Tonho França - [Poeta Brasileiro]

Tonho França, pseudônimo de José Antonio Muassab França, nascido em Guaratinguetá, filho de José Antonio Guimarães França e Iza Muassab França, começou a escrever aos 12 anos para o jornal “A Tribuna do Norte” de Pindamonhangaba.


Em 2002 passa a dedicar-se somente a poesia, e a primeira apresentação de seu trabalho ao público aconteceu no Evento Artístico D. ETA.

No mesmo ano, seu primeiro livro “Entre Parênteses” é lançado em São Paulo em duas ocasiões, na Praça Benedito Calixto, e pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo no “Centro Cultural Prof. Authos Pagano”, segue então lançamentos em várias cidades como Osasco, São José dos Campos, Pindamonhangaba e Guaratinguetá.

Em 2004 lança Sinos de Outono, e em 2007 Blues à Tarde, fruto da vitória no I Concurso Carioca de Poesia – FENAC/ ABRACI/ ABL (Academia Brasileira de Letras)

Em 2009 lança também pela Multifoco,seu quarto livro ,“O Bebedor de Auroras”.
 


Tem participação em 21 Antologias, publicações regulares em Jornais e revistas de vários Estados como Rondônia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Dentre as premiações, destacam-se 3º lugar Nacional IV Festival Carioca de Poesia Prêmio Lya Luft, 3 º lugar Nacional Prêmio Missões Rio Grande do Sul, I Lugar no IV Festival de Arte em Osasco e representando Guaratinguetá, com o poema Blues à Tarde, venceu o Mapa Cultural Paulista edição 2007-2008.

Nos dois últimos anos figura entre os poetas que representam o Estado de São Paulo no Congresso Nacional de Poesia em Bento Gonçalves/ RS.

É membro da União Brasileira de Escritores.

Aparador

Sobre a madeira calma e antiga

Um oratório barroco, imagens

Candelabros cantam com anjos

Os segredos das vidas e das velas

Em lenta e suave dança de chamas

Aos olhos atentos da Santa,

No aparador da sala de estar

No aparador da sala de estar

Não para a dor de estar

Só...



Tardes
Há tardes em que nossas dores

Não cabem no pote de balas da sala.

E as lágrimas todas brotam

Esvaindo-se em cristais

Coloridos pelas lembranças tantas.

E qualquer verso que eu tentasse

Seria inútil.

Há tardes em que nossas dores

Refugiam-se no recôncavo

Das nossas saudades.

Melhor acender um charuto cubano,

Melhor ouvir um tango,

Melhor viver amanhã.

Café da manhã



Não há poesia

Foste tão antes do dia

O café na mesa servido

Gentilmente me faz companhia

Borrando junto com as lágrimas

A tua fotografia.


Vôo
Descanso meus olhos

num pôr-do-sol vadio e sereno.

A cabeça tonta entorna versos

que eu não contenho.

As ausências tantas dançam à minha frente

um balé do que nunca aconteceu.

Os caminhos que escolhi

não eram meus.

Mais um vinho e vou para casa

mais um vinho e vou

mais um vinho

e vôo

asas.



Saudade

É amanhecer todo dia

insistindo em ver

a mesma fotografia



Abajur
a sombra calada do abajur

Traços claros de um tempo

Que já não é mais.

Onde a música ouvia-se livre

A reluzir nas louças,

Nos vidros antigos da cristaleira.

O mesmo relógio que canta

as horas inteiras, canta as meias-

Badalas parecem eternas,

Ba da la das

Ba da la das

O cachimbo e um vinho do porto

Protegem-me da solidão das pessoas

Mas o mundo ainda parece tão perto

Ba da la das

Ba da la das

A vida foi-se nos olhos claros da madrugada,

Na sombra calada do abajur

Já não mais.

Jaz...



Tulipas amarelas...
(cenas de uma sala ou de uma vida)

Nada entre eu e mim

Se não esse ritmo já tão ouvido

As tulipas amarelas que parecem sorrir

Descansam na porcelana fria do vaso.

