Amores Difíceis [Dy Eiterer]
Amores
Difíceis
Ele era só mais um homem
comum que todos os dias pensava em como era difícil amar a sua mulher. Ela que,
àquela hora da madrugada dormia pesadamente, mas com o semblante tranquilo,
completamente desarmada, mostrando-se mais bela com o jogo de sombras da penumbra
do que ele já havia reparado antes.
Era possível ver a sua alma feminina entregue, exposta, bem ali ao lado dele. Uma imagem que inspirava confiança: a mulher confiava naquele homem e permitia-se repousar profundamente em seus braços, tendo-o como abrigo e proteção, como guardião de seu sono e até alguns sonhos.
Há dias ele pensava
consigo mesmo sobre aquele momento, que agora lhe parecia um deja vu:
intimamente ele desejava um momento em que pudesse contemplá-la assim, despida
de suas armaduras diárias, livre de qualquer apetrecho que a permitisse
esgueirar-se pelas entrelinhas ou entressorrisos que ela sabia bem como fazer.
E ele a achava ainda mais linda.
Ele a amava. Não restavam dúvidas quanto a isso. Mas como todo espírito humano, não estava livre de medos e dificuldades e conforme a madrugada ia chegando ao seu fim, refletia em como era difícil viver aquele infinitivo: AMAR.
Ele a amava. Não restavam dúvidas quanto a isso. Mas como todo espírito humano, não estava livre de medos e dificuldades e conforme a madrugada ia chegando ao seu fim, refletia em como era difícil viver aquele infinitivo: AMAR.
A aurora entrava pelas
frestas da persiana. Em pouco tempo o sol anunciaria o início de mais um dia e
aquela mulher despertaria animada, agitada, ativa e mergulharia em sua rotina:
cumpriria alguns protocolos, ignoraria outros, inventaria outros tantos. Para
ele era fascinante como ela conseguia ser previsivelmente imprevisível.
Não é fácil amar uma mulher que se diz em seus silêncios. Que se expõem em meandros como rio de sentimentos. Não é fácil amar uma mulher de entrelinhas e parênteses, que se equilibra em reticências e pausas, que economiza nas palavras para esbanjar em olhares e sutilezas de gestos e detalhes.
Ela permitia se guardar nesses silêncios. Enrolava-se neles como se fossem vestidos de seda – e eles lhe caiam tão bem! Gostava de lançar olhares e aquilo que não lhe saia da boca repousava sobre os espíritos que não a conheciam como enigmas esfíngicos.
Era uma mulher de ações: perdia-se em suas anotAÇÕES, assumia tarefas e dava cabos de todas as suas formulAÇÕES, gostava de lançar provocAÇÕES e brincar de conquistar corAÇÕES. Esse jeito prendia-o a ela. Era como um encanto para seus olhos, mas era, também, a raiz de suas inseguranças.
Em sua movimentação e independência, mantinha toda a sua bagunça (des)organizada: assumia e desmarcava compromissos com a mesma velocidade que atravessava a rua ou dava um suspiro. Isso assustava o homem que a amava, mas ela ria. Por ele, ela rasgaria toda a agenda, jogaria tudo para o alto. Ritmava seus dias pelas buzinas, toques de telefone e velocidades dos carros, mas, sobretudo, era movida a amor. E amava aquele homem que agora a observava. Amava-o, mas não o brindava com a certeza do que sentia.
O homem a contemplava e a amava ainda mais, mesmo tendo a insegurança como companhia. Devagar ele sussurrou que a amava. Como se o ouvisse ela sorriu e seus lábios sugeriram o nome dele. Ela mexeu-se na cama, procurando-o com o braço. Enlaçou-o. Ele suspirou e sentiu o cheiro dela. Entorpecido, alegrou-se e sentiu-se amado.
Amar aquela mulher era difícil, mas ele aceitaria o desafio todos os dias, a cada amanhecer, porque era sublime ver como aquele corpo de mulher se entregava leve a ele todas as noites, porque era indescritível a sensação de ouvi-la dizer seu nome, como quem recita um poema ou entoa uma canção.
Não é fácil amar uma mulher que se diz em seus silêncios. Que se expõem em meandros como rio de sentimentos. Não é fácil amar uma mulher de entrelinhas e parênteses, que se equilibra em reticências e pausas, que economiza nas palavras para esbanjar em olhares e sutilezas de gestos e detalhes.
Ela permitia se guardar nesses silêncios. Enrolava-se neles como se fossem vestidos de seda – e eles lhe caiam tão bem! Gostava de lançar olhares e aquilo que não lhe saia da boca repousava sobre os espíritos que não a conheciam como enigmas esfíngicos.
Era uma mulher de ações: perdia-se em suas anotAÇÕES, assumia tarefas e dava cabos de todas as suas formulAÇÕES, gostava de lançar provocAÇÕES e brincar de conquistar corAÇÕES. Esse jeito prendia-o a ela. Era como um encanto para seus olhos, mas era, também, a raiz de suas inseguranças.
Em sua movimentação e independência, mantinha toda a sua bagunça (des)organizada: assumia e desmarcava compromissos com a mesma velocidade que atravessava a rua ou dava um suspiro. Isso assustava o homem que a amava, mas ela ria. Por ele, ela rasgaria toda a agenda, jogaria tudo para o alto. Ritmava seus dias pelas buzinas, toques de telefone e velocidades dos carros, mas, sobretudo, era movida a amor. E amava aquele homem que agora a observava. Amava-o, mas não o brindava com a certeza do que sentia.
O homem a contemplava e a amava ainda mais, mesmo tendo a insegurança como companhia. Devagar ele sussurrou que a amava. Como se o ouvisse ela sorriu e seus lábios sugeriram o nome dele. Ela mexeu-se na cama, procurando-o com o braço. Enlaçou-o. Ele suspirou e sentiu o cheiro dela. Entorpecido, alegrou-se e sentiu-se amado.
Amar aquela mulher era difícil, mas ele aceitaria o desafio todos os dias, a cada amanhecer, porque era sublime ver como aquele corpo de mulher se entregava leve a ele todas as noites, porque era indescritível a sensação de ouvi-la dizer seu nome, como quem recita um poema ou entoa uma canção.
Dy Eiterer.
Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de
novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora,
escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa
mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu,
seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do
ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada
morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando


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