Manuel da Costa Pinto [Jornalista,Crítico Literário e Escritor Brasileiro]

Manuel da Costa Pinto
Jornalista e crítico literário, foi um dos criadores da "Cult", revista que editou por seis anos.

Nasceu em São Paulo em 1966. É formado em jornalismo pela PUC-SP e mestre em teoria literária e literatura comparada pela USP (Universidade de São Paulo).

Foi editor-assistente da Edusp, editor-executivo do "Jornal da USP", editor-executivo da revista "Guia das Artes" (especializada em artes plásticas) e, de 1997 a 2003, coordenador editorial do Instituto Moreira Salles.

Na Folha, foi redator do extinto caderno Mais! e assinou, de 2003 a maio de 2010, a seção "Rodapé Literário", quinzenalmente aos sábados, na Ilustrada. 

É formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP/SP). 

Iniciou a carreira no Jornalismo em 1986 como estagiário do projeto Brado Retumbante: do Golpe às Diretas, do jornalista Paulo Markun, em São Paulo. O resultado da pesquisa e entrevistas virou um livro que posteriormente foi adotado pelo programa Biblioteca do Professor da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.


No início da década de 1990 trabalhou como editor executivo no Jornal da USP; foi editor assistente da Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) onde trabalhou diretamente com o renomado professor e crítico literário João Alexandre Barbosa, nome indissociável do veículo. Depois, exerceu a função de editor executivo da revista Guia das Artes/SP, especializada em Artes Plásticas. Antes do final da década passou a ser redator e colunista do extinto caderno Mais! da Folha de S.Paulo e já atuava como crítico literário na imprensa em geral.

Em 1997 foi o idealizador da Cult – Revista Brasileira de Literatura, onde atuou como editor responsável e colunista até 2003, em São Paulo. Em seguida, começou a assinar a seção Rodapé Literário, quinzenalmente aos sábados, no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo. Nessa atividade permaneceu até 2010. De 2006 a 2009 foi coordenador editorial do Instituto Moreira Salles (IMS) na capital paulista.


Há mais de uma década é colaborador e entrevistador do programa Roda Viva da TV Cultura na área de Literatura em geral. Na emissora, também participou como convidado de diversos programas. Atuou de 2007 a 2012 como editor e âncora do programa Letra Livre, continua à frente do Entrelinhas, na área de Literatura, como editor de Conteúdo e apresentador e, desde 2012, é comentarista de Literatura do tradicional Metrópolis.

Há alguns anos acumula, ainda, a função de editor do Guia Folha (que publica informações e notícias sobre o universo de livros, discos e filmes) e desde maio de 2010 assina, aos domingos, a coluna Fique em Casa da revista Sãopaulo, ambos da Folha de S.Paulo.

Em 2011, foi nomeado o curador da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece anualmente na cidade fluminense, da qual sempre participou como jornalista mediador e debatedor.


É autor dos livros Albert Camus – Um Elogio do Ensaio (Ateliê Editorial, 1998), Literatura Brasileira Hoje (Publifolha, 2004), O Livro de Ouro da Psicanálise (Ediouro, 2007) e Paisagens Interiores e Outros Ensaios (B4, 2012). É coautor de Ilha Deserta (Publifolha, 2003), com Bernardo Ajzemberg, Carlos Heitor Cony, Contardo Calligaris, Maria Rita Kehl, Moacyr Scliar (1937-2011), Nina Horta e Nuno Ramos, e de Sala de Ensaio (Imesp, 2010), com Inês Bogéa e Antonio Prata. Atuou como organizador dos livros A Inteligência e o Cadafalso (Editora Record, 1998), sobre textos de Albert Camus, Antologia de Crônicas: Crônica Brasileira Contemporânea (Salamandra, 2005), Antologia Comentada da Poesia Brasileira do Século 21 (Publifolha, 2006), Grandes Entrevistas do Milênio: O olhar de grandes pensadores (Globo, 2009) e Paisagens Interiores e Outros Ensaios (B4 Editores, 2012).


Amante da Literatura, Manuel da Costa Pinto possui uma carreira marcada pela presença constante dos livros e é um dos jornalistas mais reconhecidos da área por sua dedicação a este universo.
Entrevista com Manuel da Costa Pinto - Lady Chatterley


O rito da forma

(in Folha Ilustrada, 22 de abril de 2006)

"É preciso que venha de longe/ do vento mais antigo/ ou da morte/ é preciso que venha impreciso/ inesperado como a rosa/ ou como o riso/ o poema inecessário."

