ESSA TAL FELICIDADE [Gil Façanha ]
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| Imagem - Fonte google. |
Chegará
o dia em que minhas verdades não mais machucarão, porque não serão mais ditas,
e aí terei a certeza da ausência da mágoa, do coração iludido, do amor menos
perdido, e do carinho eternizado pela falsa sensação de que toda verdade dita é
apenas essa real mentira que resolveram adotar para acreditar que tudo isso
vale a pena.
Ainda
virá o dia em que fingirei estar sendo o que sou, quando na verdade já não
estarei em mim, já não serei nem o meu pior, nem o meu melhor, porque tudo que
sou de mais sublime está acorrentado a essas tais verdades que um olhar
suplicante me implora para não serem gritadas, afim de não estar certo de que
aquilo que conheceu e amou, é apenas um espelho d’água desse rio que sou, que
quando submerso em mim revela correntezas e uma turbulência desorientadora para
quem não souber nadar nessa paisagem tão bela, tão profunda, tão confusa, tão
instigante, tão esmagadora, tão apaixonante, tão ilusória, tão eu.
E
haverá esse tal fatídico dia em que por te fazer feliz já não serei ninguém,
porque te quero feliz e para isso preciso mudar. Esse momento chegará, quando
não poderei sustentar a amarga mentira de ser realmente egoísta, e irei parar
de lutar para me convencer que sou traiçoeira, ou passarei a te revelar a
ridícula verdade de que sou tudo o que pareço, de que não há mal do qual
padeço, e assim morrer dentro de mim para renascer no que precisas, e só então,
descobrir a tua verdadeira felicidade no meu falso sorriso feito da saudade
daquilo que nunca consegui ser.
Gil Façanha-Sou
mais do que se pode ver e escrevo pra que as emoções não transbordem de
minha alma e se percam nos canteiros da memória. Falo de dores e
amores, pra que nada tenha a chance de tornar-se algum tormento. Exponho
meus lamentos, grito minha saudade e tantos outros sentir. Falo bem dos
sentimentos, mas nunca aprendi a falar muito bem sobre mim mesma. Mas
eu não sou uma pessoa difícil de definir... Apenas não consto em nenhum
dicionário.
Todos os direitos autorais reservados a autora.

2 comentários
“Ainda virá o dia em que fingirei estar sendo o que sou [...]” É... O que eu, como uma amante... Da verdade, poderia dizer sobre o que acabei de ler de você? Nada mais! Você disse tudo.
Não se sufocar por alguém, é uma arte. Sem dúvidas. Temos a coincidente impressão de que as pessoas mudam, diz um poeta que “[...] quando a gente muda o mundo muda com a gente.” Passei um tempo acreditando nisso e pra variar ainda acredito, porque confundo esperanças com verdades que não quero enxergar e me conforto na ilusão de ver o que creio ser e estar.
Muito bem escrito. Obrigada, G. Façanha.
Eu que agradeço tua leitura e o comentário cheio de emoção. Muito obrigada. Abraços.
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