Moisés Mendes Martins Júnior - [Poeta Brasileiro]

Moisés Mendes Martins Júnior. Poeta, compositor de mão cheia, músico, arranjador, cantor nas horas vagas, escritor com assento na Academia Mato-grossense de Letras e na Academia Mato-grossense Maçônica de Letras, Moisés Martins é figura onipresente nos movimentos culturais cuiabanos.

Considerado um dos ícones da chamada cuiabania, Moisés Mendes Martins Júnior nasceu em Campo Grande (MS), antes da divisão territorial para o surgimento de Mato Grosso do Sul.

Dentista por formação acadêmica, poeta por inspiração e cuiabano por opção e paixão, Moisés Martins é guardião da cultura de Cuiabá e uma das reservas morais da cidade que adotou fervorosamente. Sua sensibilidade artística o leva a compor clássicos que retratam a alma do povo que vive na quase tricentenária cidade fundada pelo bandeirante Moreira Cabral no centro geodésico do continente.

Com o músico, instrumentista e cantor Pescuma - do Trio Pescuma, Henrique & Claudinho - compôs os clássicos “Pixé”, “Furrundu” e “Tipos Populares”.

“Ecá esseminino, pialá, paresqui um sepo de temporá. I nessa época é inté pirigoso raio! Oiá lá nu mamão (Municipio de Chapada dos Guimarães). Lá prás bandas da Chapada, exotrodia, a cumadre da minha madrinha, Dindinha, foi tingida por um raio, que inté roxeô, i na hora! Figa Vige Vôte, Nossa Sinhora! Nem é bom [...]

Moisés Martins deu voz musical aos personagens do povo em “Tipos Populares”, onde também reproduz o bordão do radialista e jornalista Alves de Oliveira, fundador do Jornal Diário de Cuiabá. Essa música é a mais pura expressão do sotaque carregado e cantado do povo cuiabano de ‘tchapa’ e cruz. Diz a letra:

“Toda cidade tem seu tipos
Cuiabá também os tem,
uma cidade sem eles
vive cheia de ninguém…
A cidade vive dos que vivem nela
já dizia o grande locutor
sem eles qualquer cidade
seria um jardim faltando flor…
tipos populares, boêmios sem fim
nos bares, becos e esquinas
vivem felizes, sim!
viva, cobra fumano
Maria Peta, Zé Bolo Flô,
em cada esquina uma saudade
em cada canto uma canção de amor”

Sua obra literária é vasta e se transformou em permanente fonte de consulta sobre os temas que aborda. Moisés Martins é presença obrigatória em Cuiabá quando o assunto é cultura, literatura e música.


Atividades exercidas:

Primeiro presidente do Conselho Regional de Odontologia;
Secretário Municipal de Cultura ( Cuiabá );
Diretor Científico da Associação brasileira de odontologia – Mato Grosso;
Secretário da Associação brasileira de odontologia secção Mato Grosso;
Professor da Escola Normal Pedro Celestino;
Professor do Colégio Evangélico de Buriti ( Chapada dos Guimarães );
Presidente da Fundação Educacional de Buriti ( Chapada dos Guimarães );
Ministrou aulas a convite na UFMT- área de sanitarismo;
Implantou em Cuiabá o primeiro curso de Técnico de Higiene Dental;
Especializou-se em Ortopedia Maxilar na Argentina - Buenos-Aires;
Vereador por Cuiabá ( sendo o único no Brasil a não aceitar o chamado Mandato Biônico );
Foi Candidato a Senador;
Membro da Academia Mato-grossense Maçônica de letras;
Efetuou várias conferências: Igreja Presbiteriana ; Maçonaria ; e partidos políticos.



Homenagens:

Homenageado com o Diploma do Decênio- Conselho Federal de odontologia;
Homenageado com placa de prata Mérito Legislativo- Câmara Municipal de Cuiabá;
Homenageado placa de prata serviços legislativos-Câmara Municipal de Cubatão São Paulo;
Patrono da Turma de Assistente Social – UFMT;
Patrono da primeira turma de THD ( Técnicos de Higiene Dental – Cuiabá);


Fez publicar as seguintes obras:

1. “Fragmentos” ( 1980 ) ( ensaios poéticos );
2. “À sombra da Acácia” ( 1994 ) ( ensaios poéticos );
3. “A força da fala no dizer cuiabano” ( 1985 ) ( prosa );
reeditado em 1995.

À serem publicados :

1. “Dimensões” ( 1994 ) ( ensaios poéticos );
2. “Poemas na Frase” ( 1995 ) ( ensaios poéticos );
3. “O deus do homem não é o Deus que é” ( iniciado em 1980 );
( por terminar ) ( ensaio de teologia );
4. “Santuário Pantanal” ( 1980 ) ( romance );
5. “Pássaros” ( 1995 ) ( ensaios poéticos );
6. “A imprensa como tribuna” ( 1989 ) ( Crônicas );
7. “Tempo e Vento” ( 1995 ) ( ensaios poéticos );
8. “Corpo /Alma/ ” ( 1995 ) ( ensaios poéticos );
9. “Sonhos / poemas / Fantasias” ( 1995) ( ensaios poéticos );


Produções artísticas/Culturais:

Elaborou em parceria com o Músico, e compositor Benedito Donizete de Morais ( Pescuma ) o projeto intitulado “Sentimento cuiabano”

Projeto “Sentimento cuiabano”:

a) Vídeo – “Ruas de Cuiabá” ( 1995 );
b) Vídeo – “Festas de Santo em Cuiabá” ( 1996 );
c) Fita k 7 ( músicas Sentimento cuiabano ) ( 1994 );
d) CD ( músicas Sentimento cuiabano ) ( 1996 );



Síntese das obras bibliográficas :
 
“Fragmentos”:

Ensaio poético, onde o autor promove através da ação poética, incursões literárias em várias situações do ser humano, existindo forte presença da religiosidade.

“A força da fala no dizer cuiabano”

Tentativa de prosa, onde o autor busca resgatar o falar cuiabano, hoje descaracterizado devido a forte influência migratória.

Aborda o autor os costumes e modus vivendi da década de 50 em Cuiabá, ainda sofria o ostracismo dos grandes centros da Pátria.

“À sombra da Acácia”:

Livro de 74 páginas , ensaios de poesia, em homenagem a Ordem Maçônica .

O autor em ação poética, promove reflexões sobre os mistérios maçônicos .Trabalha o conteúdo dentro da linguajem maçônica, tomando cuidado para que os mistérios maçônicos sejam devidamente preservados.

É uma obra dirigida diretamente à maçonaria, onde há exaltação da Instituição como também dos cargos maçônicos, durante os trabalhos da loja.

O autor exalta a presença do Supremo arquiteto do Universo, força maior nos trabalhos maçônicos

O autor procura fazer jus ao nome do livro, buscando penetrar nas várias dimensões da vida.