"No funil da noite seu vórtice de estrelas/ despenhamos para o alto, extasiados./ Olhos tornam-se estrelas no mesmo brilho/ estelares os corpos que se afastam/ trapezistas agora/ ou a terra para sempre os perdeu/ no negro mosaico da noite constelada?"

Os versos reproduzidos nos parágrafos acima são partes de poemas pertencentes a dois livros de Dora Ferreira da Silva - poeta que morreu em São Paulo no último dia 6, aos 87 anos.

Os primeiros foram extraídos de "Nascimento do Poema", do seu livro de estréia, "Andanças", publicado em 1970 e também incluído em "Poesia Reunida" (Topbooks, 1999). Os outros são do poema "Mosaicos da Noite", de uma de suas últimas obras, "Cartografia do Imaginário" (T. A. Queiroz, 2003).

Não é difícil notar semelhanças entre eles: ambos celebram algo que vem de longe ("do vento mais antigo ou da morte") ou que pode transportar para além de si (esse o sentido do "êxtase"); e, em ambos, temos um tom ao mesmo tempo solene e visionário, oscilando entre mito e sonho (que é um tipo de mitologia interior).

O remate desses dois poemas aponta para imagens opostas, porém complementares: ao final do primeiro (que narra a gênese da inspiração), o poema "desperta para o rito da forma lúcida"; no segundo (que descreve o processo onírico), a queda para o alto equivale ao "desvario de subir espaços sem usar escada".

Essa brevíssima leitura serve para mostrar a coesão da obra da escritora -que se torna mais eloqüente se considerarmos que "Andanças" reúne poemas escritos a partir de 1948. Ou seja, ao longo de quase 60 anos, Dora Ferreira da Silva (1918-2006) se manteve fiel a suas obsessões, como se houvesse um magma estável, uma substância fundamental que garantisse a unidade dessa dialética entre fundo e forma, essência e aparência.

Autora de "Retratos da Origem" (1988) e "Poemas da Estrangeira" (1995), Dora Ferreira da Silva foi também tradutora das "Elegias de Duíno", de Rilke, da poesia de Hölderlin e Saint-John Perse, de místicos como San Juan de la Cruz e Angelus Silesius e do pensador suíço Carl Gustav Jung (criador de uma teoria psicológica permeada pela filosofia da religião, com conceitos como arquétipo e inconsciente coletivo).

Essas referências "antimodernas" (pois calcadas numa imagem mitologizante do mundo), somadas à matéria intemporal da poesia de Dora, de certo modo explicam o relativo desconhecimento de sua obra.

Em geral, a crítica detecta nela uma vocação "demiúrgica", uma concepção do poeta como parteiro de novos mundos. Num dos ensaios publicados em "Poesia Reunida", por exemplo, José Paulo Paes vê em Dora um caso de hierofania, de "ato da manifestação do sagrado". E essa tendência ao transcendente, por sua vez, sintoniza-a com alguns valores estéticos da Geração de 45 -que acabou sendo uma vertente recalcada na memória do modernismo.

De fato, Dora compartilha com autores como Péricles Eugênio da Silva Ramos ou Bueno de Rivera a retórica elevada, o tom elegíaco e as referências eruditas ou espiritualistas. Ao contrário deles, porém, não se nota em sua poesia uma preocupação com o artesanato do verso (metrificação, rima) ou em perseguir as formas fixadas pela tradição.

Melhor dizendo, a atenção para procedimentos técnicos fica num segundo plano em relação ao cerne dessa poesia, que está na "visão sacramental da realidade", como observa Luiz Alberto Machado Cabral no prefácio de seu último livro, "Hídrias" (editora Odysseus, 2004).

Ao lado de "Talhamar" (1982), essa obra traz o traço mais marcante de Dora: a tentativa de conectar cada vivência pessoal a um imaginário impregnado por seus estudos da cultura grega. Estudos que transformaram a casa de Dora e de seu marido, o filósofo Vicente Ferreira da Silva (morto em 1963), num espaço para tertúlias e que, ao lado das revistas literárias por ela editadas ("Diálogo", "Cavalo Azul"), marcaram diversas gerações de poetas "panteístas" -constituindo um veio subterrâneo da poesia brasileira.


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1 comentários:

Anônimo disse...

Estava procurando a biografia do Manuel e achei este espaço.
Tudo de novo que acontece em literatura deve ser do conhecimento de escritores, poetas e amantes da poesia.
Eu tenho um produto novo, chama-se Poema Equacional, é algo diferente, você vai ficar espantado lendo esta criação. Tente entender o que é Poesia Equacional.
http://poema-triptico-equacional.blogspot.com.br

Abraço.