Humberto Espíndola [Compositor, Músico e Artista Plástico Brasileiro]


Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande, 4 de abril de 1943) é um artista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.

Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.

Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira.

Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Sua obra foi mostrada nas Bienais de São Paulo, Veneza, Paris, Medelim.

Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.


É difícil traçar o próprio perfil em poucas linhas. Vejo em mim muitas vidas quando olho para trás. E tenho muitas facetas no meu cotidiano. Mas meu humor é estável, pelo menos isso. Se você olhar minha trajetória artística pode ser um bom começo para saber quem ou como sou, e o que já fiz e continuo fazendo.(Humberto Espíndola)


Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola, cuja obra reflete a sociedade e a economia do Mato Grosso e de todo o Centro-Oeste.



Humberto Espíndola é um nome destacado na história da cultura brasileira, sendo considerado um dos principais artistas plásticos da região centro-oeste. Num estado com mais de 30 milhões de cabeças de gado, ele é conhecido como o ‘pintor dos bois’. A cotação da sua ‘arroba’ é a mais cara do estado e comprador não falta. O segredo é que os bois de Humberto não morrem jamais. Tornam-se imortais depois de soltos entre os quatro cercados da tela.




Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento à Cabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.


Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Prêmios

1968 - Prêmio Prefeitura no III Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul;
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal no III Salão de Arte Contemporânea de Campinas;
1968 - Grande Prêmio cidade de Santo André no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André;
1968 - Prêmio aquisição no I Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, São Paulo;
1969 - Prêmio aquisição na III Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo;
1969 - Prêmio Prefeitura Municipal no I Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte;
1975 - Prêmio aquisição no II Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás, Goiânia;
1977 - Prêmio de melhor do ano em pintura, Associação Paulista de Críticos de Arte;
1979 - Prêmio aquisição no XXXV Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba;
1980 - Prêmio aquisição no I Salão Arteboi, Montes Claros, Minas Gerais;
1981 - Prêmio aquisição no I Salão Regional de Arte da Prefeitura Municipal de Goiânia.
2008 - Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7.20 x 1.60 x 1.20m), Três Lagoas, MS.
2007 - Representa o Brasil no 4º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
- Pinturas e gravuras, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2006 - Monumento Bovinocultura - O carro-chefe (ferro e aço, 4.10 x 8 x 3.50m),
Cuiabá.
- Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (pintura, 800 m²), Edifício Salim
Kassar, Corumbá, MS.
- Territórios, coletiva no Museu de Arte Contemporânea/MAC/USP, São Paulo.
- Bovinocultura: Obras recentes, individual no Centro de Eventos do Pantanal,
Cuiabá.
- Abstrações rurais, individual no Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
2005 - Arte Campo Grande, coletiva no Armazém Cultural, Esplanada da Ferrovia,
Fundação Municipal de Cultura, Campo Grande.
- Pequenos formatos, individual/lançamento do site no Shopping Campo Grande.
2004 - Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte/ABCA,
pela carreira artística e contribuição à cultura brasileira.
- Arte Brasileira: Anos 60 e 70, coletiva em Juiz de Fora, MG.
- Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX, coletiva do Studio Centro
Histórico, Cuiabá.
2003 - BrazilianArt III, coletiva de lançamento do livro homônimo em São Paulo, SP e
Rio de Janeiro.
- A arte atrás da arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo, SP.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte de Londrina, PR.
2002 - Política, moda e arte, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM de São Paulo.
- Bovinocultura 1967/2002 - Panorama Retrospectivo, individual no Museu de
Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande, MS e no Museu de Arte e de
Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
2001 - Touros e Onças, com João Sebastião Costa, Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
- Cores de Março, coletiva na Galeria do Yázigi, Campo Grande.
2000 - Bovinocultura 1967/99 - Panorama Retrospectivo, individual na Casa Andrade Muricy, Curitiba.
1999 - Ibypitanga, coletiva inaugural da Art Galeria Mara Dolzan, Campo Grande.
- Grafias eletrônicas, individual inaugural da Galeria Yázigi, Campo Grande.
