CLAUDIO GOMES: FOTOGRAFIAS QUE BUSCAM RESGATAR A HISTÓRIA E A CULTURA MATO-GROSSENSE.

fotografia de claudio gomes em alto garças, mato grosso
Cláudio Gomes
Claudio Gomes: fotografias que buscam resgatar a história e a cultura mato-grossense.


Claudio Gomes, nascido em Alto Garças (MT) em 1971. Autodidata em fotografia, começou seus trabalhos com fotojornalismo em 2003. A partir de 2007, passou a atuar somente com projetos autorais, concebendo o projeto "Olhares de Guimarães", que culminou na publicação de um livro no ano seguinte. Gomes tem como influências o fotógrafo francês Eugène Atget, o húngaro André Kertész e o brasileiro Sebastião Salgado. Pai de Zara e Davi, ele vive em Cuiabá desde 1987.

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"Olhares de Guimarães": Um resgate histórico das origens de Chapada dos Guimarães

O livro "Olhares de Guimarães" reúne fotos de Chapada dos Guimarães (Mato Grosso) e de Guimarães (Portugal). O objetivo da obra é fazer um resgate histórico das origens de fundação da cidade mato-grossense e destacar um elo de irmandade que remonta a mais de dois séculos, precisamente desde a colonização da região.

O livro Olhares de Guimarães reúne fotos de Chapada dos Guimarães (Mato Grosso) e de Guimarães (Portugal)
Capa do Livro: Olhares de Guimarães
Claudio Gomes, não tem técnica, tem sensibilidade, intuição e a proteção de Sant’Ana. (Regina Dioz)
Com base no princípio do Uti Possidetis (expressão em latim que significa "como possuis, assim possuirás"), firmado entre Portugal e Espanha no Tratado de Madri (1750), estabeleceu-se que a terra pertencia a quem efetivamente a ocupasse. Esse acordo substituiu o Tratado de Tordesilhas, que havia deixado de fazer sentido após a União Ibérica e o avanço dos bandeirantes para o interior da América do Sul. Ao contrário da antiga linha imaginária de Tordesilhas, o Tratado de Madri utilizou o novo princípio para fixar fronteiras reais baseadas em elementos naturais, como rios e montanhas.

Para garantir maior segurança às suas conquistas, a Coroa portuguesa passou a rebatizar as aldeias locais com nomes de cidades de Portugal. Essa política resultou na mudança do nome de "Aldeia de Chapada" para "Lugar de Guimarães". A homenagem foi prestada pelo então governador Luís Pinto de Sousa Coutinho (Conde de Balsemão), em referência à cidade-berço da nação portuguesa, hoje considerada Patrimônio da Humanidade.

Fotografias presentes no livro Olhares de Guimarães
Fotografias presentes no livro: "Olhares de Guimarães"
Neste contexto, vale ressaltar a Igreja de Nossa Senhora de Sant'Anna, padroeira da cidade. Construída em 1779 em estilo barroco rococó, ela teve seu altar, imagens sacras e azulejos trazidos de Portugal. O Santuário é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o que reforça o elo entre as cidades-irmãs.


Projeto: "Cuiabá Ribeirinha" 
(Projeto aprovado no Ministério da Cultura - Lei Rouanet - PRONAC: 2310047)

A história urbana de Cuiabá tem início em 1719, com a bandeira de Pascoal Moreira Cabral.

exposição Cuiabá Ribeirinha
Exposição Cuiabá Ribeirinha
À procura de indígenas para o cativeiro, o bandeirante acabou encontrando ouro no rio Coxipó, onde fundou o Arraial da Forquilha, no atual distrito de Coxipó do Ouro. Para assegurar o direito de posse da área, foi lavrada uma ata de fundação no dia oito de abril daquele mesmo ano, na localidade denominada São Gonçalo Velho, atualmente São Gonçalo Beira Rio. Nessa comunidade, próxima à barra do rio Coxipó, a presença dos índios Coxiponé ficou refletida nos traços dos moradores, nas rimas, nas músicas, na cerâmica, na pesca e no uso de plantas medicinais. Essa herança também se manifesta nas canoas feitas de troncos de árvores, nas benzedeiras, nas danças e em outros aspectos culturais mantidos até os dias atuais.

Segundo Romancini, no contexto dessas influências, as comunidades ribeirinhas destacam-se pela manutenção de suas atividades e tradições. Essas manifestações denotam a influência luso-indígena — que caracteriza o período da mineração em Mato Grosso — e as influências paraguaia e boliviana na região. Dessa forma, o "Projeto Cuiabá Ribeirinha" busca, não apenas contribuir para a ampliação do conhecimento histórico-cultural sobre essas localidades, mas também chamar a atenção da sociedade mato-grossense para a cultura ribeirinha.