Livros

Fragmentos – 1982

Ensaio poético, onde o autor promove através da ação poética, incursões literárias em várias situações do ser humano, existindo forte presença da religiosidade.

Obra lançada na Igreja Presbiteriana no ano de 1982.
O autor contesta a forma com a religião é trabalhada na Igreja Presbiteriana.

No livro de oitenta páginas, o autor demonstra seu desconforto, frente as injustiças sociais, entrando por isto no processo político partidário.

O livro fragmentos, prefaciado pelo poeta Newton Alfredo, onde devido a finança fora trabalhado e impresso sem melhores cuidados de uma obra literária, tornou-se válido devido o conteúdo nele existente, e pelas ideias que denunciam o ideal do autor.

Dimensionando o amor

Vou cantar o amor, simples perfeito
Niemeyer empresta-me tuas formas,
Burle Marx tuas flores,
pintassilgo as plumagens do teu peito
Cícero tua erudição, Da Vinci tuas cores.

Vou cantar o amor, complexo puro
anjo Gabriel empresta-me tua leveza
Pontes de Miranda tua alma de jurista
Mestre Pixinguinha, tira uma nota
da tua flauta com pureza,
socorrei-me, dai-me vossa inspiração artista !

Vou cantar o amor difícil, o amor ao próximo
Marta, Maria, empresta-me o gênio do bom Lázaro,
Samaritano, empresta-me teu desprendimento,
rasga as alças das tuas vestes, não sejas avaro
abra os embornais do teu unguento.

Vou cantar o amor humano, sacana, viril
Sargentelli empresta-me tua mulata,
Roberto e Vinícius teus poemas e canções
Sansão empresta-me a tua força que dilata
para rebentar e dilacerar os corações.

Vou cantar o amor absoluto, divino
colibri empresta-me o néctar da rosa, roubado
Mar empresta-me tua grandeza e profundidade
Maria empresta-me tua pureza teu anjo alado
Cristo ajuda-me com teus sofrimentos e tua divindade!


SÚPLICA

Senhor, onde estás que não vês
A miséria do mundo, profetas blasfemando
Fome presente, guerra eclodindo, criança em nudez,
A falta de amor, o ódio horrendo imperando!?

Cansaste Senhor, da criatura por ti criada,
Feita à tua imagem e semelhança?
Ou arrependeste, por vê-la deformada,
Na criança desnutrida, no velho abatido, no jovem sem esperança?

Nesta Sodoma e Gomorra, instaurada,
Levanta-te Senhor, ânimo! Pois eles buscam-te,
E talvez, buscando na tua caminhada,
Também te motives Senhor, a animar-te!

Sabemos que tu não és conivente,
Com as loucuras do humano que geraste,
Mas pareces desanimado, no teu ser imanente,
Ao veres o vil ser manente que tu criaste.

Entre esses seres vis, entretanto,
Algum existe (exceção à regra)
Que dependendo da tua misericórdia e manto,
Crê, prossegue, insta, procura e prega.

Suplico, rogo-te Senhor!
Oportunidade uma vez mais à este ser,
Pois certo é que tua rejeição, teu desamor,
Irá extinguí-lo e induzi-lo a não te pertencer. 



A força da fala no dizer cuiabano

Tentativa de prosa, onde o autor busca resgatar o falar cuiabano, hoje descaracterizado devido a forte influência migratória.

Aborda o autor os costumes e modus vivendi da década de 50 em Cuiabá, ainda sofria o ostracismo dos grandes centros da Pátria.

Com a mudança da capital do País para Brasília, os reflexos do chamado progresso se fizeram sentir em Cuiabá, ainda capital de todo Mato Grosso.

O autor tenta resgatar as figuras populares, consideradas antológicas .

Dá um passeio pela velha Cuiabá da época das “trancas e tramelas”, onde a mendicância, a exacerbada violência , praticamente inexistia.


Época, onde apenas os jornais e uma rádio eram os meios de comunicação .
O autor, revive as retretas do velho coreto no Jardim Alencastro ao som das Bandas do 16 BC sob a batuta do Maestro Albertino e a Banda do Mestre Inácio. Cuiabá das procissões do Senhor Divino, das Festas de S.João; S. Benedito; S. Gonçalo.

Das procissões, onde pãezinhos eram oferecidos a comunidade cuiabana. Cuiabá do Sayonara, Clube Feminino, Grêmio Antônio João, Clube Dom Bosco, Clube Náutico.Cuiabá do arco da Ponte Júlio Müller, nos mergulhos da pedra 21. Cuiabá dos passeios no legendário rio Coxipó de águas claras, onde as piraputangas bailavam, no fundo espargindo suas escamas de arco-íris. Cuiabá do Morro “vermeio”, cordilheira cuiabana.

Livro lançado em 1985, prefaciado pelo Magnífico Reitor da UFMT, Dr Benedito Pedro Dorileo. 


À sombra da Acácia – 1994

Livro de 74 páginas, ensaios de poesia, em homenagem a Ordem Maçônica.
O autor em ação poética, promove reflexões sobre os mistérios maçônicos.Trabalha o conteúdo dentro da linguajem maçônica, tomando cuidado para que os mistérios maçônicos sejam devidamente preservados.
É uma obra dirigida diretamente à maçonaria, onde há exaltação da Instituição como também dos cargos maçônicos, durante os trabalhos na loja.
O autor exalta a presença do Supremo arquiteto do Universo, força maior nos trabalhos maçônicos. 


Dimensões – 1994
Ensaios poéticos. 120 páginas.

O autor procura fazer jus ao nome do livro, buscando penetrar nas várias dimensões.

O autor mostra várias nuanças das dimensões em várias situações , de acordo com sua ótica.

O autor, como a maioria dos chamados poetas, não escreve para, mas sim com possíveis sensibilidades que, poderão ou não virem a encontrar-se com o mesmo. Ninguém é poeta porque quer, visto que, o poeta faz poesia: quando fala; quando ouve; quando sente; quando vê e ante- vê; no dia-a-dia, quando olha com olhar refletido da alma como as lagoas límpidas projetadas no Pantanal.


DIMENSÕES

Estou partindo para outra dimensão misteriosa,
deixando atrás muita coisa à fazer,
mas esperando que melhor você faça , se és laboriosa,
aquilo que aqui me fez fenecer.

Adentrando a caminhada prossigo sozinho,
entretanto, estarei lá tentando soerguer ,
a preparação do acasalamento de um novo ninho,
para, no aconchego do novo lar, com amor te receber.

Tenho certeza, não conseguirei ainda a tarefa terminar,
pois novas dimensões, estão a me surgir,
o retorno nas várias formas da vida a pulular,
nas perspectivas, qual teias se projetam no porvir.

Os dentes da engrenagem sempre ocupam ,
os espaços que já estiveram a ocupar,
nesta roda viva da vida ,

lhe digo não chores minha partida
é inadmissível, a morte com tantos
estágios na vida a escalar

talvez nos encontremos ,
neste percurso da sua chegada e minha saída.

