Luiz Carlos Ribeiro [Ator, Diretor, Arte Educador, Videasta, Escritor Brasileiro]

Luiz Carlos Ribeiro, bacharel em ciências jurídicas e sociais, ator, diretor, arte educador, videasta, escritor.

Auto-didata na área social do teatro. Estudou teatro com : Niete de Lima,(RJ) Jesus Chediak(RJ), Amir Hadaad(RJ), Fany Abramovich(SP), Rubens Correa(RJ), Ivan de Albuquerque(RJ, João das Neves(RJ), Luiz Carlos Vasconcelos(PA), Tácito Freire Borralho(MA), Fernando Augusto(PE)- Mamulengo Só  Riso –, Carlos Alberto Sofredini(SP), Ilo Crugle (SP)  - Caca Carvalho(SP), Luiz da rocha (RJ) João Brites- grupo O Bando de Portugal .

Em meados da década de 70, militou no movimento federativo para (re)organização do movimento teatral nacional e mato-grossense.
  
É fundador da Federação Mato-grossense de Teatro – FEMATA - e da Confederação Nacional de Teatro- CONFENATA-, tendo sido um dos seus diretores.  Em meados da década de 70, participou como ator e diretor da peça Arena Conta Zumbi, e coordenou dois circuitos estudantis de teatro no Estado de Mato Grosso, promovendo a interiorização da cultura no Estado de Mato Grosso - in anuário do teatro brasileiro, 1977, p.83-. 

Cronologia Artística

1981/83 co-organizou, junto a Federação Mato-grossense de Teatro: Circuito Xavante de Teatro; Circuito Araguaia de Teatro do Centro Oeste.

1978/80 é eleito presidente da Federação de Teatro de Mato Grosso- FEMATA 1980 participa do Projeto Mambembão/80, como ator e assistente de direção da peça Rio Abaixo- Rio Acima, Ou Ergue o Mocho e Vamos Palestrar, de autoria e direção Maria da Gloria Albues – indicado pelo critico Yan Michaski para receber dois prêmios mambembes. 

1982/84, coordenou o projeto de arte educação Terra: Uma Proposta de Interação Escola Comunidade, tendo como proponente o Grupo Terra de Teatro de Cuiabá.

1983/85 escreveu e dirigiu: a peça Gudibai Meu Boizinho tendo apresentado essa peça em comunidades rurais, pequenas cidades e comunidades; encenou em praça pública três autos natalinos, com abordagens culturais ameríndios. 1986/1998 trabalha na administração do Teatro Universitário, ora exercendo a função de diretor de programação, ora de supervisor do referido teatro.

90/92 freqüenta o curso de mestrado em educação pública, pela Universidade Federal de Mato Grosso, cujo foco de pesquisa era a experiência do Grupo Terra  de Teatro vivenciada na comunidade rural de Sucuri, Município de Cuiabá.

1993 interrompe seu curso de mestrado devido o falecimento prematuro de seu orientador Professor Doutor Alcides Lott. Na ocasião único docente com curso de doutoramento em teatro.

1994/1995: escreve e dirigi a trilogia do  teatro do absurdo: Pelos Cotovelos, A Virgindade Contestada e Vespa Sete.1995: participa em rede nacional, do episódio:”Incrivel,Fantástico, Extraordinário”, ao lado do ator e diretor Luiz Fernando Queiroz,produzido pela Rede Manchete, sob a direção de Marcos Sechechtman.

1.998: de 25 a 29 de julho proferiu a conferencia “Anchieta em Mato Grosso”- Autos da Pregação Universal - 450 anos”.

1998/2000:eleito pela classe artística Conselheiro de Cultura do Estado de Mato Grosso.  

2000 participa com a Cia D!Arte do Brasil a convite do diretor e dramaturgo português  João Brites, diretor do Grupo: O Bando, do FIAR – Festival Internacional de Teatro de Palmela,  como ator e co-autor do texto Marco Zero, escrito em parceria com Amauri Tangará.