Fotografias da exposição cuiabá ribeirinha
Fotografias da Exposição "Cuiabá Ribeirinha"
De acordo com os estudos realizados, considera-se que a cerâmica, a viola de cocho, o siriri, o cururu e a festa de São Gonçalo são bens repletos de significado simbólico. Afinal, além de revelarem os saberes necessários à sua produção, eles permeiam as crenças, os valores, o espírito de solidariedade e a vida cotidiana local. Esse sentimento de pertencimento constitui a essência dos moradores, e o aglomerado urbano Cuiabá–Várzea Grande representa o grupo mais significativo em termos de preservação das tradições mato-grossenses.



Projeto: "ORIGEM VÊNETO - Um Intercâmbio Cultural Brasil-Itália." 
(Projeto aprovado no Ministério da Cultura - Lei Rouanet - PRONAC: 241844)

A exposição "Italianos na Fronteira Agrícola de Mato Grosso" foi o embrião do projeto ORIGEM VÊNETO: Um Intercâmbio Cultural Brasil-Itália.

italianos na fronteira agricola de mato grosso
Italianos na fronteira agrícola de Mato Grosso
No final do século XIX, fluxos de emigrantes partiram da Itália — especificamente das províncias de Veneza, Verona, Vicenza, Treviso, Belluno, Pádua e Rovigo —, oprimidos pelas condições de pobreza e pela falta de alfabetização. Quem partia frequentemente levava consigo a própria bagagem de conhecimentos, além da operosidade e do desejo de uma vida melhor, como um resgate diante da miséria.

Esses fatores empurraram muitos europeus, entre eles os vênetos, para uma terra mais promissora. O Brasil sempre representou um dos destinos mais buscados pelos italianos, quer pela vastidão acolhedora e pela fertilidade das terras, quer pela raiz comum latina e católica.

André Araújo, ao discutir a trajetória dos italianos e seus descendentes que se fixaram no Centro-Oeste do Brasil a partir da década de 1970, faz o seguinte comentário:
"Os imigrantes que vieram para o Brasil, a partir do Vale do Pó, na região Vêneto, tinham séculos de tradição agrícola, este Vale é a grande planície tritícola e viticultura da Itália. A imigração Vêneta para o Brasil fixou-se no Rio Grande do Sul, para São Paulo vieram basicamente napolitanos e calabreses. Os Vênetos, agricultores desde os tempos do Império Romano, fizeram prosperar a agricultura do Sul do país, e a partir dessa base foram para o Mato Grosso."
 A força dessa gente, uma gente de fé e determinação, que não se furta ao "lavoro".

fotografias do projeto origem veneto
Fotografias do Projeto "Origem Vêneto"


Portfólio de Claudio Gomes

2008 – Olhares de Guimarães
Livro: Publicação/Exposição
Museu do morro da caixa d’água velha - Cuiabá-MT

2010 – Festival Europeu “Foto ExTempore”
Novigrad – Croácia

2011 - Exposição Olhares de Guimarães
Castelinho 38 - Rio de Janeiro-RJ

2011 – Prêmio Arne Suksdorff
Pavilhão das Artes - Cuiabá-MT

2013 – Exposição Cuiabá Ribeirinha
Galeria 360 - Firenze/Itália

2013 - Curso de língua italiana
Instituto Michelangelo - Firenze/Itália

2013 – Curso História da Arte
Instituto Michelangelo - Firenze/Itália

2015 – Exposição italianos na fronteira agrícola de MT
Paço Municipal – Lucas do Rio Verde-MT

2024 – Exposição Cuiabá Ribeirinha
Assembleia Legislativa-MT (Cuiabá-MT)

2025 – Curso de Cinema
AIC-Academia Internacional de Cinema - São Paulo-SP



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Contatos:

Fone: (65) 9 9609-6053
e-mail: claudiogomespb@hotmail.com
@claudiogomesphotographer





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Fontes de pesquisas:
  • Livro - Uma devassa nas minas: Imigração e moralidade na fronteira mais remota da colônia Mato Grosso (Maria Amélia Crivelente)
  • ROMANCIN I, Sônia Regina. Educação Ambiental – Cultura Popular. (Monografia de especialização). Cuiabá: IE UFMT, 1994, p. 50.
  • André Araújo é professor Doutor no Departamento de História da Universidade de Brasília UnB.



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