Vida, morte, num circulo contidas,
figuras geométricas, perfeitas, sem fim
contendo o Universo no bojo, e as vidas,
no bojo contendo o Universo, o tudo enfim.

Onde está , o centro, o limite a periferia,
qual seu tamanho, onde começa , onde termina?
Terminas no começo do ontem que iniciaria,
ou começas no término do hoje que se finda?


SÍNTESE

Não há necessidade de
muitas palavras, para se escrever
um lindo poema sobre o amor.
Basta exercitá-lo, no segundo vivido,
pois o próximo já será passado


DEUS DOS INJUSTOS

Se o Deus de: Caim, Judas e Barrabás,
É o mesmo nosso.
Posso emprestá-lo,
Com aposentadoria compulsória!


O Deus do homem, não é o Deus que é!

Ensaios Teológicos. 300 páginas

Obra que vem sendo trabalhada desde 1980. Trata-se de uma obra frente ao inconformismo do autor da maneira como Deus é apresentado e manipulado pelo Homem, através da Bíblia sagrada.

O autor promove viagem pela filosofia, antropomorfismo, antropologia, didática teológica. Perquiri seus próprios conhecimentos bíblicos durante sua permanência na Igreja Presbiteriana de Cuiabá. Procurou conhecer: Buda; O Islamismo; as várias tendências do Evangelismo; o espiritismo; o umbandismo; e os mistérios maçônicos.

Não pretende o autor promover proselitismo, apenas registra reflexões no que tange a ação religiosa, tendo como base a relação Homem X Deus.

O autor vislumbra a existência de vidas em outros planetas. Discute a alma como essência da vida e o verdadeiro Cristo, na sua ótica.

Não aceita a forma purista e puritana como as religiões trabalham a figura de Cristo.


O DEUS DO HOMEM, NÃO É O DEUS QUE É! 

Visto que, o Deus do homem preferencialmente, há que ser como ele quer que seja! Embora utilize artifícios sob a égide das religiões, misticismos, fábulas, devaneios misturados no amálgama dos pseudos entendimentos, ciências, paranormalidades e outras mais, nos Horébes da vida, obtendo apenas como resposta apenas: “Eu sou o que sou”.

O Deus do homem, moroso, que necessitou de sete dias, embora absoluto, para criar o mundo, isto em se tratando da Terra, deixando claramente extravasar frutos da sua fantasiosa mente humana, preocupando-se ainda em explicar que, sete dias não são os sete dias que conhecemos, isto sob o enfoque do antropomorfismo, qual seja a forma fácil do homem entender as coisas Divinas à luz da teologia. Narcisista, que cria o homem para louvá-lo e glorificá-lo para sempre, confeccionando-o do barro da Terra, soprando-lhe nas narinas o fôlego da vida.

Deus do homem, que apesar da sua característica absolutista, arrepende-se logo, logo de havê-lo criado, sua maior criação, porquê descobrira a sua imperfeição, então temos o direito de perguntar: “Se o Deus do homem era absoluto, portanto oniciente, que tudo sabia, antes mesmo das coisas acontecerem, como pode falhar na concepção da sua maior criação?” Porem, o socorro vem de imediato, através dos remendos explicativos dos hálitos putrefatos dos pseudos exegetas, com palavras luzidias e escorreitas, avocando novamente o famoso antropomorfismo.

Deus do homem sempre cansado, abúlico, fatigado, constantemente interpelado, manietado, como se galinha dos ovos de ouro fosse, para a manutenção do mercado de trabalho dos que se intitulam teólogos, pregadores, homens de Deus, mas que no exemplo diário do viver, massacram o seu próprio Deus e em nome dele projeta e perpetra guerras, como a Guerra Santa, promovendo fogueiras com tochas humanas na Santa Inquisição. Colocaram na fogueira para depois se arrependerem e canonizarem Joana D`Arc.

Filosofam e praticam ao bel prazer atendendo a conjuntura da época, sempre em nome do Deus por ele, o homem, criado. Colocam contexto que pensam com a mente e mentem na práxis através do falso puritanismo religioso. Somente uma raça é privilegiada, a Israel de Deus, mas do Deus do homem, de Abraão, Isaac, e Jacob. 



Cuiabá de Trancas e Tramelas
Artigos compilados e publicados no Jornal A Folha de Mato Grosso.

Minha Casa Geminada

“Minha casa geminada, qual a alma do meu povo
uma porta, uma janela,
de trancas e tramela.
Testada vermeia, azul amarela.
Feita de frente pro sol poente.
Calçada alta, prá tchuva escorrê.
Uma cancela que sempre geme,
Quando tchega tchgente!
Chão batido, no canto um pôte cô a bera quebrada.
Uma foinha na parede pendurada,
Cô a fotografia de São Jorge Guerreiro
Prá nos protegê,
De quebrantu, arca-caída e mau oiádo.
Minha casa não é só casa, minha casa e um lar
De braços abertos prá quem passar
De braços abertos prá quem chegar.”      
(MMM/Junior)


Vida e morte de Nha Tuca

Quando manuseamos a literatura Nacional, verificamos o cuidado dos autores regionais, no sentido de exortarem e tornarem conhecido os acontecimentos, mesmo que fictícios, mas que sempre tem uma pitada de verdade, daquilo que aconteceu e que está a acontecer, nas suas regiões, tornando-as desta arte conhecidas e admiradas pôr todos que dela tomam conhecimento. E parece-nos que quanto mais popular mais valor possui. Não se trata portanto a literatura regional, em debruçar-se somente na narrativa de fatos históricos, exortando heróis que nem sempre heróis são, mas de trazer a lume os acontecimentos, sonhos e fantasias que coloriram e estão a colorir nosso dia-a-dia. Nisto, eu particularmente, vejo o divisor entre o escritor que cria e fantasia e nos leva à viagens fantásticas, do historiador que, deve apenas narrar fatos e acontecimentos, sob pena de adulterá-los e distorcê-los. Quando o historiador narra a fundação de Cuiabá, não há como mudá-la, será sempre dia 08 de abril de 1719 pôr Pascoal Moreira Cabral, pois tudo que além disto narrar será elucubrações do próprio historiador, isto entretanto, não o impede de exercitar a função de escritor, se competência para isto tiver.Voltando à literatura Nacional, estamos a manusear  ”A morte e a Morte de Quincas Berro d’água”, gostosa literatura, onde o escritor Jorge Amado, exorta lugares, tipos e o linguajar baiano, e a literatura explode dando-nos conhecimentos de fatos pitorescos da nossa Bahia. Sem plagiar na forma, porém com a mesma intenção temos abordado assuntos atinentes a nossa Cuiabá e Mato Grosso, procurando quebrar o academicismo que engessa e mumifica determinados tipos de literatura, onde na maioria das vezes, existe o propósito apenas de auto-exaltação do autor, contando as vantagens de cargos que nem sempre são confessáveis e que só Deus sabe como foram conseguidos. Palmilhando a trilha dos grandes escritores, temos também que possuir a coragem cívica de “botar a cara”, sem se importar com as críticas que, quando críticas são, exortam e elevam, porém quando são “futhico- tric-tric-disque-me disque”, também podem ser interpretados como inveja e falta de coragem de trazer à público o que pensa e deseja. Conheço um que, não escreve porque tem medo de ser criticado, aí cabe o ditado pantaneiro: “ninguém sabe o que mudo quer”. Já tomei conhecimento do pensamento de uma Ilustre professora da UFMT, que pelo menos teve a coragem de criticar a presença de algumas pessoas no seio da Academia Mato-grossense de Letras, estando eu entre os criticados, entretanto há vagas abertas e a ilustre professora fica albergada no seu casulo de saber e tem medo de enfrentar o crivo de uma Academia de Letras, porém tem coragem de criticar ! Direito que sempre respeitarei.

