Por Carlos Haag
Nos
anos 1950, cultura e política tiveram ligação de mão dupla que interessava a
artistas e ao Partido Comunista do Brasil (PCB)
Por Carlos Haag
Por Carlos Haag
Na década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”, diz Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mas até hoje a compreensão dessa relação, entre política e cultura, é complexa e inclui nomes de peso do panteão cultural que foram comunistas, como: Jorge Amado, Nelson Pereira dos Santos, Caio Prado Jr., Nora Ney, Dias Gomes, Jorge Goulart e Di Cavalcanti, entre outros. “É um problema que não cabe numa equação simples que supõe a militância comunista de artistas e intelectuais como parte de um desejo de transformar seu saber em poder. Tampouco se pode supor que houvesse mera manipulação dos intelectuais pelos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro [PCB]”, explica o professor, que analisou a questão no projeto Artistas e intelectuais comunistas na consolidação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil. (Veja aqui)
MANJATE, Rogério. O coelho que fugiu da história. Ilustrações de Florence Breton. São Paulo, Ática, 2009. 64p.
A imaginação das crianças é infindável, quando alimentada. As invenções se multiplicam, se interpolam, se bifurcam, se modificam e vão dar origem a coisas bem distintas do que eram, no princípio. Mas é a brincadeira a dona absoluta do exercício de criar!
Mbila é uma menina de 6 anos, que ao retornar da escola, em seu primeiro dia de aula, encontra um coelho cinza com uma listra branca, que a mãe havia mandado comprar no mercado. Ficou radiante de alegria, porque achava que era o coelho das histórias tradicionais que ouvia, contadas pela mãe e pela avó. Depois de vencer o medo inicial e conseguir pegar o coelho no colo, Mbila quer saber como ele conseguiu vencer, em cada uma das histórias que ela ouviu. São muitas as perguntas. A menina, para refrescar a memória do novo companheiro, conta-lhe as histórias. Ficam amigos e Mbila promete proteger o coelho dos animais que o perseguem por toda parte. Com isso, a jovem vive um dia inteirinho de aventuras, na companhia do coelho, mas, ao voltar da escola, no dia seguinte, não o encontra mais...
O livro está dividido em pequenos capítulos, com títulos pra lá de sugestivos, do tipo “Mbila + Coelho = Encontro”. Há o predomínio de uma linguagem que flui como em uma conversa. Mas, embora seja a nossa língua, o leitor brasileiro vai perceber um outro jeito de “falar” o português, nesse caso, o português de Moçambique. É de lá que vem o autor e as histórias deste livro.
Por isso, no livro aparecem muitas coisas interessantes da cultura de Moçambique, numa gostosa mistura com o português e as palavras da língua changana e ronga, que são línguas de origem africana, também faladas no país. Para esse caso, o livro traz, ao final, um glossário e algumas informações curiosas do país da história.
Mas, para não ficarmos pensando que tudo é só na base da informação, é preciso dizer que há no livro muitos achados poéticos, do tipo: “ver o escuro brincar com a madrugada”; “até o eco se assustou e escondeu-se entro das paredes”; “o seus gestos gaguejavam: vai-não-vai, toca-não-toca, morde-não-morde, não-toca-que-morde” – que dão ao livro uma beleza sem igual.
E há fórmulas e ditados. Para começar uma história, se diz em Maputo (capital de Moçambique) “Nkaringanà wa nkaringanà”, que é mais ou menos como dizer “Era uma vez...”. E as crianças respondem: “Nkaringanà”. E pronto, o narrador inicia seu conto! Que quase sempre está repleto de ditados populares. Um dos mais bonitos, nesta história é: “tal como um velho rio que é sempre o mesmo, mas com água sempre nova”. É exatamente isso o que acontece quando um autor reconta uma história popular.
A obra tem alguns achados muito bons: a estratégia que o autor montou para fazer as histórias populares de transmissão oral surgirem dentro da história da menina Mbila; o uso do personagem que arranja sempre uma saída para tudo, sinônimo de esperteza e inteligência, que é o coelho; o narrador que narra os “pensamentos” do coelho; a invenção de palavras em coelhês; as onomatopeias criadas para a língua dos homens; a relação de amizade entre a menina e o coelho – são destaques no livro.
As imagens de forte colorido, feitas com guache e retocadas com giz pastel, da ilustradora francesa que vive no Brasil e a inventividade do jovem autor moçambicano, deram origem a um livro imperdível para o leitor brasileiro.
Ah, mas o melhor mesmo é ver como a imaginação livre cria saídas para tudo. E a frase da mãe da menina, por fim, fica ecoando nos nossos ouvidos: “vou te ensinar como se inventa um sono”. A fantasia é mesmo o alimento que faz crescer, sempre!
III CONCURSO INTERNACIONAL DE CONTOS VICENTE CARDOSO
Lançado regulamento do 3º Concurso Internacional de Contos Vicente Cardoso
A Comissão Central organizadora da 9ª Feira do Livro de Santa Rosa juntamente com a ASES Associação Santa-rosense de Escritores e Comissão de Concursos Literários da 9ª Feira do Livro de Santa Rosa que acontecerá nesta cidade no mês de Agosto de 2013 nas dependências da Praça da Bandeira lança o regulamento da terceira edição do Concurso Internacional de Contos Vicente Cardoso.
Sobre a obra
“Quando a Vida Faz Uma Curva” é a autobiografia de Jackson. A transposição das adversidades não foi fácil, mas, ainda assim, os sentimentos de realização e felicidade são visíveis em sua narrativa. Adora usar a frase “Aquele que caminha só”, que remete ao escotismo em sua infância. Para mim Jackson nunca esteve só, já que em seus relatos podemos observar que sempre teve por perto a família, os amigos e Deus.
