Lucinda Nogueira Persona [Professora, Escritora e Poeta Brasileira]
Lucinda Nogueira Persona nasceu em Arapongas, Paraná. É formada em Biologia pela UFMT e mestre em Histologia e Embriologia pela UFRJ.
Professora aposentada pela Universidade Federal de Mato Grosso, atualmente leciona na Universidade de Cuiabá.
É autora de contos e crônicas, colabora com jornais e revistas mato-grossenses.
Escreve desde a infância, iniciando publicações na década de 90, principalmente poesia, entre contos, crônicas, resenhas. Falar do cotidiano é a tônica de seu trabalho poético, a partir de uma profunda comunhão com a realidade circundante e de uma absoluta receptividade à abundância do comum.
Sua tendência literária se fez presente desde cedo, razão pela qual, hoje, a autora já tem diversas crônicas e artigos publicados em diferentes jornais, além de outros livros editados, tendo conquistado o Prêmio Literário da Fundação Cultura de Mato Grosso, 1988, categoria autor mato-grossense, pelo livro de poesia “Antese”; o prêmio Literário Fundação de Cultura e Turismo de Mato Grosso, 1993, pela crônica “Carta para Cuiabá“ e o prêmio Especial do Júri concurso Cecília Meireles da União Brasileira de Escritores, 1997, pelo livro “Por Imenso Gosto”.
Sua tendência literária se fez presente desde cedo, razão pela qual, hoje, a autora já tem diversas crônicas e artigos publicados em diferentes jornais, além de outros livros editados, tendo conquistado o Prêmio Literário da Fundação Cultura de Mato Grosso, 1988, categoria autor mato-grossense, pelo livro de poesia “Antese”; o prêmio Literário Fundação de Cultura e Turismo de Mato Grosso, 1993, pela crônica “Carta para Cuiabá“ e o prêmio Especial do Júri concurso Cecília Meireles da União Brasileira de Escritores, 1997, pelo livro “Por Imenso Gosto”.
Livro/Poesia Por imenso gosto. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1995.
Ser cotidiano. Rio de Janeiro: 7Letras, 1998.
Sopa Escaldante. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001.
Leito de Acaso. Rio de Janeiro: 7Letras, 2004.
Tempo comum. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.
Livro/Infanto-juvenil
Ele era de outro mundo. Cuiabá: Tempo Presente, 1997.
A cidade sem sol. Rio de Janeiro: Razão Cultural, 2000.
Participação em Antologia de poesia
Roteiro da poesia brasileira: Anos 90 / [ seleção e prefácio Paulo Ferraz; direção Edla van Steen] – São Paulo: Global, 2011. – (Coleção Roteiro da Poesia Brasileira).
Participação em Antologia de conto
Na margem esquerda do rio: contos de fim de século, organizada por Juliano Moreno e Mário Cezar Silva Leite. Contos. São Paulo: Via Lettera, 2002.
Fragmentos da alma mato-grossense, organizada por Maria Teresa Carrión Carracedo. Poemas e Contos. Cuiabá: Entrelinhas, 2003.
Participação em Revista de Poesia
Poesia Sempre – Ano 9, n. 14 (ago. 2001). Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro, 2001
Livros publicados de Lucinda Nogueira Persona
Leito de
acaso
Lucinda
Nogueira Persona
Poesia
Disponibilidade:
Esgotado
O olhar agudo da poeta nos ensina a enxergar o mundo de outro modo - a
flor, o figo, as coisas, o lugar, a memória. A poesia está sempre ali, onde não
se espera.
Lucinda Nogueira Persona vem se reafirmar como uma das vozes mais originais da
poesia brasileira nos dias de hoje.
Sopa Escaldante.No seu segundo livro de poemas pela 7 Letras, Lucinda Persona volta-se para a
realidade imediata, flagrando momentos prosaicos e recriando a partir de coisas
simples imagens certeiras.
Lucinda Persona organizou seus poemas sob a forma de um banquete, onde os pratos
vão sendo servidos com muita sensibilidade. A autora serve como o primeiro prato
a Sopa Escaldante, que reúne textos como “Taturanas”, que teve como mote uma
notícia lida em um jornal qualquer. Nesta entrada, seis poemas são ofertados no
menu, incluindo “Sopa”, uma homenagem a mãe da autora.
Logo em seguida, o leitor pode saborear o segundo prato: amor. Nesta viagem Lucinda mostra o “Vazio”, “Pequeno Ser Vivo”, “Um Homem Triste”, “Calabouço”, “Momentos”, ou “Livro de Geografia”, entre outros pratos cheios de substância.
Na terceira rodada, o serviço nos apresenta Íntimo Lunar, e a poeta Lucinda traça versos como “Ramalhete de Couve Flor”, “Formigas”, “Açúcar”, “Numa noite um Jantar”, “Carne Moída” . Situações corriqueiras distribuídas de forma incandescente, mostrando que “aspectos móveis da realidade às vezes são fixos no território da casa”.
