A OUSADIA CLÁSSICA DE ANNE CARSON GANHA O NOBEL DE LITERATURA
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| Anne Carson é premiada com o Nobel de Literatura 2026 |
A ousadia clássica de Anne Carson ganha o Nobel de Literatura
Releituras de mitos gregos e a hibridez entre poesia e ensaio rendem à canadense de 76 anos o prêmio máximo das letras mundiais.
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A poeta canadense Anne Carson recebeu o Prêmio Nobel de Literatura deste ano "por sua obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea", anunciou nesta quinta-feira (08/10) a Academia Sueca em Estocolmo.
De 76 anos, Carson é uma poetisa, ensaísta classicista e tradutora que dá um toque moderno ao misticismo e à Antiguidade em seus textos sobre amor, desejo e desespero. Ela é a 19ª mulher entre os 123 laureados até hoje.
A Academia afirmou que quase toda a sua produção literária "tem se concentrado na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados". Destacou seu poema Nox, impresso numa folha contínua de papel em homenagem ao irmão falecido, como "uma obra inesquecível".
"Ao longo de toda a sua carreira", acrescentou a entidade, a canadense "combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades." Ela já lecionou em várias universidades da América do Norte, incluindo McGill, Michigan, Nova York e Princeton.
Segundo a secretária da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, Carson, que recebeu a notícia do prêmio na Islândia, "ficou surpresa, mas muito feliz." Ela estava entre os mais cotados para o Nobel de Literatura deste ano, ao lado da escritora experimental chinesa Can Xue.
O prêmio é atribuído à pessoa que "tiver produzido no campo da literatura o trabalho mais notável". Cada vencedor recebe 12 milhões de coroas suecas (R$ 6,1 milhões), independentemente de ser um indivíduo, pequeno grupo de laureados ou organização.
Sobre sua obra
Nascida em Toronto, Carson, de 76 anos, recorre a temas e narrativas da literatura grega e romana antigas em obras que frequentemente misturam poesia, ensaio e ficção.
Entre seus livros estão “Eros the Bittersweet”, sobre o prazer e a dor do desejo na literatura grega antiga; o romance em versos “Autobiography of Red”; “Men in the Off Hours”, coletânea de poesia e prosa que venceu o Griffin Prize, do Canadá, em 2001; e “Norma Jeane Baker of Troy”, que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Troia.
Carson também traduziu obras da literatura grega clássica que, segundo a Academia Sueca, “podem ser consideradas obras independentes por si mesmas”. Entre elas estão “If Not, Winter”, baseado em fragmentos de poemas de Safo; as tragédias de Sófocles “Electra” e “Antigone”; e “Bakkhai”, de Eurípides.
“Quase toda a sua produção literária se concentrou na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados”, disse Anders Olsson, presidente do comitê de literatura.
Carson lecionou estudos clássicos em várias universidades da América do Norte e viveu na Islândia, onde ela e o marido, Robert Currie, receberam cidadania em 2022.
Húngaro levou prêmio de 2025
No ano passado, o escritor húngaro László Krasznahorkai recebeu o Nobel de Literatura. Ele é conhecido por seus romances surreais e anárquicos que combinam uma visão sombria do mundo com humor mordaz.
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| László Krasznahorkai, Nobel de Literatura em 2025, é famoso por romances surreais e anárquicos - Foto: Mirco Toniolo/Avalon/Photoshot/picture alliance |
Segundo os jurados, o autor foi premiado por uma obra que reafirma o poder da arte em meio ao "terror apocalíptico".
Já em 2024, o Nobel de Literatura foi para a autora de romances, ensaios e contos Han Kang, da Coreia do Sul. Ela foi a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio.
A Academia Sueca - organizadora do prêmio e composta por 18 escritores, professores e intelectuais - é frequentemente criticada pelo longo histórico de premiação a homens e pela baixa representatividade geográfica dos vencedores na categoria literária.
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| Han Kang foi a primeira mulher asiática a levar o Nobel de LiteraturaFoto: Alastair Grant/AP/dpa/picture alliance |
Até o momento, apenas 33 dos 122 laureados são de fora da Europa. Nunca um brasileiro levou o prêmio.
Em várias ocasiões, o prêmio foi concedido a escritores que se opuseram abertamente aos regimes de seus países de origem, como a escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, em 2015. Ela é uma crítica ferrenha do presidente autoritário Alexander Lukashenko.
Outros ganhadores deste ano
Três prêmios científicos já foram anunciados nesta semana. O Nobel de Medicina foi concedido a três cientistas cujo trabalho levou ao desenvolvimento de uma ferramenta que utiliza a luz para ajudar a desvendar o funcionamento do cérebro.
Já o Nobel de Física reconheceu os esforços de um cientista para esclarecer um raro grupo de neutrinos.
Por sua vez, o Nobel de Química contemplou dois pesquisadores por desvendar misteriosas imagens espelhadas em moléculas, descoberta que contribuiu para o desenvolvimento de inúmeros medicamentos.
A semana das premiações terminará na sexta-feira com o anúncio do Nobel da Paz. O Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, o fundador do prêmio, será divulgado na próxima segunda-feira.
Em seu testamento, Nobel estipulou que ele deveria ser concedido à pessoa que tivesse realizado "o trabalho mais notável em uma perspectiva idealista”.
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ht (DW, AP, AFP, ots)



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