A solidão, quando descrita, é coadjuvante, uma espécie de balizadora dos pensamentos, levando o autor à autoanálise e ao autoconhecimento.
Transpor todas as barreiras e as sequelas de um acidente de moto, ocorrido na estrada entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, foi a mola propulsora para este jovem alcançar o sucesso. Jackson é, realmente, um sobrevivente… tem muito a nos ensinar, e com muito bom humor.
Ramon Carlini
O FLANELINHA
O homem o qual me deparei hoje trazia uma flanela amarela, encardida pelos polimentos de tantos carros que as pessoas lhe ordenam que lave todos os dias, sem direito às férias, feriados ou algum descanso. Tinha por volta de quarenta e cinco anos de idade, mal contemplados pelas intempéries do destino; mostrava um rosto suado, sofrido, mas não pude reparar ali a miserabilidade que acode a alma dos desgraçados; vi que em sua postura, como homem, existia uma linha tênue de sobrevivência permitida que o enchia de orgulho no peito; que, em se tratando de suas angústias cotidianas algo cruel se inflamava e lhe agraciava com migalhas para completar o ciclo elementar da vida.
No canto, ancorada em um poste, rente à calçada, estava uma cumbuca amaçada de alumínio, com restos de comida misturados, sem atração nenhuma ao olhar mais faminto; àqueles restos estavam recostados como sobras de uma refeição que não contentara, porque as experiências extraordinárias da alta gastronomia não estavam ali; supostamente, existia o dever cumprido de ter alimentado seu organismo para mais um dia de labuta. Pude reparar que sua boca ainda remexia a comida, um ato disforme, que não havia prazer em mastigar a última porção.
Talvez tenham passado despercebidas as manchas que existem em suas mãos, pois o movimento desconcertante da flanela, os restos da comida e o lugar perpetuado pelas belezas de um dia de chuva, que embala o mar na sublime calmaria e desnuda as pedras engolfadas pelo silêncio, magnitude e mistério do senhor das águas, tomaram o cenário que tanto embasbacava os transeuntes.
Nesse caminho e com toda essa narrativa já incrustada em minha mente, a passos lagos, eu caminhara em direção às delícias de um restaurante à beira-mar, para saborear um prato diversificado e beber algo para acompanhar a refeição. Posso confessar que a história ficou gravada a cada movimento dos talheres, das pessoas ao redor, dos garçons que passavam com os pedidos, dos instrumentos dos músicos que mudavam as tonalidades, enfim, o horror da verdade já mostrara seus demônios insustentáveis dentro de mim.
Enquanto isso, o olhar atento do flanelinha transitava entre os cenários; os carros, que estacionavam junto à calçada à beira-mar, os clientes que estavam saindo do restaurante, do outro lado da rua; e seu mundo decadente, conformado pelas sobras de uma sociedade atônita, sobrevivente das delícias da superficialidade bestial que acode o mundo contemporâneo.
Já me acostumei com a terrível verdade de que tenho faro ácido para as misérias humanas, detecto os instintos mais febris e desgraçados que percorrem vielas, subúrbios, bairros de elite; estão entre nós, passeiam pelas calçadas dos bares, restaurantes, supermercados, lojas, avenidas movimentadas; andam, perambulam de forma demente, sem rumo, lugar ou algum compromisso marcado. Quando os vejo, chamo-os em meu inconsciente de tipos humanos, ecoam dentro de mim como uma música triste que quebra o mais fino vidro e rasga nossa pele à espera das surpresas fantasiosas.
E são esses tipos que me fazem respirar todos os dias e sentir a parte mais humana que existe dentro do homem; são eles, que negam o conformismo elaborado pelas mãos de ferro dos nossos governantes. Estes carrascos que incutem pragmatismos inúteis, criam campos de batalhas e mascaram a sociedade com campanhas fúteis, custeadas com o dinheiro de tipos humanos como o flanelinha, os miseráveis das ruas, você, que está lendo essa crônica perniciosa e eu, que de tão inflamada pelas situações que me fazem sobreviver, tenho a missão de transmitir as futilidades da miséria alheia através da literatura, para que algum dia, quando vier o paraíso prometido, eu possa ver que meu protesto não foi em vão.
No canto, ancorada em um poste, rente à calçada, estava uma cumbuca amaçada de alumínio, com restos de comida misturados, sem atração nenhuma ao olhar mais faminto; àqueles restos estavam recostados como sobras de uma refeição que não contentara, porque as experiências extraordinárias da alta gastronomia não estavam ali; supostamente, existia o dever cumprido de ter alimentado seu organismo para mais um dia de labuta. Pude reparar que sua boca ainda remexia a comida, um ato disforme, que não havia prazer em mastigar a última porção.
Talvez tenham passado despercebidas as manchas que existem em suas mãos, pois o movimento desconcertante da flanela, os restos da comida e o lugar perpetuado pelas belezas de um dia de chuva, que embala o mar na sublime calmaria e desnuda as pedras engolfadas pelo silêncio, magnitude e mistério do senhor das águas, tomaram o cenário que tanto embasbacava os transeuntes.
Nesse caminho e com toda essa narrativa já incrustada em minha mente, a passos lagos, eu caminhara em direção às delícias de um restaurante à beira-mar, para saborear um prato diversificado e beber algo para acompanhar a refeição. Posso confessar que a história ficou gravada a cada movimento dos talheres, das pessoas ao redor, dos garçons que passavam com os pedidos, dos instrumentos dos músicos que mudavam as tonalidades, enfim, o horror da verdade já mostrara seus demônios insustentáveis dentro de mim.