1998 - Inter-Cidades, coletiva em cidades de MS, produção Art Galeria Mara Dolzan.
- Rodeios, individual na Galeria do SESC Horto (mostra inaugural), Campo
Grande.
1997 - Seis Artistas Brasileiros: Dimensões do Ser e do Tempo, coletiva no Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz; Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo/USP.
- Painel interno Memórias de Mato Grosso do Sul (328x375cm), Casa da
Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande.
1996 - Viva Brasil, coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.
- Expobrasil/96, coletiva em Tóquio, produção Galeria Art-Con.
- Monumento Cabeça de Boi (escultura em ferro e aço, 8x2.50x0.30m), Praça
Cuiabá, Campo Grande.
1995 - Individual no Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, lançamento do livro A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT 1994, Cuiabá.
1993 - Sala Especial no XX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo Grande.
1992 - EcoArt, coletiva da Eco 92 no Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1990 - Pintura Contemporánea de Brasil, coletiva na Casa Rômulo Gallegos,
Caracas.
- Olhar Van Gogh, coletiva no MASP, São Paulo.
- Individual no Museu Guido Viaro, Curitiba.
1989 - Representa o Brasil na II Bienal Internacional de Cuenca, Equador.
1987 - Individual na Sadalla Galeria de Arte, São Paulo.
- 20 Anos de Bovinocultura, individual no Centro Cultural José Octávio Guizzo,
Campo Grande.
1986 - Individual na Art-Con Galeria de Arte, Campo Grande.
1985 - Nelores, individual por ocasião do I Leilão de Gado Nelore, Campo Grande.
1984 - Representa o Brasil na I Bienal de Havana.
- Artista convidado no VII Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte
Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
1983 - Individual na Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.
- Individual na Modus Vivendi Galeria de Arte, Porto Alegre.
1982 - Entre a mancha e a figura, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- 1ª Exposição de Arte Latina, coletiva em Recife.
- Individual na 44ª Expogrande, Campo Grande.
1981 - Figuração Referencial -11º Salão Nacional de Arte, Museu de Arte de Belo Horizonte.
- 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, em Tóquio, Kioto e Nekai, Japão;
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
1980 - Prêmio aquisição no 1º Salão Arteboi, Montes Claros. MG.
- Individual no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba.
1979 - Prêmio aquisição no 35º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba.
1978 - Representa o Brasil na 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura do México.
- 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, São Paulo.
1977 - Prêmio Melhor do Ano (pintura), Associação Paulista de Críticos de Arte.
- Arte Agora II/Visão da Terra, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
- Rosas/Rosetas, individual no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado, São Paulo; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e
Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1976 - Arte Agora I/Brasil 70-75, coletiva no Museu de Arte Moderna/MAM, RJ.
1975 - Prêmio aquisição no 2º Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa
Econômica de Goiás, Goiânia.
1974 - Mural externo Bovinocultura, Palácio Paiaguás (3 faces, mármore, granito e epóxi, 371 m2), sede do Governo de Mato Grosso, Cuiabá.
1972 - Representa o Brasil na 36ª Bienal de Veneza, Itália.
- Representa o Brasil na 3ª Bienal de Arte Coltejer, Medellin, Colômbia.
- Individual na Galeria Portal, São Paulo.
- Individual na Galeria Ipanema, Rio de Janeiro.
1971 - Prêmio bolsa de estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo.
1969 - Representa o Brasil na 10ª Bienal Internacional de São Paulo.
- Indicado à 4ª Bienal de Paris (a representação brasileira foi impedida pela
censura).
- Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea/MAC da USP, São Paulo.
- Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte.
- Individual na Sala Göeldi, Rio de Janeiro.
1968 - Prêmio Prefeitura Municipal de Campinas no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP.
- Grande Prêmio no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP.
- Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP.
- Referência Especial do Júri na 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas de
Salvador.
1967 - 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, Brasília.
- 17º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
- 23º Salão Paranaense de Artes Plásticas, Curitiba,.
- Individual no Museu Regional do Pantanal, Corumbá, MS.
1966 - 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato- grossense de Arte/AMA, Campo Grande.


