa minha estante de livros. Como imaginar que agora seria alguém que pode possibilitar o fascínio que senti ao abrir esses livros a outras pessoas? Isso é indescritível e sensacional”, recorda.

Desde então o encanto pela literatura não parou mais. Aos 17 anos começou a “rabiscar” os primeiros poemas e, em meados de 2008, teve seu primeiro contato com o gênero minimalista ao ler a publicação de Samir Mesquita ‘Dois Palitos’.


“Aquela escrita e forma literária mexeram tanto comigo que larguei um pouco a poesia e tentei arriscar em outros campos da literatura. A euforia foi tanta que em três meses produzi uma centena de micronarrativas, das quais escolhi 71 para compor o ‘Dose Mínima [Dis]tensão Máxima’, em 2009”.

O Homem Que Sabia Demais
                      
Em uma era e local incertos nasceu um bebê diferente de todos os outros. Tinha dois olhos, duas orelhas, um nariz, uma boca etc. Ou seja, fisicamente ele era igual, só que ele guardava um mistério. A parteira ficou estarrecida com aquela criança que veio ao mundo em completo silêncio e fitando aos presentes com seus grandes olhos negros de inquisidor. Os vizinhos ao tomarem conhecimento do incidente, acharam que era um sinal de mau agouro e não estavam muito errados...

Tudo na vida deste garoto acontecia rápido. Aprendeu a falar, andar, ler, escrever, calcular, compor muito antes de todos os seus colegas. Era sim, um gênio. Ia diariamente à única biblioteca do povoado e antes de completar doze anos já tinha lido todos os livros. Sabia que não conseguiria ficar por lá muito tempo e decidiu juntar dinheiro para, assim que possível, ir morar na cidade grande. Vendia pães que a mãe fazia, mas quase não lhe sobrava vintém. Quando começou a sentir sua tenacidade esmorecer, soprou-lhe um vento favorável. Um tio que mal conhecera morrera deixando-lhe considerável quantia sob seu quinhão. Mudou-se para a capital. Havia uma grande biblioteca que visitava assiduamente, da hora do abrir ao fechar. Não demorou para que dominasse vários idiomas e quase todos os assuntos. Sorvia o conhecimento dos livros como um glutão devora apetitosos quitutes.

Tinha uma memória vertiginosa. Era capaz de se lembrar de páginas inteiras de livros lidos há muito tempo. Fazia cálculos complexos de cabeça em instantes. Também tinha por hábito escrever belos poemas e serenatas em papelotes durantes suas bebedeiras. Passou a freqüentar locais onde os intelectuais se aglutinavam. Em pouco tempo granjeou alguma fama e tornara-se um boêmio inveterado.

Certa vez o alcaide da cidade, que soube de alguns de seus feitos, e curioso que estava, além de desejoso que comprovar a veracidade dos boatos, chamou-o a sua presença. A essa altura nosso herói já era um rapazola insolente e sublevado. Tinha uma filosofia própria segundo a qual tudo que a sociedade considera imoral possui uma virtude intrínseca. Chamava-se a si próprio “o último ímpio”.

A entrevista não transcorreu bem, nosso jovem sábio antipatizou de cara com a máxima autoridade local, pois achou-o nada senão um boçal da pior estirpe. O alcaide percebeu sua má vontade e expulsou-a do gabinete gritando-lhe desaforos. Ao sair, virou-se para trás e murmurou com desdém: nem toda Roma tem o César que merece.

Foi nessa época que ocorreu uma experiência dolorosa: seu primeiro amor. Ela era uma jovem da sociedade, vejam vocês. No princípio, os sentimentos pareciam ser recíprocos, contudo uma corte desastrada somada ao seu comportamento libertino findaram por assustar a jovem que sumiu de sua vida para sempre.

As orgias, bebedeiras e demais excentricidades não tardaram a cobrar seu preço. Ficou doente e a beira da penúria dependendo da caridade de alguns poucos amigos. Começou a dar aulas particulares, no entanto não era bom professor. Era rude e impaciente e por isso não conseguia muitos alunos. Também pegou algumas traduções, embora nunca as terminasse. Virava-se como podia, todavia foi inevitável que se afastasse da boemia e dos amigos. Foi-se isolando mais e mais.

Sentia-se póstumo. Sentia-se desperto em um mundo de sonâmbulos. Desenvolveu uma ojeriza pela sociedade e suas idiossincrasias. Os vizinhos enfastiaram-se de suas extravagâncias. Andava sujo e em trapos, quando não, nu pelos corredores da pensão. Levava ao quarto mulheres de categoria duvidosa em horários impróprios. Praguejava e fumava charutos fedorentos pela casa. Provocava a dona da pensão, que era uma devota fervorosa, virando o crucifixo da sala de ponta cabeça. Praticamente fora expulso aos pontapés, porém não se importou. Não tinha mais paciência para conversar com as pessoas e nem para ler livros, pois tudo isso o fatigava e entediava e, por fim, o exasperava. Apreciava apenas o silêncio e a solidão.

Passou a ser cada vez mais arredio, antissocial e irascível. Não demorou para também tornar-se neurastênico e provocador pertinaz. Dizia reiteradamente que o conhecimento é uma ilha e quanto mais conhecimento mais distante se está do continente.

Tronou-se um misantropo empedernido. Tomava anarquistas por preguiçosos, comunistas por gananciosos, capitalistas por inescrupulosos, liberais por irresponsáveis, conservadores por obtusos, intelectuais por presunçosos, artistas por bajuladores, homens práticos por egocêntricos, filósofos por superficiais, cientistas por míopes e assim por diante.

Decidiu que realizaria a grande empreitada que daria sentido à sua vida. Escreveria grossos compêndios de uma coleção definitiva destinada à posteridade aonde exporia suas idéias mais relevantes e originais. Sairia da cena da vida privada para entrar pela porta da frente nos anais da história.

Pouco foi visto desde então. Morava em um pequeno quarto, não mais que uma pocilga. Escassas vezes saía de casa, apenas para abastecer-se de víveres e os vizinhos notavam pela janela que passava toda a noite sob a luz do lampião.

Ao fim da vida, muito velho e seco, já quase cego e miserável como um cão, vivia em um local fétido e nauseabundo. Expirou no ápice da solidão numa noite fria de agosto. Dentre seu parco espólio encontraram um grosso volume cujas páginas, à exceção de um ligeiro prefácio, estavam em branco. Lia-se apenas: à Aretusa, meu único amor.