Enquanto isso, o olhar atento do flanelinha transitava entre os cenários; os carros, que estacionavam junto à calçada à beira-mar, os clientes que estavam saindo do restaurante, do outro lado da rua; e seu mundo decadente, conformado pelas sobras de uma sociedade atônita, sobrevivente das delícias da superficialidade bestial que acode o mundo contemporâneo.
Já me acostumei com a terrível verdade de que tenho faro ácido para as misérias humanas, detecto os instintos mais febris e desgraçados que percorrem vielas, subúrbios, bairros de elite; estão entre nós, passeiam pelas calçadas dos bares, restaurantes, supermercados, lojas, avenidas movimentadas; andam, perambulam de forma demente, sem rumo, lugar ou algum compromisso marcado. Quando os vejo, chamo-os em meu inconsciente de tipos humanos, ecoam dentro de mim como uma música triste que quebra o mais fino vidro e rasga nossa pele à espera das surpresas fantasiosas.
E são esses tipos que me fazem respirar todos os dias e sentir a parte mais humana que existe dentro do homem; são eles, que negam o conformismo elaborado pelas mãos de ferro dos nossos governantes. Estes carrascos que incutem pragmatismos inúteis, criam campos de batalhas e mascaram a sociedade com campanhas fúteis, custeadas com o dinheiro de tipos humanos como o flanelinha, os miseráveis das ruas, você, que está lendo essa crônica perniciosa e eu, que de tão inflamada pelas situações que me fazem sobreviver, tenho a missão de transmitir as futilidades da miséria alheia através da literatura, para que algum dia, quando vier o paraíso prometido, eu possa ver que meu protesto não foi em vão.
Resenha: “Nada a Perder” – Edir Macedo
Resumo do Livro “Nada a Perder”, de Edir Macedo.
“Momentos de convicção que mudaram a minha vida” – Edir Macedo
Segredos guardados por décadas. Momentos de decisão e descobertas espirituais contadas, com riqueza de detalhes, pelas próprias palavras de um dos principais líderes evangélicos do mundo. No primeiro volume de sua trilogia de memórias, o bispo Edir Macedo nos surpreende com revelações profundas.
Como um brasileiro comum decide pregar sua fé nas ruas e praças públicas e, 35 anos depois, lidera uma Igreja atuante em mais de 200 países com milhões de fiéis nos lugares mais remotos do planeta? Como tudo isso começou? Como ele se tornou proprietário da segunda maior emissora de televisão do Brasil? Quais os dilemas e os desafios interiores enfrentados no início dessa jornada? Qual a origem dessa crença capaz de superar limites?
Uma comovente volta ao passado com lições para o presente e o futuro. Experiências tocantes com aprendizados para a vida.
Fonte: Editora Planeta
Resenha do Livro
Eu li o Livro “Nada a perder – Minha Biografia” do Edir Macedo.
Meu objetivo com essa obra era identificar o fenômeno, o pastor, o homem por trás da edificada e potente Igreja Universal. Sinceramente não me arrependi. Pretendia ler aos poucos, mas acabei devorando as passagens de cada capítulo. Agora estou aqui, pronto para resenhar este livro, espero que ao final me sobre fôlego para continuar minha caminhada.
O primeiro volume de uma série de três livros em que o Edir Macedo conta sua trajetória. Já sou franco em afirmar, que minha vida foi construída em um pessimismo cético perante a religião. Teve momentos que acreditei que a igreja era sem cor, e o homem o sucesso da liberdade, hoje não sei no que acreditar, principalmente porque o homem se tornou em uma criatura opaca.
Ao ler a autobiografia, percebi o quanto o Bispo quis e conseguiu ser tornar uma santidade em vida, ele condena e julga. Ensina as pessoas a pensarem da forma dele, que alimenta ser a maneira de Deus. O que eu vi nele, – foi apenas um jovem sonhador e cheio de furos espirituais, pronto para encontrar uma ideologia. Um livro que transporta as lembranças profundas de um homem. O texto é uma narrativa que tenta humanizar o “senhor dos dízimos”, cuja missão, digamos foi bem alcançada, ainda mais que, mostra relatos de intimidade deste fenômeno sociológico.
O engraçado que as maiorias das pessoas que conheço, que inclusive estão lendo o livro, digladiam comigo, expressando que eu deveria ter lido com o coração aberto, para me identificar com a luta deste homem e também para aprender a ser perseverante. Pois a Universal facilita a vida de seus fiéis, devido a todos serem tocados por Deus. E falando nele (Deus), o Bispo ressalta muito a importância desta figura paternalista, mostrando o seu caráter ali, nas suas escolhas e na forma que o mundo brinca para confundir os fortes. Uma coisa cômica nas passagens iniciais do livro é sobre a simplicidade maniqueísta que o escritor tenta passar, principalmente quando a essência do Edir Macedo transporta para a sua prisão na década de 1990. Ali, fica bem claro quem é o Herói e o vilão.
Eu não sei, ao ler esta obra, vejo uma identidade voraz e animalesca de querer crescer na vida, usando o óbvio, Deus. É só analisarmos que no livro mostra como essas igrejas evangélicas se usam de uma visão arbitrária e antiética de nepotismo. Sabemos que, as principais igrejas são controladas por pessoas ligadas a família do Edir Macedo. Outra denominação que foi citada na obra foi a do seu cunhado – Romildo Ribeiro Soares, o “vulgo” R.R.Soares – a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980). Mas o melhor, é que no livro deixa bem claro que, privatizar o espírito santo e a fé, é um mercado lucrativo.
A teologia da prosperidade faz o fiel encarar Deus como um sócio. Imaginemos que tudo que construímos em vida, deve ser dividida com Deus, então, o que a nós pertence, passa a pertencer a obra de Deus (Igrejas e seus líderes). Incrível, não é? E o pior, que todos que adentrar este espaço, viram um Supercrente.