2005/2006 participa do Projeto: Circulo dos Saberes,como o oficineiro de teatro, ministrado para jovens e adolescentes indígenas de diferentes etnias.

2006: Participa como docente do curso para formação de técnicos e atores, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura em parecia com o SESC/SENAI e, também, lança seu primeiro livro de contos: A Mala de Fugir e Outras Histórias.

2007: de 04 a 11 de novembro participa do “II Seminario de Jovens e Adolescentes Indígenas”,  em terras Umutina , Barra do Bugres/MT,cujos contato vem mantendo desde o ano de 2005 com as etnias: Umutina Bakairi e Paresi. 

2008 participa como ator da peça : A Mala de fugir e Outras Histórias, de sua autoria, sob a direção de Julio de Camargo. Participa do Projeto de Dramaturgia Mato-grossense/SESC-MT - leitura dramática do texto de sua autoria O Grito do Esquecido. 

2009 a Companhia Cena Onze encena a peça FICA, PEDRO, de sua autoria, que faz abordagens á vida de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia/MT. 

2010: de 28 de julho a 1º de agosto, participa, a convite da atriz e produtora cultual Benita Pietro do “9º Simpósio Internacional de Contadores de Histórias”; como facilitar da oficina: Tamoin, um Contador de História, com abordagem da importância dos contadores de história nas sociedades ágrafas indígenas. 

2011- participa da Semana de Literatura- SESC ARSENAL-  como palestrante e mediador da escritora Fany Abramovich. Participou da oficina de contação de história com o grupo: Tapetes Contadores de História, da cidade do Rio de Janeiro; oficina de preparação vocal com Muaricio Detoni. oficina de improvisação teatral, ministrada por Fernanda...., professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Oficina de dramaturgia com Caio de Andrade/RJ. Oficina de improvisação com máscaras balinesas, ministrada pelo ator e diretor Sthéfane Brodt, da Cia Amork de Teatro do Rio de Janeiro. Co-fundador do grupo de Estudo e Pesquisa, que tem como objeto de discussão a obra: A Escritura Corporal do Ator Contemporâneo”, de autoria de Andrea Stezel- relatao da experiência teatral da Cia Amok de Teatro- da cidade do Rio de Janeiro. Finaliza os conteúdos programáticos da oficina:  “A GEOMETRIA SAGRADA DO RITO’, objeto da pesquisa antropológica que vem desenvolvendo  junto as etnias indiginas:  Umutina, Bakairi e Paresi  do Estado de Mato Grosso.


 


Ribeiro declarou que sua área é o teatro e tem uma experiência social na área. Diz que atua, mas prefere o trabalho de direção. Já foi professor de teatro e confessa que gosta de transmitir idéias. 

Por meio de uma série de contos para teatro, ele foi incentivado por um produtor a publicar seus textos, que por sinal foi um sucesso total de vendas. Participou de um Simpósio Internacional de contadores de historia e vendeu alguns livros por lá. O ator/escritor diz que já está caminhando para o seu segundo livro.

Segundo ele, o seu segundo livro inspirou a formação de mais uma peça e, através de recortes, ele produziu uma peça chamada Sete contadores de história que é um musical o todo tempo cantado, "a história dentro do teatro vira dramaturgia, e isso é uma experiência muito legal" diz Ribeiro, que manifesta sua vontade de trazer essa peça para se apresentar em Alto Araguaia," eu gostaria de vir um dia aqui apresentar, pois aqui tem uma universidade, tem muitos estudantes, e essa é uma peça de 08 a 80, ou seja, não tem censura", declara ele. 

Luis Carlos há quatro anos faz um trabalho em tangará da Serra (MT) com dois grupos de teatro indígena: Grupo "Metamorfose", sob a direção da Professora Joeli Milhorança e o grupo "Teatro Nação Nativa", formado jovens atores indios, da Nação Umutina. Segundo ele, ensinou toda a técnica para os jovens índios e foram eles que escreveram, dirigiram e encenaram as peças.  Esse grupo já participou de festivais no Estado de Mato Grosso e, também, fora do estado, em Curitiba, capital do Paraná, por exemplo.

