QUEM É LAETITIA KY, A ARTISTA QUE CRIA ESCULTURAS COM OS PRÓPRIOS CABELOS


Laetitia Ky, a artista marfinesa que conquistou as redes sociais
Laetitia Ky

Esculturas de cabelo: conheça Laetitia Ky, a artista marfinesa que conquistou as redes sociais

A artista feminista costa-marfinense Laetitia Ky (Abidjan, 1996) alcançou grande notoriedade no Instagram e no Facebook graças às suas esculturas feitas com o próprio cabelo trançado, um trabalho artístico de grande impacto e sucesso digital

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Biografia

Ky nasceu em 1996 e cresceu em Abidjan; seus pais se divorciaram quando ela ainda era bem nova. Formada em Administração de Empresas pelo Instituto Politécnico Nacional Félix Houphouët-Boigny, em Yamoussoukro, percebeu, logo após se graduar, que queria trabalhar com arte e design. Começou uma nova carreira em design de moda, mas sua inspiração logo tomou novos rumos ao observar fotografias de arquivo sobre penteados de mulheres africanas. Em 2016, ela começou a criar fusões de arte e escultura usando o próprio cabelo.

A marca registrada do estilo de Ky é a criação de esculturas com cabos, fios e dreadlocks. Chamado de "Conceito Ky", esse estilo expressa sua criatividade e, cada vez mais, seu posicionamento político. Cada escultura leva entre vinte minutos e seis horas para ser feita. Em 2017, ela ministrou seu primeiro workshop, o "Tranças Ky", para ensinar essa forma de arte a outras pessoas. Ky também realizou sua primeira colaboração musical com Di'Ja, cobrindo os cabelos da artista com tecidos estampados em padrões inspirados nas mulheres Himba.

Ky lançou sua própria marca de moda em 2018. Chamada Kystroy, a marca tem uma proposta inclusiva, utilizando, por exemplo, a linguagem body positive para descrever as medidas das roupas.


#MeToo e Ativismo

Com o tempo, as esculturas de Ky tornaram-se mais políticas e, em 2017, ela começou a utilizar as redes sociais como meio de conscientização. Uma de suas peças mostrava um homem levantando a saia de uma mulher, com a cena inteiramente esculpida em suas próprias tranças. Também em 2017, a artista produziu uma obra que exibia grandes músculos em seu braço esbelto; o objetivo era aumentar a conscientização sobre o bullying e, especialmente, sobre os danos que essa prática pode causar na infância — uma dor que a própria Ky vivenciou em sua meninice.


Em 2019, Ky criou uma nova peça que mostrava um útero em que cada trompa uterina "mostrava o dedo do meio" para o espectador. A obra foi um protesto contra as leis antiaborto nos Estados Unidos (EUA).

Atualmente, Ky é considerada por muitos uma embaixadora do cabelo natural das mulheres africanas.


Prêmios

Em 2018, foi selecionada como uma das "20 mentes jovens" para o On the Rise Côte d'Ivoire, um programa da L'Association des Conseils en Lobbying et Affaires Publiques de Côte d'Ivoire (ACLAP-CI). No mesmo ano, foi eleita uma das "35 jovens mais influentes do mundo francófono" pelo Prix Jeunesse Francophone 3535. No ano seguinte, foi listada pela revista Paper Magazine como uma das "100 pessoas que dominaram o ano de 2019".


Arte

Por trás de suas criações — que à primeira vista parecem apenas um trabalho bem-humorado —, existe um forte componente de empoderamento feminino focado em exaltar a beleza da mulher negra. Laetitia usa sua criatividade para expressar a beleza do diferente, afirmar sua singularidade e colocar a figura feminina em evidência. Para a jovem, nenhuma parte do corpo é tão capaz de exprimir a identidade de alguém quanto o cabelo, que ela transforma em matéria-prima para manifestar a arte e a cultura de seu povo.


A artista transforma seu cabelo em uma ferramenta para conscientizar as pessoas sobre a importância de respeitar esse tipo de fio e quem o possui. Seu sucesso está profundamente ligado ao movimento Black Lives Matter, que impulsionou o aumento de mulheres negras que se sentem confortáveis em sua própria pele e que abraçam sua beleza natural.


A arte é a principal forma de expressão de Laetitia Ky: “Quero que as pessoas me vejam não apenas como a garota que molda o próprio cabelo, mas como uma pessoa criativa e versátil”, afirma. Além disso, seu trabalho gera um forte impacto em outras mulheres: “Com o resgate do cabelo natural na comunidade negra, os penteados se tornaram um recurso de beleza, uma forma de autoafirmação e de valorização da nossa estética”, observa. “Usar esses penteados como expressão é algo poderoso, pois dialoga diretamente com todas as mulheres negras que, por muito tempo, foram levadas a acreditar que seus cabelos não eram bons o bastante”.

Dessa forma, a marfinense transforma suas esculturas capilares em um manifesto visual, transmitindo uma mensagem de orgulho, cura e aceitação para uma geração que finalmente redescobre a beleza de suas raízes.













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Revista Biografia

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