“Nada a perder” é um livro que todos devem ler. Você vai ler uma obra que dita um coronelismo evangélico, personagens midiáticos na sua criação. Se Dizem que Deus criou o Homem, atualmente o homem cria a fé, da sua forma e maneira.
Quando fechei o livro, contive minhas emoções sombrias que emanavam em minha consciência. Entendi um pouco a historinha a Igreja Universal, criada em 1977 por Edir Macedo, sob a égide do Neopentecostalismo. O jovem contou boa parte da vida dele, para quem gosta, é uma obra de fé, para quem não gosta, é um livro comum, talvez bem escrito. Se preferir nem leia, vá para a sua varanda, tem que ser de madrugada, olhe para o céu, e imagine ser Deus.
RUÍDO
Fala-se pouco de poluição sonora. Será preciso falar alto— para que nos ouçam sobre tão esquecido assunto. Precisa alguém de saber do que se trata, ruído, barulho em excesso, contaminação acústica ou tão simplesmente agressão continuada aos nossos tímpanos? Basta conhecer e frequentar a cidade do Porto. O antigo burgo parece tomado por euforia acústica grave, se percorremos uma das suas ruas mais movimentadas. À semana é pior do que aos fins-de-semana. Os dias úteis são dias de barulho. O cidadão não tem direito ao silêncio, de onde vem toda a concentração, todo o pensamento, toda a música, para contrastar este universo dos sons.
Conhecido todos os perigos e malefícios do ruído em altas doses, para a saúde física e mental dos humanos, diremos que o barulho é um dos sintomas de uma cidade que se desumaniza, que não comunica, que agride e hostiliza os mais fracos e vulneráveis. A brutalidade do dia-a-dia pode também ser medida em decibéis, o ambiente urbano torna-se agreste e duro— quando a cidade deveria ser pátria dos que a habitam ou nela trabalham ou visitam, não um poço de perigos e de disfunções.
Claro que o tráfego automóvel, excessivo ele também e dominante, representa um dos factores mais importantes na geração de ruído. Mas ele há outros factores e bem pesados um pouco por toda a parte. Fenómenos localizados podem agravar o cenário sonoro: casas de diversão nocturna sem os meios necessários de isolamento, publicidade com recurso a meios sonoros, oficinas, enfim, toda uma constelação de pequenos emissores. Não é raro entrar-se num café ou restaurante e ser-se invadido pela sensação desconfortável de agressão aos ouvidos: a TV com volume excessivo, as máquinas debitando decibéis enquanto saem meias de leite ou cafés, até a manipulação de louça demasiado perto dos utentes.
Moídos pelo ruído, nervos em franja, acicatamos anda mais o massacre: é a buzina fora de hora e de lei por tudo e por nada, é a motorizada que atravessa uma avenida e atormenta milhares de pessoas no seu irritante percurso, enfim, o que não falta são exemplos do quotidiano infeliz.
Para tudo isto existe legislação suficiente— falta fazê-la cumprir. Os municípios não podem alhear-se deste drama, tanto mais que as «Cartas de Ruído» devem integrar os Planos Directores Municipais.
Um estudo recente revelou que «os níveis de ruído nas principais avenidas e eixos rodoviários das grandes cidades são «significativamente elevados» e «acima do que seria recomendável», com Lisboa e Porto a encabeçarem a lista negra das cidades mais ruidosas, com resultados «substancialmente perigosos».
Mais: «Os níveis estipulados como aceitáveis nas zonas urbanas em período diurno varia entre os 63 e 65 decibéis, mas Lisboa e Porto registaram valores superiores a 70 decibéis, com a zona dos Aliados, no Porto, a atingir os 76 decibéis».
«Nas principais avenidas e junto aos principais eixos das grandes cidades os valores são significativamente elevados, acima do que seria recomendável do ponto de vista de saúde e acima dos valores regulamentados» diz a Sociedade Portuguesa de Acústica.
Um problema ambiental que urge enfrentar com determinação.
Enquanto isso não acontece, vamos ficando surdos e nevróticos, incapazes de pensar e de viver em plenitude.
Os pássaros das cidades já se tentam adaptar: apurou-se em várias pesquisas que «os pássaros da área urbana dedicam mais tempo a cantar para compensar o ruído ambiente, prestando menos atenção a outras tarefas como a defesa ante possíveis predadores. E cantam muito mais alto do que os seus parentes rurais».
Nem as aves escapam!
Bernardino Guimarães
(Crónica publicada no Jornal de Notícias, 10/5/2011)
Dylan Shields- escultor Britânico, tem um trabalho interessante de esculturas feitas com papelão e fita adesiva.
Predominantemente focado nas esculturas e investigando a relação entre a arte tradicional e o uso de materiais contemporâneos, o artista explora a relação entre a história da arte e seu contexto na sociedade moderna, destacando as narrativas esquecidas, de velhos mestres.
Predominantemente focado nas esculturas e investigando a relação entre a arte tradicional e o uso de materiais contemporâneos, o artista explora a relação entre a história da arte e seu contexto na sociedade moderna, destacando as narrativas esquecidas, de velhos mestres.
Mais do que isso, Shields re-examina o contexto moral por meio de papelão e fita adesiva, como você pode conferir abaixo...
Girafas, guardanapos e um pouco de prosa poética
Por Elsa Villon
Ele se chama Pedro. Ele se chama Gabriel. Mas foi como Antônio e por meio de sua arte em guardanapos que ficou conhecido. Ou melhor, que seu trabalho foi conhecido (e reconhecido). Autor do tumblr Eu me chamo Antônio, em quase 4 meses já conseguiu muitos admiradores. E claro, admiradoras. A sinceridade e a simplicidade dão o toque para transformar “rabiscos que qualquer imbecil faria” em algo genuíno. A retórica, simples sem ser simplória, só reafirma o conteúdo ilustrado. E a maneira inusitada de aliar tecnologia a tudo a isso já lhe renderam alguns frutos.