Com a coragem que meu pouco Academicismo promove, porém utilizando a idéia do apóstolo Paulo de que: “nada tenho mais o pouco que tenho lhe dou”, estarei desencadeando possível literatura regional, sob a temática ” Vida e Morte de Nha Tuca” e quero fazê-la, em várias publicações, pois as Nhas Tucas cuiabanas da vida existiram e estão a existir, principalmente nas periferias, onde o descaso com o ser humano e tão claro quanto o branco dos olhos dos negros. Ela veio ao mundo, até porque pobre não nasce, chega, ou é deixado cair, meio espantada e desconfiada de tudo, numa noite cheia de luar, onde o esplendor da rainha da noite, banhava o cerrado mato-grossense com sua cor plumbácea, soprada pela fresca da madrugada, onde o garnisé anunciava os primeiros raios do astro rei.Sua vinda ao mundo fora resultado de praticamente um estupro, perpetrado pelo coronel Salú, lá prás bandas da Usina Itaicí, quando o mesmo prestou sentido na negrinha de 17 anos de ancas largas e andar matreiro, com um lindo sorriso desnudando belos dentes cor de marfim, que mais alvos ficavam em contraste com a melanina da pele da jovem. Como disse, Cel Salú já tinha prestado sentido na negrinha e ao vê-la banhando-se no córrego, que languidamente lambia os capins, onde o gado vinha sempre da cristalina água beber, perdeu o sentido e colocou na cabeça que, aquela menina-moça seria sua. Ainda com os eflúvios dos mandatários dos engenhos, tinha ele na cabeça que era senhor absoluto de tudo que estava no limite das suas terras. E a visão despertou-lhe ainda mais a vontade de possuir aquela que para ele não passava de apenas uma negrinha há mais que, já tinha com ele se deitado. E a extinta nódoa do escravagismo, ainda alimentava o ar de prepotência, arrogância e machismo, as narinas do rude coronel. Mas ele não queria pegar Firmina, na marra, e para mistificar isto, promoveu uma noite de rasta pé na fazenda, em que a cachaça, o churrasco, o cururu, siriri e rasqueado, quebraram noite a dentro. Todos empregados foram convidados para da festa participarem, e certo que ele não perdeu a oportunidade para entronchar e encharcar a negrinha Firmina de cachaça, objetivando amolecer o seu intento. Até na pituca de cachaça, Firmina começou a se liberar mais, e a estratégia estava dando certo, pois afim de prepará-la para o coito, o Cel. Usou o procedimento que se toma no preparo do peru na véspera do natal. E não foi preciso mais doque aquela noitada para que Firmina se engravidasse, e em se engravidando, e para não manchar a honra do Cel., possuidor de largos bigodes avermelhados pela nicotina do paieiro, porém canalha até nas “grimpas”, fora ela, enviada para Cuiabá, para servir na casa do próprio coronel, que morava lá prás bandas do córrego “escorrega vê bunda” no Bufante, bem adiante do “Pai Toma”. E numa noite enluarada, onde os vira-latas uivam como lobos famintos, sentada dentro do córrego “escorrega vê Bunda”, deu ela um grito lancinante e tão alto, quanto a parição do Macunaíma, o grito do Ipiranga, ou o grito de parição dado pôr Debora Duarte em plena floresta de uma das novelas brasileiras ( Terra Nostra).


Santuário Pantanal – 1981

Romance. 230 páginas.
O autor promove ação descritiva sobre o pantanal mato-grossense.

Aborda a sua fauna, flora e acidentes geográficos. Coloca-se na posição de criador, (no sonho do personagem “Manezinho farta pedaço” quando o Éden fora formado entre o Tigre e o Eufrates.
O autor descreve a beleza do pantanal, inicialmente em prosa poética, para depois incluir situações românticas onde o personagem vive um encontro com extraterrestres, a professorinha Bárbara.
No livro encontramos opiniões do escritor Guilherme Ricardo Dick, do sendo motivo de um artigo elogioso do mesmo. Opinião do professor e Acadêmico Natalino Ferreira Mendes e ainda a opinião do Jornalista e também Acadêmico José Cidalino Carrara.
O autor busca através de escrita simples, levar o leitor a sonhar e encontrar-se dentro do pantanal, nos quadros pintados via literatura.
Chama atenção ao perigo da depredação do meio ambiente, chama ainda atenção com severas críticas, sobre a construção de barragens no pantanal, alterando o curso de suas águas, colocando em risco o ecossistema.
Faz constar um romance, o único na Literatura Mato-grossense, onde o Linguajar do garimpeiro, é trabalhado. E esta constatação é fruto de pesquisa.


Imprensa como Tribuna – 1983

Crônicas – livro de 100 páginas

O autor através de crônicas publicadas em vários jornais da cidade, promove uma coletânea de crônicas , enfocando várias situações atinentes a cidade. Através das crônicas o autor busca transformar os jornais em verdadeiras tribunas , criticando, alertando, aplaudindo e descrevendo as coisas do dia-a-dia de uma cidade com grande crescimento migratório, mas também com grandes problemas , que vão desde o saneamento básico , a coleta de lixo, como também o próprio bem estar do cidadão no exercício da sua cidadania .

O autor descreve o papel dos bairros , verdadeiros retalhos de uma cidade .Mormente Cuiabá onde a grande maioria dos bairros são bairros de ocupação, sem planejamentos, decorrendo disto estrangulamento viário e de toda política urbanística.


Tempo e vento – 1995


Ensaios poéticos. 70 páginas.
O autor utilizando a ação poética, faz digressões sobre o tempo e o vento. Trabalha com metáforas no tema tempo contrapondo o vento, e vice versa.
Tenta o autor na sua obra, levar o leitor a reflexões sobre o tema tempo e vento.