No quarto prato oferecido: Estrangeira, a maioria dos versos foram escritos no exterior(Itália). Versos que se compõem de fora para dentro e que preparam o leitor para o quinto e o sexto prato ofertadas pela escritora. Todos, é claro, com muito tempero e criatividade de uma autora para quem “a vida está na palavra”.
Sobre a autora, nomes como Manoel de Barros, Marina Colassanti e Olga Savary, já traçaram ótimos comentários sobre os livros anteriores “Por imenso Gosto”, e “Ser Cotidiano”. Sobre Sopa Escaldante o sociólogo João Vieira, de Brasília, (DF) escreveu: “Dois maços de alface... meu Deus! É a criação por sobre o corriqueiro e óbvio no melhor melhor, quase sempre de nossas vidas.” E Marina Colassanti acrescenta. “É preciso ser uma mulher para saber que legumes são poesia. No cotidiano, as mulheres ouvem claro o gotejar da vida.”
Logo em seguida, o leitor pode saborear o segundo prato: amor. Nesta viagem Lucinda mostra o “Vazio”, “Pequeno Ser Vivo”, “Um Homem Triste”, “Calabouço”, “Momentos”, ou “Livro de Geografia”, entre outros pratos cheios de substância.
Na terceira rodada, o serviço nos apresenta Íntimo Lunar, e a poeta Lucinda traça versos como “Ramalhete de Couve Flor”, “Formigas”, “Açúcar”, “Numa noite um Jantar”, “Carne Moída” . Situações corriqueiras distribuídas de forma incandescente, mostrando que “aspectos móveis da realidade às vezes são fixos no território da casa”.
No quarto prato oferecido: Estrangeira, a maioria dos versos foram escritos no exterior(Itália). Versos que se compõem de fora para dentro e que preparam o leitor para o quinto e o sexto prato ofertadas pela escritora. Todos, é claro, com muito tempero e criatividade de uma autora para quem “a vida está na palavra”.
Sobre a autora, nomes como Manoel de Barros, Marina Colassanti e Olga Savary, já traçaram ótimos comentários sobre os livros anteriores “Por imenso Gosto”, e “Ser Cotidiano”. Sobre Sopa Escaldante o sociólogo João Vieira, de Brasília, (DF) escreveu: “Dois maços de alface... meu Deus! É a criação por sobre o corriqueiro e óbvio no melhor melhor, quase sempre de nossas vidas.” E Marina Colassanti acrescenta. “É preciso ser uma mulher para saber que legumes são poesia. No cotidiano, as mulheres ouvem claro o gotejar da vida.”
Autor:
PERSONA, LUCINDA NOGUEIRA
Editora:
RAZÃO CULTURAL
Páginas:
NÃO INFORMADO
Local de
Edição: RO/RJ
ISBN:
85-86280-84-4
Em "Tempo comum",
Lucinda Persona explora a poesia secreta e silenciosa do cotidiano. Com um
estilo conciso, a autora revela a força poética contida no mínimo, no detalhe.
Seu olhar atento captura a poesia no tinir de louças, no instante antes do
temporal, nos sapatos atirados ao lado da cama. No espelho, que desvela o
trabalho do tempo sobre a pele.
Os versos de “Tempo Comum”
agrupam-se em rimas suaves, vocabulários e construções simples, cotidianos como
o cenário. Seus poemas se fixam no efêmero, extraindo a dimensão de
transcendência no que é rotina, no trivial. E desvendam, a cada nova leitura,
um olhar único sobre o real.
Alguns poemas
Tuiuiú
De nossas
necessidades
faço
histórias, ponderações, estudos
explicação
comum de tuiuiú em tenho:
ele
passou da conta no crescer
o tuiuiú,
quando acorda e abre as asas,
ultrapassa
as bordas do amanhecer
deste
modo,
o espaço
aéreo só comporta um.
O tuiuiú
é tão grande, tão grande que
ao
levantar vôo
o céu sai
de perto.
Por fim,
Senhor meu, por fim
quando um
tuiuiú vai a óbito
(por
nesta vida não falta adversidade)
quando um
tuiuiú vai a óbito,
as
borboletas requisitam guindaste
(pelo
meno para as penas - do lado do coração).
Âmago
Sinto o
deslizar do tempo
pesado,
soturno e lento
pelos
meus ramos perpétuos.
Tenho as
minhas raízes imersas
e as
minhas seivas esparsas
em terras
de eternidade.
(E este
oculto ordenamento
de fatos
- pétreo mistérios?...
Por que a
flor, em mim, não medra?
Misturei-me
em terra estéril?)
PRATOS DE SOPA
Os pratos de sopa
fumegavam
servidos à família
Uma concha de sopa
em cada prato
regulava nossas vidas
nem antes
nem depois do crepúsculo
Nesse horário
num ligeiro abrir e fechar de porta
ou num pisca de olhos
uma sombra entrava na casa
uma sombra entrava na carne
Complicando um pouco as coisas
escuridão e carne eram uma só coisa
(dormíamos)
O sono
igual matérias
que
completamente diferem.