Sem odes a seu nome ou imagem, todos os mais de 16 mil likes conquistados com sua página no Facebook – em suposto anonimato, ou antonimato. “Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora). Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço”, pontuou o artista, atitude essa que demonstra seu real intuito: disseminar seu trabalho, não sua pessoa.
Nascido em N´Djamena, capital do país africano Chade, viveu lá até os 5 anos de idade, quando conheceu o solo tupiniquim. Regressou ao continente ainda jovem, dessa vez para Cabo Verde até voltar ao nosso país tropical. Sem fusca ou violão, é o único irmão de 3 irmãs, duas delas respectivamente na França e Bélgica e com o pai na Suíça. Antônio pode não ser brasileiro de nascença, mas domina perfeitamente um idioma universal – o dos corações partidos.
Confiram abaixo um pouco da vida desse redator publicitário que nos faz crer que essa profissão parece comercial, mas no fundo, também sofre por amor.
- Li em uma outra entrevista, para a Revista Mambembe, dizendo que você é bem tímido. Isso é verdade?
Sim. Mas é uma timidez adaptável. Depois que eu conheço a pessoa, ou a situação, começo a me sentir mais à vontade. Falar em público, apresentar trabalhos, aparecer no famoso “primeiro encontro”, tudo isso, me assusta um pouco. Um susto superável, claro. Mas não é algo que me deixa à vontade. Gosto de observar, ficar quietinho na minha, ouvindo, ouvindo, ouvindo. Minha timidez não é anti- social. É a timidez de quem gosta de observar o mundo, apenas. A timidez de quem precisa criar para se comunicar...
- No caso, essa timidez é uma das causas do anonimato, ou antonimato – como conversamos?
Não. Na verdade o anonimato não é bem um anonimato. É mais uma forma de valorizar o que realmente interessa: o conteúdo. Eu não escondo meu nome. Muitos já sabem quem eu sou, muitos já viram meu rosto. Eu só não mostro minha foto na fanpage porque não há necessidade. Ali é o espaço da minha arte, não o meu espaço. Ali, as pessoas devem gostar do Eu Me Chamo Antônio pelas palavras, pelos guardanapos, nada além disso.
O mais importante para o artista deve ser a sua arte. O artista é simplesmente um meio, uma forma humana que nasceu para dar vida à criação. Se eu sou moreno, alto, bonito, feio, homem, mulher, baixo, gordo, magro, se uso barba, se tenho 3 graus de miopia em cada olho, isso importa? Espero que não. Agora, se o que eu escrevo tem a capacidade de emocionar, de arrancar um sorriso, de fazer uma lágrima escorrer, ou causar qualquer outra reação no receptor da mensagem, isso sim deve importar. A arte precisa criar diálogos, retóricas, interações, intervenções... Senão deixa de ser arte e passa a ser monotonia.
- Você comentou também que pretende “se revelar” em breve? Pode contar algum plano ou qualquer detalhe estraga a surpresa (ou o fim dela)?
Acho que está bom como está, por enquanto.Tudo tem seu tempo para ser revelado ou escondido, para ser lembrado ou esquecido. Sou ansioso, mas não tenho pressa. As coisas estão seguindo um caminho tão bonito do jeito que estão. Não faz sentido colocar atalhos, né? Diariamente tenho recebido mensagens pedindo para que eu poste uma foto minha na página (do Facebook). Outras dizendo que já sabem quem eu sou, que me acharam (oi???). Acho graça. Eu nunca brinquei de esconde-esconde com ninguém (nem quando era criança, quanto mais agora).
Também não sou o Mister M, não preciso de uma máscara para fazer o que eu faço. Tampouco sou um foragido da justiça, pago meus impostos bonitinho. Devo um dinheiro aqui e outro ali ao banco, como todo sujeito que respira nos tempos modernos. O problema é que muita gente não entende que, ali, eu só valorizo o que deve ser valorizado: o conteúdo, não a embalagem. Mas, respondendo à sua pergunta mais objetivamente, estou em contato com 2 amigas para fazer uma gravação bem bonita sobre o projeto Eu Me Chamo Antônio.
Agora, se eu vou ou não aparecer neste vídeo, isso será decidido durante a construção do roteiro. (O que posso dizer é que estou correndo diariamente para tentar ficar elegante caso apareça no vídeo. Tá difícil, viu?).
- Acompanhando seu tumblr, vi que suas publicações começaram em outubro. Os guardanapos começaram nessa época ou foi antes e só então decidiu publicá-los?
Eu sempre rabisquei em tudo o que via, em tudo o que eu tinha em mãos, em tudo o que cabia no bolso: cadernos velhos, contas vencidas, envelopes abertos... Mas foi em outubro que eu tive o “estalo”. As frases sempre existiram. Todo mundo tem um mundo de frases mudas que esperam uma oportunidade de serem ouvidas, escritas. Eu tenho um monte delas em incontáveis cadernos espalhados pelo meu quarto, na memória do meu celular... Nós somos os deuses dos nossos ideais, das nossas ideias. A diferença é que algumas pessoas as exteriorizam (essas, chamadas de artistas) e outras as silenciam. Mas foi só no finalzinho do ano passado que eu comecei a exteriorizar essas palavras especificamente em guardanapos.