"Teatro todo mundo faz, mas tem que ter técnica".(Luiz Carlos Ribeiro)



Textos, peças teatrais e publicações  de Luiz Carlos Ribeiro 


CONCEITO SOBRE TEATRO 
Texto de:  Luiz Carlos Ribeiro


O teatro me fascina sobre vários aspectos: um deles é a capacidade de poder propor à sociedade a transformação de alguma coisa... 

Ele oportuniza ao ator transgredir tudo que está ou foi pré-estabelecido pelos sistemas. Oferece, também ao ator a possibilidade de desvestir a máscara padronizada que a sociedade consumista nos impõe cotidianamente,  a mentira que somos, o engodo social que projetamos, a farsa política dos nossos governantes...

Sem esses aspectos, a meu ver, um espetáculo não se reveste da centelha de vida que deve possuir.

Por outro lado à obra teatral deve, também, impregnar o público de valores, de bons valores. O mundo está muito violento. O homem perdeu no redemoinho da violência a alma da sua solidariedade.

O egoísmo está sobrepondo o sentimento de solidariedade, de humanismo. O homem contemporâneo passou a ter repulsa e medo do seu próprio semelhante. O teatro tem o poder de reconciliar e solidarizar com o público. O teatro não pode ter preconceito de nada, muito menos o ator.

As pessoas de teatro, os artistas de um modo geral, a meu ver, são mais solidários, mais sensíveis, porque em nossa volta existe uma corrente de sensibilidade extraordinária, emanada do grande Circo Místico. 

Na verdade, somos mais solidários sim, porque há milênios “somos expulsos das igrejas, das praças públicas, das cidades, das instituições culturais, dos cemitérios, e vamos nos reconciliar com os ciganos, os vagabundos, os poetas, os mendigos, as prostitutas, os viciados, os marginais, os homossexuais e lá nos reencontramos e nos solidarizamos como seres humanos”. 

Ao finalizar um espetáculo teatral o artista se sente recompensado por ter contribuído para que o espectador se encontre consigo mesmo acocorado dentro de sua própria alma.



Evangelho Segundo Ricardo Guilherme Dick 

Obra: Cerimônia do esquecimento. 

Autor: Ricardo Guilherme Dick 

Adaptação: Luiz Carlos Ribeiro. 
Evangelho do Sertão

O mundo está ficando cada vez mais pequeno. Só sobra o espaço do coração. Lá é o sertão onde se luta contra o esquecimento. O sertão é onde a gente pensa de inopinado. Sertão é onde o coração gosta em imensa solidão.

Sertão é o lugar onde Deus toca na fonte do homem e lhe diz: sinta, aqui é o coração do Sertão. Aqui é o coração da tua solidão. 

Chegar do sertão? Mas onde é isso que eu não compreendi direito. Ahh, eu te digo. O Sertão não se compreende se sente. Assim como se sente saudade de uma água bebida na serra e outra bebida no vale, haja que ter o mesmo gosto, sentido e vertência, da água que cai das chuvas ou das águas que correm entre samambaias frescas, onde não pisa pé de gente? Que gosto tem a água da solidão. Que gosto tem a água do mundo? Um gosto diferente ao mesmo paladar, mas sempre a mesma água com gosto das primeiras águas. Agora me diga, quem vai compreender o Sertão?

- Olhe, o que pode representar o Sertão é um instrumento chamado berrante já ouviu falar nele, não? O sertão inteiro ressoa nele.

O sertão é onde se luta contra a civilização, mas quem preserva o sertão das espoliações, das pestes, das destruições, do envenenamento com agrotóxicos, dos medos?Sim, dos medos!

Eu não sei de mim, diria que o Sertão é onde Deus se conserva mais puro, incontaminado, no seu estado mais latente de Deus.

Nas grandes cidades eles partem para estudá-lo de premissas, construídas com andaimes da torre de Babel. Deus para eles é uma construção. Para eles Deus se esconde além das nuvens e das estrelas. 