TEMPO E VENTO

“Este senhor vento
soprou entre os dentes da primavera
brisas refrescantes,
aplacando o calor
da senhora Terra,
no seu tempo de menopausa”
“Envelheci
na juventude do tempo,
onde minha vida
passou como vento,
rápido deixando rastros
de vento no tempo
“Nos olhos do tempo
mensagens ficaram gravadas.
Algumas graniticamente,
outras nas páginas do vento”.



Pássaros – 1995

 

Ensaios poéticos. 85 páginas.
O autor fez publicar alguns tópicos de alguns poemas no Diário da Cultura do Estado de Mato Grosso.

A obra enquanto ensaio poético, busca descrever os pássaros nos Voos, nas plumagens, no romper dos ventos acariciando suas penas e ainda os seus maviosos cantos.

Pássaros
Ofendido de morte
por um balaço cruel,
o pássaro agonizante,
o pássaro agonizante,
agarrou-se a um fio de luz
olhando para seu vilão,
imitando Jesus,
cantou-lhe uma bela
e última canção
A pedrada do menino
cegou, o pobre pássaro
que conseguiu voando, no cantar chorar.
Hoje homem,
não conseguiu apagar,
das lembranças da vida
nem desapareceu do ouvido
aquele lindo e dolorido
cantar
No Vôo rasante
de peito e asas abertas
plumando docilmente
o pássaro, massageia
o vento
Não tendo como se beijarem
nem por isto, deixaram de se amarem
dois pássaros apaixonados.
Olharam-se, na carícia do olhar
cantaram canções de amor, ao trinar.
Dão as mãos batendo as asas
e vão construir um ninho !
Os pássaros
apesar de voarem
em revoadas
com muitas passaradas
vivem na solidão
Não seria o poeta , um pássaro ?
Voa nas asas das penas,
dos sonhos toma cores
no colorido das fantasias
faz da poesia um canto.
É solitário com uma multidão
de palavras ! 
(MMM/Junior)


Corpo e alma – 1995

Ensaios de poesia moderna. 80 páginas.

O autor poeticamente, estabelece relação entre o corpo e a alma.
Esotericamente busca compreender esta dicotomia tão misteriosa e tão atraente para todos os humanos.

Corpo e alma
Apodreceu minha alma
faminta de fantasias
sedenta de sonhos
esturricada de ilusões .
Inerte ficou
na estrada do tempo
virou poeira levada pelo vento.
Mas exala cheiro de poesia.
Não deixe sua alma envelhecer
com o corpo!
Alimente-a
com poesias e fantasias
e mesmo ilusões .
Afinal o que é
a vida!


Sonhos/poemas/fantasias – 1995


“Sonhos /poemas/fantasias” ( 1995 ) ( ensaios poéticos ) ( 100 páginas ).
O autor através de versos livres procura harmonizar esses três componentes da vida “sonhos/poemas/ fantasias”, até por entender que a felicidade está na harmonia deste três componentes que nos ajudam a atravessar este Saara da vida, como verdadeiro Oásis a nos refrigerar .


Poemas na Frase – 1995

 

Ensaios Poéticos. 85 páginas.


O autor tenta condensar, possíveis poemas numa só frase.

Busca retratar situações do Pantanal e da região onde vive, sendo portanto uma obra telúrica.Tenta algemar palavras, descascando-as como mangas rosas, deixando escorrer o gostoso caldo adocicado, acompanhado do aroma sazonado dos frutos maduros.
Na ação metafórica, busca descobrir poemas embaixo de um Til ou sob um acento circunflexo, amparando-se nas crases que mudam o mérito das formas semânticas . Ao escrever coloca a sua alma dentro do Pantanal e como ação de mentevismo sente o cheiro do tarumã, ouve trinados do Aram-quam, aprende o equilíbrio do Beija-flor, ouve o murmurar dos corixos, o chicote do pantaneiro, duetando com os berrantes nas cavalgadas das águas levantando poeira. O poema há que incorporar a alma como nódoa de caju num tecido de linho branco!

“O chicote pantaneiro no ar,
é um beliscão no vento”
“Chuva no pantanal,
é plantio de águas”
“O maior bicho
do pantanal,
é bípede carnívoro,
e fala!”
“O tiro entre os olhos
da pintada,
é o buraco negro,
do pantanal!”
“Com o aspecto paradisíaco
que possuí,
será que ainda precisa
de Deus?”
“Depredar o pantanal,
em última instância é,
incendiar todas bibliotecas,
matar todos os poetas e músicos,
quebrar todos instrumentos musicais .
Destruir, Deus!”


Do Cerrado Pantanal ao Cosmo um Passeio Poetico - 2008;
Revendo e Reciclando a Cultura Cuiabana;

Editora: Janina
Ano: 2006
Estante: Literatura Brasileira
Peso: 400g
Cadastrado em: sábado, 5/5/2012. 18:26:11
Descrição: O objetivo primacial deste livro é motivar, trazer e promover pesquisa da cultura cuiabana, principalmente a classe de alunos e professores do ensino médio, onde há necessidade premente de conhecer, reviver e reciclar a cultura cuiaba, pois a melhor maneira de perpetuar a cultura de um povo é fazer-la penetrar no mundo da criança e do adolescente.



 

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Sentimento cuiabano:
Ah! Cuiabá musa querida,
Vou sempre deixar, na minha vida
Seu amor derramar,
Em quedas saltitantes
Qual cachoeiras vibrantes
Seu sentimento lavrar.
Deixe-me apenas mirar
A beleza do seu olhar.
Sentir seu calor.
Dormir, morrer, sonhar!
Moisés Martins.

Ruas de Cuiabá
Minha cidade tem todo tipo de rua que “Ocê pensá”
Do meio, de baixo e de cima.
Rios, córregos e montanhas,
E o famoso “Morro da colina”.
Parecem feias,
Mas são todas amadas,
Pelo senhor Bom Jesus de Cuiabá.
Não são tortas, disse o poeta.
Mas anguladas como os diamantes
O arco do índio,
Os bordados tropeiros nas redes trançadas.
Moisés Martins. 



 



Cuiabano tá cô friu! 

Manhã diferente para nós cuiabanos, acostumados com a intensa canícula, de 38 ou 39 graus. Deve ser algum minuano argentino que sempre nos visita nos meses de junho início de julho, eles os argentinos que já nos assustaram com a nossa seleção de futebol. Engraçado ver a cuiabanada, com aspecto de riograndense, todo rebuçado. Imagine você aqueles que estão acostumados a camisetas, calçoes e vestimentas leves, rebuçados e com "Difruço". A vida da cidade muda, embora o frio estimule outros padrões que não os usuais da vida do dia-a-dia cuiabano.Ainda bem que é uma situação passageira, e logo teremos o astro rei sorrindo, brilhando e alegrando a vida do cuiabano. No tempo das Casas Pernanbucanas, o cobertores chamados "Seca Poço", estariam empromoção e a população consumiria para aquecer seus lares. E o quentão, na festa de Santo, S. Benedito, S. Pedro e S. João na casa de João da Cuíca, esquentava o peito do cuiabano, onde o rasta pé, rasqueado e Forró, estavam presentes.
Reviver Cuiabá, é alegrar a alma, e ter vontade de continuar vivendo!
(Moisés Martins)

 
Imortal da Academia Mato-grossense de Letras, Moisés possui uma vasta obra em verso e prosa. E como se não bastasse, ainda escrevia canções. Suas composições sempre exaltaram a cultura e o jeito de ser do cuiabano.