O guardanapo é o palco da minha poesia, é a plataforma que encontrei para me esvaziar. Uma plataforma carismática, democrática. Todo mundo pode pegar uma caneta preta e escrever em um guardanapo branco. Todo mundo pode se chamar Antônio. Eu não inventei a caneta preta. Eu não inventei o guardanapo branco. Eu não inventei os filtros da fotografia digital. O que eu inventei foi a forma delicada de juntar tudo isso em um mundo único, meu.
- Houve um grande “estalo” para começar a produzi-los ou era algo involuntário que acabou ganhando maior dimensão?
Estalo é uma palavra que eu gosto. Quem cria não tem início, meio e fim. Tem justamente estalo, continuação e infinitos recomeços. O processo criativo é um eterno recomeçar, com muita tentativa, muito erro e, claro, alguns poucos acertos que fazem tudo valer à pena. Eu comecei a postar conforme ia criando e outras pessoas foram gostando, curtindo, compartilhando. Sinceramente, eu nunca pensei que fosse ganhar essa dimensão.
- Você nasceu escritor e só desenvolveu ou era aquela criança que não gostava muito de poesia, de ler, se alinhava mais no desenho e acabou casando as duas artes depois de grande?
Eu não me considero escritor. Sou um cara que se esvazia colocando frases curtas em pequenos guardanapos cheios de sentimentos. A grandeza de toda obra está na interpretação de quem admira, contempla. A arte por si só não é nada, não vale nada. Mas a vida do leitor, a vida do ouvinte, a vida do
receptor deste diálogo poético é que dá vida à obra.
Poesia? Hmmm... Acho que nunca gostei de poesia, poesia. Sabe? Versos metrificados, rimas estudadas,
sílabas matematicamente contabilizadas, palavras rebuscadas que quase ninguém entende. Quando começam a encher de técnica e teoria, a poesia deixa de ser poesia e passa a ser texto acadêmico. Isso sempre me incomodou. A palavra precisa ser simples, acessível (Sim, dá pra ser simples e denso!). Ler com o dicionário do lado, não é leitura, é trabalho. A poesia precisa ser igual à novela: entrar na vida das pessoas depois de um dia cansativo; ela não pode te cansar mais do que a rotina. Por isso tem tanta gente fugindo da poesia...
Sobre meus rabiscos: quem vê pode pensar “qualquer imbecil poderia fazer esses traços”. É verdade! Mas eu gosto de rabiscar essa minha imbecilidade. Ela é minha. Uma das poucas coisas realmente nossas são a inteligência e a imbecilidade. Eu nunca me esqueço o conselho de um amigo, que quando me encontra sempre diz: “Preserve sempre um pouquinho de ignorância”. Acho que a ignorância do meu desenho e a simplicidade da minha palavra dialogam muito bem juntos.
- Por que o nome “Antônio”?
Antônio é meu nome. Aliás, uma parte do meu nome. Não tem nenhum mistério, trocadilho, duplo sentido, segundas intenções... Muito menos consultei os astros ou um numerologista. Eu me chamo Antônio. Poderia me chamar Pedro. Poderia me chamar Gabriel. Mas escolhi me chamar Antônio. Eu me chamo Antônio.
- Circulam trechos desprovidos de guardanapos e ilustrações e reza a lenda, são um romance em andamento. Confere?
Sim. Não está mais adiantado porque não tenho tido muito tempo. A escrita é uma terapia, uma fuga letrada. Eu tenho meu trabalho normal, das 9h às 18h. Mas tenho muita coisa pronta na minha cabeça. Uma história bonita (não necessariamente feliz). Que eu gosto de pensar enquanto caminho aos sábados pelo meu bairro ouvindo o solo de Stairway to Heaven, Cartola, Chuck Berry e rap. Gosto muito de rap. Todo poeta deveria ouvir rap, sem preconceito. Facilita na rima, no ritmo, no encaixe das palavras.
- E se fosse um roteiro, definiria a obra em qual momento: introdução, climax ou desfecho?
O romance se chama “O romance inacabado”. O “momento” dele será sempre o ápice antes da conclusão. O fim assusta. Eu não gosto de acabar as coisas. Tudo em mim tem um pouco de inacabado, de inconcluso. Preserve sempre um pouco de inacabado em tudo o que você faz. O inacabado é a forma mais poética e sincera de eternizar um amor, uma obra, um momento, qualquer coisa que faça sentido pra você.
- Com o sucesso dos guardanapos, acha que há uma atenção especial por conta de editoras para quem sabe, publicar e socializar sua obra?
Meu sonho sempre foi ter um livro impresso com uma capa bem bonita e páginas cor marfim. Mas também tenho consciência de que isso é um sonho e que existem tantas realidades a serem vividas antes de viver o sonho. Por agora, vou vivendo um guardanapo de cada vez. E temos que entender a nova necessidade do leitor. Os leitores estão trocando as folhas pelas telas. Me dá uma dorzinha no coração pensar nisso, confesso. Até que ponto essa necessidade é criada pelas empresas ou pelo desejo real do leitor não é um debate que cabe nesta entrevista, mas o fato é que quem quiser sobreviver ou se destacar nesse meio tem que entender que tudo está mudando. Estamos vivenciando a mudança, nós somos a mudança. É bem possível que ainda nesse primeiro semestre, tenha uma linda surpresa, uma surpresa tecnologicamente bonita. Mas eu não crio mais expectativas, não me iludo mais.
Escrevi outro dia no guardanapo que meu mantra para 2013 é “Não me iludo, não me iluda”. É bem isso: vou vivendo sem ilusão as consequências dos meus dias, as incompreensões dos meus amores... Tem me feito mais feliz. Tenho dormido melhor, acordado mais leve. Amadureci muito depois de ver o quanto a gente se prende em algumas infantilidades, caprichos, carências totalmente inúteis. Não há necessidade. Temos articulações para andar sem depender de ninguém. Somos articulados para nos comunicar com o mundo sem precisar da voz de outra pessoa, né?