Obras em acervos públicos
- BrazilianArt, Jardim Contemporâneo Editora, São Paulo.
- Casa de Cultura José Martí, México, DF.
- Casa de Cultura Wifredo Lam, Camagüey, Cuba.
- Caixa Econômica Federal, Brasília.
- Coleção Nemirowsky, São Paulo.
- Jornal do Brasil, Rio de Janeiro.
- Ludwig Fórum für Internationale Kunst, Aachen, Alemanha.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Curitiba.
- Museu de Arte Contemporânea/MAC, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo.
- Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Fundação de Cultura de MS, Campo
Grande.
- Museu de Arte da Pampulha/MAP, Belo Horizonte.
- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP, São Paulo.
- Museu de Arte Moderna/MAM, Rio de Janeiro.
- Museu de Arte Moderna/MAM, São Paulo.
- Museu de Arte Paranaense/MAP, Curitiba.
- Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.
- Universidade de Desenvolvimento do Pantanal/Uniderp, Campo Grande.
- Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT, Cuiabá.
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Campo Grande.


Produtor Cultural

2004/06 - Coordenador de Artes Plásticas do 1º, 2º e 3º Festival América do Sul, Corumbá, MS.
2002/04 - Gestor Artístico do Museu de Arte Contemporânea/MARCO, Campo
Grande.- Curador do Espaço Cultural do Shopping Campo Grande.
1991/92 - Diretor Cultural do Camaleão (casa de shows), Campo Grande.
1987/90 - Primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul.
1973/82 - Co-fundador e Diretor do Museu de Arte e de Cultura Popular/MACP, UFMT, Cuiabá.
1977/79 - Colaborador no livro Artes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, Ed. UFMT, 1980 (Prêmio Gonzaga Duque, Associação Brasileira de Críticos de Arte).
1973 - Pesquisa temas indigenistas em museus de antropologia para a criação do Museu Indigenista Candido Rondon, UFMT, Cuiabá.
1967/72 - Co-fundador e Diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.
1966 - Co-organizador da 1ª Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses, Associação Mato-grossense de Arte/AMA, Campo Grande.


“Quando eu comecei era um vazio sem fim. Não tinha patrocínio, nem casa de exposição ou galeria, não tinha museu, incentivo de tipo nenhum”, conta Humberto mostrando a diferença da valorização da arte atualmente, com os museus de Campo Grande cada vez mais estruturados, espaços culturais, os Festivais de Bonito e América do Sul que acontecem com ajuda de leis de incentivo fiscais que, segundo Espíndola, são fatores que fazem Mato Grosso do Sul estar inserido no mapa cultural do Brasil. Incentivos estes que ajudam os artistas regionais propagarem seu trabalho lá fora, fazendo com que Mato Grosso do Sul não seja visto somente como Estado criador de gado, mas também um Estado que produz cultura, arte de qualidade.


O artista plástico acredita  que sua formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural, e é o que efetivamente faz a sua terra ter seu valor exposto, se valorizado conseqüentemente terá sucesso  e  reconhecimento acima de tudo pelo amor à sua profissão. “Vale lembrar, entretanto, que como o ofício de pintor é pintar, a minha paixão pela pintura, não tenho dúvidas, é ainda maior do que essa que sinto pelo boi”, confessa o artista.




Para um artista que resolveu pintar o boi, não foi difícil perceber o quanto a figura desse animal carecia de dignidade ou status, sob o ponto de vista da maioria dos consumidores da pintura. Mas esse preconceito sobre a imagem do boi não implica só o comportamento do mercado de arte, implica também as opções intelectuais responsáveis pela animação cultural de cada região. Para um pintor que se envolveu com essas reflexões o desafio temático continua sendo inspiração que leva à realização da obra, já que minha formação artística valorizou o conceito de que a obra de arte reflete o meio sócio-cultural do artista


Por outro lado, observei que a imagem do boi — entenda-se nesta expressão o touro e a vaca também, em muitas culturas é absorvida com maior receptividade que entre nós. Seja como produto de consumo, propaganda, arte ou mesmo símbolo religioso. A diferença para uma maior ou menor receptividade está certamente na história iconográfica dessas culturas. Nas culturas orientais a imagem do boi é totalmente absorvida, pois ele está ali presente há milênios nos campos, ritos e cultos, e conseqüentemente na arte.



