OS AFECTOS QUE NÃO DEMOS [Humberto Pinho da Silva]
Por
Humberto Pinho da Silva
Pouco
a pouco, lentamente, ano a ano, quase sem sentir, avizinha-se o fim da jornada.
Passamos
a vida a cuidar – da nossa saúde, da nossa carreira profissional, da satisfação
dos nossos desejos; olvidando que para ser feliz é mister cuidar dos outros.
Adiamos
sempre para amanhã – que nunca chega, – para conviver, abraçar o amigo, o
familiar, porque não temos tempo…ou por comodismo…
E
para amanhã ficam os telefonemas, as conversas, as horas de convívio com aqueles
que nos querem bem.
De longe a longe, dizemos-lhes: - Havemos de combinar…mas sabemos que o amanhã nunca chegará…
E deste jeito, quantos abraços deixamos de dar? Quantos elogios ficam por fazer?
Mas, em hora inesperada, chega a doença, surgem as limitações e então cogitamos: por que não disse o que ia na alma?! Por que não abracei meus irmãos e a causa que me era querida?!
Adiamos sempre: Amanhã vou fazer isto. Hei-de dedicar-me à música. Quando aposentar-me vou pintar…Servir uma causa humanitária…Sempre para amanhã…Sempre para o futuro.
Vivemos dentro de um sonho. Só muito tarde acordamos e, estupefacto, verificamos que não vivemos…As oportunidades e a saúde passaram…e o tempo não volta.
Lamentamos, então, os anos perdidos. A juventude que passou… e o que passou…não passará mais…
Já não vamos a tempo de dizer: quanto amamos a nossa mãe, a nossa irmã, aqueles que connosco repartiram a vida – os amigos, os colegas de trabalho, os companheiros que cruzaram com a nossa vida.
Então lamentamos, os abraços que não demos. Os beijos que deixamos de dar. Os afectos que tornariam felizes, os que aguardavam os nossos carinhos…Mas é tarde…Muito tarde…Porque o tempo é como as águas do rio, nunca passam pelo mesmo lugar.
De longe a longe, dizemos-lhes: - Havemos de combinar…mas sabemos que o amanhã nunca chegará…
E deste jeito, quantos abraços deixamos de dar? Quantos elogios ficam por fazer?
Mas, em hora inesperada, chega a doença, surgem as limitações e então cogitamos: por que não disse o que ia na alma?! Por que não abracei meus irmãos e a causa que me era querida?!
Adiamos sempre: Amanhã vou fazer isto. Hei-de dedicar-me à música. Quando aposentar-me vou pintar…Servir uma causa humanitária…Sempre para amanhã…Sempre para o futuro.
Vivemos dentro de um sonho. Só muito tarde acordamos e, estupefacto, verificamos que não vivemos…As oportunidades e a saúde passaram…e o tempo não volta.
Lamentamos, então, os anos perdidos. A juventude que passou… e o que passou…não passará mais…
Já não vamos a tempo de dizer: quanto amamos a nossa mãe, a nossa irmã, aqueles que connosco repartiram a vida – os amigos, os colegas de trabalho, os companheiros que cruzaram com a nossa vida.
Então lamentamos, os abraços que não demos. Os beijos que deixamos de dar. Os afectos que tornariam felizes, os que aguardavam os nossos carinhos…Mas é tarde…Muito tarde…Porque o tempo é como as águas do rio, nunca passam pelo mesmo lugar.
Humberto Pinho da Silva nasceu
em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o
liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de
Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano
de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira
Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira,
alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o
coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ
Página na Internet:http://solpaz.blogs.sapo.pt/
E-mail: humbertopinhosilva@sapo.pt


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