- Você atualmente trabalha com redação publicitária. Essa é sua formação ou faz parte dessas pessoas sagazes que conseguem ter sacadas boas sem o chamado “ensino formal direcionado”?
Na verdade sou formado em Propaganda, mas não trabalho especificamente em agência. Assim que sai da faculdade, me formei pela ESPM/RJ, meu sonho era criar títulos para as Havaianas e trabalhar nas maiores agências do país. Acabei pegando outro rumo. A faculdade me deu grandes amigos, uma ótima base e muita, muita, muita referência. Mas a "sagacidade", a "sacada", em outras palavras, o raciocínio criativo é o resultado de muita leitura, tentativa e erro; enfim: muita prática! É preciso praticar incansavelmente até o cérebro se conscientizar naturalmente que o inconsciente precisa entrar em ação.
- Você se sente um frasista, como aqueles do início da publicidade?
Olavo Bilac e tantos outros poetas tiveram sua veia criativa voltada para a publicidade na época. Acho que, de certa forma, sim. Meus guardanapos podem ser títulos, manchetes de ideias que podem ser desenvolvidas em textos maiores um dia. O que eu faço não deixa de ser publicidade. Cada guardanapo é um layout de uma ideia, que "vende" a delicadeza, a simplicidade do cotidiano. A minha sorte é que eu sou o meu cliente: não preciso pedir pra aumentar o logo, diminuir o título, trocar a imagem. O meu azar é que eu sou o meu cliente: faço tudo de graça (risos).
- Você não nasceu nesse continente, certo? Pode contar um pouco disso? Se tem irmãos, um pouco da infância.
Tenho 3 irmãs. Nasci em N´Djamena, capital do Chade, na África. Morei até meus 5 anos. Depois, fiquei 1 ano aqui no Brasil. E voltei para a África, em Cabo Verde, onde morei até meus 12 anos – quando regressei ao Brasil. Hoje, tenho uma irmã em Paris, uma outra na Bélgica e meu pai, que mora na Suíça. Estou acostumado com distância, saudade. Isso talvez se reflete de alguma forma nos meus textos. Não tem como fugir do que fomos e somos feitos, né? Somos sempre a soma de tudo o que já vivenciamos.
Isso enriquece inconscientemente as nossas ideias, o nosso banco de referências. Quando sento para começar a escrever, um mundo se abre; e esse mundo nada mais é do que uma mistura de todos os mundos que eu já presenciei. Tenho certeza que nas minhas palavras tem um pouco da solidão do deserto do Chade, um tiquinho da saudade sonora das ilhas de Cabo Verde, um bocado da criatividade do Brasil e uma dose da neutralidade Suíça.
- Depois de um tempo, por que sentiu necessidade de inserir fotos e imagens, além dos guardanapos?
Aconteceu naturalmente. Sempre tento procurar um pano, uma fotografia, um livro antigo para servir de fundo para a frase no guardanapo. É uma tentativa de surpreender, oferecer algo inédito. Acho que você precisa sempre testar coisas novas. Sem perder a essência, claro. Mesmo quando tudo parece estar diferente do que você se propôs a fazer no começo, quando há sinceridade, você consegue sempre enxergar alguma semelhança em toda sua obra. Voltando ao assunto da propaganda: uma das primeiras
coisas que se aprende na faculdade é ter conceito. Pra mim, conceito é seguir sinceramente uma ideia que parece ser a certa. E é o que estou fazendo: estou seguindo o que eu acredito ser algo que faça sentido e que tenha sentimento verdadeiro.
Confira abaixo um pingue-pongue com guardanapos exclusivos feitos para o Pastilhas Coloridas:
O silêncio...
A distância...
Os amores impossíveis...
A escrita...
A tristeza...
A infância...
O cotidiano...
A arte...
Um nó no peito...
2013...
Fonte:
http://www.pastilhascoloridas.com/2013/01/girafas-guardanapos-e-um-pouco-de-prosa.html#more
Colunas /
Humberto Pinedo Mendoza
Las psicopatías de los limeños y la TV peruana [Humberto Pinedo Mendoza]
Esta psicopatía de los "limeños" la descubrí en mi juventud. Esta población trabajadora e informal o desempleada actúa por instinto y no por racionalidad. Es decir la supervivencia los lleva a vivir a “salto de mata", enfrentándose unos a otros, a maltratarse verbalmente o físicamente. Es lo que lo que yo denomino "las psicopatologías de los limeños”.
Es la sociedad de los limeños de antes de 1968 la que está enferma con todas estas características anormales o son los nuevos habitantes de otros lugares que han venido con sus frustraciones y resentimientos los que están forjando una sociedad inconsciente, agresiva, vanidosa e insensible de lo que realizan y el daño que provocan. Son proposiciones, son aproximaciones. Propongamos un debate esclarecedor por que la magnitud de la inseguridad ciudadana se ha convertido en un tema prioritario para todos los ciudadanos.
Cómo no encontrar psicópatas cuando nos percatamos de la intención de los noticieros de la televisión como "9O segundos" en donde en una hora la mayoría de las informaciones que proporcionan son de muerte, violación, secuestro. Después pasan acontecimientos de accidentes con muertes en diferentes partes del mundo. Todo este conjunto de noticias están creando en la población un endurecimiento en los valores positivos. Los niños y los jóvenes están tomando estos contenidos informativos como una actitud normal. Robar y matar los toman deportivamente. Verbigracias futuros sicarios. Primero una sociedad "chicha" y después una sociedad "combi”. Es decir en cada de estos grupos las personas quieren hacer los que les da la gana sin respetar al otro. Psicopatía de los medios y psicópatas potenciales en las personas. Aquí no funciona lo de la era del conocimiento que nos propone Popper sino un abuso de ella.
