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Joel
Ryan/Associated Press |
Criticada por fãs, biografia sobre Michael Jackson
chega ao Brasil
por Marco Aurélio Canônico
Escrever uma biografia que resumisse os incrivelmente
atribulados 50 anos de vida de Michael Jackson (1958-2009), possivelmente a
maior e mais controversa estrela do showbiz mundial, nunca seria tarefa
simples.
Mas o jornalista americano Randall Sullivan não tinha
noção da dor de cabeça que teria ao publicar "Intocável - A Estranha Vida
e a Trágica Morte de Michael Jackson", que chega agora ao Brasil.
O livro traz afirmações polêmicas que enfureceram os
fãs do astro, como a de que ele morrera virgem e que não teria mais nariz, de
tanto ter feito plásticas para afiná-lo.
Desde o lançamento do livro nos EUA, no fim do ano
passado, um grupo de fãs de Jackson usou as redes sociais para criar uma
bem-sucedida campanha de difamação, bombardeando a Amazon com avaliações que baixaram
a cotação do livro no site.
Eles conseguiram ainda retirar exemplares de circulação
com alegações de que as cópias eram defeituosas.
"Devo admitir que tenho uma sensação dúbia sobre o
livro. Esse ataque que sofri de um grupo de fanáticos foi uma das coisas mais
dolorosas por que já passei", diz Sullivan, ex-editor da revista
"Rolling Stone", por telefone.
"O pior é que as pessoas nem leram o livro e o
atacaram citando coisas que eu não escrevi, baseando-se no que ouviram
falar."
Segundo o autor, a campanha afetou as vendas --ele não
cita o total de exemplares vendidos, mas diz que, apesar de a editora ter
lucrado com o livro, "não foi nem de longe o que esperava". As
críticas da imprensa estrangeira à obra foram mistas.
AMEAÇAS FAMILIARES
A família de Jackson, retratada de forma bastante
crítica, ameaçou com diversos processos, mas o jornalista diz que a editora não
cedeu "porque sabia que eu podia defender o que tinha escrito".
A biografia, que sai no Brasil com uma tiragem
relativamente alta (12 mil exemplares), é um grande trabalho de compilação de
informações já publicadas sobre o cantor.
Iniciada após a sua morte, como uma reportagem para a
revista "Rolling Stone", a obra progrediu para uma narrativa de quase
900 páginas --129 delas de referências bibliográficas, mais 32 de fotos. É
dividida em quatro partes, de forma não cronológica.
Como não entrevistou Jackson nem conseguiu acesso
direto a personagens importantes de sua vida --o único familiar com quem falou
foi a matriarca, Katherine--, Sullivan investiu mais nos últimos cinco anos de
vida do astro e na disputa por seu espólio, depois da morte.
O livro mostra ainda a gradual destruição da reputação
e da saúde (inclusive a financeira) do artista entre 1993 e 2005, quando sofreu
duas acusações públicas de abuso sexual de crianças --a primeira, resolvida com
um acordo extrajudicial, a segunda, nos tribunais (ele foi inocentado).
Há um apanhado dos primeiros 35 anos de vida de
Jackson, da infância traumática à transformação em "rei do pop", e
exemplos de seu comportamento exótico, que passou a atrair mais atenção do que
sua música.
TRECHOS DO LIVRO 'INTOCÁVEL'
O dr. Mark Sinnreich se lembra da primeira visita de
Michael ao cirurgião ortopédico em seu consultório na Flórida, em 2002:
"Eu pedi para ele tirar a máscara [...]. Parecia que tinha dois buracos.
Nenhum nariz". Michael teve de se virar com próteses.
Ele as mantinha em seu closet em Neverland, um grande
jarro de narizes falsos --de várias formas e tamanhos-- cercado por tubos de
cola. "Ele me disse que eram para disfarces", recorda Adrian McManus,
uma de suas funcionárias no rancho Neverland.
Mas a única coisa que Michael estava disfarçando àquela
altura era o resultado de, no mínimo, seis plásticas nasais: duas narinas
cercadas por uma camada de cartilagem enrugada, murcha e descolorida. Ele era
um maquiador habilidoso desde a adolescência, e em 15 minutos na frente de um
espelho conseguia criar uma aparência capaz de enganar a maior parte das
pessoas.
Cirurgiões plásticos especulavam desde 1990 na
televisão se a ponta de seu nariz havia sido substituída por uma prótese de
osso ou plástico. Em 2001, no entanto, as mudanças pelas quais seu nariz
passava de ano em ano --às vezes de semana em semana-- entregaram o jogo. (pág.
264)
Rose Marie era o nome dela, lembrou Michael, que, com
sete anos, observava-a fascinado girar os enfeites presos a seus mamilos,
avançando na direção dos homens que tentavam agarrá-la... (pág. 69)
Um comentário
Não consigo acreditar que nunca ninguém fez um comentário nessa postagem sobre esse grande ídolo da música pop, li todo o artigo e já sabia algumas coisas sobre o nariz de Michael Jackson, mais claro não sabia de tantos detalhes. O livro deve ser bem interessante e polêmico. Mesmo depois de sua morte o astro ainda faz muito dinheiro. Sou muito fã desse cara, abrilhantou a adolescência de muita gente assim com a minha. Cresci ouvindo: Bad, Ben, Bilie jean, e ficava fascinado, com o disco que ganhei do meu pai quando criança, eu não parava um segundo se quer de ouvir. Hoje fico muito triste por ele não estar mais conosco, mas suas músicas serão eternas.
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