O mesmo cachimbo, e tudo que não trago

As paredes projetam tuas formas

O corredor torna-se imenso

Refletido pelas últimas luzes do ocaso,

Nada entre eu e mim

Nada entre eu e mim

Além das pontes invisíveis que atravessamos

Quando ainda éramos nós

A poltrona torna-se imensa,

A vida agora é real demais, algoz

Tudo se foi na tua bagagem

Nos rituais comuns de despedidas,

Meus versos, minha outra face

Nada entre eu e mim

Se não essa suave sensação de fim

Nuances, trincas eternas, seqüelas

Como o vaso onde descansam

Silentes tulipas amarelas...


Vai...
Deixe o tempo na varanda,

Faz o seu dever de casa,

Não espere, a vida cansa,

Não se alcança nada.

Acredite na moça da esquina,

Que leu a sua mão.

Enxuga os olhos na rotina azul

Esgarçada, improvisa um sorriso,

Desce as escadas,

Não repare nos detalhes,

Eles não dizem nada.

Lembra o cheiro das quaresmeiras,

E se conforta.

O destino tem surpresas...

Estão todas depois da porta.


A caixa de música
Está muda, silente solidão

A bailarina de porcelana russa

Está com depressão.



Ventos de solidão...
A solidão rasga as cortinas,

Entorna os vinhos, quebra os tonéis,

Vem pelas escadarias,

Anjos nus em ventanias,

Lava os anéis de todas promessas,

A solidão não tem pressa.

Sangra a poesia,

e os homens ficam assim,

turvos, curvos, mudos...

E as ruas ficam assim,

Cobertas pelo pó de tempo,

Amanhecendo esquecimentos,

Que nunca terão fim.



Confissões
Nos campanários, silentes os sinos,

Nos alpendres, quietas as flores,

Nos olhares, fixas lembranças,

Retinas inertes, imersas, profundas,

Perdidas, aflitas, no azul

Inocente dos olhos,

Procuram insistente,

Por todas as paisagens, paragens,

Nos campanários, nos alpendres,

Nos antiquários, nas avenidas,

Os olhos lavam-se em lágrimas interrogativas,

O que fizeram conosco

O que fizemos conosco

O que fizemos da vida...


Tarde de Outono
O outono deixa em meus olhos

Um tom acinzentado, suave langor

Meus passos mais vagarosos,

Deixa-me mais longe de todos e de mim.

Falsa impressão de frieza.

Essa minha face mais distante,

Mais envelhecida,

Vem do outono,

Esse ar de tristeza.

E a sensação incômoda

Que os poemas que escrevo

Nada tem de alento, de lenitivo

São apenas letras soltas brincando

Com a espuma quente e branca do meu cappucino



Ausência
Sinos ao longe, flores ao norte.

Cinzas ao vento, amores à sorte.

Caminho de mares, reflexo, luares.

Sinos ao longe, flores ao norte.

Sorrisos amanhecendo discretamente,

Entre beija-flores salientes

Bem-te-vis

Estridentes:

Bem-te-vi!

Bem, te vi,

Ausente...



Dos amores...
Há amores que vão para nunca mais...

Há amores que são para nunca mais

Não deixarão de ser amor, jamais,

Como se guardado em cristais,

Entre relíquias, cabedais.

Há amores que vão para nunca mais...

E deixam nos olhos um leve tom lilás

Entornando pores-do-sol

Eterna sensação de azul do cais...

Coração batendo um tom acima

Lágrimas são saudades a mais,

Orvalhando as retinas, meninas

Dançando pelo rosto,

À lembrança que não se desfaz,

Dos amores que vão para nunca mais,

Dos amores que são para nunca mais...



Pontes...
lém da ponte: o poente.

onde a vida naturalmente

serve-nos poesias

Em frágeis copos-de-leite

Tonho França
Todos os direitos autorais reservados ao autor

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