Este tipo de programas atentan contra la moral de la población nos diría el periodista César Hildebrandt. Me pregunto qué están haciendo los psicólogos sociales que no asesoran debidamente al gobierno contra este peligro que pueden ocasionar a los niños. También los encontramos en los otros canales. Son tan insensibles los productores del mal que están ocasionando a los infantes. Con el puro vedetismo de la peor estrofa. Programas vulgares en donde la homosexualidad es parte de la risa y no de la reivindicación. Programas como la de Laura Bozzo y otros programas de este corte que nos proporcionan la TV nacional. Lo último fue el levantamiento de la noticia, escandaloso, morboso e irresponsable de la información de dos mediocres mujeres que pelearon contra un Embajador y que este individuo también los agredió, a los medios no les interesó que se pudieran romper las relaciones diplomáticas. Total a esta actitud la llaman libertad de expresión.
Que nos están enseñando los dueños de la TV que la imbecilidad se justifica. ¿Dónde están los valores, el respeto? Eso no interesa, lo que se busca el rating. ¿Se acuerdan cuando el primer ministro Jiménez les pedía que no repitieran cada rato el video del asalto a una Notaría? Morbosamente lo repetían no acatando el pedido. Y después se quejan cuando algún gobierno toma los medios de comunicación. ¿Acaso no forman personalidades psicopáticas y más en los niños, cuando en su subconsciente se están creando estereotipos de amoralidad, estafa, robo como se está dando como antiejemplos en la actual clase política, congresistas y expresidentes de la República. Paradigmas como Javier Diez Canseco y Armando Villanueva del Campo ya no aparecen. Esta situación de desprestigio sí es preocupante, porque de ser un pueblo precario culturalmente vamos a terminar siendo una sociedad en donde la ley del más fuerte triunfa. El achoramiento, la prepotencia del blanco del mestizo y del indio de acuerdo a su posición económica es lo que vale. Lo vemos en los lugares donde vivimos con propietarios o inquilinos (militares, policías, profesionales) que actúan en forma antisocial con sus vecinos.
Los niños y los jóvenes ya no respetan a sus mayores. Los hijos no estudian debidamente en los colegios del estado a una excepción del 20%. No es autismo social ni malos profesores, pero sí es un cuadro de psicopatía social porque son las características de las diferentes formas en que se comportan los limeños en la capital. El bullying en los colegios y la falta de respeto a los profesores y la desesperación por conseguir bienes de inmediato sin saber cómo lo consiguen es la preocupación de cerca 7 millones de jóvenes que están desocupados. A veces me pregunto, qué tipo de país queremos. Un país tecnológico, industrial, capitalista, socialista, humanista, próspero con identidad o simplemente manejar el presente coyuntural y después no interesa lo que le pase al otro gobierno. No hay un proyecto nacional.
Han aumentado en forma exagerada los centros de rehabilitación de drogadictos de jóvenes en las capitales de provincias. ¿Qué tipo de sociedad estamos formando? Dentro de 30 años, ¿qué tipo de clase política vamos a tener? Un país sin valores, sin respeto a sus semejantes sin conciencia patriótica. Para la clase política el espectáculo y el consumismo es lo que importa. Pero lo más peligroso ahora es cuando los diarios y la TV magnifican la actitud de los niños sicarios, cómo trabajan, dónde viven, quiénes son los que lo forman, cuánto le pagan. Un niño de 8 a 10 años pobre que ve este documento fílmico lo va a tomar como una actitud normal y estimulante. ¿Acaso esto no es formar psicópatas que van a matar por dinero y no van a tener ningún remordimiento de conciencia?
Hay actores peruanos, como Tulio Loza, que critican a la televisión peruana por la falta de programas serios de calidad ya sean cómicos como dramáticos. Es una vergüenza que no se tenga en la televisión programas de teatro, ni de música o de debates sociales a excepción del cable o del canal 7. La población consciente y sensible se asfixia con el bodrio de la televisión peruana. De la misma forma el aporte de la Internet que es tan básico para el conocimiento universal de los niños y adolescentes las escolares lo están usando para el video juego violento y la pornografía. Hay muchas personas que sin ser de izquierda justifican la actitud del presidente ecuatoriano Correa cuando critica a los canales de su país por imponer una televisión inmoral e intrascendente.
Después los dueños de la televisión dicen que ellos son los mensajeros de la información. Eso es falso porque ellos son los que levantan la información, la priorizan, realizan campañas, series, aumentan el morbo de los temas. En la TV peruana sólo existe morbo y espectáculo. ¿Acaso todas actitudes no están creando hombres agresivos, sin valores? Los profesores se sienten incapaces de cambiar la mentalidad de los niños positivamente cuando la información y lo chabacano tienen éxito. La influencia de la TV en los niños es determinante.
Sostenía el psiquiatra Alberto Según, el mejor ejemplo que a la gente les gusta los buenos programas es la alta sintonía que tiene el programa el Dr. TV en el canal 4. Pero una golondrina no hace verano.
Si el presidente Ollanta Humala y sus ministros no actúan a tiempo y piden a los medios que se autorregulen todos los avances económicos no van a tener un sustento viable o sostenible en el tiempo porque el pueblo no ha sido educado debidamente. Por eso vemos en nuestra patria lo que funciona es el chisme, la bajeza... Políticos mediocres que llegan al poder para robar. Mucha gente considera que este Congreso debería ser clausurado porque hasta ahora han demostrado ser poco servibles. Las grandes temas sociales, las reformas que se iban a realizar han quedado archivadas. Pero en cambio el escándalo de sus representantes, esos son los temas que tienen más importancia en los medios. ¡Qué vergüenza!
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