UM HOMEM TRISTE
Em local desprotegido
caiu a noite.
Nuvens dilaceradas
flutuavam distantes
como lenços perdidos.
Um homem triste
olhando o teto de estrelas
pensou: sou pequeno
terrivelmente pequeno
e mais ainda diminuiu em altura.
Depois, por certo tempo, ele chorou.
Não a quantidade necessária
para cada amargura soterrada
porém o suficiente
para alívio momentâneo.
Quando voltou a olhar o céu
frangalhos de nuvens
estrelas
pensava um pouco melhor:
eu sinto outra coisa maior
maior do que qualquer constelação
o que eu sinto é enorme e se estende
em todas as direções
(mas o que é eu não sei).
(De Sopa
Escaldante)
MATO GROSSO
EM LABAREDAS
Ontem, no
telenotícias do meio-dia,
vi
cangurus desnorteados
num
incêndio na Austrália.
De
imediato, sobre o leito de cozidos
remontaram
outras imagens
dos
incêndios deflagrados
na
paisagem regional.
Vi Mato
Grosso em labaredas
as
labaredas como cordas estrangulando
gargantas
que se uniam
na música
da carne em combustão.
Vi emas
atônitas
despenhando
ao longo das chamas
e
serpentes abrasadoras subindo
pela
agitada coluna de fogo.
Muito
mais tarde (penoso contar)
vi ninhos
e lagartos ao rescaldo.
(De Leito de Acaso)
LÍNGUA
Floresce
na pia de aço
um enorme buquê
de couve-flor.
Floresce
é um modo de dizer
com nervos
com saliva
com céu
e com palavra
da minha língua deslumbrada.
A língua que ajuda
a empurrar à digestão
o cotidiano.
(de Ser cotidiano, 1998).
na pia de aço
um enorme buquê
de couve-flor.
Floresce
é um modo de dizer
com nervos
com saliva
com céu
e com palavra
da minha língua deslumbrada.
A língua que ajuda
a empurrar à digestão
o cotidiano.
(de Ser cotidiano, 1998).
NA LENTIDÃO DE UM VELÓRIO
Simples
Simples
Simples
A morte é mais longa
do que a vida
Quem disse isso
terá sido
na lentidão de um velório
Lá estávamos
contemplando mamãe
na mais densa concentração
de seus segredos
As pálpebras inchadas
acompanhavam o corpo
já tão cheio de si
Aquele repouso da vista
na contemplação dos vivos
mais desastroso ainda se tornava
porque estava
demasiadamente pronto
a não chorar
(a não chorar).
(de Tempo comum, 2009).
O olhar agudo da poeta nos ensina a enxergar o mundo de outro modo - a
flor, o figo, as coisas, o lugar, a memória. A poesia está sempre ali, onde não
se espera.
A escrita nunca é originalíssima, a não ser a primeira. Sempre há substratos dos outros, mas admiro muito Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, na prosa, Clarice Lispector e o poeta Manoel de Barros".
A escrita nunca é originalíssima, a não ser a primeira. Sempre há substratos dos outros, mas admiro muito Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, na prosa, Clarice Lispector e o poeta Manoel de Barros".
Ser poeta no Brasil,
segundo Lucinda, é saber lidar com a realidade do ofício, como por exemplo: “a
minoria de leitores, pois há um interesse maior pela prosa; o desinteresse das
editoras; o pouco espaço (ainda) nas escolas; a ausência de eco ou retorno; a
falta de discussão, encontros, entre os próprios pares; entre outros. Há muitos
dizendo que “a poesia não faz barulho”, isso é certo, ela não envolve as
massas, não monopoliza”.
Com relação a prêmios
literários, a autora pretende se inscrever ao Prêmio Jabuti na categoria
poesia. “O Jabuti vem se tornando gradativamente um evento de grande interesse
e importância. O número de inscritos constitui-se num indicador da produção
nacional. Mesmo para os não premiados há essa oportunidade de se mostrar o que
foi feito, ampliar a leitura para um grupo de especialistas”.
Lucinda começou a lidar com
os poemas no “berço”. Interesse espontâneo, que surgiu aos seis anos. Cresci
cercada por livros e jornais, e as bibliotecas públicas sempre foram uma
extensão de casa. Aos 12 anos já registrava suas impressões em um diário, e aos
15 anos ganhou o seu primeiro prêmio em concurso de redação em Maringá-PR. Outro
prêmio do qual tem orgulho foi promovido pela antiga Fundação Cultural, que
tinha no júri o poeta Silva Freire.
Fonte:
Lucinda Nogueira Persona
Todos os direitos autorais reservados a autora.







2 comentários
A Biografia de Lucinda é bastante rica de informações, elastecendo a nossa literatura. Parabéns por tão vasto trabalho literário.
Olá amiga, acabei de ler sobre você e amei o seu perfil.
Gostaria de fazer-te um convite, para conhecer a rede de reconhecimento internacional de talentos VAEBRASIL
http://institutovaebrasil.ning.com
Um abraço e a minha admiração.
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