Aqui no sertão a gente parte do próprio Deus, não de suas premissas, silogismos ou andaimes de ignorância de sua imaginada construção, porque Deus não pode ter premissas, nem arcadas,  nem tábuas de logaritmos, nem a gelidez da lógica, nem bruma da metafísica, as maquinarias da tecnologia que nos Matarão com suas bombas, com suas políticas mesquinhas e corruptas...

Aqui no sertão Deus é uma flor mestiça, que nascida em seu mandala da intuição do lótus, leite e mel vem para reconhecer os anjos caídos e os anjos luminosos, a Luz e as Trevas. 

Porque aqui Deus sempre vem, sempre está vindo, eternamente. Aqui ninguém escapa de Deus: ele marca os homens, ele se conserva aqui, no cerne do Sertão, onde tudo é água fresca num pote no canto da sala de visitas, onde tudo é conservado com cheiro de baunilha no baú de roupas limpas no quarto de dormir. Onde tudo é conservado com esse cheiro imemorial que vem do quintal, das bandas do rio, da memória da infância, de séculos e séculos de antes de nós, da voz da avó guardada dentro de nós, com seu rosto herético de índia que vem de séculos e séculos das moradas dos horizontes.

Imaginem assim: de repetente Deus vem andando de muito longe, em grandes passos, como esses profetas do Velho Testamento, com o cajado batendo a terra, os pés sujos de lama, as vestes cobertas de poeira, sempre chegando com esse cheiro de Deus, para nos reconhecer incognitamente e se vós perguntais:

-De onde vindes, Senhor?
-Com certeza ele responderá:  VENHO DO SERTÃO !

( Matéria, também publicada no Blog Fuzuê das Artes)

Fotografias de apresentações de peças teatrais de  Luiz Carlos Ribeiro.

A Mala de Fugir - Foto: Rosylene Pinto
Espetáculo Coisas Nossas - Noel Rosa
Foto: Matheus M. Pinto
Ator Layro Zahailla. Foto:Rosan Chaves
Publicações 

A mala de fugir de fugir e outros contos
Saboroso. Esta é a primeira impressão que nos sugere a leitura do livro de Luiz Carlos Ribeiro.
lança à literatura de uma maneira apaixonada e apaixonante, como, aliás, em tudo que realiza. As personagens não são absolutamente meras criaturas de lavor literário. Elas existem, têm vida própria, cara, cor, cheiro, som no tempo e espaço de nossa memória afetiva e serão seus sonhos, espantos, reflexões, descobertas, risos que iremos acompanhar com o maior interesse ao longo destas páginas, ora sorrindo, ora torcendo ou mesmo sofrendo com elas. Luiz Carlos Ribeiro, nosso querido contador de histórias, faz de A MALA de FUGIR um passaporte mágico para a mais tenra, terna e calorosa humanidade que ainda permanece, mesmo às vezes um pouca esquecida, lá dentro de cada um de nossos corações.

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Mala de fugir, peça teatral:

A Mala de fugir é um espetáculo lúdico -- musical em um ato, com textos da obra: A Mala de Fugir e outros contos, de Luiz Carlos Ribeiro, que deu suporte dramático à concepção cênica do espetáculo.

 
Construindo a escritura cênica estão partituras sonoras e corporais próprias, mapas cenográficos, objetos e adereços que emprestarão ao espetáculo ludicidade sígnicas implícitas ás histórias narradas/interpretadas pelos atores. A cultura e a arte popular mato-grossense servem de suporte artístico, tanto no conteúdo, como na forma.

 
O espetáculo é um convite á fantasia, a magia e ao sonho. Instiga a memória de infância de cada espectador, desafiando-o a pegar a sua Mala de Fugir e partir em busca do seu circo interior, na mágica viagem que só a arte proporciona. 

Texto: Luiz Carlos Ribeiro.
Direção Geral: Júlio César Camargo 

Para ver mais Fotos e Vídeos de A Mala de Fugir e Outros Contos Carlos Luiz Ribeiro, clique em: Buscapé

Luiz Carlos Ribeiro 
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