Minhas novas séries de pintura apresentam várias facetas ao mesmo tempo, o que faz com que me sinta bem diante dessa simultaneidade de portas, excitando-me a criação. O mais importante é que a simbologia do boi vem alimentando um crescente vocabulário sígnico na minha linguagem plástica. No decorrer desses anos, a bovinocultura me levou sempre a procurar relações universalizantes: pecus-pecunia, rosas/rosetas, rosa-boi, entre outras abordagens. E durante esse processo, tema e plástica foram se redefinindo, abertos para a liberdade de mergulhar no inconsciente coletivo e trazer de volta, nas tintas, sempre uma nova expressão. (Humberto Espíndola)






"Espíndola transmitiu, também, com a imagem do boi, a capacidade dual que o homem lhe impõe, isto é, o terno animal dos pastos também será besta satânica. Com as patas expressa o massacre, com os chifres a opressão e com o corpo o poder. Humaniza o boi para traduzir a força sócio-política e econômica. Associa-o ao Minotauro, símbolo da dualidade onde o homem e o animal se confundem. Assim, minotauros de hoje, famélicos senhores bovinos transitam engalanados de uniforme, estrelas, dragonas e esporas, enquanto devoram uma sociedade marginalizada em seus mordazes labirintos". (In, A Propósito do Boi, de Aline Figueiredo, ed. UFMT, Cuiabá, 1994, cap.9)




" [...] São pinturas em pequenos formatos, cujos temas citam fases da pintura do artista e revelam-se através de recortes nítidos, destacando os símbolos que insistiram em se mostrar durante a sua trajetória artística. De figuração variada e colorido vibrante, essas pinturas reúnem partes de narrativas onde o boi quase sempre é herói, às vezes brincalhão, outras enigmático, outras um retrato incômodo de algum político autoritário ou, até mesmo, de um faraó. Os bois se apresentam ao público, cada um a seu modo, exibindo os seus troféus, seus atributos, enfim, as características que os fizeram parte da história cultural do Brasil."
(Mariza Bertoli, 2005)




" [...] Editadas cuidadosamente sobre papel, numeradas individualmente, as gravuras de Humberto somam ao seu universo criativo um toque de experimentação além da sua indiscutível qualidade imagética. Humberto Espíndola, nos remetendo a um passado mítico, começa a olhar e a falar com outros meios expressivos atualizando seus arquétipos editados sob forma eletrônica. As formas taurinas explodem, incendeiam-se e, quando se supõe que viraram pura imagem luminosa elas voltam a nos falar das máscaras trágicas, do mágico e do mítico."
(Noemi Ribeiro, 1996)



"Depois de ter pintado o boi de todas as formas, Humberto Espíndola decidiu ultimamente retratá-lo numa linguagem minimalista sintética. [...] Surgiram formas que lembram criaturas encapuzadas, com raízes no momento atual."(Maria da Glória Sá Rosa, 2002)


"Ambicioso e complexo, o trabalho de Humberto Espíndola pode ser visto como um todo através de uma técnica essencialmente plural, o assemblage, onde distintos materiais são esgotados em suas qualidades plásticas, num jogo de interdependência para a criação de novos significados. Isto quer dizer que iremos encontrar sobre uma mesma superfície, a madeira, colagens de couro de boi, tinta acrílica e grafismos pirogravados. São quadros-objetos que enunciam o diálogo entre signos da cultura regional — o couro, as marcas de propriedade, e da cultura erudita, na medida em que o artista atribui-lhes novos significados ao combiná-los singularmente".
(Maria Adélia Menegazzo, 2002)




"A queixada dentada do boi parece um boomerang, rosa dos ventos, entronizada no alto da coluna, com seu azul maravilhoso. O que temos agora é um novo tipo de capitel. Não se trata de nenhuma ordem clássica — dórica, jônica, coríntia — mas de uma ordem pantaneira, ou melhor, metáfora de um classicismo de tipo novo, crescendo à porta da selva amazônica, fundando suas colunas nos pantanais do Brasil Central".
(Frederico Morais, 1981)






Painel no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.