Em 1980, durante o regime militar, Moisés Martins estava na Câmara Municipal de Cuiabá e foi o único vereador a não aceitar a prorrogação de dois anos dos mandatos municipais proposta pela ditadura.


Périplo do poeta:

O poeta abre as janelas da sua alma, e na sua calma, pergunta, quem sou?
Olha o universo no céu projetado, derrama seu olhar, que se espraia,
perguntando, ao mesmo tempo no fim do infinito, vê-se sentado.
Parece que seu corpo aqui está, a olhar, sua alma no espaço cósmico sentada,
dialogando com querubins,
com seres da infinita caminhada .
Toma uma nuvem pôr travesseiro, repousa a sedosa cabeleira.
Mas, o corpo no ar pesa e tende a se despencar, porém surge o arco-íris
onde pode se agarrar.
Entretanto, seu corpo sem alma, não sonha,
É apenas porção da matéria limitada.
E a alma sem corpo, apenas sonha, etérea forma imaterializada.
Seria o poeta a amalgama da alma e da matéria limitada ?
Mas, qual o instrumento do poeta ?
O corpo que nas suas idéias, materializa ?
Ou a alma que sem idéias, imortaliza ?
Seria o poeta a dualidade destas duas situações, que embora conflitantes,
convergem nas mesmas intenções ?
Porém a poesia não está só no poeta
Observe o vôo do Beija-flor, as ondas do mar encapelando-se no pôr do sol,
o sorriso de uma criança quando não sente dor, o vôo do condor
o arrebol contemplando.
O prateado do luar, luz no olhos do
pirilampo, colocando,
que dispersos no pantanal, estrelas no chão vão formando,
no lago plácido com a lua um sorriso estampando, na queda de um
frutinho, o espelho d’ água, quebrando, a forma bela da lua desfigurando.
Observe Deus que sempre está nos observando!
E nós dificuldade achando em
encontrá-lo, quando ao nosso lado está caminhando.
Mas, nossa insensibilidade, não tem sensibilidade, para com ele irmo-nos, identificando.
Observe você poeta! Que pensa a verdade possuir!
Que ilusão! Mas...tendes que assim ser, essência do seu existir !
Tendes a falsa humildade, até porque sem esta característica impossível poeta ser !
Pois manuseias o subjetivo, na realidade objetiva do ser !
Afinal quem és tu poeta?
Após todas estas lucubrações, sois nuvens formando o céu,
ou sois céus de nuvens em formações ?
O gostoso de poeta ser, é a sensação ter, de nunca saber,
o seu início ou fim.
Como o infinito, que finitamente fez-me
ser poeta assim !


OLHOS

ARAUTOS DA ALMA, IMANENTE!
DISCURSANDO NO SILENCIO DO OLHAR.
RADAR DO FÍSICO, EFÊMERO MANENTE!
COM A MENTE A COMANDAR.

POSSUEM DUAS MENINAS, QUAL FLOR EM BOTÃO.
NA SUA ÍRIS A BRINCAREM
BAILANDO NOS CÍLIOS, O BALÉ DA ILUSÃO!
PRODUZINDO LAMPEJOS AO PISCAREM!

         FONTE DE DORES,
         QUE LÁGRIMAS PODEM DERRAMAR.
         CANTEIROS DE FLORES,

SEM JARDIM POSSUIREM,
ARMA DO AMOR, QUANDO ESTÃO A AMAR!
REFLEXO DE ESTRELAS SEM LUZ PRODUZIREM!


 
OLHOS VERDES

Olhos verdes, cor roubada das profundezas do Mar
Irradiando sempre sonhos a luzir,
Reflexos de amor, quando destinados a amar!
Ou ilusões á aqueles que o deseja possuir.

Esperanças irradiando ao brilhar!
Quantos males podem produzir!
A esperança está sempre do verde, o verde roubar,
ilusões quase sempre albergadas  no verbo amar

         Porém se não o souber usar
         Mas apenas possuí-los por possuir,
         Melhor seria cego ser, não enxergar

Em possuindo-os sem os saber usar,
Seria como luz sem luzir,
Apenas rio sem nunca ser Mar!
                                               Moisés Martins.


OLHOS NEGROS

Mais negros ficam ao mirar,
O ser amado, luz refletindo,
Meiguice com o olhar a falar,
Sem nenhum som emitindo!

Olhos negros quais asas da graúna,
Ou de uma noite sem luar,
Ou de tristeza da mágoa, una
Ou da alegria, para a tristeza enganar!

         Olhos negros parecem-me tristes por natureza!
         Ou seria apenas minha impressão?
         Que mesmo assim neles vislumbro beleza!

Minha amada os possuem, com realeza!
Na incógnita da minha contemplação,
Incapaz de expressar meu sentimento com clareza!

                                            
                   OLHOS AZUIS
Azuis querendo o Mar imitar!
Janelas da alma que o espírito vê!
Clarinadas do amor á cantar!
Este amor que me une a você!

         Azul cor preferida dos amantes,
         Não sei se pela calma e paz que induz.
         Das cores uma das mais vibrantes,
         Repousando em nuvens de luz!

Preferida também do Senhor do Universo,
Que me deu sensibilidade,
Para cantá-la em verso.
         Que também me deu luz,
         Que dosou minha vaidade
         Iluminando minha vida para a eternidade!

                                           Moisés Martins.




         OLHOS CASTANHOS
Sua mirada tem um quê de enganador!
Brilham até sem incidência de luz.
Olhar que sabe ser mistificador!
Induzindo do fel á doçura que não produz.
         Parecem da pantera, ter roubado,
         a sagacidade, com ardilosa sutileza,
         ao dar o bote cruel e planejado.
         Apesar dos pesares, mantendo a beleza.
São muito requisitados
Com sua mirada penetrante,
porém temidos e respeitados!
         Enganam quando amam e não são amados.
         Fácil de transformar-se em amante,
         dependendo de quem conquista, ou são conquistados!
                                             


               OS OLHOS DE CRISTO

SOMATÓRIO DE TODAS AS VIRTUDES, ALEGRIAS E HORRORES,
QUE O HUMANO DA SUA DIVINDADE PODE SER DECODIFICADO!
NA PRESENÇA DE PILATOS, ALGOZES INTERROGADORES.
DORES DO GETSEMANI AO GOLGOTA AO SER CRUCIFICADO!

