O amor é expansivo; o medo exclusivo [Olga Borges Lustosa]


O amor é expansivo; o medo exclusivo

“Siga seu coração” são palavras de ordem que temos ouvido muito ultimamente, mas a mente pode confundir um puxão emocional com a intuição que vem do coração. É preciso prática para discernir a diferença.

Aprendi através de tentativas e erros que a sedução do romance não é sempre o que o coração quer. O coração muitas vezes fala-nos em silêncio e o senso comum tende a racionalizar apenas os nossos desejos e reações. Na mente, os exemplos e julgamentos estão no controle. O coração, porém, é decididamente diferente, é mais suave, embora o que sugere o coração, possa envolver medo e insegurança. São como duas estações de rádio distintas. Quando se entra em sintonia com a estação do coração, a atitude ajusta e encontra-se respostas para muitas coisas.

É preciso aprender a equilibrar a natureza emocional e questões não resolvidas praticando qualidades que exalam do coração, como a compaixão, perdão, gratidão e carinho. Observe como essa radiação prolongada de cuidado afeta seu corpo, emoções e pensamentos. O coração é nossa casa emocional, onde afloram as lutas, dúvidas, mágoas, desejos, anseios, alegrias e prazeres. O amor não é algo mensurável nem é um recurso limitado. Ele não conhece limites e não pode ser reduzido a uma definição ou interpretação restritiva. Amor, mais do que tudo, é uma atitude e uma decisão de buscar a felicidade porque devido a sua natureza expansiva, temos a capacidade de trazer o espírito de amor para tudo o que fazemos.

É um projeto da natureza que coloquemos a cabeça em sincronia com a intenção mais profunda do coração. Dizem que no mundo fascinante do coração, existe um pequeno cérebro em seu próprio interior. Sim, o coração humano, além das funções conhecidas possui um coração-cérebro que pode sentir, aprender e lembrar. O coração tem a sua própria maneira misteriosa de conhecimento, pode falar e influenciar o cérebro de forma coerente, estabilizando as emoções. Quando o ritmo cardíaco é compensado, o corpo, incluindo o cérebro, começa a experimentar todos os tipos de benefícios, entre eles uma maior clareza mental e capacidade intuitiva, incluindo melhor tomada de decisão.

Contudo, o principal trabalho emocional do coração é o amor em todas as suas manifestações. O amor pode abraçar o medo, dar direção à vida. E embora o coração e o cérebro estejam em constante comunicação, podemos intencionalmente direcioná-los a se comunicar de forma benéfica, num alinhamento harmonioso com a intuição.

Ouça o que seu coração tem a dizer, observando os sentimentos e sensações que chegam até você, talvez ele esteja oferecendo um novo sopro de argumentos, embora nem todos racionais. Abrir o coração para ouvir, respeitar e confiar é uma experiência poderosa. O coração é como um rei, enquanto a mente é a conselheira do rei, compara Alexander Lowen em seu livro Bioenergética. Os conselheiros informam o rei sobre o estado de seu reino, no entanto, as decisões são tomadas com base no próprio entendimento intuitivo do rei.


Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente no blog  do Romilson toda terça-feira olga@terra.com.br

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