"...impressionante painel de Espíndola no Palácio do Governo, no qual o boi como que aparece devorando o vazio do pantanal, estendendo seu olhar para muito longe, numa tentativa de apreender as dimensões continentais do nosso país e do próprio Continente. Dizia, então, que em regiões como esta, o artista não pode sussurrar, precisa falar alto, berrar, sair de sua timidez, pois, só assim, estará correspondendo aos desafios do isolamento e da distância".
 (Frederico Morais, 1981)




Da série Divisão dos Estados




Ano em que conheci Aline Figueiredo, que estava reunindo todos os artistas plásticos de Mato Grosso Uno, para "A Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses" O Evento aconteceu nos salões do Radio Clube central (hoje desativado) e contou com 600 pessoas na abertura. Em minha análise histórica, ainda eram os ecos da Semana de 22 que só então chegavam entre nós, vítimas do isolamento cultural. Naquela época, Campo Grande tinha pouco mais de cem mil habitantes. Hoje, depois de muitas batalhas, já estamos perfeitamente sintonizados no circuito nacional.

Tirar o velho Mato Grosso Uno de secular isolamento cultural.

Colocar Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no circuito da Arte Brasileira.



O boi leva suas patas para além do verde.
Chega o deserto.
Depois de uma caminhada pelo pais
as florestas ressentem...
A carne cobra seu preço


Na gordura quente do cupim elevado,
um monte reluz brancuras de neve.
Sob o azul de prata de um céu aberto,
o pasto invisível da imaginação


Dunas de carne se fingindo areia.
Boiada, sob lençóis.
Seus cupins ondulam no mar vermelho,
escondidos
sob o manto branco que clareia os campos



Na busca de pastagens
fui tuitando até o sigaquetesigo.
Encontrei muita carne
e muito pouco espírito.


Mas para a arte do boi
@
é peso e poesia




Asa flor
no jardim de asa
e azaléia
Imóvel de vento e beijo
solidão pulsante
descoberta à luz do dia
Rufar de asas
tambores suaves
de mensagens caladas
sem sal de lágrimas




Espíndola Canta (CD, 2003): Humberto participa do projeto Espíndola Canta atuando como cantor e compositor com a canção Malditos astros, e na composição Reino do Pantanal, interpretada por Gílson Espíndola

Malditos Astros
(Humberto Espíndola)
[MP3]

Nasci faz tão pouco
E já morri na mágoa de viver
De tão pequeno que fui Deus nem me viu
Ou se me viu já era tarde
Pois quem já nasce magoado
Morre magoado até o fim
Não quero não devo falar de ninguém
Talvez a grande culpa seja mesmo dos
Astros
Ah... malditos astros
Que me regem os passos
Profundamente magoados
Pesarosamente cientes
De suas rotas impassíveis




Reino do Pantanal
(Jerry e Humberto Espíndola)
[MP3]



Deita o sol
no lençol sem luar
estrelas assim brilham mais
no reino do Pantanal
índio ou peão
o caipira alí está
no Brasil, do nordeste a São Paulo
pantaneiro sofre ao se intregar
nesse desmanchar no ar
sem remédio pra curar a raiz
que perde a nação
na curva do rio
dramas de televisão
na alma ansiedade inventa canção
prisioneiro de seu pasto
sua fuga é na vazante
sua janela é sua porta
vôa peão
cavaleiro seu gingar
goza louco a galopar
crê o barco sua cama
pensa a cama sua chama
liberdade o que é que é
é saudade ou é mulher

e a ninguém o rio conta
sua paixão e solidão
fica peão







"Tenho uma história e trajetória de que me orgulho, mas sou um sujeito simples e consciente o suficiente para fazer de minha arte o instrumento de meu crescimento espiritual. A modéstia e a compaixão são duas virtudes que me fascinam. Amo a arte acima de todas as coisas..." (Humberto Espíndola)


Contato

E-mail humbertoespindola@uol.com.br
espindola.humbertoespindola@gmail.com

Fonte:

Humberto Espíndola
Todos os direitos autorais reservados ao autor.

2 comentários:

Fatima disse...

Es curioso, cómo las letras de sus versos guardan concordancia con sus obras pictóricas, a pesar de los colores vivos y alegres, las imágenes reflejan un sentir similar al de su poesía.

Interesante esa composición, muy bien elaborada.

jeronimo disse...



Quanto os astistas recebem (SALARIO)

Artistas que deram CALOTE