COM AS CRIANÇAS, TERNOS IRRADIANTES!
COM A PROSTITUTA, MISERICORDIOSOS!
COM OS VENDILHÕES DO TEMPLO, IRRITANTES!
NO CRUCIFIXO, APESAR DE SUPLICANTES, VITORIOSOS.

         COM MARIA, AMOROSOS E PACIENTES,
         COM A HUMANIDADE, COMPREENSIVOS DOANDO AMORES!
         COM OS POBRES E DOENTES, DOCEMENTE ENVOLVENTES!

         NA CAMINHADA NA TERRA,
         RESSUSCITANDO, UNGUENTO DE DORES,
         ARAUTO DA PAZ, ABOMINANDO A GUERRA!

                             
“NÃO QUERER MORRER É CONTRARIAR A NATUREZA
 E BRIGAR COM DEUS! 
POIS, QUER QUEIRA QUER NÃO JÁ NASCEMOS MORRENDO!”
“a melhor forma de dizer o amor, é não dizer e sim praticar!”
“O córrego da Prainha se enverga qual espinha dando um perfil
Do pacu que no sarã aninha”
“O lodo das telhas seculares, copulando uma sobre outra, evitando o orgasmo da chuva, discursando na memória dos séculos”
“no meu sono, promovo sonho de conquistar o Universo, vejo Deus e impetro mandado de “Uti possidetis”
“Que vazio seria o mundo sem poetas, formadores de arco íris nas cachoeiras dos pensamentos”
“O louco olhou-me com sua bocarra cheia de dentes, sorrindo afirmou-me: você é normal?”
“ O infinito me atraí tão infinitamente que seu finito nçao consigo achar!”
“ Estrelas espirro de Deus, gotículas borrando o rendado véu do céu!”
“Netuno o único planeta que noivou, casou e se enviuvou, com quem? Só ele sabe”
“As madrugadas, aquecem minha alma fazendo-a suar poesias”
“ Nas dimensões da eternidade deixo resquícios fragmentados em saudade!”
“A eternidade deve ser maravilhosa, por isto ninguém jamais orá denunciá-la, o egoísmo do ser humano persiste em existir!”
“Sou fragmento do Universo, talvez um micro do seu átomo, livrando=me de ser uma ilha no seu imenso oceano!”
“O amor é uma palavra tão sacro santa que tenho medo de pronunciá-la e imácula=la!”
“ O verdadeiro amor se demonstra não apenas se fala!”
“O amor nasceu qual luz para ofuscar a tenebrosa escuridão do ódio!”
“ No ser humano habitam: o querer, o poder e a frustração! Digladiam entre si com a sensação ilusória de vir a vencer!”
“ Será que Deus proveu um Cristo para outros planetas? Se não, eis o começo da injustiça!”
“ Falam em reencarnação, em purgatório, e os albergados nos braços do Pai Abraão. E se nada disto for fato, estaremos apenas ratificando a Lei de Lavoisier!”
“ A filosofia pensa, a Teologia, abre caminho para os céus, a Antropologia tenta desvendar as mazelas do ser humano, a Sociologia a convivência, a poesia, a poesia apenas decanta e cultua a beleza!”
“A ciência é tão empírica, que somente descobre o que há séculos já existia! Nunca soube de um morcego morto por infarto do miocárdio!”
“ Somos seres irracionais, embora não admitamos! Pois basta raciocinarmos e veremos se a retro assertiva procede!”
“Prova da nossa irracionalidade, é duvidarmos da presença de um Supremo Criador que fez tudo até a nossa irracionalidade!”
“Não creia em Deus apenas por medo, mas sim para encontrar a essência do puro amor!”
“Para haurir o amor de Deus, basta observar o lépido beija flor sugando o néctar da flor, encantando-nos com sua beleza, verdadeiro arco íris bailando no espaço!”
  “talvez a palavra mais utilizada pelo ser humano seja Deus, até porque é uma simples palavra! Porém a essência de DEUS exige mais que uma palavra!”
“Para justificar sua incompetência, o homem muda o nome de Deus, em várias raças, língua e regiões! Cada qual querendo aprisioná-lo, com se fosse uma substancia química produzida “In vitro” num laboratório!”
“A maior formula para encontrar Deus, é reconhecer a sua incompetência e ter a consciência do quanto é pequeno, na exuberância de Deus!”
“Minha inteligência é pequena para entender os desígnios de Deus! Mas não se alcança Deus pela inteligência, porém através da sua benevolência”



A DOCE ILUSÃO DE PODER SER!

Certo dia de poeta, vieram me chamar
No mergulho investigativo que, em mim processei,
Até que o epíteto pude temeroso acatar
Apesar de não ser doutor, mesmo assim aceitei

O poeta é arauto de Deus. Grito social a clamar!
Algemando palavras formando conceitos nos quais acreditei
Algumas vezes sorrindo para a tristeza espantar
Querendo o mundo transformar tendo a poesia como lei

Olhei-me no espelho e a responsabilidade qual dilúvio apareceu
Refletindo dos olhos do homem menino docemente a espargir!
Dobrei os joelhos agradecendo ao Senhor o dom que me deu

No início assustei-me, pois quase analfabeto sou, mas que creu
No Deus que não bate em porta errada, sem precisar perquirir
Quando quer falar aos homens através de um escolhido seu
                                               C/04/06/2012


                                                   
O Brasão do amor!

Na canção a poesia se encanta ganha o céu e voa
Quais asas de um beija flor sugando o néctar das flores
Lépido qual colorido do arco íris que, na cachoeira ressoa.
Transformando o encanto da poesia em varias cores.

Uma bela canção é brisa que lava a dor dos corações,
Fazendo ninho no jequitibá qual Aranquã do pantanal
Balançando quais redes pantaneiras nos rincões
Também com seus coloridos nossa poesia artesanal

Só uma palavra ganha a poesia de uma bela canção
Palavra esta que, além de Divina liga o humano ao criador
Com poucas letras, pois seu conceito são lavras de um vulcão

É o amor esta doce palavra tão desgastada pela erosão
Que maltrapilha  consegue aplacar das lavras o furor
Fazendo do bruto o arauto desta palavra timbrada qual um brasão
                                      Cuiabá, 25 de maio de 2012
                                       

Mês de maio

Maio, onde os corações qual gardênia florescida
Exalando perfume inebriante das rosas.
Mês das noivas, quando a pureza existia na vida
Preparando-as para a missões fragorosas,

De mãe ser doando existência na essência de um novo ser!
Maio mês das mães que ajoelhadas no berço a orar
Até a própria vida na prece contida até sangue verter,
Crucificada na cruz do viver, num Getesemani a implorar.

