Sponsor

AD BANNER

Últimas Postagens

Numa Noite Qualquer [Eduardo Moreira Lustosa]

Numa Noite Qualquer


Ela apareceu. Há dias que não aparecia e cá está ela, bem na minha frente. Deslumbrante como nunca. 
Vem na minha direção, aproximando-se lentamente. Esse trotinho leve dela chega a me emocionar. É sério. 
Um leve pendular, um vai e vem de quadris. A copiosa cabeleira negra a balançar. 

O vestidinho ordinário grudado no corpo delicioso. Está bem perto agora. Parece insegura. 

Cumprimenta-me com um ligeiro arquear de sobrancelhas.

Fala distraidamente:

- Me dá um Malboro.
Apanho um maço, entrego e pego a grana sem falar nada. Agora fiquei um tanto amuado. Ela tinha que fumar? Talvez não seja para ela. Ela veio comprar para alguém. Essa ideia me restabeleceu o humor. Não. Ela pega o isqueiro na bolsa e acende a porra do cigarro. Bom, nada que uma balinha de hortelã não resolva. Eu posso suportar isso.
Então, pergunta com uma voz baixinha, quase num sussurro:

- Posso usar o telefone?

Penso em algo espirituoso para responder, mas só digo "claro". Eu sou uma besta!

Entrego o fone e ela disca entre uma baforada e outra. Fica bem séria e diz com uma voz quase sufocada:

- Armando, se você não for em casa hoje à noite eu juro que me mato.

E desliga o telefone. Diz "obrigada" meio sem graça, vira as costas e desaparece rebolando.

Maldito Armando.


Eduardo Moreira Lustosa-Nascido em Barra do Garças (MT), mas
morando há mais de vinte anos em Cuiabá, é advogado, articulista 
e contista. 
Site: http://www.nadademais.com.br/.





Um comentário

Michele disse...

Amei a crônica!!! O texto envolvente te faz viajar no ambiente, na descrição do personagem e até no cheiro do lugar... Ansiosa para ler a próxima! Parabéns!!!