Mês lindo onde a própria natureza a beleza está a oferecer.
Na beleza dos Ipês, na formosura da pétala da rosa
 Na brisa refrescante qual hálito de Deus no decorrer

no calendário do ano onde poucos estão a perceber.
Este mês tão belo, que inspira poetas em verso e prosa
Que é lenitivo à todos viventes que irão morrer!
                   CUIABÁ, 28 DE MAIO DE 2012
                                     


LETRAS MUSICAIS:

COMPOSIÇÃO: RAUL SAMPAIO/ BENIL SANTOS

                   LEMBRANÇAS:
         LEMBRO UM OLHAR
         LEMBRO UM LUGAR
         TEU VULTO AMADO
         LEMBRO UM SORRISO E O PARAISO
QUE TIVE AO TEU LADO
         LEMBRO A SAUDADE
         QUE HOJE INVADE OS DIAS MEUS
         PARA O MEU MAL
         LEMBRO AFINAL
         UM TRISTE ADEUS
SOU AGORA NO MAR DESTA VIDA
UM BARCO A VAGAR
ONDE ESTÁ TEU OLHAR?
ONDE ESTÁ TEU SORRISO E AQUELE LUGAR?
EU DEVIA SORRIR, EU DEVIA
PARA O MEU PADECER OCULTAR
MAS DIANTE DE TANTAS LEMBRANÇAS
ME PONHO A CHORAR



A FLOR DO MEU BAIRRO
A FLOR DO MEU BAIRRO
TINHA O LIRISMO DA LUA
VIVIA NA MESMA RUA
NUM CHALÉ FRONTEIRO AO MEU
EU CONHECI O SEU PRIMEIRO AMOR
A SUA PRIMEIRA DOR
E O PRIMEIRO EU SOU!
LEMBRO-ME AINDA, O BAIRRO INTEIRO SENTIU
A FLOR INGENUA SUMIUCOM SEU AMOR O SEU REI
E EU QUE ERA SEU PRIMEIRO NAMORADO
DE TÃO TRISTE AMARGURADO
NUNCA MAIS ME APAIXONEI
HOJE DEPOIS DE ALGUNS ANOS
ENCONTREI-ME COM ELA
NA RUA DOS DESENGANOS
MENOS INGENUA E MAIS BELA
ELA FINGINFO INOCENTE
A BOCA ME OFERECEU
E EU PAGUEI POR UM BEIJO
QUE NO PASSADO FOI MEU
A MINHA HISTÓRIA É VULGAR MAIS ALGO FICA PROVADO
NEM SEMPRE O PRIMEIRO AMOR É O PRIMEIRO NAMORADO.


BONECA DE TRAPO:

BONECA DE TRAPO
PEDAÇO DA VIDA, QUE VIVE PERDIDA
NO MUNDO A ROÇAR
BONECA INOCENTE QUE INCONSCIENTE
PECAS SÓ POR PRAZER VIVE PARA PECAR
BONECA EU TE QUERO
COM TODOS PECADOS COM TODOS OS VÍCIOS
COMTUDO AFINAL
EU QUERO ESSE CORPO
QUE A PLEBE DESEJA
EMBORA ELE SEJA PRENUNCIO DO MAL
BONECA NOTURNA QUE GOSTA DA LUA
QUE É FÃ DAS ESTRELEAS ADORA O LUAR
QUE SAI PELA NOITE AMANHECE NA RUA
QUE HÁ MUITO NÃO SABE O QUE É LUZ SOLAR
BONECA VADIA DE MANHAS E ARTIFICIOS
EU QUERO PRA MIM SEU AMOR SÓ PORQUE
ACEITO OS SEUS ERROS PECADOS E VÍCIOS
POIS NA MINHA VIDA MEU VÍCIO É VOCÊ!



                   LAURA:
O VALE EM FLOR
A FONTE O RIO CANTANDO
O SOL BANHANDO A ESTRADA
COM FRASES DE AMOR
LAURA QUE É DA ROSA DOS CABELOS
LAURA QUE É DO VALR SEMPRE EM FLOR
OH! LAURA COMO É BELA A VIDA
OH! LAURA COMO É BELO O AMOR.
DEPOIS O ADEUS DE UM LENÇO NA ESTRADA DISTANTE
NO ASFALTO UM BAR TAÇAS DE FEL
LAURA QUE É DA ROSA DOS CABELOS
LAURA QUE É DO VALE SEMPRE EM FLOR
OH! LAURA COMO É BELA A VIDA
OH! LAURA COMO É BELO O AMOR.
OH! LAURA...



CANSADO DE TANTO AMAR!
EU QUIS UM DIA CRIAR
NA MINHA IMAGINAÇÃO
UMA MULHER DIFERENTE DE OLHAR E VOZ ENVOLVENTE
QUE ATINGISSE A PERFEIÇÃO
COMEÇEI A ESCULTURAR
NO MEU SONHO SINGULAR
ESTA MULHER FANTASIA
DEI-LHE A VOZ DE DULCINEIA
A MILICIA DE CRIMEIA, A PUREZA DE MARIA
ASSIM DE RETALHO EM RETALHO
TERMINEI O MEU TRABALHO
MEU SONHO DE ESCULTOR
E QUANDO CHEGUEI AO FIM
TINHA DIANTE DE MIM
VOCÊ SÓ VOCÊ
MEU AMOR!
















Fontes:
Moisés Mendes Martins Júnior
Todos os Direitos Autorais Reservados ao Autor. 

4 comentários:

Meu Cantinho disse...

Nossa! Que felicidade ver Moises Martins aqui na sua revista Daufen, falar em Cuiabá é falar de Moises , Parabéns Daufen , Parabéns Moises, e nem vou precisar ficar jueada no mio né? rssssssss, bjus aos dois

Ely Esteves disse...

Fico muito Feilz pelo reconhecimento deste Poeta Brasileiro!!! Que Têm muitas histórias à desfrutas pela sociedade!!! Dentre elas seus ato de ser o ÚNICO POLÍTICO A NÃO COMPACTUAR COM A DITADURA, RECUSANDO O MANDATO BIÔNICO! Pense nisso! Parabéns

mochiaro disse...

Ao entrar recentemente na Revista Biografia onde folheio e encontro valores como Moisés Mendes Martins Júnior que de Mato Grosso se junta ao, tambem desse Estado, poeta Manoel de Barros.
Parabenizo, Sr Daufen por essa brilhante iniciativa.
Ao poeta Martins Júnior faço unir ao poeta Ferreira Gullar aqui do Rio de Janeiro que recentemente fez oitenta anos.
um abraço

Anônimo disse...

Complementando o texto sobre o poeta matogrossense Moisés Martins, informo que o mesmo publicou recentemente um livro em louvor ao grande Águia de Haia - Rui Barbosa, bem como possui uma trilogia ( " Cuiabá de Trancas e Tramelas", " Do cerrado Pantanal, ao Cosmo: Um Passeio Poético" e " Revendo e Reciclando a Cultura Cuiabana) que se encontram disponíveis em Cuiabá na Rede de Livrarias Janina.Muita coisa ainda tem que ser mostrada sobre o trabalho literário deste homem de imenso valor!